sábado, 18 de agosto de 2012

Sincrodestino (i)

Escrito por Deepak Chopra






«Importa (...) não considerar a Natureza como um conjunto de coisas, corpúsculos ou átomos (isolados, justapostos, ou compostos) que caem nos intervalos finitos do espaço e do tempo. Tais acidentes, ou quedas, dão-nos uma visão errada do que subsiste ou subjaz nas manifestações de agentes que gozam daquela liberdade que existe nos três reinos da Natureza. Convém, todavia, não confundir esta liberdade finita dos entes naturais com a infinita liberdade que o homem adquire quando orienta a razão.

(...) Acima da Natureza, que conhecemos imperfeitamente, existe o Sobrenatural. Toda a impiedade dos nossos erros consiste em julgar que o natural tem semelhança com o sobrenatural, e, consequentemente, em querer levar longe demais a nossa inteligência que não se separa da nossa imaginação. Se entre o natural e o sobrenatural não existem as distinções que logicamente nos são ensinadas, embora psicologicamente repugnem; se o princípio de continuidade é igualmente válido nos dois domínios do conhecimento, então a transcendência passa a ser uma palavra vã, e com ela se desvanecem os princípios transcendentais».

Álvaro Ribeiro («A Arte de Filosofar»).


«No mundo físico, temos muitas maneiras diferentes de obter informação dos jornais, livros, televisão, rádio, conversas ao telemóvel ou rádios de onda curta. Todas estas formas de penetrarmos em vários tipos de informação, e muitas mais, estão facilmente à nossa disposição. O leitor só tem de se sintonizar com elas através do seu instrumento sensorial, olhando, ouvindo, tacteando, cheirando e saboreando o ambiente que o rodeia. No entanto, se o leitor quiser penetrar na informação ao nível da alma, precisará de uma forma diferente de chegar a ela.

(...) De acordo com a experiência da maior parte das pessoas, o passado é inerente apenas à memória e o futuro reside somente na imaginação. No entanto, ao nível espiritual, o passado, o futuro e todas as diferentes probabilidades da vida existem em simultâneo».

Deepak Chopra («Os Sete Princípios da Realização Pessoal»).


«(...) inofensiva, uma magia naturalíssima, deste mundo que é, como se diz, o único que existe. São umas ondas que há no ar, que não se vêem mas são tão materiais como as do mar, que levam a imagem, como estas levam um barco, até um pequeno écran luminoso que, hoje, todas as casas têm a substituir a chama da lareira».

António Telmo («O Bateleur»).


«Sobre o mobilismo das transformações a nossa atenção pousa-se segundo o interesse da nossa colheita utilitária.

A percepção começa por concentrar em qualidade o que é, em si, vibração e movimento, ritmando-se dentro da sua crisálida, como diz Bergson na Matéria e Memória.


Henrique Bergson


Depois, nas transformações, os mesmos interesses de espírito colhem os momentos solenes, onde se repousa a finalidade da nossa acção, e vê as formas e os corpos. E, como isolou aquelas qualidades e estas formas, as transformações que as geram furtam à atenção o seu dinamismo transformante.

Ficam assim qualidades separadas e formas discretas que teremos de ligar por um mecanismo apropriado, que será o movimento desqualificado, exaurido: quantidade e pura continuidade dum denominador comum.

A adaptação do homem à natureza exprime-se pela disposição da imagem que é o seu corpo em relação às imagens que constituem o mundo físico, e, porque esta é descontínua, como uma série de perspectivas caleidoscópicas, é que a nossa representação é correlativamente como uma série de panoramas cinematográficos».

Leonardo Coimbra («A Filosofia de Henri Bergson»).



Matéria, Mente e Espírito

A partir do momento em que tomamos consciência do mundo que nos rodeia, começamos a questionar o nosso lugar nele. As perguntas que fazemos são intemporais: «Por que razão estou eu aqui?». «Como me encaixo no esquema das coisas?». «Qual é o meu destino?». Na infância, temos tendência para pensar no futuro como uma folha de papel em branco na qual podemos escrever a nossa própria história. As possibilidades são infinitas, e sentimo-nos estimulados com a promessa da descoberta e do simples prazer de vivermos imersos em tanto potencial. Contudo, à medida que crescemos e nos tornamos adultos, e somos «educados» sobre as nossas limitações, a nossa visão do futuro torna-se constrita. O que outrora exaltava as nossas imaginações, agora aterra-nos sob o peso do pavor e da ansiedade. O que outrora parecia não ter limites, torna-se acanhado e sombrio.

Existe uma maneira de recuperarmos a enorme alegria de potencial ilimitado. Tudo o que é necessário é uma compreensão da verdadeira natureza da realidade, uma complacência para reconhecer o correlacionamento e a inseparabilidade de todas as coisas. Então, com o auxílio de técnicas específicas, verá o mundo revelar-se-lhe, e a sorte e as oportunidades que surgem de vez em quando irão ocorrer cada vez com maior frequência. Quão poderoso é o sincrodestino? Por um instante, imagine que está com uma lanterna na mão numa sala completamente às escuras. Acende-a e vê uma bela pintura pendurada na parede. Pode pensar: «Não há dúvida de que esta é uma obra maravilhosa, mas será tudo o que existe aqui?» Depois, de repente, a sala ilumina-se a partir de cima. O leitor olha em volta e vê que está num museu de arte figurativa com centenas de quadros pendurados em paredes à sua volta, cada um mais belo do que o anterior. Enquanto estas possibilidades se lhe revelam, apercebe-se de que tem uma vida inteira de obras de arte para estudar e amar. Já não está condicionado a ver apenas uma pintura iluminada por um ténue foco de lanterna.

Deepak Chopra

Esta é a promessa do sincrodestino. Ele acende as luzes. À medida que avançamos nas nossas vidas, ele dá-nos a capacidade de tomarmos verdadeiras decisões, em vez de darmos palpites às cegas. Ele permite-nos ver significados no mundo, compreender a conexão ou a sincronicidade de todas as coisas, escolher o tipo de vida que queremos viver e realizarmos a nossa viagem espiritual. Com o sincrodestino, adquirimos a capacidade de transformar as nossas vidas de acordo com as nossas intenções.

O primeiro passo para se viver deste modo é compreender a natureza dos três níveis da existência.


Nível 1: o domínio físico

O primeiro nível da existência é físico ou material, o universo visível. Este é o mundo que conhecemos melhor, aquele a que chamamos o mundo real. Ele contém matéria e objectos com ligações fortes, tudo o que é tridimensional, e inclui tudo o que vivenciamos com os nossos cinco sentidos - tudo o que conseguimos ver, ouvir, sentir, saborear ou cheirar. Inclui os nossos corpos, o vento, a terra, a água, os gazes, os animais, os micróbios, as moléculas e as páginas deste livro. No domínio físico, o tempo parece fluir numa linha tão recta que o conhecemos como a seta do tempo, desde o passado até ao presente e deste até ao futuro. Isto significa que tudo no domínio físico tem um início, um meio e um fim. Os seres sensíveis nascem e morrem. As montanhas elevam-se com os grãos serpenteantes de terra a sobrepor-se e são novamente trazidos para a sua base pela erosão implacável das chuvas e do vento.

Tal como o vivenciamos, o mundo físico é regido por leis imutáveis de causa e efeito, sendo por isso tudo previsível. Os físicos newtonianos permitiram-nos prever de tal modo a acção e a reacção que quando bolas batem umas nas outras com uma determinada velocidade e num ângulo específico, podemos antecipar exactamente o percurso que cada uma irá descrever sobre a mesa de bilhar. Os cientistas conseguem calcular com precisão quando um eclipse vai ocorrer e quanto tempo irá durar. E todo o nosso entendimento do mundo, baseado no «senso comum», advém do que conhecemos deste domínio físico.


Nível 2: o domínio quântico

No segundo nível da existência tudo consiste em informação e energia. Este é designado domínio quântico. Tudo neste nível é insubstancial, significando isto que não pode ser tocado nem apreendido por nenhum dos cinco sentidos. A sua mente, os seus pensamentos, o seu ego, a sua parte que pensa tipicamente como o seu «eu», todos fazem parte do domínio quântico. Estas coisas não têm solidez, e, no entanto, o leitor sabe que o seu eu e os seus pensamentos são bem reais. Embora seja mais fácil pensar no domínio quântico em termos de mente, ele contém em si mesmo muito mais. Na verdade, tudo no universo visível é uma manifestação da energia e da informação do domínio quântico. O mundo material é um subconjunto do mundo quântico.
Outra maneira de afirmar isto é que tudo no domínio físico é caracterizado por informação e energia. Na famosa equação de Einstein, E=MC2, sabemos que energia (E) é igual à massa (M) vezes o tempo, medido pela velocidade da luz (C) ao quadrado. Isto diz-nos que a matéria (massa) e a energia são a mesma coisa apenas em formas diferentes - energia igual a massa.

Numa das primeiras aulas de ciências que temos na escola, ensinam-nos que todos os objectos sólidos são constituídos por moléculas, e estas são formadas por unidades ainda mais pequenas, chamadas átomos. Acabamos por perceber que a cadeira aparentemente sólida em que nos sentamos é constituída por átomos tão pequenos que não podem ser vistos sem o auxílio de um microscópio potente. Mais tarde, aprendemos que os átomos minúsculos são constituídos por partículas subatómicas, que não têm qualquer solidez. Literalmente, eles são pacotes ou ondas de informação e energia. Isto significa que, neste segundo nível da existência, a cadeira em que o leitor está sentado mais não é do que energia e informação.

À primeira vista, este conceito pode ser difícil de entender. De que forma ondas invisíveis de energia e informação podem ser vivenciadas como um objecto sólido? A resposta é que os acontecimentos no domínio quântico ocorrem à velocidade da luz, e, a essa velocidade, os nossos sentidos simplesmente não conseguem processar tudo o que contribui para a nossa experiência perceptiva. Distinguimos objectos como sendo diferentes uns dos outros, porque as ondas de energia contêm diferentes tipos de informação, que são determinados pela frequência ou pela vibração dessas ondas de energia. É como ouvir rádio. Um rádio sintonizado para uma estação pode passar apenas música clássica. Ao mudarmos para uma frequência de ondas de rádio ligeiramente diferente podemos ouvir apenas rock and roll. A energia é codificada para uma informação diferente, dependendo do modo como vibra.

Deste modo, o mundo físico, o mundo dos objectos e da matéria, é constituído apenas pela informação contida na energia que vibra a diferentes frequências. A razão pela qual não vemos o mundo como uma enorme teia de energia é por ele estar a vibrar demasiado depressa. Porque a função dos nossos sentidos é muito lenta, eles conseguem registar apenas grandes quantidades dessa energia e actividade, e essas quantidades de informação transformam-se «na cadeira», «no meu corpo», «na água» e em todos os outros objectos físicos que existem no universo visível.




Isto assemelha-se ao que acontece quando vemos um filme. Como o leitor sabe, um filme é efectuado com fotogramas individuais e espaços a separá-los. Se o leitor olhasse para um filme na bobina numa sala de projecção, veria os fotogramas individuais e os espaços. Contudo, ao assistirmos à sua projecção, os fotogramas surgem dispostos em série e passam tão depressa que os nossos sentidos já não conseguem observar os fotogramas como peças descontínuas. Em vez disso, percepcionamos uma corrente uniforme de informação (in «Os Sete Princípios da Realização Espiritual», Editorial Presença, 2005, pp. 27-30).

Continua


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