terça-feira, 31 de maio de 2016

Repúdio do comunismo

Escrito por Miguel Bruno Duarte





«O comunismo é, na sua essência transcendente, uma solicitação demoníaca, operando por dois processos aparentemente antagónicos, o da vingança de injustiças seculares e o da promessa definitiva de plena satisfação dos desejos humanos».

Leonardo Coimbra  («A Rússia de Hoje e o Homem de Sempre»).


Consideremos o caso de António José Saraiva que, em livro de sua autoria (1), no «Prólogo da Edição de 1984», confessa toda a ignorância em que se vira envolvido enquanto membro do Partido Comunista Português. Por outras palavras, o autor, situado no Portugal dos anos 40 e princípios de 50 do século XX, confessa a sua ingenuidade perante o que definia e constituía a verdadeira natureza do comunismo soviético, assim como a sua expansão imperialista pelos quatro cantos do mundo.

Para o literato, tudo mudou a partir do momento em que, perante o mundo, se dera a conhecer o relatório de Khrushchev sobre as atrocidades cometidas por Estaline, nomeadamente contra os membros do Comité Central do Partido Comunista da URSS, a maioria (70%) presa e assassinada até ao último suspiro do feroz e cruel tirano. O relatório, porém, revelaria ainda «os célebres julgamentos de Moscovo», cujos réus, «entre eles os companheiros mais fiéis de Lenine», teriam desaparecido todos depois de, à «custa das mais atrozes torturas físicas e morais», «confessarem» os alegados crimes de que eram acusados (2). E nisto, o Partido Comunista em Portugal, que supostamente se batia pela liberdade contra um regime autoritário, mostrou o seu verdadeiro rosto ao manter o mais vil e repugnante silêncio perante os crimes e arbitrariedades do mais acérrimo admirador de Pedro o Grande.

A. José Saraiva confessa assim a imagem que até então formara de uma sociedade socialista «mais justa e mais perfeita», dado que susceptível, a seu ver, de um sistema de liberdade em harmonia com o paradigma aparentemente lógico do «discurso marxiano». A confissão surge, pois, sincera, ao ponto de ter procurado, aquando da visita a Moscovo, em 1961, estudar a fisionomia mumificada «do famoso georgiano», como se procurasse uma revelação vinda de quem fora finalmente incinerado e transferido para uma das caixas embutidas na muralha exterior do Kremlin, ao lado de outras mais que contêm os restos de «comunistas notáveis» (sic), mas de segunda categoria. Entretanto, por lá ficara ainda a múmia de Lenine, como que a ilustrar o endeusamento próprio de um regime despótico e sem escrúpulos.

Sabemos hoje que a Rússia bolchevista, tendo reavivado a época dos grandes «cans» tártaros e mongóis, usara o marxismo enquanto instrumento revolucionário para dar azo aos desígnios do pan-eslavismo. E não foi por acaso que o messianismo marxista se combinara com o despotismo e o comunismo que, desde a noite dos tempos, permite caracterizar, por contraste com o Ocidente europeu, a altivez, a arrogância e o imperialismo da velha Rússia. Basta ver como nunca ela reconhecera o direito de propriedade, e nem sequer o da pessoa humana, como, aliás, já no tempo dos czares, escrevera o barão Haxhausen:

«Originariamente, a ideia de um direito à propriedade privada do solo é estranho por completo ao pensamento e aos costumes do povo russo. Os vastos territórios da Rússia foram sempre considerados como propriedade colectiva do povo russo. Daqui advém, como consequência, que não pode haver nenhuma propriedade do solo, nenhum direito hereditário a semelhante propriedade, nem sequer o direito de usufruto vitalício ou temporário sobre determinada porção do solo. Esse princípio, cuja origem se deve à antiga vida nómada do povo russo, manteve-se ainda depois da formação de instituições fixas, em todas as fases do império» (3).





Deste modo, mais facilmente se compreenderá que o comunismo não se se tenha limitado a Lenine ou Trotsky, mas a todo o povo russo, ou, se quisermos, ao «único povo deífico, (…) chamado a renovar o mundo», nas palavras de Dostoievsky (4). Só que, efectivamente, o povo russo, nas mãos de Lenine, perdera ainda mais a possibilidade de vir a alcançar uma existência humanamente digna, tal como, aliás, manifestamente o indicam as sentenças daquele mesmo revolucionário: «O número, a massa – simples factores de poder!»; «Motorização + electrificação = comunismo»; «Westminster não vale um par de botas, um tractor ou uma máquina de brocar aço!» (5).

Enfim, posto isto, por que razão é que A. José Saraiva não vira o que, nos anos 40 e princípios de 50 do século XX, se estava passando na Rússia de Estaline? (6) E como é que alguém que lia o New York Herald Tribune, em que haveria de ser publicado o já referido relatório do primeiro secretário do Partido Comunista da URSS, poderia estar tão desinformado, para já não referir o facto de os jornais portugueses terem, inclusivamente, dado exaustiva cobertura ao discurso de Winston Churchill, pronunciado a 5 de Março de 1946 no Westminster College, em Fulton (Missouri, EUA)? (7)

Ora, a resposta dada pelo autor, é que, até ao relatório de Khruschev, a atitude tinha sido de inteira e sistemática rejeição «de toda a informação que contradizia a propaganda soviética, como sendo facciosamente anti-revolucionária». Quer dizer: temos aqui a confissão de como a «democracia soviética», na qual acreditara pia e ingenuamente A. José Saraiva, era, no final de contas, a pior das tiranias levada a cabo por mais um Gengis Can moscovita. E tal como A. José Saraiva, havia muita gente em Portugal, comunista ou não, que se deixava embalar por uma ilusão a que o autor do Dicionário Crítico, sempre com base na sua experiência peculiar, descreve nestes termos:

«(…) estava na frente oposicionista não só com o PC, mas também dentro do PC, porque acreditava na democracia soviética, a qual, segundo a doutrina marxista, era uma “ditadura de classe”. A minha convicção era que na URSS funcionava o “centralismo democrático”, maravilhosa invenção pela qual o vértice correspondia automaticamente à base: o povo controlava o partido; o partido controlava o Comité Central; estes os seus orgãos executivos. O relatório de Khrushchev, como um relâmpago, revelou-me que este pretenso “centralismo democrático” era um pano mentiroso que escondia um buraco escuro. Designava de facto o mais irracional despotismo; Estaline governava como um tirano asiático, recorrendo à intriga, à ameaça, ao medo, ao crime. Era um personagem da bitola de Hitler, um discípulo de Maquiavel, e não de Marx. Eis no que consistia o “centralismo democrático" que como tantos intelectuais ingénuos eu imaginava um sistema mais perfeito que a “democracia burguesa”».

Como se vê, tratava-se de uma confissão sincera, que militantes ainda hoje ligados ao Partido Comunista jamais tiveram e terão a coragem de assumir. De resto, o desconhecimento do autor sobre o comunismo russo era não só relativo ao tempo de Estaline, mas também ao mito da Revolução de Outubro, se, para o efeito, compararmos o trecho acima transcrito com o que, sob a autoria de Lenine, põe a nu a terrível autocracia do «punho de ferro do proletariado»: «será indispensável» – escrevia pouco antes da Revolução de Outubro – «estabelecer uma ditadura implacável. Ditadura de uma classe? Certamente. Não deve, porém, excluir-se a hipótese dessa ditadura se transformar na ditadura do partido, e de esta se restringir à de um pequeno grupo, o qual, em certos casos, se verá obrigado a delegar a sua autoridade em um só homem». Logo, será «preciso, pelo contrário, construir uma pirâmide de forças, tão pesada e esmagadora que ninguém possa evitar a sua cota parte do fardo que constituirá para o país inteiro» (8).

Rendição de tropas russas aos alemães na I Grande Guerra.







Revolucionários em Petrogrado












































De facto, onde só obstinadamente se via propaganda anti-revolucionária, automaticamente repudiada por todos aqueles que achavam personificar o espírito de liberdade contra o regime de Salazar, o resultado, com toda a ironia daí decorrente, acabou por comportar a defesa de um regime comunista inimigo da paz e da liberdade no concerto dos povos, nações e culturas à escala mundial. E tudo isto porque, supostamente, aquela mesma propaganda ofuscava, ou não deixava entrever o que já inúmeras encíclicas papais denunciavam face ao perigo comunista, entre elas a de Leão XIII, Pio XI, e até, antes disso, a de Pio IX, dada a lume, dois anos antes de se publicar o Manifesto Comunista, de Karl Marx. Depois, porque também Oliveira Salazar, nesta matéria, era assaz suspeito, mesmo quando «a depuração férrea dos meios políticos e militares», bem como «a execução de Zinoviev, Kamenev e muitos outros homens», tivesse deixado «o mundo estupefacto» (9), o que, já por si, prova que quem ignorava, fosse o que fosse acerca do comunismo, não era por falta de informação disponível, mas porque, mais directa ou indirectamente recrutado ou ideologizado, só via o que, de algum modo, lhe era dado ver.

Por outro lado, já de há muito que se sabia ter sido a Revolução de Outubro uma revolução consolidada e efectivada nos termos de uma doutrina da violência. A corroborar o facto, está a conferência dada por Salazar no Funchal, em 1925, na qual, sob o título «O Bolchevismo e a Congregação», traçara o cenário apocalíptico da revolução russa (10). Aliás, quando, em 1933, António Ferro entrevista Salazar, este, sobre a mesma revolução, reafirma todo o processo de «grande violência» aplicado «a um povo moderno em vias de desenvolvimento» (11).

Na realidade, nem tudo era, ou nem tudo se reduzia, na época em questão, a um caso de pura e tendenciosa propaganda. De resto, Salazar estava muito atento à ficção jurídica de uma organização supranacional e sua respectiva tendência para o «cidadão do mundo», pois sabia como o internacionalismo «encobria tendências pronunciadas de imperialismos nacionais» (12). Neste contexto, pondere-se, com suas repercussões na actualidade, sobre o falso e abstracto universalismo maçónico (13), assim como sobre a acção da Internacional Comunista sob as instruções do Kremlin (14).

Do Komintern ao Kominform, dir-se-ia, decerto, ter tido o último monarca a perfeita consciência da subversão comunista no jogo supostamente normal das forças políticas nacionais (15). Por isso, escrevera: «O facto de os partidos comunistas nacionais se considerarem apenas e funcionarem efectivamente como secções de um partido que é um Estado estrangeiro faz deles instrumentos de uma política que, na ordem interna e na ordem externa, não pode ser política nacional nem supranacional, mas predominantemente estrangeira» (16). E como estrangeira é, ainda hoje, a ideologia totalitária do Partido Comunista em Portugal, a começar pelo «obstáculo à propriedade geral e a ameaça à liberdade individual» (17).

Quanto ao caso de Leonardo Coimbra, que fora «a antítese, ou o antónimo, da personalidade de Salazar» (18), convém relembrar como o filósofo, ao contrário da maior parte dos intelectuais do seu tempo, vira o que só, mais de um vinténio depois, uma outra geração, também de intelectuais, entre os quais A. José Saraiva, começara a entrever com a divulgação do relatório Khrushchev sobre a «pátria do socialismo». Decorria então o ano de 1934, quando Leonardo Coimbra aceitou fazer, no meio cultural salazarista, uma conferência sobre A Rússia de Hoje e o Homem de Sempre, no teatro de São Carlos, em Lisboa. Não se tratou, como muitos o acusaram, de uma concessão ao salazarismo, mas tão-só «imperiosa necessidade, naquele livro documentada, de defender a liberdade da ameaça mais temerosa que ela hoje defronta, o comunismo» (19).
Mas, do livro em questão, deixemos uma janela aberta para que permaneça alguma esperança de rectificação mental ante o carácter destrutivo e anti-humano do comunismo:

«O esforço para a implantação pode deixar em seu caminho doze milhões de mortos de fome, inegáveis casos de canibalismo, oito milhões de crianças vagabundas, raparigas de treze a catorze anos grávidas e sifilizadas, altares profanados – simbolicamente oferecidos ao Excremento –, milhões de camponeses fuzilados, médicos, padres, intelectuais assassinados aos milhares: tudo isso nada prova aos olhos dum comunista. O Absoluto do Fim justifica e consagra todos os meios.

Para além do sofrimento, das crueldades e do horror, está a certeza da Terra Prometida.

Não foi Deus, que a prometeu; mas foi a ciência pela voz infalível de Karl Marx, e seu altifalante Vladimiro Ulionor.

(…) Suponhamos, pois, que se chega ao Fim. Não mais Deus, não mais Família, não mais arte repassada de metafísica, enevoada de mistério e transcendência…» (20).

No que respeita à expressão artística, também se vira Portugal confrontado com pressupostos ideológicos e políticos de ordem marxista. O caso da polémica travada entre José Régio e Álvaro Cunhal, nas páginas da Seara Nova, mostra-nos até que ponto a vida literária portuguesa estava sendo invadida, nos anos 30 e 40, por intelectuais afectos ao movimento comunista internacional. Respondendo a Álvaro Cunhal, tivera José Régio a devida frontalidade para dizer que o seu amor pela arte não era o «produto de nenhuma ortodoxia, cartilha, ou credo político», mas tão-só um amor que «antes enraíza num profundo sentimento de fraternidade e justiça» (21).

É claro que, depois disto, o dogmatismo férreo de Cunhal se fizera sentir em nome de uma sujeição ao colectivo, desautorizando assim toda e qualquer afirmação da consciência livre (22). A José Régio, contudo, passara-lhe ao lado. E a Agostinho da Silva também, a quem Cunhal, no Chiado, fora ao ponto de o abordar por não ter escrito o que ele, Cunhal, achava imperioso dizer sobre as crianças que não têm brinquedos, e ao que Agostinho, consciência livre, respondera:

«Pois é, até podia ter escrito, mas na ocasião não foi isso o que me interessou escrever; o que me interessou escrever foi apenas sobre a relação entre a criança e o brinquedo. Mas quem sabe se um dia não poderei vir a escrever sobre as crianças que não têm brinquedos» (23).

Entre nós, convém lembrar que continua a perpetuar-se o controlo dos orgãos de informação pública, se bem que, com os meios tecnológicos actualmente disponíveis, a campanha de pura cegueira e mentira ideológica decorrente da revolução comunista de 1974 tenha os seus dias contados. Ainda assim, prevalecem nas leis e nos poderes do Estado todos aqueles velhos hábitos mentais que, imbuídos do marxismo, se vão mantendo e combinando em condições que não só estrangulam a economia e a arte de governar os povos, como também adulteram, por via do ensino, sucessivas gerações de portugueses. Logo, para todos aqueles que assim persistem nessa ilusão, de nada podem valer, como o viria a reconhecer A. José Saraiva (24), quer os desmentidos da realidade nua e crua, quer a verdade de que o comunismo é, ao fim e ao cabo, o pior inimigo da liberdade humana.




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Notas:

(1) A. J. Saraiva, Dicionário Crítico, Editorial Querco, 1984.

(2) Entre os mais próximos colaboradores de Lenine, contam-se Lev Borisovich Kamenev e Grigori Evseyevich Zinoviev. Como exemplo do terror imposto por Estaline às suas vítimas indefesas, fiquemos com este exemplo «retirado dos processos verbais do Primeiro Processo de Moscovo, ou Processo do “Centro Terrorista Trotskista-Zinovievista”» (in Os Anos de Salazar, Centro Editor PDA, 2008, n.º 4, pp. 112-113):

Vichinsky: Que apreciação deveria ser feita dos artigos e declarações que o senhor escreveu em 1933, nos quais expressava lealdade ao partido? Fraude?

Kamenev: Não, pior que fraude.

Vichinsky: Perfídia?

Kamenev: Pior.

Vichinsky: Pior que fraude, pior que perfídia – encontre a palavra. Traição?

Kamenev: Encontrou-a.

Vichinsky: Acusado Zinoviev, confirma isto?

Zinoviev: Sim.

Vichinsky: Traição, perfídia, desonestidade?

Zinoviev: Sim.

Curiosamente, diz-nos Antony Sutton que a razão fundamental das acusações stalinistas nos julgamentos dos anos 30, estivera particularmente relacionada com o capitalismo internacional, posto terem sido os trotskistas financiados por interesses capitalistas estrangeiros para fazer a Revolução Bolchevista na Rússia. Aliás, K. G. Rakovsky, um dos réus acusados em 1938, confessara o seguinte: «Nós éramos a vanguarda da agressão estrangeira, do fascismo internacional, não só na URSS mas também em Espanha, China e em toda a parte do mundo» (cf. Antony Sutton, Wall Street and the Bolchevik Revolution, Clairview, 2011, pp. 35-36).




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(3) Cf. Henris Massis, A Nova Rússia, Livraria Tavares Martins, 1945, pp. 16-17.

(4) Ibidem, p. 16.

(5) Ibidem, pp. 97 e 197-199. As referidas expressões de Lenine não eram somente expressões inconsequentes, já que a electrificação da União Soviética foi um facto ocorrido nos anos 20 e 30 do século passado. Aliás, essa electrificação só fora possível em função do apoio financeiro e tecnológico dos americanos prestado aos sovietes para a conquista do vasto e riquíssimo mercado russo. A companhia responsável pela electrificação da União Soviética foi a General Electric (in Antony Sutton, Wall Street and the Rise of Hiter, Clairview, 2010, p. 49).

(6) Num outro meio, mais particularmente em Nova Iorque, o escritor negro Richard Wright, filiado no Partido Comunista local, abandonara o mesmo devido ao conhecimento das purgas então praticadas na União Soviética. E não só o abandonara como, em virtude do macartismo, saíra dos Estados Unidos via Paris, onde conhecera Jean-Paul Sartre e Albert Camus. Daí mais um exemplo de como as atrocidades do comunismo estavam sendo conhecidas um pouco por todo o mundo.

(7) Neste discurso, W. Churchill adverte para a necessidade de uma estratégia anglo-americana contra o totalitarismo soviético, deixando, portanto, bem claro o perigo que a Rússia e sua organização internacional comunista representava para a liberdade e o futuro da Humanidade. Logo, sobre a situação que então se vivia, adianta: «De Stettin, no Báltico, até Trieste, no Adriático, baixou uma cortina de ferro através do Continente. Atrás dessa cortina encontram-se todas as capitais dos antigos Estados da Europa Oriental. Varsóvia, Berlim, Praga, Viena, Budapeste, Belgrado, Bucareste e Sofia ficam atrás dessa cortina» (in Os Anos de Salazar, n.º 7, pp. 90-93).

(8) Cf. H. Massis, op. cit., pp. 95-96.

(9) Cf. Franco Nogueira, Salazar, III, Livraria Civilização Editora, 1983, p. 1.

(10) Ibidem, I, pp. 282-285.

(11) Cf. A. Ferro, Salazar, ENP, 1933, pp. 55-59.

(12) Cf. Oliveira Salazar, Discursos e Notas Políticas, II, 1935-1937, Coimbra editora, 1945, p. 332.

(13) Durante o salazarismo, a maçonaria manteve-se, relativamente, activa. Assim, desde o general Norton de Matos, passando pelo historiador Jaime Cortesão e certos universitários de nomeada, como Hernâni Cidade, Vitorino Nemésio e Luís Dias Amado, eis apenas alguns dos exemplos a ter na devida conta. Contudo, pese embora o valor inestimável destas, como doutras personalidades, a verdade é que a maçonaria, em termos gerais, pouco ou nada de crucial trouxe para Portugal que não fosse, infelizmente, as instruções do Grande Oriente de França para o Grande Oriente Lusitano.




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(14) Neste ponto, refira-se, sob as directivas de Moscovo, a acção levada a cabo pelo então Partido Comunista Francês na coordenação dos comunistas portugueses.

(15) Cf. F. Nogueira, op. cit., IV, pp. 415-417.

(16) Cf. J. P. D’Assac, O Pensamento de Salazar, extraído dos seus discursos, Companhia Nacional Editora, 1952, p. 140.

(17) Cf. Orlando Vitorino, O processo das Presidenciais 86, Lisboa, 1986, p. 80. É já sabido como a Rússia comunista se apresentara ao mundo como paladina da liberdade dos povos, assim como da tão usada e abusada democracia popular. Não admira, pois, que, em Portugal, o Partido Comunista se continue a apresentar, táctica e estrategicamente, como um partido que entra no jogo aparentemente livre e democrático da organização política triunfante. Contudo, o Partido Comunista, se pudesse, faria a revolução tão completa e brutal como se as palavras liberdade e democracia nunca tivessem sido pronunciadas à face da terra.

(18) Cf. Álvaro Ribeiro, Memórias de Um Letrado, III, Guimarães Editores, 1980, p. 27.

(19) Cf. Orlando Vitorino, «Leonardo e a Política», in Leonardo Coimbra, Filósofo do real e do ideal, IAC, 1985, p. 234.

(20) Leonardo Coimbra, A Rússia de Hoje e o Homem de Sempre, Livraria Tavares Martins, 1962, pp. 404-405.

(21) Cf. «Neo-realismo: das origens à polémica Régio-Cunhal», in Os Anos de Salazar, n.º 3, p. 173. 

(22) A propósito desta «desautorização», ver a nota preambular de Régio ao seu ensaio intitulado Em Torno da Expressão Artística (Lisboa, Editorial Inquérito).

(23) Cf Agostinho da Silva, A Última Conversa, Entrevistado por Luís Machado, Editorial Notícias, 1998, p. 43.

(24) Num artigo publicado no Expresso, de 22 de Abril de 1989, A. José Saraiva fora de tal modo incisivo que, para surpresa de muitos, assinalara o seguinte: «E hoje vemos, com uma dura clareza, como o período da nossa História a que cabe o nome de Salazarismo foi o último em que merecemos o nome de Nação Independente. Agora em plena democracia e sendo o povo soberano, resta-nos ser uma reserva de eucaliptos para uso de uma obscura entidade económica que tem o pseudónimo de CEE».



















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