sábado, 24 de abril de 2010

Do raciocínio formal

Escrito por Bruce Lee








Li Xiaolong («O Pequeno Dragão»), mundialmente conhecido por Bruce Lee, chegou a projectar, em termos cinematográficos, os aspectos marciais e espirituais de uma sabedoria que, dalguma forma, aproximou Oriente e Ocidente. Basta, como tal, observar as suas influências espirituais que vão desde Lao-Tse, Siddarta Buda, Daisetz Suzuki e Jiddu Krishnamurti pelo lado oriental, até Carl Rogers e Frederick Pearls pelo lado ocidental. Deste modo, ainda mais importante do que a passagem do «Pequeno Dragão» pela Universidade de Washington (Seattle), onde frequentou o curso de filosofia, está toda uma experiência de vida que, embora tragicamente curta – pois falecera aos 32 anos de idade –, permitira, contudo, não só influenciar, mediante o seu carisma e conhecimento invulgar, artistas marciais de nomeada, como Joe Lewis, Chuck Norris e Mike Stone, como também certas personalidades do mundo do espectáculo e da indústria cinematográfica, muitos deles seus alunos, nomeadamente James Garner, Steve McQueen, Lee Marvin, James Coburn e Roman Polanski, entre outros.

Daí, a título de exemplo, o pertinente testemunho de James Coburn, que de todos os seus alunos comparticipara, íntima e profundamente, do percurso filosófico e sapiencial do «Pequeno Dragão»: «Bruce não tinha uma formação universitária, mas a sua permanente leitura sobre filosofia oriental, a sua experiência vivida nos bairros de Hong Kong e Califórnia, e a sua natural inteligência e talento, permitiram-lhe, pese embora a sua juventude, possuir uma profundidade e uma sabedoria fora do comum. Creio que fomos muitos – inclusive homens de mais idade – que com Bruce não só aprendemos a dar pontapés, mas também a ver a vida de outra forma» («Bruce Lee visto por sus Alumnos: James Coburn», in Revista Bruce Lee, Madrid, n.º 6, 1987, p. 23).

Entretanto, as anotações de Bruce Lee doravante traduzidas, reportam-se à lógica formal tal como, em termos gerais, é ensinada nas escolas e instituições universitárias do Ocidente. Perfeitamente compreensível é, pois, que Li Xiaolong apenas a abordasse do ponto de vista estritamente formalista e, por conseguinte, tanto mais a minorasse quando ponderada à luz dos «princípios» do taoísmo que estão na base espiritual do «boxe chinês», ou do que mais propriamente se designa por Gung Fu. Ora, entre esses mesmos «princípios» estão os de não-afirmação, de não-intencionalidade (Wu-Hsin) e de não-acção (Wu-Wei).



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Bruce Lee e James Coburn 



Seja como for, aqui fica, à guisa de conclusão, um trecho significativo de Bruce Lee sobre as limitações, quase diríamos, puramente formais do raciocínio lógico-científico:

«O dualismo filosófico sempre imperou na Europa a ponto de dominar o progresso da ciência ocidental. No entanto, com o advento da física atómica, novas descobertas baseadas na experimentação passaram a ser vistas como passíveis de negar a teoria dualista, de modo que o caminho do pensamento acabou por remontar à concepção monista da tradição taoísta. Na física atómica não se faz nenhuma distinção entre matéria e energia, nem é possível uma tal distinção quando ambas se revelam uma só essência, ou pelo menos duas perspectivas de uma mesma realidade. Logo, não é mais possível, tal como o fora durante a época do cientismo mecanicista, definir absolutamente o peso, o volume, o tempo, etc., como, aliás, o tem vindo a demonstrar a investigação de Einstein, Planck, Whitehead e Jeans.

Similarmente, o taoísmo, de onde a acunpunctura tira a sua origem e evolução, é essencialmente monista. Os Chineses entenderam o universo regido por dois princípios, o yin e o yang, o negativo e o positivo, considerando assim que nada do que subsiste, do animado ao inanimado, possa realmente existir sem a virtude incessante dessas duas forças em permanente interacção. Matéria e energia, yin e yang, terra e céu, são, pois, uma só realidade, ou dois pólos coexistentes no todo indiviso. Por isso, não é possível distinguir matéria e energia porque comuns permanecem. Tudo tem o seu contrário, posto que os contrários coexistem e, jamais se excluindo, persistem dependentes uns dos outros» (in Bruce Lee, The Tao of Gung Fu, a Study in the Way of Chinese Martial Art, Tuttle Publishing, edited by John Little, pp. 29-30).

Miguel Bruno Duarte












Do raciocínio formal


Razão - a luz da natureza. – “A luz da Natureza” é, por vezes, entendida por “Luz da Razão” (intelecto).

Ser orientado pela razão. – Reconhecendo que tanto as minhas emoções positivas como negativas podem ser contraproducentes quando não controladas e orientadas para fins desejáveis, tratarei de submeter todos os meus desejos, objectivos e propósitos à minha capacidade de raciocínio, guiando-me na expressão dos mesmos.

O domínio da lógica. – O problema nuclear da lógica consiste em distinguir o argumento correcto do argumento incorrecto.

A lógica trata de juízos declarativos. – A lógica considera apenas juízos declarativos, isto é, juízos formulados com intuito assertivo sobre a realidade.












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O lógico não se preocupa com o processo inferencial, mas, sim, com as proposições que constituem o ponto de partida e chegada do respectivo processo, assim como da relação entre elas.

Proposição. – As proposições podem ser verdadeiras ou falsas, bem como afirmativas ou negativas.

Premissas e conclusão. – A conclusão de um argumento consiste na proposição que é afirmada com base noutras proposições, neste caso as premissas que contêm em si a evidência ou a razão de ser da conclusão. Contudo, a proposição isolada não é uma proposição nem uma conclusão porque:

- Premissa – suposição de um argumento.
- Conclusão – o que se segue das premissas de um argumento.

O processo da inferência é um processo em que uma dada proposição é derivada duma ou mais proposições iniciais.

O argumento é um conjunto de proposições em que uma delas deriva de outras proposições que garantem a verdade da conclusão. A estrutura de um argumento consiste em:

- Premissas
- Conclusão





























Os dois tipos de argumento – Há dois tipos de argumentos lógicos:

- Dedutivo
- Indutivo

O argumento dedutivo. – Num argumento dedutivo a verdade ou a falsidade da conclusão não implica a validade ou a invalidade do argumento. Nem a validade de um argumento garante a verdade da sua conclusão.

O argumento válido. – O argumento válido é aquele no qual todas as suas premissas e a conclusão são verdadeiras.

O argumento inválido. – Um argumento inválido é aquele em que nem todas as premissas são verdadeiras.

A proposição categórica. – Proposições categóricas são as que assertam sobre CLASSES, afirmando ou negando que uma classe esteja incluída noutra, no todo ou em parte. Atendendo, por exemplo, ao silogismo: nenhum atleta é vegetariano; todo o jogador da bola é atleta; logo, nenhum jogador da bola é vegetariano. As premissas e a conclusão do argumento são asserções sobre a classe dos atletas e a classe dos jogadores da bola.

























Quatro formas-padrão das proposições categóricas. – As quatro formas-padrão das proposições categóricas são:

- Universal Afirmativa – Todo o S é P.
- Universal Negativa – Nenhum S é P.
- Particular Afirmativa – Algum S é P.
- Particular Negativa – Algum S não é P.

O termo “algum” é normalmente visto como significando “pelo menos um”.

a posteriori é:

- Um argumento que vai do efeito para a causa.
- Saber baseado na experiência.

a priori é:

- Um argumento que vai da causa para o efeito.
- Saber independente da experiência.











A proposição analítica. – Uma proposição analítica é aquela que é necessariamente verdadeira dado que a sua negação é auto-contraditória (ex: todo o cão ladra).

Universal é:

- O que é comum a muitos e diferentes itens (ex: o vermelho é comum a todas as coisas vermelhas).
- O mesmo em muitos.
- Uma proposição sobre todos os objectos de uma classe (ex: todo S é P).

Particular é:

- Singular, individual, enquanto distinto da classe ou do universal.
- Uma proposição sobre uma parte dos objectos de uma classe (ex: algum S é P).











O método socrático. – Platão, inspirado na personalidade de Sócrates, tem um método próprio na apresentação da sua posição sobre um qualquer tópico apresentado. O seu método de argumentação pode ser sintetizado em três passos:

- Partir de certas premissas.
- Conduzir, mediante o processo de raciocínio, o oponente para
- A sua conclusão.

Desconstruir o método socrático. – O único caminho para desconstruir o designado “método socrático” no plano argumentativo depende também de um processo trifásico:

- Se a verdade do primeiro é desafiado com sucesso.
- Se as demais premissas que se baseiam na premissa original procedem logicamente...
- A conclusão é falsa.

(Excerto traduzido por Miguel Bruno Duarte, in Striking Thoughts, Bruce Lee's Wisdom for Daily Living, Tuttle Publishing, 2000, pp. 58-63).


Enter the Dragon (1973). Ver aqui















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