Escrito por Mário Ferreira dos Santos
«A doutrina dos Pitagóricos apresenta, por um lado, menos dificuldades que as anteriormente mencionadas, mas, por outro lado, contém outras que lhe são peculiares. De facto, não conceber o número com capacidade para existir em separado remove muitas das consequências impossíveis; mas que os corpos sejam compostos de números, e que este número deva ser matemático, é coisa impossível. Pois não é correcto falar de mudanças espaciais indivisíveis; e por muito que possa haver grandezas deste tipo, as unidades, pelo menos, não têm grandeza; e como é que uma grandeza por ser constituída por indivisíveis? Mas o número aritmético, pelo menos, consta de unidades abstractas, enquanto estes pensadores identificam o número com coisas reais; em qualquer caso, aplicam as suas proposições aos corpos, como se estes consistissem desses números.»
Aristóteles
(Metafísica M 8, 1083 b 8).
«Convém
saber de que modo se dá a participação do
sensível nas ideias, ou, em que medida se estabelece a relação entre as
coisas no palco do mundo sensível e as formas suprasensíveis teorizadas por
Platão; ou, ainda, de que modo e em que
medida poderão as formas transcendentes conter a essência do sensível, sendo
por definição universais diante da movente pluralidade dos seres e
entes individuais na ordem imanente
dos sensíveis.
Ora,
a forma é, para Aristóteles, a essência
imanente dos entes sensíveis. Olhando, pois, à exemplaridade divina das ideias
platónicas, não é de admirar que ao Filósofo coubesse ainda formular a questão capital por excelência: se as formas, porventura, são números, como podem elas ser as causas dos
seres que têm em si próprios o
princípio do movimento?
Na Metafísica, afirma o Estagirita que os
pitagóricos se ocuparam dos princípios da matemática como os princípios de todas
as coisas, preconizando os arkhaí como
entes que, com o tempo, decaíram no progresso do cálculo enquanto progresso de abstração e extensão sobre os objectos da matemática, a começar pelos números e pelas figuras no cômputo geral da cultura moderna. Mas, seja como for, conviria ainda saber se os números, do ponto de vista pitagórico, seriam por si só susceptíveis de ser identificados, em sua imutabilidade, com as próprias coisas, e, portanto, como e em que medida a geração seria possível a
partir dos números?
Ora, diremos que é, pois, à luz da
definição aristotélica de alma que constatamos naturalmente que os seres contêm em si próprios o princípio do movimento. Logo, temos que a
alma é, em sentido universal, a forma
substancial ou o acto primeiro de um corpo natural organizado, do que resulta que a alma não é separável do corpo, malgrado
poderem sempre subsistir partes da alma susceptíveis de separação, porque, se algumas partes são, de facto, inseparáveis do corpo no acto constitutivo de si mesmas, partes há como a intelectiva que não são parte de nenhum corpo. Consequentemente, dizer que a alma é o acto
de um corpo não será, decerto, a mesma coisa que dizer ser uma das suas partes
acto de um corpo.
Em toda a sua aptidão para conhecer, não pode o intelecto conter nenhuma natureza determinada das coisas sensíveis que conhece, mas unicamente a natureza de tudo o que é possível, pelo que não pode ser em acto nenhuma daquelas coisas, estando realmente em potência para tudo o que pensa. Numa palavra, o intelecto é sem mistura, conhecendo, pois, a natureza de todas as coisas. Logo, jamais formando um composto das coisas existentes, o intelecto possível não é em acto mas em potência, sob pena de tudo aquilo que em si vai conhecendo ser objecto de obstrução, obstando assim à compreeensão do que está fora, à semelhança de um olho em cuja sobreposição duma cor no interior da pupila não menos suscitaria a obstrução da vista relativamente às demais cores.
Porém, na medida em que a alma é a forma do corpo, e à medida que as substantes formas anímicas se vão cada vez mais subtilizando em virtude de um princípio insubstante de ordem superior, as afecções do ser ou do sujeito em que ela parece estar contida, como o desfalecer ou a perda de vigor, não afectam, na sua essência, o que há na alma de mais impassível em perfeita conformidade com sua natureza divina, cuja imperecibilidade se mantém incólume perante a extenuação própria da velhice, bem como face a toda a destruição e enfermidade possíveis. Neste sentido, o intelecto é separado, e, portanto, uma faculdade incorpórea da alma enquanto acto de um corpo. Numa palavra, o intelecto é uma certa faculdade da alma e, de modo algum, uma faculdade do corpo.»
Miguel
Bruno Duarte
«Uma vez mais, em sentido algum se precisou de que modo é que os números são as causas das substâncias e do ser – se (1) como limites (dado que os pontos são grandezas espaciais): era assim que Êurito fixava o número de qualquer coisa (por exemplo de um homem ou de um cavalo), imitando as figuras dos seres vivos com pequenos seixos, como fazem alguns, ao darem aos números formas de triângulo e de quadrado; ou (2) é por ser a harmonia uma relação de números que o é também o homem e tudo o mais.»
Aristóteles
(Metafísica N 5, 1092 b 8).
«Filolau de Crotona, pitagórico. Foi a ele que Díon foi aconselhado, numa carta, por Platão a comprar os livros pitagóricos... Escreveu um livro. (Hermipo diz que, segundo um determinado escritor, o filósofo Platão foi para a Sicília, para a corte de Dionísio, comprou este livro aos parentes de Filolau por 40 minae alexandrinas, e que dele copiou o Timeu. Outros há que afirmam que Platão adquiriu os livros, após ter obtido de Dionísio a libertação do cárcere de um jovem que havia sido um dos discípulos de Filolau).»
Diógenes Laércio (VIII, 84 DK 44 A 1).
«As formas platónicas não são objecto do conhecimento sensível, pelo que já exigem uma dialéctica nocional do espírito que abstrai gradualmente o esquema eidético (eidos, morphe) da coisa em sua corrente manifestação (phaos, luz), e em razão do qual ela é o que é e não uma outra coisa, determinando assim sua proporcionalidade intrínseca das partes em relação ao todo, entendida nos termos de uma unidade qualitativa e transcendentemente diferenciada das componentes que a constituem, embora também estas resultem não menos susceptíveis de virem a ser unilateralmente sujeitas a um ponto de vista quantitativo. Observe-se ainda que a forma, segundo Platão, não é uma coisa sensível subsistente per se, mas o que de algum modo se dá na coisa, permitindo que ela seja o que é pela forma que tem, e, nesse sentido, por uma certa esquemática na qual se fundamenta e conhece a correspondente proporcionalidade intrínseca das partes. Assim, por exemplo, a triangularidade é o esquema das proporções intrínsecas de todos os triângulos a haver, pois todos participam, com suas cambiantes, da triangularidade a que precisamente subjaz o esquema eidético do triângulo, surgindo, ao fim ao cabo, como a lei de proporcionalidade intrínseca da triangularidade. Ora, achando-se esta insubsistente na ordem da manifestação universal, embora já ontologicamente subsistente na ordem infinita do ser, não tem, em boa verdade, um onde nem um quando.»
Miguel Bruno Duarte
«Timeu – De facto, ó Sócrates, pelo menos
todos quantos participam minimamente na sensatez, quando se preparam para
empreender uma tarefa, seja pequena ou grande, apelam sempre, de uma maneira ou
de outra, a um deus. Ora nós, que vamos produzir um discurso acerca do
universo, dizendo como se gerou, ou se não é gerado, se não tivermos perdido por
completo a razão, teremos necessariamente de invocar os deuses e as deusas,
fazendo votos para que tudo o que dissermos esteja, em primeiro lugar, de
acordo com o seu pensamento, e consequentemente com o nosso. Estejam, pois, os
deuses assim invocados; naquilo que nos diz respeito, invoquemos, quanto a vós,
que aprendais facilmente, quanto a mim, que exponha claramente aquilo que penso
acerca do assunto que temos diante de nós.
Em
minha opinião, temos de começar por distinguir o seguinte: o que é aquilo que é
sempre, e não tem geração, e aquilo que se gera sempre, e nunca é? O primeiro
pode ser apreendido pelo pensamento, acompanhado pelo raciocínio, uma vez que é
sempre desta maneira, enquanto o segundo pode ser opinado pela opinião,
acompanhada pela sensação desprovida de raciocínio. Ora, tudo aquilo que é
gerado é necessariamente gerado por uma causa; pois é impossível alguma coisa
obter geração sem uma causa. Assim, pois, sempre que o demiurgo, olhando para
as coisas que são idênticas, das quais se serve na sua qualidade de paradigmas,
produz a forma e a potência dessas coisas, tudo aquilo que completa deste modo
é necessariamente belo; em contrapartida, se olhasse para o que se gera,
servindo-se disso como paradigma gerador, já não completaria coisas belas.
Quanto
ao conjunto do céu – ou mundo ordenado, ou outro nome que seja mais adequado
dar-lhe, pois assim lhe chamaremos –, temos de investigar em primeiro lugar,
relativamente a ele, aquilo que deve ser investigado no princípio relativamente
a todas as coisas: se sempre existiu, sem ter tido um princípio de geração, ou
se foi gerado, tendo principiado a partir de um certo princípio. Foi gerado, porque é visível e tangível e tem corpo; e todas as coisas que são desta
maneira são sensoriáveis; e as coisas sensoriáveis, que são apreensíveis pela
opinião, que acompanha a sensação, são geradas e, como dissemos, têm uma
geração. E também dissemos que aquilo que foi gerado foi necessariamente gerado
por uma causa. Mas descobrir o produtor e pai deste universo é tarefa de monta
e, uma vez descoberto, é impossível falar dele a toda a gente.
Mas ainda é necessário que investiguemos o seguinte, acerca do mundo ordenado: a partir de qual dos paradigmas o produziu aquele que o fez, se foi a partir daquilo que é idêntico e igual a si mesmo, ou a partir daquilo que foi gerado. Ora, se este mundo ordenado é belo e se o demiurgo é bom, é claro que ele olhou para o que é eterno; mas se fosse o contrário, coisa que nem é permitido supor, teria olhado para o que é gerado. Mas é evidente para todos que olhou para o que é eterno; porque o mundo é a mais bela de todas as coisas que foram geradas, e o demiurgo a melhor de todas as causas. E assim, aquilo que foi gerado foi produzido pelo demiurgo, a olhar para o que é apreensível pelo raciocínio e pelo pensamento e é idêntico.
Ora,
estabelecidas estas coisas, é inteiramente necessário que este mundo ordenado
seja uma imagem de alguma coisa. Mas em todas as coisas o mais importante é
principiar pelo princípio natural. E, relativamente a uma imagem e ao seu
paradigma, temos de estabelecer que os discursos explicam certas coisas, com as
quais são afins. Assim, os discursos claros,
estáveis e constantes são acerca das coisas estáveis, firmes e que o
pensamento acompanha – e, tanto quanto convém aos discursos serem irrefutáveis
e inabaláveis, é necessário que em nada fiquem aquém disto. Quanto aos
discursos acerca daquilo que copia estas coisas, e que é portanto uma imagem,
serão verosímeis e análogos a estes; pois assim como a realidade está para a
geração, assim a verdade está para a crença. Deste modo, ó Sócrates, se acerca de
muitas coisas e em muitas questões relativas aos deuses e à geração do universo
não formos capazes de apresentar argumentos em tudo coerentes e com grande exactidão,
não te espantes; mas se apresentarmos argumentos cuja verosimilhança não seja
inferior à de outros, devemos acolhê-lhos, recordando-nos de que eu, que falo,
e vós, que me julgais, temos uma natureza humana, de tal maneira que, acerca
destas coisas, nos convém acolher uma história verosímil, e não investigar
ainda para além dela.
Sócrates – Excelente, ó Timeu, devemos absolutamente acolhê-lo como sugeres. Acolhemos o teu preâmbulo com admiração; completa em seguida o tema para ouvirmos...».
Platão («Timeu»).
«Independentes
da mente humana são, para Platão, não somente as Idéias eternas, mas até os
fenômenos do mundo físico que as ilustram diante dos nossos olhos: “Deus
inventou a visão e a deu de presente a nós para que, contemplando o curso da
inteligência divina no firmamento, pudéssemos transferi-lo aos movimentos do
nosso próprio pensamento” [Timeu,
47-b-c. V. igualmente República, X,
530d e 617b]. O céu visível é não
somente externo à mente humana, mas superior a ela ao ponto de dever servir-lhe
de medida e modelo, ajudando-a a superar a sua inconstância e falibilidade
mediante a contemplação de um símbolo natural das idéias eternas.
Uma
boa resenha dos estudos platônicos ao longo dos tempos é Images de Platon et Lectures de Ses Oeuvres, de Ada Neschkle-Hentschke,
em que vinte eruditos repassam as interpretações mais célebres do platonismo
desde a Antigüidade até o século XX. Pode procurar: não encontrará uma só
dessas interpretações que negue a existência do “realismo das Idéias”.
Um idealismo subjetivo, que tudo ou quase tudo reduz a projecções da mente humana e nisso vai muito além do relativismo sofístico ou do ceticismo pirrônico, esse sim é que é um fenômeno moderno, desconhecido na Grécia antiga. Este é outro ponto que os historiadores da filosofia jamais colocaram em dúvida.»
Olavo de Carvalho («Os EUA e a Nova Ordem Mundial. Um debate entre Alexandre Dugin e
Olavo de Carvalho»).
«Para Aristóteles, a physis era considerada como uma fantasia, que exprimia através dos fenómenos da luz a visão caleidoscópica do movimento do cinético. Já desde Parménides a filosofia grega anunciava o valor originário do domínio natural da luz. Este domínio era cointensivo do próprio ser, o que sugere como possível, para não dizer impositivo o caminho da filosofia através de uma especulatio da realidade, como caminho privilegiado, sempre que o pensar humano, dependente do cinético, intencionasse um aprofundamento da realidade em comunhão com o noético. Na filosofia grega que os medievais seguiram e meditaram, temos todos os elementos necessários para nos apercebermos que a luz, para os gregos, não era só um fenómeno inteligível, mas que era também fundamento da própria inteligibilidade. Assim, não estranhamos que para os renascentistas a pintura fosse uma arte divina. O artista devia imprimir nela a imitação recriadora da realidade. Idealmente nós nunca pensamos na extensão: isso é fotografar a realidade. Nós pintamos com o sentido da transparência através dos véus do diáfano!»
Luís Furtado («Teoria da Luz e da Palavra).
«Conviria proceder, quanto antes ao estudo da história do aristotelismo em Portugal. Conviria mostrar, por monografias adequadas, que o nosso aristotelismo tomista se configurou diferentemente ao longo dos séculos, e que não tivemos apenas aristotelismo tomista. Conviria, enfim, demonstrar que nem só nas instituições eclesiásticas se cultivou a filosofia escolástica.»
Álvaro Ribeiro («Aristóteles e a Tradição Portuguesa»).
«Com
excepção daqueles que seguem a linha cristã, a maioria dos estudiosos de
filosofia não compulsam as obras dos escolásticos. E basta que se leiam livros
de certos autores modernos, que não pertençam aos quadros da igreja, para que
se veja desde logo a visão caricatural que traçam da obra das grandes
escolásticas.
Nunca
uma época revelou maior ignorância da obra do passado como a nossa.
Praticamente pulamos dos gregos para a idade moderna, e a chamada idade medieval é apenas uma “grande noite”, trevas da ignorância, dizem muitos, onde
o espírito humano caiu na mais negra obscuridade.
Tais erros são encontradiços na obra dos modernos e se pode afirmar que é uma normal do pensamento leigo, afastado da obra escolástica».
Mário Ferreira dos Santos («Tratado de Simbólica»).
ESCOLÁSTICA E PITAGORISMO
O
pitagorismo não é uma filosofia sistematizada, como também não o é a Escolástica.
Há uma tremenda semelhança entre a Escolástica e o pitagorismo. A Escolástica
foi fecundada pelo pensamento de Aristóteles e também de Platão, e abre as
portas para a análise, a polémica e até tomadas de posição díspares. O que
caracteriza propriamente a Escolástica é o pensamento positivo, fundado na
metodologia aristotélica, isto é, a partir da experiência realizada, ou da racionalização
da experiência, o que é um ponto importante; limitada dentro do âmbito em que a
fé religiosa, cristã, permite que ela se desenvolva, a Escolástica,
conseqüentemente, representa um grande trabalho científico, um esforço sobre-humano,
extraordinário, de homens de um valor espantoso, que levaram adiante o facho do
conhecimento que os gregos haviam erguido a um ponto tão alto. Em relação ao pitagorismo,
devemos dizer que também dentro da concepção pitagórica há lugar para posições
as mais diversas, inclusive díspares. Encontramos pitagóricos, por exemplo, que
são meramente esotéricos, que têm um pensamento mágico, outros místicos etc. Em
outras palavras, existem dentro do pitagorismo possibilidades imensas. Quando
se diz posição pitagórica, quer-se dizer aquela posição que segue a metodologia
pitagórica. Ora a metodologia pitagórica já é distinta, porque ela é mais concreta
do que a aristotélica, porque ela não quer somente uma racionalização da experiência,
como quer também uma experimentação da racionalidade, pois ela não somente
procura subir dos fa[c]tos às idéias, como descer das idéias aos fa[c]tos, mas
não se cingindo apenas às idéias no sentido noético, isto é, de construções do
espírito humano, mas às idéias buscadas na sua pureza, no seu enunciado que
ultrapasse o próprio homem, porque a verdadeira posição pitagórica é uma
posição genuinamente especulativa, porque há uma acentuada luta para afastar-se
constantemente de todo axioantropológico. Por isto, pode-se dizer que Pitágoras
iniciou propriamente a Filosofia Especulativa.
Pode-se
atribuir a Tales, por exemplo, uma filosofia assertórica e fundada na
experiência, mas a filosofia genuinamente especulativa deve-se a Pitágoras. Ele
é o fundador da Filosofia Especulativa grega, que confirmamos porque nos
consideramos herdeiros e queremos levar avante este mesmo facho do conhecimento
que foi aceso por ele.
De forma que quero que fique bem clara esta posição, para evitar as naturais confusões que possa haver. O fa[c]to de um pitagórico ter dito isto ou aquilo não compromete o pitagorismo, assim como o fa[c]to de um escolástico ter tomado esta ou aquela posição não compromete a Escolástica. Em outras palavras, dentro do âmbito escolástico há campo para tomadas de posição as mais variadas, assim como dentro do campo pitagórico existe amplo terreno para a tomada de posições as mais díspares possíveis. A sistematização final ainda não coube nem a Pitágoras nem a Aristóteles, e nem caberá a nós, porque o que nós podemos fazer é uma sistematização dentro deste estágio em que nós vivemos, mas os homens de amanhã continuarão a análise, continuarão fazendo sínteses e concreções que superarão as nossas, e assim deve ser, para haver progresso humano; do contrário, este não aconteceria e desejamos que assim seja. Não devemos ter a pretensão de encerrar a História da Filosofia, o que seria um verdadeiro absurdo, como alguns filósofos pensaram que encerraram a história. Hegel, por exemplo, sentiu-se como o pináculo, como o ápice final da Filosofia; Kant também, e assim muitos julgaram que com eles se encerravam muitas possibilidades futuras. Mas não, elas estavam abertas. O nosso papel deve ser o de fecundadores do pensamento posterior, como os antigos foram os fecundadores do pensamento actual. É isto o que devemos procurar.
(In A Sabedoria das Leis Eternas, Introdução, edição de texto e notas de Olavo de Carvalho, É Realizações, 2001, pp. 111-114).








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