terça-feira, 30 de julho de 2013

Fédon ou da imortalidade da alma (i)

Escrito por Platão 




Oráculo de Delfos


«Todos os chamados acusmata se dividem em três categorias: uns indicam o que uma coisa é, outros o que é o mais importante, outros o que se deve ou não fazer. Exemplos da categoria "o que é" são: O que são as Ilhas dos Bem-Aventurados? O Sol e a Lua. O que é o oráculo de Delfos? A tetractys: que é a harmonia em que cantam as sereias. Exemplo da categoria "O que é o mais importante?" são: Qual a coisa mais justa? Fazer um sacrifício. O que é mais sábio? O número; mas, em segundo lugar, o homem que deu nomes às coisas. Entre nós, qual é a coisa mais sábia? A medicina. Qual a mais bela? A harmonia. Qual é a mais poderosa? O conhecimento. Qual a melhor? A felicidade. Que de mais verdadeiro há no que se diz? Que os homens são perversos».

Iâmblico (Vita Pythagorae).


«A maioria dos historiadores e filósofos modernos não têm notado que, na Grécia, foram raras as perseguições aos filósofos e que elas jamais saíram dos templos e sim dos meios políticos. A civilização helénica não conheceu a guerra entre os sacerdotes e os filósofos, a qual tem desempenhado um grande papel na nossa, desde a destruição do esoterismo cristão, no segundo século da nossa era. Tales pôde ensinar, tranquilamente, que o mundo provém da água. Heraclito dizia que o mundo sai do fogo. Anaxágoras afirmava que o Sol é massa de fogo incandescente. Demócrito pretendia que tudo vem dos átomos. Nenhum templo se inquietou com essas afirmativas. Nos templos, os sacerdotes sabiam disso e de mais alguma coisa. Sabiam que os negadores dos deuses não podiam destruí-los na consciência nacional. Os verdadeiros filósofos acreditavam nos deuses, à maneira dos iniciados, e viam neles os símbolos das grandes categorias da hierarquia espiritual, do divino que penetra toda a Natureza, do invisível governando o visível. A doutrina esotérica servia de laço entre a verdadeira filosofia e a verdadeira religião. Esse era o facto profundo, primordial, afinal, que explica o secreto entendimento entre ambas na civilização helénica».

Eduardo Schuré («Os Grandes Iniciados»).


«É sabido, disse eu [Sócrates], que assim como os olhos foram moldados para a astronomia, assim também os ouvidos foram formados para a harmonia, e que estas ciências são irmãs, tal como afirmam os Pitagóricos e nós, ó Gláucon, com eles concordamos».

Platão («Politeia» 530d).


«Anaxágoras de Clazómenas, filho de Hegesibulo, sustentava que os primeiros princípios das coisas eram as homeomerias. Pois parecia-lhe completamente impossível que alguma coisa se originasse a partir do não-existente ou nele se dissolvesse. De qualquer forma, nós tomamos alimentos que são simples e homogéneos, tais como pão ou água, e com estes se alimentam os cabelos, as veias, as artérias, a carne, os tendões, os ossos e todas as outras partes do corpo. Sendo assim, temos que concordar que tudo o que existe está nos alimentos que tomamos, e nesses alimentos algumas partes que produzem o sangue, outras os tendões, outras os ossos, etc. - partes que só a razão pode apreender. Pois não há necessidade de referir à percepção dos sentidos o facto de o pão e a água produzirem todas estas coisas; antes, existem no pão e na água partes que só a razão pode apreender».

Écio (in G. S. Kirk, J. E. Raven e M. Schofield, «Os Filósofos Pré-Socráticos»).





«Estes dois, porém, diferem entre si, no que Empédocles imagina ser um ciclo de tais mudanças, e Anaxágoras uma única série. Além disso, Anaxágoras postulava uma infinidade de princípios, nomeadamente, as substâncias homeoméricas e, conjuntamente, os contrários, ao passo que Empédocles postula apenas os chamados "elementos". A teoria de Anaxágoras, de que os princípios são em número infinito, foi provavelmente devida à sua aceitação da opinião comum dos físicos, de que nada nasce do não-ser. Pois esta é a razão pela qual eles usam a frase "todas as coisas estavam juntas", e porque o nascimento desta ou daquela espécie de coisas se reduz a uma mudança de qualidade, ao passo que, outros falam de combinação e separação. Além disso, o facto de os contrários provirem uns dos outros levou-os à mesma conclusão. Um, raciocinavam eles, deve ter existido no outro; pois, uma vez que tudo o que nasce deve surgir quer do que é quer do que não é (neste ponto todos os físicos estão de acordo), eles pensavam que se seguia necessariamente a verdade da alternativa, nomeadamente, que as coisas nascem a partir de coisas que existem, isto é, de coisas já presentes, mas imperceptíveis para os nossos sentidos em virtude da pequenez do seu tamanho. Assim, afirmam eles que todas as coisas estão misturadas em tudo, porque viam que tudo procedia de tudo. Mas as coisas, como eles dizem, parecem diferentes umas das outras e recebem nomes diferentes, consoante a natureza da coisa que é numericamente predominante entre os inúmeros constituintes da matéria. Pois nada, afirmam eles, é pura e inteiramente branco ou preto ou doce ou carne ou osso, mas consideravam que a natureza de uma coisa é a daquilo que ela contém em maior quantidade».

Aristóteles (Physis).


«Dos que escreveram um único livro, fazem parte Melisso, Parménides e Anaxágoras».

Diógenes Laércio (in G. S. Kirk, J. E. Raven e M. Schofield, «Os Filósofos Pré-Socráticos»).





Fédon ou da imortalidade da alma

Sócrates - (...) Quando eu era jovem sentia um extraordinário desejo de conhecer aquela ciência que dá pelo nome de investigação da história da natureza. Pensava ser excelente conhecer as causas de todas as coisas, porque é que elas nascem, perecem e subsistem! E muitas vezes divagava a minha mente examinando questões como esta: É em virtude de uma espécie de putrefacção, na qual participam o quente e o frio, que como alguns afirmam, se formam os seres vivos? E por meio do sangue que pensamos, ou devido ao ar ou ao fogo? Ou não será por intermédio destes factores, mas é sim o cérebro que produz as sensações auditivas, visuais e olfactivas, das quais resultariam a memória e a imaginação, e destas, depois de consolidadas, a ciência? Além do mais, examinava também as causas da corrupção e os fenómenos do céu e da terra, até que acabei por considerar-me totalmente inapto para um tal estudo. Dar-te-ei uma prova que te bastará. Havia conhecimentos que antes possuía de modo seguro, ou que pelo menos a mim e a outros assim parecia. Em consequência desta investigação, tornei-me tão cego que desaprendi até quanto julgava saber, em particular, a causa do crescimento humano. Pensava antes que a resposta era óbvia, que a causa é o comer e o beber. Porque juntando-se através dos alimentos, carnes a carnes, ossos a ossos e, na mesma proporção, as demais substâncias às suas conaturais, resultava que uma massa pouco volumosa se tornava logo maior; assim um homem fazia-se grande. Assim pensava eu. Não te parece razoável?

- Sim -, respondeu Cebes.

- Escuta ainda mais este facto. Eu pensava estar certo, quando, na presença de um homem alto junto de outro baixo, aquele me parecia ser maior que este, pela altura da cabeça, e o mesmo de um cavalo em relação a outro. Mais claramente: 10 parecia-me mais do que 8, por a 8 terem adicionado 2; e dois côvados, mais do que um côvado, porque o excede em metade da sua extensão.




- E agora - indagou Cebes - que pensas tu sobre isso?

- Por Zeus - respondeu - estou longe de supor que conheço as causas dessas coisas, pois nem me atrevo a dizer, quando a uma unidade adicionamos outra, se é a unidade, a que a outra se adicionou que se tornou em 2, ou se é a unidade adicionada e aquela a que se adicionou, que consequentemente se tornaram em 2. Fico com efeito surpreendido: quando ambas existiam separadas, cada uma era unidade e não 2; mas após se terem aproximado, a justaposição foi a causa que as fez passar ao 2, quer dizer a junção resultante da sua mútua aproximação. E tão pouco me posso persuadir, que quando se fracciona uma unidade, seja esse fraccionamento a causa de haver 2; pois a causa que antes produzia 2 resulta contrária à anterior. No primeiro caso, a razão era a proximidade e adição de duas unidades e agora, o seu afastamento e separação uma da outra. Quanto a saber qual a causa da produção da unidade, estou longe da convicção de a saber, nem em suma, alguma outra coisa, porque aparece, desaparece ou existe, de acordo com este método; mas há outro método de investigação que busco sem orientação, já que de modo algum sigo o anterior.

Ouvindo, em certa ocasião, ler um livro, segundo me disseram, de Anaxágoras, onde se atribuía ao espírito a ordenação e a causa de todas as coisas, regozijei-me por isso e pareceu-me que, de certo modo era vantajoso ser o espírito a causa de tudo. Sendo assim, pensava eu, o espírito ordenador há-de ter disposto cada coisa no lugar mais conveniente. E se alguém quiser encontrar, para cada coisa, a causa porque nasce, perece, ou subsiste, deve investigar, acerca dela, o seu modo de existir, de ser paciente ou agente. Portanto, segundo este argumento, nada de mais interessante deve um homem investigar, a este respeito, a não ser o que é mais perfeito e excelente. E assim é forçoso que conheça também o pior, pois são ambos objecto do mesmo conhecimento. Estas reflexões foram para mim um motivo de júbilo, convicto de ter descoberto em Anaxágoras um mestre, como convinha ao meu espírito, capaz de me ensinar, sobre a causa dos seres, e que me faria compreender primeiro, se a terra é plana ou redonda; de seguida, expor-me-ia a causa e a necessidade da sua forma, declarando-me qual a preferível e porque era melhor que ela fosse de tal ou tal forma. E se afirmasse que estava no centro, explicar-me-ia a vantagem disso. Se me demonstrasse tudo isto, estava disposto a não buscar outro género de causa. E também estava disposto a informar-me do sol, da lua e demais astros, de suas relativas velocidades, revoluções e demais fenómenos, investigando as vantagens de cada um produzir ou padecer essas vicissitudes, do modo como as produz ou padece. Jamais teria suposto que, afirmando que tudo isso havia sido ordenado pelo espírito, lhes atribuísse outra causa, que não a de o melhor modo de elas serem, é serem como são. Julgava que ao atribuir tal causa a cada um desses seres e a todos em geral, explicaria o que é melhor para cada um em particular e o bem comum a todos. Não abandonando essa esperança, com que ardor, devorei o livro o mais depressa que pude, a fim de conhecer, com a máxima brevidade, o melhor e o pior.

Porém, da minha sedutora esperança, meu amigo, saí defraudado, quando, ao avançar na leitura, via diante de mim um homem que não se importava com o espírito, nem lhe atribuía a causa da ordem das coisas, alegando pelo contrário, o ar, o éter, a água e outras causas absurdas. Pareceu-me o seu caso semelhante ao de quem asseverasse que Sócrates executa todas as acções com o seu espírito, de seguida explicando as causas dos meus actos, nos seguintes termos: que estou aqui sentado, porque o meu corpo se compõe de ossos e de músculos; que os ossos são sólidos e separados uns dos outros por articulações, enquanto os músculos, cuja propriedade é a de se contraírem e distenderem, rodeiam os ossos com a carne e a pele que mantém o conjunto. É assim que, ao moverem-se os ossos nas suas articulações, a distensão e contracção dos músculos, tornam-me capaz de dobrar os membros, razão pela qual estou aqui sentado com os joelhos dobrados. Caso se tratasse da nossa conversa, alegaria causas análogas: os sons, o ar, o ouvido e milhares de coisas deste género, descurando a verdadeira causa, ou seja, que uma vez que aos Atenienses lhes pareceu melhor condenarem-me, por essa razão, me pareceu melhor e mais justo ficar aqui sentado, aguardando a execução da pena que me infligiram. Porque, pelo Cão, se não me engano, há já muito tempo que estes músculos e ossos estariam em Mégara, ou na Beócia, transportados pela ideia do melhor, se não estivesse convicto de ser mais justo e excelente, preferir à fuga e à evasão, a aceitação da pena imposta pela Cidade. Chamar, portanto, causas a semelhantes coisas é um claro absurdo. Se alguém afirmasse que eu não seria capaz de realizar os meus desígnios, sem possuir ossos, músculos e o que de mais possuo, falaria verdade. Mas afirmar que é por essa causa, que pratico os meus actos e que, o faço com o meu espírito, mas não pela eleição do que é melhor, seria um enorme abuso de linguagem. Isso traduz, em suma, a incapacidade de distinguir a verdadeira causa, daquela sem a qual a causa jamais poderia ser causa, ao que o vulgo, às apalpadelas, denomina impropriamente como sendo uma causa real. Em consequência, um turbilhão envolve a Terra, quer seja o céu a mantê-la; outro, coloca-lhe por debaixo o ar, como base e suporte, como a uma enorme gamela. Mas quanto ao poder, em virtude do qual estas coisas se encontram agora dispostas do melhor modo para elas, não o buscam, nem lhe atribuem uma força divina; julgam antes poder descobrir um novo Atlas mais poderoso e imortal, que melhor suporte todas as coisas, não pensando que é de verdade o bem e o dever o que as une e mantém coesas entre si. Eu, com muita alegria me tornaria discípulo de quem quer que me instruísse acerca de tal causa. Visto, porém, terem a este respeito falhado as minhas diligências, e não ter sido capaz de a encontrar nem de a aprender de outrem, desejas Cebes, que te faça uma descrição da minha segunda viagem em busca dessa causa?




- Desejo-o com todo o meu coração - respondeu Cebes.

- Depois disto - retomou ele - e uma vez que me tinha desiludido da investigação dos seres, decidi que devia acautelar-me, para que não me sucedesse o mesmo que aos que contemplam e observam um eclipse do sol, pois alguns chegam a perder a vista, a não ser que na água ou em algum outro meio semelhante observem a sua imagem.  Pensava em qualquer coisa desta natureza, com medo de ficar completamente cego da alma, por olhar directamente as coisas com os olhos e tentar percebê-las pelos sentidos. Pareceu-me então que me devia refugiar nas ideias, e ver nelas a verdadeira essência dos seres. Talvez seja verdade que a minha comparação, em certo aspecto, não seja exacta, pois não sem reserva, admiro que quem vê os seres nas ideias, os contempla mais em imagens, do que os examina nos factos do dia a dia. Lancei-me pois por esta via, e tomando cada vez por base, a ideia que julgava mais segura, tudo o que se me afigurava consonante com ela, quer causa, quer tudo o mais, considerava verdadeiro; tudo em que faltava esta consonância, entendia como falso. Porém, quero expor-te com mais clareza o meu pensamento, pois creio que ainda o não compreendes.

- Não, por Zeus - afirmou Cebes - não de todo.

- Todavia - continuou Sócrates - nada digo de novo, mas apenas o que na argumentação de há pouco, não deixei de dizer. Vou então tentar explicar-te a espécie de causa que procurei com afã, voltando às asserções tantas vezes repetidas, tomando como ponto de partida e base, a existência do belo em si e por si, do bom, do grande, e de tudo o mais. Se me concedes e admites a existência disto, espero a partir delas, mostrar-te qual seja a causa, que prova que a alma é imortal.

- Está bem - afirmou Cebes - concedo-to, não vaciles em prosseguir.

- Verifica então comigo - continuou Sócrates - se partilhas do próximo passo. É com efeito para mim evidente, que se alguma coisa bela existe além do belo em si, não será bela por nenhum outro motivo, senão porque participa desse belo. E o mesmo digo das demais qualidades. Admites esta espécie de causa?

- Admito - afirmou.

- Então - prosseguiu Sócrates - aqueloutras causas sábias, não compreendo nem posso reconhecer; se alguém me disser que uma coisa é bela, por virtude do brilho da sua cor, da sua forma, ou qualquer outro aspecto análogo, ponho de parte todas essas explicações, que me causam confusão, e agarro-me com uma simplicidade talvez ingénua, à ideia de que nada mais a torna bela senão o belo em si, por presença ou participação, seja por qualquer outro meio (sobre o modo como tal sucede, ainda não posso precisar, a não ser que todas as coisas belas recebem do belo a sua beleza). Penso que esta é a resposta mais segura, que me posso dar e aos outros; e fincando-me  neste princípio, creio que jamais arriscarei passos em falso e que poderei assegurar a toda a gente, que é graças ao belo que são belas as coisas belas! Não te parece o mesmo?

- Sim, parece-me.

- Ora, não concordas que as coisas grandes são grandes e as maiores, por causa da grandeza, assim como pela pequenez as mais pequenas, são mais pequenas?

- Concordo.

- Logo, não admitirias que alguém dissesse que tal homem é mais alto que outro pela sua cabeça, ou menor pela mesma razão, mas manterias o teu testemunho de que não afirmas nada mais que, toda a coisa maior do que outra, o é somente pela grandeza, e que de facto é maior por essa causa; e que o que é menor, por nenhuma outra coisa o é, a não ser pela pequenez, a que deve ser mais pequena. E creio, se sustentasses que alguém é maior ou mais pequeno por causa da cabeça, não deixarias de recear objecções como: primeiro, pelo mesmo motivo seja o maior, maior e o menor, menor; depois, que é graças à cabeça, ainda que pequena, que um homem maior é maior, - o que seria prodigioso que alguém pudesse ser grande, por algo tão pequeno. Não temerias tal objecção?



- Cebes, rindo, retorquiu:

- Eu sim.

- Não recearias também dizer - prosseguiu Sócrates - que 10 tem 2 a mais que 8, e que por esta razão o ultrapassa, e não por causa e por meio da quantidade? E também que o duplo côvado exceda pela metade um côvado, e não na e por causa da grandeza? Pois o caso é idêntico.

- É indubitável - respondeu Cebes.

- E então? Não te guardarias de dizer que, na adição de uma unidade a outra, a adição era a causa da produção do 2, ou que era a divisão, no caso de a dividirmos? E não proclamarias em altos brados, que desconheces outra causa da existência de cada coisa, a não ser por participação da própria essência de cada realidade, da qual deve participar? E que nestes casos não encontras outra causa para alegar o aparecimento do 2, senão a participação na dualidade, da qual necessariamente participa o que deve ser 2, bem como pela participação na unidade o que deve ser 1? Quanto às divisões, adições e demais subtilezas, deixá-las-ia para homens mais sábios que tu. Tu, temeroso, segundo o que foi dito, da tua própria sombra e incompetência, agarrando-te à segurança deste princípio, darias uma resposta semelhante. E se alguém o atacasse, lhe darias atenção e não lhe responderias até teres examinado se as consequências derivadas deste, concordavam ou discordavam entre si; e quando te fosse necessário dar razão do princípio, fá-lo-ias do mesmo modo, tomando como princípio básico um outro - até chegares a um resultado satisfatório. Entretanto, não confundirias, como os sofistas, discorrendo acerca do princípio e das suas consequências, se pretendes descobrir a realidade das coisas. Eles são tão inteligentes, que não têm provavelmente a esse respeito, qualquer pensamento ou preocupação, sentindo-se felizes com essa sabedoria que tudo mistura, com isso se contentando consigo mesmos. Mas, tu, se de verdade és filósofo, creio que deixarás de proceder como digo.

- É certíssimo o que dizes - afirmaram em simultâneo Símias e Cebes.

EQUÉCRATES - Por Zeus, Fédon, certamente, eles tinham razão. Parece com efeito, que Sócrates fez uma exposição de maravilhosa clareza, mesmo para um espírito medíocre.

FÉDON - É verdade Equécrates, foi também o que pensaram todos os que lá estiveram (in Fédon, Guimarães Editores, 2003, pp. 125-138).

Continua


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