quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Admirável Mundo Novo (ii)

Escrito por Aldous Huxley











Face ao imperativo totalitário das Nações Unidas que visa, presentemente, substituir a "lei da selva" para que países mais fortes não dominem países mais fracos, não há nada como vincar sete pontos fundamentais acerca do que tem sido, sobretudo nos últimos 70 anos, a progressiva implementação da Nova Ordem Mundial:

1. «O FMI foi instituído em Bretton Woods, em 1944. Harry Dexter White, bem conhecido espião comunista, foi o seu arquitecto. O Presidente Truman, informado pelo FBI das suas ligações com a URSS, em vez de o mandar prender nomeou-o para o FMI, acompanhado doutros numerosos espiões comunistas de alto coturno, tais como: Frank Poe, Lauchlin Currie, William Ulmann, Nathan Silvermaster e Alger Hiss. Eram todos detentores de elevados postos nos Departamentos do Estado americano e beneficiavam, em pleno, da protecção presidencial. E ocorre perguntar: qual a razão que leva um presidente dos Estados Unidos a proteger um espião comunista? Só uma resposta se apresenta legítima: tanto o presidente como o espião estão às ordens de alguém. Ambos sabem como o mundo é constituído. Em "Tragedy and Hope" (Tragédia e Esperança) o Professor Quigley conclui que fomos já longe demais no caminho da Ditadura Mundial para recuarmos. O "Saturday Evening Post", de 18 de Outubro de 1944, acompanhou a reunião de Bretton Woods através de Peter Drucker, porta-voz dos "Iniciados".

"Se o mundo adoptar um sistema de economia dominada, o timoneiro desembocará na URSS. A Rússia Soviética deve representar o modelo para semelhante ditadura, dado que foi o primeiro país a desenvolver a técnica de fiscalização económica internacional".

O FMI reivindica soberanias, imunidades e privilégios que suplantam, em muito, os das nações que o compõem e no seio dos territórios dessas nações.

Assim, o artigo IX, parágrafo 2, prevê que o Fundo possuirá personalidade jurídica plena e inteira e, de modo muito particular, a capacidade de: 1.º contratar; 2.º adquirir e fazer uso de todos os bens mobiliários e imobiliários; 3.º accionar.

Neste mesmo artigo, o Fundo atribui-se o poder de emitir juízos, estabelecer estatutos e executar as suas próprias decisões, remetendo e reduzindo os estados membros ao papel de simples polícias. O parágrafo 10 deste artigo obriga cada nação a fazer valer os princípios nele inscritos, nos termos da sua própria lei, e prestar contas ao Fundo das medidas tomadas.

O parágrafo 3 proíbe que o Fundo seja submetido ao poder judicial de qualquer país ou estado em que actue, salvo no caso em que renuncie, expressamente, à imunidade de que goza.

O parágrafo 4 determina: "Os bens e activos do Fundo, quaisquer que eles sejam e em que mãos se encontrem, ficarão ao abrigo de qualquer execução, confisco, expropriação ou outra forma de arresto por acção legislativa ou executiva".

O parágrafo 7 atribui ao Fundo a mesma imunidade diplomática que desfruta qualquer nação que mantenha representação consular mas com esta diferença – que se possa exigir a partida aos representantes dos outros países.




Edifício do FMI em Washington


Christine Lagarde. Ver aqui




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Harry Dexter White e John Maynard Keynes, os alegados "founding fathers" do FMI e do Banco Mundial


Quartel-General do Banco Mundial em Washington


O parágrafo 8 dispensa imunidades e privilégios aos quadros e empregados. E a segunda parte deste parágrafo estipula mesmo: "A todos os governadores, itinerantes, quadros ou empregados que não pertençam às nacionalidades locais serão asseguradas as mesmas isenções às restrições à emigração, nas condições do estatuto de estrangeiro e às obrigações do serviço nacional, e as mesmas facilidades quanto às restrições referentes a operações de câmbio que as dispensadas aos representantes oficiais e empregados da mesma categoria da parte de outros membros".

Os parágrafos 1 e 9 facultam a isenção de impostos sobre todos os bens, rendimentos, operações e transacções assim como sobre os salários e emolumentos pagos pelo Fundo que não sejam cidadãos locais, súbditos locais ou outros nacionais locais. São também isentos de impostos todas as obrigações ou títulos emitidos pelo Fundo, juros e dividendos compreendidos.

Sempre que as grandes civilizações ruíram para jamais se reerguerem, testemunha a História, a riqueza dessas civilizações encontrava-se nas mãos de um punhado de homens.

John Adams escreveu a Thomas Jefferson:

"Todas as embaraçosas confusões e desgraças na América provêm não tanto dos defeitos da Constituição ou da Confederação como de uma falta de honra e de virtude, assim como da ignorância completa da natureza da moeda, do critério e da circulação monetária".

E eis a resposta dada por Thomas Jefferson:

"Penso sinceramente, como vós, que as instituições bancárias são mais perigosas do que os exércitos em campanha e de que o princípio de gastar dinheiro que virá a ser desembolsado pela posteridade, sob o pretexto de consolidação, não é mais do que uma burla sobre o futuro, praticada em grande escala".

E até Mayer Amshel Rothschild afirmou:

"Permiti-me emitir e fiscalizar a moeda de uma nação e troçarei de tudo o que as suas leis instituem".

O ouro armazenado em Fort Knox não pertence ao povo americano mas ao Federal Reserve, grupo privado. O nome dos que possuem semelhantes fundos jamais foram revelados» (in Deirdre ManifoldFátima e a Grande Conspiração, Edições Fernando Pereira, pp. 47-50).

2. «Não foi por acaso que Franco Nogueira atribuíra a Oliveira Salazar uma espécie de instinto divinatório a par de uma capacidade profética relativa a certos e determinados acontecimentos na cena internacional. Assim, o instinto divinatório de Salazar tornou-se particularmente visível no decorrer do acordo concedido à Inglaterra com vista à concessão de facilidades nos Açores (18 de Agosto de 1943). Ou seja: perante as pressões do Estado-Maior e sobretudo de Churchill para tal efeito, Salazar conduziu duramente as negociações para poder salvaguardar os interesses portugueses até ao momento em que, intuindo um ataque anglo-britânico aos Açores, fez finalmente uma concessão para a entrada em vigor do acordo luso-britânico.


1 de Janeiro de 1942. Ver aqui





Esboço de 1943 atribuído a Franklin Roosevelt sobre os '3 pilares das Nações Unidas': 1. Assembleia Internacional dos quarenta países-membros; 2. secção executiva; 3. os 'quatro poderes' (Estados Unidos, Reino Unido, União Soviética e República da China).








Joseph Stalin
















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O telegrama de Churchill para Campbell, desconhecido por Salazar, fala por si: «Tenho de lhe dizer que esgotei aqui todos os argumentos em favor de um arranjo com os portugueses através de negociações. Se Salazar não aceitar a nossa última oferta, eu receio nada mais poder fazer. Então os acontecimentos seguirão o seu próprio curso. Lamentá-lo-ei profundamente, mas Salazar ter-se-á mostrado incapaz de estar à altura das circunstâncias». Aliás, este telegrama também permite entrever como Churchill estava sob a influência de Roosevelt no que toca à projecção de uma nova ordem internacional a ser implementada no rescaldo da Segunda Guerra Mundial. E se há quem duvide de um tal plano na esfera internacional, é porque ignora os encontros secretos entre Churchill e Roosevelt em navios de guerra ingleses e americanos ao largo da Nova Escócia. De resto, foi aí que Churchill compreendeu que o Império Britânico iria ser substituído por uma nova ordem internacional ditada pelo sistema financeiro de Nova Iorque» (Miguel Bruno Duarte).

3. «No contexto do progressivo desmantelamento de todas as forças armadas nacionais com vista ao fortalecimento de um exército mundial sob a égide das Nações Unidas, leia-se o seguinte:

"Ironicamente, foi Alger Hiss, o qual viria a ser condenado como espião soviético, quem juntou as Nações Unidas com os seus colegas do Departamento de Estado norte-americano. Hiss foi Secretário-Geral da ONU a título temporário, e diz-se que criou o Departamento de Assuntos de Política e Segurança, o qual teria jurisdição sobre todas as operações militares futuras da ONU. A influência de Hiss é evidente nas entrelinhas das regras e dos regulamentos que governam as operações militares da ONU.

Uma das regras prescrevia que o chefe deste departamento seria sempre cidadão ou militar soviético, ou alguém nomeado pelos Sovietes. Tal foi o caso nos primeiros 53 anos, em que os catorze comunistas seguintes ocuparam o cargo vital de Subsecretário-geral. O primeiro indigitado na 35.ª reunião plenária de 24 de Outubro de 1946 foi Arkady Sobolev: 1946-49 Arkady Sobolev; 1949-53 Konstantin Zinchenko; 1953-54 Ilya Tchernychev; 1954-57 Dragoslav Protich; 1960-62 Georgy Arkadev; 1962-63 E.D. Kiselyv; 1963-65 V.P. Suslov; 1965-68 Alexei E. Nesterenko; 1968-73 Leonid N. Kutakov; 1973-78 Arkady N. Shevchenko; 1978-81 Mikhail D. Sytenko; 1981-86 Viacheslav A. Ustinov; 1987-92 Vasily S. Safronchuk; 1992-97 Vladimir Petrovsky"» (in Daniel EstulinToda a Verdade sobre o Clube Bilderberg, Publicações Europa-América, 2008, pp. 126-127).

4. «Lisboa, 16 de Maio de 1962 - Da longa conversa que tive com o jornalista americano Constantine Brown registo as seguintes afirmações feitas por aquele:

a) O Presidente Kennedy, ao contrário do que se supõe, é um fraco sem personalidade: está inteiramente dominado pelo grupo de que se rodeou;

b) Esse grupo é composto por uma dúzia de pessoas, e entre elas sobressaem os Srs. Rostow, Schlesinger, Bundy, sendo o primeiro o mais influente;

c) Esse grupo tem um ideal supremo: 1) apaziguar a Rússia por todos os meios; 2) sacrificar, se necessário, toda a Europa Ocidental; 3) abolir as soberanias, incluindo a dos Estados Unidos; 4) criar "um só mundo" governado pelas Nações Unidas;

d) Para já, em relação à Europa Ocidental, o Governo Kennedy está tentando destruir os Governos do chanceler Adenauer, do presidente De Gaulle, do presidente Salazar e do general Franco...» (in Franco Nogueira, Diálogos Interditos. A Política Externa Portuguesa e a Guerra de África, I Volume, Intervenção, 1979, pp. 119-120).

5. «A catástrofe liricamente apelidada de "revolução dos cravos" teve antecedentes remotos: a sua origem longínqua situou-se em 1941, quando Roosevelt e a superfinança americana se conluiaram com Staline.

Num artigo publicado em O Dia (23/3/1980), duma série sobre os Rockefellers, Lourdes Simões de Carvalho transcreveu a carta que Roosevelt endereçou em 1941 ao Kremlin - carta que Le Figaro, de Paris, revelou a 7 de Fevereiro de 1951:

"Quanto à África, será preciso dar à Espanha e a Portugal compensações pela renúncia dos seus territórios para que haja um melhor equilíbrio mundial. Os Estados Unidos instalar-se-ão aí por direito de conquista e reclamarão inevitavelmente alguns pontos vitais para a zona de tutela americana. Será mais que justo".


"Queira transmitir a Staline, meu caro senhor Zabrusky, que para o bem geral e para o aniquilamento do Reich ceder-lhe-emos as colónias africanas se ele refrear a sua propaganda na América e cessar a interferência nos meios laborais".

Acrescentou depois a citada articulista:

"Em 1973, esta promessa solene continuava por cumprir. Falha tanto mais embaraçosa para a parte faltosa quanto os soviéticos tinham honrado a sua [?].

Portugal, três décadas depois da cedência de Roosevelt à URSS das suas possessões africanas, interpunha-se ainda como um escolho inamovível na viabilização do contrato e lutava sozinho conta o condomínio russo-americano e respectivos mecanismos de conquista e anexação.

Os Rockefellers eram especialistas, na América do Sul, a manobrarem através de militares a quem a pala do boné delimita o horizonte das suas abstracções.

No dia 25 de Abril de 1974, capitães convictos de salvarem o povo das garras dos exploradores, apoiados por comunistas primários, estudantes analfabetos e intelectuais muito eruditos sobre o imperialismo dos EUA investiram contra a última barreira existente na Europa a esse mesmo imperialismo.

Ao largo, na costa, uma esquadra americana velava pronta a intervir em favor dos revoltosos marxistas para que as promessas de Roosevelt fossem honradas. A África foi partilhada de harmonia com o esquema habitual: ideologia redentora primeiro; depois, financiamentos saneadores e divisão equitativa dos lucros entre os parceiros sociais.

O agente de confiança de Nelson Rockefeller, Frank Carlucci, posando como embaixador dos EUA em Lisboa, com o seu homólogo da KGB, Kalinine, sob travesti semelhante, destacados para consolidar mais esta etapa, desempenharam-se com discrição e eficácia desta missão especial.

Os expoentes máximos do Round Table Business, organismo Rockefeller que agrupa os 178 maiores capitalistas do mundo, consideram hoje Portugal como uma das melhores coutadas europeias, tendo o caminho facilitado pela desertificação dos empresários nacionais, liquidados e afastados da competição pela aguerrida matilha comunista. Chase, Morgan, Ford, Rothschild e o Kremlin tinham vencido juntos mais um lance".




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Frank Carlucci e Mário Soares. Ver aqui



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(...) a) As três internacionais. - Carlos Camposa, no prefácio do seu opúsculo "Salazar respondeu a Afonso Costa", tem esta curiosa observação de que o "25 de Abril" foi a sinistra obra de três internacionais:

- a vermelha (comunista e socialista);

- a capitalista ou doirada (América do Norte e plutocracia do Norte da Europa, em especial da Holanda e da Suécia);

- e a negra (clerical progressista), lembrando a propósito a acção dos "padres brancos" em Moçambique e de outros, as calúnias do Pe. Hastings, etc.

b) Em 1973: o Acordo de Paris - Se bem que ainda sem revelação de todos os pormenores, têm surgido referências concretas ao "Acordo de Paris" firmado em Maio de 1973 entre o PC e o PS. Perante a crescente dificuldade de vencer militarmente Portugal no Ultramar, a União Soviética promoveu esse acordo prometendo financiar a organização de um golpe de Estado em Lisboa, comprometendo-se o PC e o PS a conceder a "independência" imediata às Províncias Ultramarinas portuguesas entregando-as aos movimentos pró-soviéticos: PAIGC (Guiné e Cabo Verde), MPLA (Angola) e FRELIMO (Moçambique).

Sobre esse Acordo, ver: Jornal de Economia e Finanças, números 357 e 392; África - Vitória Traída, pelos generais Luz Cunha, Kaulza de Arriaga, Bethencourt Rodrigues e Silvino Silvério Marques, página 27; Angola - Os Vivos e os Mortos, de Pompílio Cruz, página 149; A Rua, de 6/2/77, transcrição de uma notícia de Santana Mota publicada no diário O Estado de S. Paulo - Não lhes perdoais, Senhor, de Rebelo Cotta; a página 28 diz que o tenebroso Rosa Coutinho e outros chacais do seu séquito executaram fielmente o plano gizado "em Moscovo, Paris e Lisboa"» (in José Dias de Almeida da Fonseca, «LIVRO NEGRO DO "25 DE ABRIL"»).

6. «Embora sendo ainda apenas um projecto [utópico do Governo Mundial], os seus promotores, como veremos, detêm já um Poder que lhes permite reduzir a soberania de numerosos Estados em todo o mundo, apenas àquilo que não contraria o seu projecto, actuando através da arma mais poderosa, a financeira.

Naturalmente que um tal projecto só poderá ser contrariado e vencido quando os cidadãos se aperceberem de que esse Poder existe e pretende impor-lhes um sistema em que, como em todos os sistemas socialistas, os seus dirigentes têm a pretensão de que sabem melhor do que os próprios, o que os faz felizes.

O 25 de Abril não poderá ser verdadeiramente compreendido senão através das exigências daquele projecto.

No fundo, não passou de um pequeno episódio num percurso que se pretende que conduza à formação de um Governo Mundial, que já tem no seu activo um número elevado de vitórias e de vítimas» (in Fernando Pacheco de Amorim, «25 de Abril - Episódio do Projecto Global», 1996).

7. «Entre os que hoje perfilham o Governo Mundial, encontra-se Vladimir Putin, um 'ex-agente' da KGB cuja retórica sobre a liberdade, a democracia e os direitos humanos só ilude os enganados enganosos. Daí também o apregoar da dita 'lei internacional' que o líder russo deseja, a par de todos os líderes do mundo actual, ver protagonizada pela ONU nos seguintes termos:

"Consideramos as tentativas para minar a legitimidade das Nações Unidas como algo extremamente perigoso. Isso poderia levar ao colapso de toda a arquitectura das relações internacionais e nada mais restaria senão a lei da força. Teríamos então um mundo dominado pelo egoísmo em vez do trabalho colectivo, um mundo caracterizado pela tirania e não pela igualdade. Não haveria democracia nem liberdade num mundo onde os diferentes estados seriam substituídos por um número crescente de protectorados e territórios externamente controlados" (discurso de Vladimir Putin nas Nações Unidas, 2015).









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Por outras palavras: quem não obedecer à agenda totalitária das Nações Unidas será considerado inimigo da paz, da liberdade e da 'comunidade internacional', assim como declarado inimigo de tudo o que, efectivamente, está a ser levado a cabo para que não hajam nações soberanas nem Estados independentes, porque, na verdade, só existirão protectorados, territórios e regiões 'externamente controladas'. E, claro, o líder russo também adere à agenda ambientalista da ONU».

Miguel Bruno Duarte


«Não rejeitamos o nosso passado. Afirmamos com franqueza: "A história de Lubyanka no século vinte é a nossa história..."».

N. P. Patrushev (Director do FSB, citado de uma entrevista ao Komsomolskaya Pravda de 20 de Dezembro de 2000, Dia do FSB).


«A árvore genealógica dos Serviços Secretos da Federação Russa (FSB) quase dispensa apresentação. Desde os primeiros anos do poderio soviético que as agências persecutórias instituídas pelo Partido Comunista desconheciam as virtudes da compaixão e da misericórdia. Os actos dos indivíduos que trabalham em tais organismos nunca se regeram pelos valores e princípios do homem comum. Desde a revolução de 1917, a polícia da Rússia soviética (mais tarde, URSS) trabalhou implacavelmente, como uma máquina, na aniquilação de milhões de pessoas; na verdade, tais organizações nunca tiveram outro propósito, dado que o Governo nunca lhes redefiniu a agenda política ou prática, mesmo nos períodos de maior abertura. Nenhum outro país civilizado possuiu algo de comparável às agências de segurança estatal da URSS. Nunca, exceptuando o caso da Gestapo na Alemanha nazi, uma polícia política possuiu as suas próprias divisões de investigação e centros de detenção, como a prisão do FSB para presos políticos em Lefortovo.

Os acontecimentos de Agosto de 1991 - quando uma crescente maré de descontentamento popular varreu literalmente o sistema comunista - mostraram com bastante clareza que a liberalização das estruturas políticas russas tinha de resultar inevitavelmente no enfraquecimento, talvez mesmo na ilegalização, do Comité de Segurança do Estado (KGB). O pânico que se apoderou dos líderes das agências repressivas estatais durante esse período teve expressão em numerosos - não raro incompreensíveis - exemplos do desmantelamento de velhas agências especiais e o aparecimento de outras em seu lugar. Logo no dia 6 de Maio de 1991 foi fundado o Comité de Segurança do Estado para a República Russa, presidido por V.V. Ivanenko, paralelamente ao KGB, com capacidade interventiva ao nível de toda a União das Repúblicas Soviéticas, nos termos de um protocolo assinado pelo Presidente russo Boris Yeltsin e o director do KGB da URSS, V.A. Kriuchkov. No dia 26 de Novembro, o KGB russo transformou-se na Agência de Segurança Federal (AFB). Apenas uma semana depois, no dia 3 de Dezembro, o Presidente da URSS, Mikhail Gorbachev, assinou um decreto-lei "Sobre a Restruturação das Agências de Segurança do Estado". Nos termos desta lei, foi criado um novo Serviço Interdepartamental de Segurança (MSB) da URSS, na esteira do velho KGB, que fora suprimido.





Simultaneamente, o velho KGB, qual hidra de várias cabeças, dividiu-se em quatro novas estruturas. O Primeiro Departamento (Central) - que lidava com os serviços de informação externa - foi destacado como novo Serviço Central de Informação, mais tarde renomeado Serviço de Informação externa (SVR). Os Oitavo e Sexto Departamentos do KGB (para comunicações governamentais, encriptação e decifração electrónica) transformaram-se no Comité para as Comunicações Governamentais (a futura Agência Federal para as Comunicações Governamentais e Informação, ou FAPSI). Os serviços de segurança fronteiriços transformaram-se no Serviço Federal de Fronteiras. O velho Nono Departamento do KGB converteu-se no Departamento de Segurança Pessoal do Gabinete Presidencial Russo. O velho Décimo quinto Departamento tornou-se no Serviço de Segurança Governamental e Pessoal. Estas duas últimas estruturas converteram-se mais tarde no Serviço de Segurança Presidencial (SBP) e no Serviço Federal de Segurança Pessoal (FSO). Um outro serviço especial super-secreto foi também destacado do velho Décimo Departamento do KGB: o Departamento Central da Presidência para Programas Especiais.

A 24 de Janeiro de 1992, Yeltsin assinou um decreto-lei autorizando a criação de um novo Ministério da Segurança (MB), na esteira do AFB e do MSB. Simultaneamente, surgiu um Ministério da Segurança e Administração Interna, mas foi extinto após um breve período de existência. Em Dezembro de 1993, o MB foi, por sua vez, renomeado Serviço Federal de Contra-Espionagem (FSK) e, a 3 de Abril de 1995, Yeltsin assinou o decreto-lei "Sobre a Formação de um Serviço Federal de Segurança na Federação Russa", por meio do qual o FSK se converteu no FSB.

Esta longa sequência de restruturações e renomeações destinava-se a proteger a estrutura organizacional das agências de segurança estatais, ainda que de forma descentralizada, contra os ataques dos democratas, além de preservar, juntamente com a estrutura, o pessoal, os arquivos e os agentes secretos.

(...) Findo o período de nítida confusão, resultante dos eventos de Agosto de 1991, e a expectativa errónea de que os agentes do ex-KGB seriam vítimas do mesmo ostracismo a que fora votado o Partido Comunista, os serviços secretos aperceberam-se de que esta nova era, liberta da ideologia comunista e do controlo partidário, lhes oferecia algumas vantagens. O antigo KGB tinha a possibilidade de explorar os seus vastos recursos humanos (tanto oficiais como não-oficiais), de modo a colocar agentes seus em quase todas as esferas de actividade no colossal aparelho de estado russo.

De alguma maneira, antigos notáveis do KGB começaram a emergir nos patamares mais elevados do poder, não raro passando despercebidos aos olhos inexperientes: os primeiros eram agentes secretos, mas, mais tarde, eram oficiais, alguns ainda no exercício das suas funções. Na retaguarda de Yeltsin, logo desde os primeiros dias dos acontecimentos de 1991, estava o homem do KGB, Alexander Korzhakov, antigo guarda-costas do presidente da KGB e do secretário-geral do Partido Comunista, Yuri Andropov. O ex-coronel Bogomazov, da GRU, chefiava os serviços de segurança do Grupo MIKOM e o vice-presidente do grupo financeiro industrial era N. Nikolaev, um homem do KGB com vinte anos de serviço, que trabalhara sob o comando de Korzhakov.

Filipp Bobkov, general de quatro estrelas e primeiro vice-presidente do KGB da URSS, que no período soviético chefiara durante bastante tempo a chamada "quinta coluna" do KGB (investigação política), arranjou emprego a trabalhar para o barão das finanças Vladimir Gusinsky. A "quinta coluna" conta entre os seus maiores êxitos a expatriação de Alexander Solzhenitsyn e de Vladimir Bukovsky, bem como a detenção e encarceramento em campos, durante largos anos, de todos aqueles que ousavam pensar e dizer o que acreditavam estar certo e não o que o partido lhes ordenava que pensassem e dissessem. Na retaguarda de Anatoly Sobchak, presidente da câmara de Leninegrado (São Petersburgo) e líder proeminente do movimento reformista na Rússia, estava o homem do KGB Vladimir Putin. Nas palavras do próprio Sobchak, isto significava que "o KGB controla São Petersburgo".







(...) A língua russa conquistou um novo termo, "oligarca", embora fosse evidente que nem mesmo o homem mais rico da Rússia era um oligarca no sentido literal da palavra, dado que lhe faltava o ingrediente fundamental de uma oligarquia: o poder. O poder real permanecia, como antes, nas mãos dos serviços secretos.

Gradualmente, com a ajuda de jornalistas que eram funcionários ou agentes do FSB e do SBP e de todo um exército de escritores sem escrúpulos, famintos de histórias fáceis e sensacionalistas, os poucos "oligarcas" do mundo empresarial russo foram declarados ladrões, corruptos e até assassinos. Entretanto, os autênticos criminosos, que haviam adquirido um verdadeiro poder oligárquico e embolsado biliões em dinheiro nunca discriminado em quaisquer relatórios de contas, estavam sentados atrás das suas secretárias de executivo nas agências russas de coerção estatal: o FSB, o SBP, o FSO, o SVR, o Departamento Central de Informação (GRU), o Gabinete do Delegado Público, o Ministério da Defesa (MO), o Ministério do Interior (MVD), os serviços aduaneiros, a polícia fiscal e assim sucessivamente.

Eram estes os verdadeiros oligarcas, as eminências pardas e dirigentes-sombra dos negócios russos e da vida política do país. Detinham o poder real, ilimitado e irrestrito. Protegidos pelos seus cartões que os identificavam como membros dos serviços de segurança, eram verdadeiramente intocáveis. Abusavam sistematicamente do poder que os seus cargos oficiais lhes conferiam, aceitando subornos e roubando, construindo o seu capital de modo ilícito e envolvendo os seus subordinados em actividades criminosas.

Este livro procura mostrar que os problemas fundamentais da Rússia não são produto das reformas radicais do período liberal sob a presidência de Yeltsin, mas da resistência aberta ou clandestina que os serviços secretos ofereceram a tais reformas. Foram eles quem fez deflagrar a primeira e segunda guerras da Chechénia, de maneira a desviar a Rússia do caminho da democracia para a ditadura, o militarismo e o chauvinismo. Foram eles quem organizou uma série de brutais atentados terroristas em Moscovo e outras cidades russas como parte das suas operações, cujo objectivo era o de criar as condições para a primeira e segunda guerras da Chechénia.

As explosões de Setembro de 1999, em particular o ataque terrorista frustrado em Ryazan, no dia 23 de Setembro, são o tema central deste livro. Essas explosões constituem a pista mais óbvia para seguir a táctica e estratégia das agências de segurança estatal russas, cujo derradeiro objectivo é o poder absoluto».

Alexander Litvinenko e Yuri Felshtinsky («Terror na Rússia. Revelações de um ex-espião do KGB»).




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«Dr. Muller [1923-2010] began working at the United Nations just as it was forming. He devoted the next 40 years of his life behind the scenes at the United Nations focusing his energies on nurturing a better world, including working for the environment, economics and peace. He was instrumental in the conception of many multilateral bodies, including the UN Development Program, the World Food Program, the UN Population Fund, and the World Youth Assembly. He rose through the ranks at the UN to the official position of Assistant-Secretary-General and served under three Secretary Generals.

Robert Muller created a "World Core Curriculum" that earned him the UNESCO Prize for Peace Education in 1989. The "World Core Curriculum" helped inspire the growing Global Education movement. More than 30 Robert Muller schools were founded throughout the world, including LIFE School in Panajachel, Guatemala whereupon students have gone on to pursue degrees in International Affairs.

He is the recipient of multiple awards and honors including the Albert Schweitzer International Prize for the Humanities and the Eleanor Roosevelt Man of Vision Award».

WIKIPEDIA



Robert Muller e João Paulo II


















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Alice Bailey. Ver aqui























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«No Domingo, 27 de Agosto, depois de aparecer na varanda de S. Pedro para abençoar as multidões do meio dia, Luciani almoçou com o Cardeal Villot. Luciani pediu a Villot para continuar como Secretário de Estado "até eu ter encontrado o meu caminho". Na verdade, a sua visão liberal sobre o controlo artificial de natalidade tinha angustiado os tradicionalistas, e ele precisava do conselho de Villot enquanto formava a sua administração "new-look". Os Conservadores reagiram aos planos do novo Papa assegurando aos fiéis que ele estava de facto absolutamente dedicado a promover a continuidade do magistério da Igreja.

Eles fizeram isto apesar de estarem avisados de que, quando ainda bispo, Luciani quisera que o Vaticano afrouxasse as normas relativas ao controlo artificial de natalidade. Claro que secretamente amaldiçoavam a posição de Luciani e imediatamente após a sua eleição, um grupo de bispos da confiança da Secretaria de Estado começou a limpar os arquivos de documentos pertencentes ao novo papa que não concordassem com a imagem que eles pretendiam para o magistério. Em Veneza, segundo um antigo oficial diocesano, eles removeram dos arquivos do Patriarcado toda a menção à visão de Luciani sobre o controle de natalidade. Especificamente, dizia-se que tinham levado com eles as notas de uma palestra que Luciani tinha feito para os sacerdotes das paróquias de Veneto durante um retiro espiritual em 1965, na qual ele afirmara: "Garanto-vos a todos que os bispos ficariam mais felizes ao encontrar uma doutrina que considerasse legítimo o uso de contraceptivos sob certas circunstâncias... Se houver uma possibilidade entre mil, então temos que descobri-la e ver se, por acaso, com a ajuda do Espírito Santo, podemos deparar com algo que nos tenha escapado até agora".

Alguns meses antes da publicação da Humanae Vitae, Luciani referiu-se novamente ao problema da contracepção numa conferência diocesana sobre o casamento. Desta vez ele disse: "É vossa esperança que o Papa pronuncie uma palavra de salvação". Semanas mais tarde, o seu superior, cardeal Giovanni Urbani de Veneza, pediu-lhe para preparar um texto reservado sobre o controlo artificial de natalidade para Paulo VI. Luciani consultou médicos, pais e teólogos, e produziu um argumento teológico convincente [?] para uma revisão da Igreja sobre o controlo de nascimento. O cardeal Urbani enviou o documento ao Papa Paulo antes da redacção final da Humanae Vitae. Ele reforçou a conclusão maioritária do painel de peritos nomeado pelo Papa e dizia-se que o haviam influenciado para uma política mais liberal em questões sexuais. Somente a enérgica intervenção do cardeal Wojtyla, quase desbravando o seu caminho para as câmaras papais e reescrevendo ele próprio algumas das páginas da Humanae Vitae, salvou o dia para os conservadores. Todo o rasto do texto de Luciani desapareceu a partir daí, e hoje a Santa Sé nega que tal documento tenha até existido.







Paulo VI na ONU. Ver aqui








Paulo VI e John F. Kennedy















Coroação do Anti-Papa Paulo VI











Na redacção do discurso de aceitação papal, preparado para ele pelo Secretário de Estado, Luciani amputou todas as referências sugestivas à Humanae Vitae. Bem cedo nesse ano, o Opus Dei organizara um Congresso internacional em Milão para comemorar o décimo aniversário da publicação da encíclica. Luciani recusara-se a dirigir-se ao congresso. Em vez disso, Wojtyla tomou o seu lugar. Depois, nas primeiras semanas do seu papado, Luciani disse a Villot que planeava avistar-se com o Congressista James Scheuer, vice-presidente do Fundo Populacional das Nações Unidas, a agência mundial que promovia o planeamento familiar. Scheuer pretendia o apoio do Vaticano para um plano do Fundo Populacional das NU para estabilizar a população mundial nos 7,2 mil milhões no ano de 2050. Uma audiência para Scheuer foi hipoteticamente agendada para 24 de Outubro de 1978. Isto alarmou os Conservadores da Cúria. Na altura, o Opus Deis era visto como a força conservadora mais forte da Igreja. Era - e continua a ser - ferozmente antagonista de todas as formas de planeamento familiar para além do método do ritmo natural. Chocada com as intenções de Luciani, o Opus Dei alinhou à sua volta todos os membros do cardinalato de mentalidade igual a si, particularmente Hoffner de Colónia, Krol de Philadelphia, Sin de Manila, Siri de Génova, Wojtyla de Cracóvia e os Conservadores Curiais Baggio, Oddi, Palazzini, Poletti, Samoré e, claro, Villot. Oddi, sem rodeios, começou abertamente a sugerir que o Espírito Santo cometera um erro ao permitir a eleição de Luciani.

(...) Em 1994 o Sínodo Africano encerrou como tinha começado, sob o signo da morte. Em Argel, um sacerdote Marista francês e uma Irmã da Assunção, que dirigiam uma biblioteca no Casbah, foram alvejados mortalmente em plena luz do dia. O arcebispo Teissier chamou-lhe "um crime sem sentido", e disse "ser mais importante do que nunca aumentar o número de locais onde cristãos e muçulmanos pudessem encontrar-se para se conhecerem melhor e gostarem uns dos outros". As suas palavras provocaram a ira do Grupo Armado, cujos chefes o apelidaram de "inimigo do Islão".

As razões de Navarro-Valls para não se prestar atenção à disputa cristã-islâmica, durante o Sínodo Africano, tornaram-se compreensíveis no documento de encerramento da reunião. Dizia que o Sínodo tinha ficado preocupado, que a Conferência sobre População da ONU - marcada para o Cairo nesse Setembro - estava a planear promover livremente o aborto e a contracepção. O documento, aparentemente aprovado pelos Bispos Africanos, afirmava: "Todos nós condenamos esta cultura individualista e permissiva que liberaliza o aborto e torna a morte da criança um assunto unicamente da decisão da mãe". Chamando à agenda da ONU um "plano anti-vida", os bispos apelaram a todos os países para o rejeitarem. Entretanto, a África a arder e a sangrar [o autor é pró-aborto, entenda-se].






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O minar a Conferência da ONU sobre a População, demonstrava uma área onde João Paulo II se opunha diametralmente às intenções do Papa Luciani, que tinha esperado chegar a uma estratégia comum com o Fundo Populacional da ONU, patrocinador da conferência do Cairo. Dizia-se que João Paulo II - ou os seus construtores de política pro-vida - estavam preparados para fazer soçobrar a Conferência da ONU, a menos que fossem retirados de toda a literatura da conferência os termos controle de natalidade e interrupção da gravidez...».

Robert Hutchison («O Mundo Secreto do OPUS DEI. Preparando o confronto final entre o Mundo Cristão e o Radicalismo Islâmico»).


«A realidade da maçonaria obriga a destacar sobretudo o sincretismo relativista, que é o mais profundo e que prescinde da verdade no âmbito religioso e da questão fundamental da "religião verdadeira". E afirma a igualdade de todas as religiões, apesar de que "a omissão do discurso sobre a verdade comporta a equiparação superficial de todas as religiões, esvaziando-as, no fundo, do seu potencial salvífico. Afirmar que todas são verdadeiras equivale a declarar que todas são falsas.

Este sincretismo maçónico e não maçónico, irrompeu em Espanha por meio da quarta edição do Fórum Universal de las Culturas del Parlamento de las Religiones del Mundo (PRM), que teve lugar em Barcelona de 7 a 13 de Junho de 2004. Nele participaram cerca de 8000 pessoas de inúmeras, e por vezes exóticas e pitorescas, tradições religiosas ou "espirituais" do léxico da Nova Era. Não faltaram, como é lógico, diversas modalidades e iniciativas de diálogo inter-religioso de inegável cariz sintético. Evidentemente, tudo é válido, todas as religiões são iguais. Desde que se respeite o mínimo denominador comum "espiritual", ou seja, o que é comum a todas as religiões, cada qual pode servir-se de quanto lhe apeteça entre o que lhe é oferecido no supermercado religioso ou espiritual dos nossos dias. A mesma linha é seguida pela Asociación para el Diálogo Interreligioso da Comunidade de Madrid (ADIM), fundada a 4 de Janeiro de 2005 por Juan José Tamayo (Teólogos Juan XXIII). "Na sua configuração actual, ultrapassa o marco do catolicismo e do próprio cristianismo. É uma resposta, a partir de diferentes confissões religiosas e movimentos de inspiração humanista, à crescente crise religiosa e à actual sociedade técnico-científica... Actualmente, converteu-se em associação de carácter civil com presença de quase todas as confissões religiosas que existem na capital [Madrid] e em contacto com outras organizações do mesmo estilo que estão a surgir no resto do país. A ADIM tem estabelecido, desde o primeiro momento, uma relação estreita com o Conselho para um PRM através do Centro UNESCO de Madrid e Catalunha, tendo participado na quarta edição do PRM realizado em Barcelona em Julho de 2004" (...). Em Abril de 2006, em Madrid, realizou-se o seu III Encuentro de Religiones e tem um encontro mensal num colégio de religiosos em Madrid. A ADIM é subsidiada pelo Ministério da Cultura do Governo de Rodríguez Zapatero e participou no fórum espiritual organizado em finais de Junho de 2006 pela Fundación Alalba (de Koldo Aldai), de idêntico carácter sincrético, em Estella (Navarra, Espanha).


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David Rockefeller




Rockefeller Center (Nova Iorque).








Para além de fazerem parte da ADIM, assistiram ao encontro do PRM e do Fórum Espiritual os Hare Krishna e outras associações do tipo Nova Era: Brahma Kumaris, entre outras, promovidas na América Latina pelas autoridades norte-americanas. Já em 1912, o Presidente Theodore Roosevelt disse na Argentina que "a assimilação dos países latino-americanos nos EUA será longa e difícil enquanto eles continuarem a ser católicos". E, meio século depois, o mação Nelson A. Rockefeller, depois de percorrer a América do Sul, elaborou o relatório, conhecido pelo seu apelido, apresentado a Nixon em Agosto de 1969. Nele deu conta da transformação operada na Igreja Católica após o Concílio Vaticano II, insiste na "necessidade de substituir os católicos por outros cristãos na América Latina", mais concretamente "apoiando os grupos fundamentalistas [protestantes] e igrejas de tipo Moon e Hare Krishna". Prosseguem na mesma linha outros documentos posteriores, como, por exemplo, o Documento do Comité de Santa Fé (na Colômbia), I: A New Inter-American Policy for the Eighties (Maio de 1980), II: A Strategy for Latin America for the 1990s (Dezembro de 1988), etc. Não há dúvida de que organismos estatais, grandes trusts e gente com muito dinheiro dos Estados Unidos contribuíram eficazmente para a difusão da maçonaria, de algumas seitas e dos protestantes fundamentalistas na América Latina».

Manuel Guerra («A Trama Maçónica»).


«I don't know anyone who follows the news who doesn't say that the world seems to be crumbling before his eyes. The american dynasty has seemingly hit a brick wall in every conceivable direction. Wealth shrinking, record numbers are on welfare, our political structures are dysfunctional, regulations are suffocating the economy, personal privacy has been shattered, foreign disasters are everywhere, racial conflict is the highest in decades and on and on.

Don´t think that these changes are merely some strange twist of fate or that they are somehow all unrelated. They are not!

In fact, the world is being actively transformed according to a very narrow economical/political/social philosophy called Tecnocracy, and it is impacting every segment of society in every corner of the world. Furthermore, Tecnocracy is being sponsored and orchestrated by a global elite led by David Rockefeller's and Zbigniew Brzezinski's Trilateral Commission. Let the evidence speak for itself.

Originally started in the early 1930s, Technocracy is antithetical to every American institution that made us into de greatest nation on earth. It eschews property rights, obsoletes capitalism, hates politicians and traditional political structures, and promisses a lofty utopian dream made possible only if engineers, scientists and technicians are allowed to run society. When Aldous Huxley penned Brave New World in 1932, he accurately foresaw this wrenching transformation of society and predicted that the end of it would be a scientific dictatorship unlike anything the world has ever seen.

Indeed, Technocracy is transforming economics, government, religion and law. It rules by regulation, not by Rule of Law, policies are dreamed up by unelected and unaccountable technocrats buried in government agencies, and regional governance structures are replacing sovereign entities like cities, counties and states. This is precisely why our society seems so dislocated and irreparable.

Still say you've never heard of Technocracy? Well, you probably have but under different names. The tentacles of Technocracy include programs such as Sustainable Development, Green Economy, Global Warming/Climate Change, Cap and Trade, Agenda 21, Common Core State Standards, Conservation Easements, Public-Private Partnerships, Smart Groth, Land Use, energy Smart Grid, de-urbanization and de-population. In America, the power grab of Technocracy is seen in the castrating of the Legislative Branch by the Executive Branch, replacing laws and lawmakers with Reflexive Law and regulators, and establishing regional Councils of Governments in every state to usurp sovereignty from cities, counties and states.









Technocracy Rising: The Trojan Horse of Global Transformation connects the dots in ways you have never seen before, taking you on a historical journey that leads right up to the current day. It will show you how this coup de grâce is taking place right under our noses and what we might do to stop it.


When Americans saw throught Technocracy in the 1930s, they forcefully rejected it and the people who promoted it. If Americans are able to recognize this modern-day Trojan horse, they can reject it again. Indeed, they must!

(...) Let me be clear about the intent and scope of this book. My premisse is that when it was founded in 1973, the Trilateral Commission quietly adopted a modified version of historic Technocracy to craft what it called a "New International Economic Order". This has been largely unrecognized even to this day. With the combined weight of the most powerful global elite behind it, Technocracy has flourished in the modern world and has perhaps reached the tipping point of no return. This book will explain Technocracy in detail, demonstrate the methodology that has been used to implement it, document the control over power centers that allowed the methodology to be used, and most importantly, expose the perpetrators who are responsible for it. If the reader does not see the importance of these connections, then either will he see the economic and political dangers in such things like Sustainable Development, Agenda 21, Public-Private Partnerships, Smart Growth, Green Economy, Smart Grid, Common Core State Standards, Councils of Governments, etc. The creation of all of these programs will be laid at the feet of the Trilateral Commission, in the name of Technocracy. Indeed, the Trilateral Commission and its members were simultaneously the philosophical creators of modern Technocracy as well as the implementers as they occupied key positions in governments, business and academia since 1973.

It can already hear the Trilaterals and Technocrats howling in protest after reading just this first paragrafh. "No so!", "Foolishness!", "Lunacy!" I've heard this lame defense for almost 40 years. One of the first lessons learned about liars in my early days, when the Cold War was in full play - and the Soviets were also consummate liars - was to "Watch what they do, not what they say". So, to all you elitists who might perchange be reading this book, you stand naked before the evidence.

(...) My interest in globalism and the activities of the global elite started in 1976 when I was a young financial writer and securities analyst. I later teamed up with Antony C. Sutton to study and write about the Trilateral Commission, its policies and members, and their plans for global hegemony. Sutton taught me how to "Follow the money. Follow the power." which has proven to be an invaluable aid in getting to the heart of a matter. Although I would like to write a follow-up book to our Trilaterals Over Washington, Volumes I and II, the subject of Technocracy now trumps all others. If there is a holy grail (or, unholy grail) of understanding on the New World Order, this is it.






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In a nutshell, historic Technocracy is a utopian economic system that discards price-based economics in favor of energy or resource-based economics. Technocracy is so radically different from all current economic norms that it will stretch your mind to get a grasp of what it actually means and what it implies for a global society.

However, in order to properly integrate Technocracy into the total picture, I will briefly address some other important and related topics along the way, such as Scientism, Transhumanism and Scientific Dictatorship. That these are not dealt with in full at present is not to diminish their importance in any way; perhaps follow-up works will allow for a more detailed and complete treatment of those topics».

Patrick M. Wood («Technocracy Rising: The Trojan Horse of Global Transformation»).


«Como é que se explica a subtil interdependência do norte industrializado com o Terceiro Mundo?", pergunta Holly Sklar, colunista do Knight-Ridder, em The Trilateral Commission and Elite Planning for World Management.

Em 1991, Doug Henwood, economista e editor convidado de The Nation, colocou a sua resposta no Left Business Observer, boletim que fundara em 1986: "... Cada membro da Tríade tem reunido sob a sua alçada uma mão cheia de países pobres para servirem de mão-de-obra barata para fábricas, plantações e minas: os EUA têm a América Latina; a União Europeia, a Europa de Leste, do Sul e África; o Japão, o Sudeste Asiático. Nalguns poucos casos, há dois membros da Tríade a dividirem um país - Taiwan e Singapura dividem-se entre Japão e EUA; a Argentina, entre os EUA e a União Europeia; a Malásia, entre a União Europeia e o Japão, e a Índia é partilha de todos três".

"A estratégia de Rockefeller", diz-nos Will Banyon, "também revela algo de fundamental sobre a riqueza e o poder: não importa quanto dinheiro se tem; a menos que seja usado para capturar e controlar as organizações que produzem as ideias e políticas que norteiam governos e o povo que trabalha neles, o verdadeiro poder de uma grande fortuna nunca será concretizado".

Numa carta ao Editor do New York Times a 20 de Agosto de 1980, David Rockefeller, presidente do Chase Manhattan Bank, defendeu a finalidade de uma Comissão Trilateral enquanto afirmação pública sem precedentes. "A Comissão Trilateral é, na realidade, um grupo de cidadãos preocupados e interessados em fomentar maior entendimento e cooperação entre aliados internacionais".

Não era esta a impressão que o Senador norte-americano Barry Goldwater tinha. E disse-o sem clemência, no seu livro With No Apologies, em que chamou a Comissão Trilateral "a mais recente cabala internacional de David Rockefeller", e que "Destina-se a ser o veículo para a consolidação multinacional dos interesses comerciais e bancários, mediante tomada de controlo do governo político dos EUA".





David Rockefeller


O Senador Jesse Helms, no Senado a 15 de Dezembro de 1987, foi mais longe na sua apreciação das sociedades privadas interligadas:

"A campanha contra o povo americano - contra a cultura e os valores tradicionais americanos - é uma guerra psicológica sistemática. É arquitectada por um vasto leque de interesses, que compreendem não só o establishment de Leste como também a esquerda radical. Entre este grupo, encontramos o Departamento de Estado, o Departamento de Comércio, os bancos centrais e as multinacionais, a comunicação social, o poder instituído educacional, a indústria do entretenimento, e as grandes fundações isentas de impostos.

Senhor Presidente, após um exame atento do que acontece nos bastidores, vemos que todos esses interesses laboram para criar aquilo a que alguns chamam a Nova Ordem Mundial. Organizações privadas como, por exemplo, o Council on Foreign Relations, o Royal Institute of International Affairs (RIIA), a Comissão Trilateral, a Dartmouth Conference, o Aspen Institute for Humanistic Studies, o Atlantic Institute e o Clube Bilderberg, servem para disseminar e coordenar os planos desta Nova Ordem Mundial em círculos empresariais, financeiros, académicos e oficiais poderosos.

A influência dos agentes infiltrados do establishment na nossa política externa veio a ser um facto nos nossos dias. Esta influência insidiosa vai ao arrepio da verdadeira segurança nacional a longo prazo da nossa Nação. É uma influência que, se não for travada, pode em derradeira análise subverter a nossa ordem constitucional".

Mas que interessante! É exactamente a conclusão de Antony Sutton em Trilateral Observer: "Os Trilateralistas rejeitam a Constituição dos EUA e o processo político democrático".

Goldwater conclui With No Apologies com a seguinte ideia acutilante: "Aquilo que os Trilaterais querem realmente é a criação de uma potência económica mundial superior aos governos políticos dos estados-nação envolvidos... Na qualidade de gestores e criadores do sistema, eles vão mandar no futuro".

(...) não é difícil ver que a abordagem da Comissão Trilateral é estritamente económica. "Directorias interligadas e quotas de mercado mundiais proporcionam o maior poder político porque as empresas transnacionais individuais participam, não enquanto entidades individuais ou autónomas, mas sim como partes de toda uma rede de sistemas integrados. A Comissão Trilateral é a extensão desta rede".

As condições políticas como, por exemplo, os ideais dos estados-nação, o direito comum e a providência social, são anátemas para os seus planos materialistas. A visão trilateralista de uma parceria e interdependência financeira global vê com maus olhos a liberdade - espiritual, política e económica - e nega a importância da sua necessidade. Todos estes critérios se encontram resumidos nas palavras infames de Richard Gardner, um dos mentores de Carter, na edição de Julho de 1974 da revista do CFR, Foreign Affairs. Nela, Gardner clamou por uma "investida final à soberania nacional para a erodir pedaço a pedaço".







Daniel Estulin dedica os seus livros ao terrorista Fidel Castro. Ver aqui


O modelo Trilateral/Bilderberg/CFR compõe-se de gestores financeiros de topo e agentes infiltrados no Establishment. A chave, contudo, para alcançar o poder centralizado que a Comissão Trilateral cobiça está em encontrar "maneira de nos levar a abdicar das nossas liberdades em nome de alguma ameaça ou crise comum. As fundações, instituições educativas, e grupos de reflexão e pesquisa suportados por membros da Comissão Trilateral e do Council on Foreign Relations encarregam-se disso financiando "estudos" que são depois usados para justificar todos os excessos deles. As desculpas variam, mas o alvo é sempre a liberdade individual. A nossa liberdade".

E apesar da natureza principalmente financeira tanto dos seus motivos como dos seus métodos, não estão isentos de objectivos políticos: "Embora a principal preocupação da Comissão seja económica, os Trilateralistas têm vindo a apontar para um objectivo político vital: apoderar-se da Presidência americana"».

Daniel Estulin («Toda a Verdade sobre o Clube Bilderberg»).




«Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará»

Senhora do Rosário



ADMIRÁVEL MUNDO NOVO

- A arte, a ciência... parece-me que pagou a sua felicidade por bom preço - disse o Selvagem quando ficaram sós. - E é tudo?

- Mas há ainda a religião, é claro - respondeu o administrador. - Outrora havia qualquer coisa que se chamava Deus, antes da Guerra dos Nove Anos. Mas estava a esquecer-me: o senhor sabe bem o que é Deus, não?...

- Francamente... - O Selvagem hesitou. Teria querido dizer algumas palavras acerca da solidão, da noite, da mesa estendendo-se, esbranquiçada, sob o luar, do precipício, do mergulho na noite cheia de sombras, da morte. Teria querido falar; mas não encontrou palavras. Nem sequer Shakespeare.

O administrador tinha, entretanto, atravessado a sala e abria um grande cofre-forte embutido na parede entre as estantes de livros. A pesada porta abriu-se. Folheando na obscuridade do cofre, disse:

- É um tema que sempre me interessou vivamente. - Tirou um grosso volume preto. - Você nunca leu isto, por exemplo.

O Selvagem pegou no livro.

- A Bíblica Sagrada, contendo o Velho e o Novo Testamento - leu alto na página do título.




- Nem isto. - Era um livro pequeno, que tinha perdido a capa. - A Imitação de Jesus Cristo.

- Nem isto. - Estendeu um outro volume.

- As Variedades da Experiência Religiosa. Por William James.

- E há ainda montões - continuou Mustafá Mond, voltando à sua poltrona. - Uma colecção completa de livros pornográficos. Deus no cofre-forte e Ford nas estantes. - Designou, rindo, a sua biblioteca, as estantes carregadas de livros, os armários pejados de bobinas para máquinas de leitura e de cilindros de bandas sonoras.

- Mas se não ignora Deus, porque lhes não fala dele? - inquiriu o Selvagem, indignado. - Porque lhes não dá esses livros acerca de Deus?

- Por uma razão semelhante à que nos leva a não lhes dar Otelo: são velhos. Tratam de Deus tal como era há centenas de anos. Não de Deus tal como é presentemente.

- Mas Deus não muda.

- Mas mudam os homens.

- E que diferença faz isso?

- Um mundo inteiro de diferença - disse Mustafá Mond. Voltou a levantar-se para ir ao cofre-forte. - Houve um homem que se chamou cardeal Newman (3). Um cardeal - exclamou como num parêntesis - era uma espécie de arquichantre.

- «Eu, Pandolfo, da bela Milão cardeal...» [KING JOHN, III, 1.]. Li coisas acerca deles, em Shakespeare.

- Certamente. Pois bem. Como ia dizendo, havia um homem que se chamava cardeal Newman. Ah, cá está o livro. - E tirou-o do cofre. - E já que estou aqui, vou tirar este também. É de um homem que se chamava Maine de Biran (4). Era um filósofo, se sabe o que isso quer dizer.

- Um homem capaz de sonhar menos coisas do que aquelas que o céu e a terra encerram (5) - respondeu prontamente o Selvagem.





- Perfeitamente. Daqui a pouco ler-lhe-ei uma das coisas que ele sonhou efectivamente. Enquanto espera, ouça o que disse esse velho arquichantre. - Abriu o livro num ponto marcado com um sinal e começou a ler:

- «Nós não pertencemos a nós próprios, mais do que nos pertence aquilo que possuímos. Não fomos nós que nos fizemos, não podemos ter a jurisdição suprema sobre nós mesmos. Não somos senhores de nós. Pertencemos a Deus. Não é para nós uma felicidade encararmos as coisas desta maneira? Será, por qualquer razão, uma felicidade, um conforto, considerarmos que pertencemos a nós mesmos? Aqueles que são jovens e os que estão em estado de prosperidade podem acreditá-lo. Esses podem acreditar que é uma grande coisa poder realizar tudo de acordo com os seus desejos, como eles supõem, não depender de ninguém, não ter de se preocupar com a gratidão contínua, com a oração contínua, com a obrigação contínua de atribuir à vontade de outrem o que fazem. Mas à medida que o tempo se escoa, apercebem-se, como todos os homens, de que a independência não foi feita para o homem, que ela é um estado antinatural, que pode satisfazer por um momento, mas que não nos leva em segurança até ao fim...» - Mustafá Mond deteve-se, pousou o primeiro livro, e, pegando no outro, folheou-o - Veja isto, por exemplo - disse, e com a sua voz profunda, de novo começou a ler: - «Envelhecemos, temos o sentimento radical da fraqueza, da atonia, do mal-estar devido ao peso dos anos, e dizemo-nos doentes, embalamo-nos na ideia de que este estado penoso é devido a uma causa particular, de que esperamos curar-nos como nos curamos de uma doença. Vãs cogitações! A moléstia é a velhice, e ela é miserável. Diz-se que se os homens se tornam religiosos ou devotos com o avançar dos anos é porque têm medo da morte e do que se deve seguir na outra vida. Mas tenho, quanto a mim, a consciência de que, sem nenhum terror semelhante, sem nenhum efeito de imaginação, o sentimento religioso se pode desenvolver à medida que avançamos em idade; porque tendo-se acalmado as paixões, estando a imaginação e a sensibilidade menos excitadas ou excitáveis, a razão é menos perturbada no seu exercício, menos ofuscada pelas imagens ou afeições que a absorviam; então Deus, Supremo Bem, sai como das nuvens; a nossa alma sente-o, vê-o, voltando-se para ele, fonte de toda a luz; porque, tudo desaparecendo no mundo sensível, a existência fenomenológica deixando de ser sustentada pelas impressões externas e internas, sentimos a necessidade de nos apoiarmos em qualquer coisa que permaneça e não engane, numa realidade, numa verdade absoluta, eterna; porque, enfim, este sentimento religioso, tão puro, tão doce de sentir, pode compensar todas as outras perdas...» - Mustafá Mond fechou o livro e recostou-se na sua poltrona. - Uma das numerosas coisas do céu e da terra com que os filósofos não sonharam é isto - e brandiu a mão -, somos nós, é o mundo moderno. «Não se pode prescindir de Deus a não ser durante a juventude e na prosperidade». Pois bem, eis que temos a juventude e prosperidade até ao último dia de vida. O que resulta daí? É manifesto que não podemos ser independentes de Deus. «O sentimento religioso compensará todas as nossas perdas». Mas não há, para nós, perdas a ser compensadas; o sentimento religioso é supérfluo. E porque iríamos nós atrás de um sucedâneo dos desejos juvenis, quando os desejos juvenis nunca nos faltaram? De um sucedâneo de distracções, quando continuamos a gozar de todas as velhas tolices até ao fim? Que necessidade temos nós de repouso, quando o nosso corpo e o nosso espírito continuam a deleitar-se na actividade; de consolação quando temos o soma; de qualquer coisa imutável, quando há a ordem social?

- Então acredita que não há Deus?

- Não. Acredito que há, provavelmente, um.







- Então porque...?

Mustafá Mond interrompeu-o.

Mas ele manifesta-se de maneira diferente aos diferentes homens. Nos tempos pré-modernos, manifestava-se como o ser descrito nestes livros. Agora...

- Como se manifesta agora? - perguntou o Selvagem.

- Pois bem, manifesta-se como ausência; como se não existisse em absoluto.

- Isso é por culpa sua.

- Diga que é culpa da civilização. Deus não é compatível com as máquinas, nem com medicina científica ou felicidade universal. É preciso escolher. A nossa civilização escolheu as máquinas, a medicina e a felicidade. Por isso se tornou necessário que eu guarde estes livros fechados no cofre-forte. São indecentes. O povo ficaria escandalizado se...

o Selvagem interrompeu-o.

- Mas não é uma coisa natural sentir que há um Deus?

- Você poderia perguntar da mesma forma se é natural fechar as calças com um fecho-éclair - disse o administrador sarcasticamente. - Você faz-me lembrar um outro desses antigos, um tal Bradley. Ele definia a filosofia como a arte de encontrar uma má razão para aquilo em que se acredita instintivamente. Como se se acreditasse fosse no que fosse instintivamente! Acredita-se nas coisas porque se foi condicionado para acreditar nelas. A arte de encontrar más razões para aquilo em que se crê em virtude de outras más razões, isso é filosofia. Crê-se em Deus porque se foi condicionado para crer em Deus.

- No entanto, apesar de tudo - insistiu o Selvagem - é natural acreditar-se em Deus quando se está só, completamente só, à noite, quando se pensa na morte...

- Mas agora nunca se está só - volveu Mustafá Mond. - Procedemos de forma que as pessoas detestem a solidão; e dispomos a vida de tal maneira que seja praticamente impossível alguma vez a conhecer.

O Selvagem aquiesceu com a cabeça, tristemente. Em Malpaís ele tinha sofrido porque o tinham excluído das actividades comuns do pueblo; na Londres civilizada sofria porque não podia eximir-se dessas actividades comuns, porque nunca podia estar tranquilo e só.

- Lembra-se desta passagem do Rei Lear? - perguntou por fim o Selvagem: - «Os deuses são justos e dos nossos vícios amáveis fazem instrumentos para nos atormentarem; o lugar sombrio e corrupto onde ele te concebeu custou-lhe os olhos». E Edmund responde, lembra-se?, ele está ferido e agonizante: «Tu disseste a verdade; é a verdade. A roda completou o seu giro; e aqui estou». Que diz agora o senhor? Não lhe parece que há um Deus dirigindo as coisas, punindo, recompensando?




- Ah, a si parece-lhe? - interrogou por sua vez o administrador. - Você pode entregar-se a todos os vícios amáveis que quiser com uma fêmea estéril, sem se arriscar a ter os olhos vazados pela amante do seu filho: «A roda completou o seu giro; e aqui estou». Mas onde estaria Edmund nos nossos dias? Sentado numa poltrona pneumática, rodeando com o braço a cintura de uma mulher, mascando a sua pastilha de hormona sexual, assistindo a um filme sensorial. Os deuses são justos. Sem dúvida. Mas o seu código de leis é ditado, em última instância, pelas pessoas que organizam a sociedade; a Providência recebe a palavra de ordem dos homens.

- Está certo disso? - perguntou o Selvagem. - Está bem certo de que Edmund, nessa poltrona pneumática, não seria tão severamente punido como o Edmund ferido e esvaído em sangue? Os deuses são justos. Não utilizaram eles esses vícios amáveis para o degradar?

- Degradá-lo de que situação? Como cidadão feliz, assíduo ao trabalho, consumidor de riquezas, é perfeito. É claro que se escolher um modelo de existência diferente do nosso, então talvez possamos dizer que foi degradado. Mas é preciso que nos atenhamos a uma série de postulados. Não se pode jogar golfe electromagnético seguindo as regras da bola centrífuga.

- Mas o valor não reside na vontade particular - retorquiu o Selvagem. - A estima e a dignidade vêm do valor real, intrínseco, como da opinião daquele que a tomou (6).

- Vamos, vamos - protestou Mustafá Mond. - Isso é ir um pouco longe, não lhe parece?

- Se o senhor deixasse ir o seu pensamento até Deus, não se deixaria degradar por vícios amáveis. Teria uma razão para suportar pacientemente as coisas, para fazer as coisas com coragem! Vi isso entre os índios.

- Acredito - disse Mustafá Mond. - Mas também não somos índios. Um homem civilizado não tem nenhuma necessidade de suportar seja o que for seriamente desagradável. E quanto a fazer as coisas, Ford o guarde de ter alguma vez tal ideia na cabeça! Toda a ordem social seria desorganizada se os homens se pusessem a fazer coisas por iniciativa própria.

- É a renúncia, então? Se tivessem um Deus, teriam uma razão para a renúncia.

- Mas a civilização industrial só é possível quando não há renúncias. O gozo até aos limites extremos impostos pela higiene e pelas leis económicas. Sem isso as rodas deixariam de rodar.

- Teriam um motivo de castidade! - disse o Selvagem corando ligeiramente ao pronunciar estas palavras.

- Mas quem diz castidade, diz paixão; quem diz castidade, diz neurastenia. E a paixão e a neurastenia são a instabilidade. E a instabilidade é o fim da civilização. Não se pode ter uma civilização durável sem uma boa quantidade de vícios amáveis.

- Mas Deus é a razão de ser de tudo quanto é nobre, belo, heróico. Se tivesse um Deus...









- Meu caro amigo - disse Mustafá Mond -, a civilização não tem a menor necessidade de nobreza ou de heroísmo. Essas coisas são sintomas de incapacidade política. Numa sociedade convenientemente organizada como a nossa, ninguém tem oportunidade de ser nobre ou heróico. É necessário que as coisas se tornem essencialmente instáveis para que semelhante ocasião se possa apresentar. Onde haja guerras, onde haja juramentos de fidelidade múltiplos e divididos, onde haja tentações a que seja necessário resistir, objectos de amor pelos quais seja preciso lutar ou que seja preciso defender, aí, manifestamente, a nobreza e o heroísmo têm um sentido. Mas hoje já não há a guerra. Toma-se o maior cuidado para evitar que se ame exageradamente seja quem for. Não há nada que se assemelhe a um juramento de fidelidade múltipla; de tal modo se está condicionado que ninguém pode deixar de fazer o que tem a fazer. E se aquilo que há a fazer é, no conjunto, tão agradável, deixa-se uma tão grande margem a um tão grande número de impulsos naturais, que não há verdadeiramente tentações a que seja necessário resistir. E se alguma vez, por qualquer infelicidade, acontece, por esta ou aquela razão alguma contrariedade, pois bem, há sempre o soma que permite uma fuga à realidade. Há sempre soma para acalmar a cólera, para fazer a reconciliação com os inimigos, para dar paciência e para ajudar a suportar os dissabores. Outrora, não se podiam conseguir todas estas coisas senão com grande esforço e depois de anos de penoso treino moral. Agora, tomam-se dois ou três comprimidos de meio grama e é tudo. Pode-se trazer connosco, num frasco, pelo menos metade da própria moralidade. O cristianismo sem lágrimas, eis o que é o soma.

- Mas as lágrimas são necessárias. Não se lembra do que disse Otelo? «Se depois de qualquer tempestade, nascem tais calmarias, então que soprem os ventos até acordarem a morte!». Há uma história que nos contava um velho índio, a propósito da Filha de Matsaki. Os jovens que desejavam desposá-la deviam passar uma manhã a mondar com uma enxada. Isto parecia fácil; mas havia moscas e mosquitos encantados. A maioria dos jovens era absolutamente incapaz de suportar as picadelas. Mas aquele que fosse capaz obtinha a rapariga.

- Encantador! Mas nos países civilizados - disse o administrador - podemos ter as raparigas sem mondar para elas com uma enxada; e não há moscas nem mosquitos que nos piquem. Há séculos que nos livrámos completamente deles.

O Selvagem fez com a cabeça um sinal de aquiescência e franziu o sobrolho.

- Livraram-se deles. Sim, é bem da vossa maneira de agir. Livrarem-se de tudo o que é desagradável, em vez de procurarem acomodar-se. Saber que é mais nobre para a alma sofrer os golpes e flechas da fortuna adversa, ou tomar as armas contra um oceano de desgraças e, fazendo-lhe frente, destruí-las... (7). Mas não fazem nem uma coisa nem outra. Vocês não sofrem e não enfrentam. Suprimem facilmente os golpes e as flechas. É demasiado fácil.

Calou-se repentinamente, pensando na sua mãe. No seu quarto no trigésimo andar, Linda tinha flutuado num mar de luzes cantantes e de carícias perfumadas; partira flutuando fora do espaço, fora do tempo, fora da prisão das suas recordações, dos seus hábitos, do seu corpo envelhecido e inchado. E Tomakin, ex-director da Incubação e da dor, num mundo onde não podia ouvir aquelas palavras, aquele riso escarninho, onde não podia ver aquele rosto hediondo, sentir aqueles braços húmidos e flácidos em volta do pescoço, estava num mundo de esplendor...

- O que vos falta - continuou o Selvagem - é, pelo contrário, qualquer coisa que comporte lágrimas, que sirva como compensação. Nada se compra bastante caro aqui.

(«Doze milhões e quinhentos mil dólares», tinha protestado Henry Foster quando o Selvagem lhe dissera isto. «Doze milhões e quinhentos mil, eis quanto custou o novo Centro de Condicionamento. Nem um cêntimo a menos»).

- Expor uma vida mortal e incerta a tudo quanto podem ousar a fortuna, a morte e os perigos, a tudo por um nada, por uma bagatela (8). Não é isto alguma coisa? - perguntou, levantando os olhos para Mustafá Mond. - Mesmo abstraindo-nos de Deus. E, no entanto, Deus constituiria, bem entendido, uma razão. Não é alguma coisa viver perigosamente?




- Acredito bem que é alguma coisa! - respondeu o administrador. - Os homens e as mulheres precisam que se lhes estimulem de vez em quando as glândulas supra-renais.

- Como? - perguntou o Selvagem, que não compreendera.

- É uma das condições da saúde perfeita. Foi por isso que tornámos obrigatórios os tratamentos de S.P.V.

- S.P.V.?

- Sucedâneo de Paixão Violenta. Regularmente, uma vez por mês, irrigamos todo o organismo com uma torrente de adrenalina. É o equivalente fisiológico completo do medo e da cólera. Todos os efeitos tónicos provocados pelo assassínio de Desdémona e pelo facto de ser assassinada por Otelo, sem nenhum dos inconvenientes.

- Mas os inconvenientes agradam-me.

- Mas não a nós - volveu o administrador. - Nós preferimos fazer as coisas com todo o conforto.

- Mas eu não quero conforto. Quero Deus, quero poesia, quero o autêntico perigo, quero a liberdade, quero a bondade. Quero o pecado.

- Em suma - disse Mustafá Mond -, você reclama o direito de ser infeliz.

- Pois bem, seja assim! - respondeu o Selvagem em tom de desafio - Reclamo o direito de ser infeliz.

- Sem falar no direito de envelhecer, de ficar feio e impotente; no direito de ter sífilis e cancro; no direito de viver no temor constante do que poderá acontecer amanhã; no direito de apanhar febre tifóide; no direito de ser torturado por indizíveis dores de todas as espécies.

Estabeleceu-se um longo silêncio.

- Reclamo-os a todos - disse por fim o Selvagem. Mustafá Mond encolheu os ombros.

- Oferecemos-lhos de boa vontade - disse (in ob. cit., pp. 272-282).






Notas:

(3) Newman (John Henry), cardeal e teólogo inglês; nasceu em Londres (1801-1890); criador de uma nova apologética; autor de Apologia pro vita sua.

(4) Maine de Biran (Marie-François-Pierre), filósofo francês de tendências espiritualistas; nasceu em Bergerac (1766-1824).

(5) There are things in heaven and earth, Horatio, / Than are dreamt of in your philosophy. (HAMLET, I, 5).

(6) But value dwells not in particular will; / It holds his estimate and dignity / As well wherein 'tis precious of itself /As in the prizer. (TROILUS AND CRESSIDA, II, 2).

(7) Wether 'tis nobler in the mind to suffer / The slings and arrows of outrageous fortune, / Or to make arms against a sea of troubles, / And by opposing end them? (HAMLET, III, 1).

(8) Exposing what is mortal and unsure / To all that fortune, death and danger dare, / even for an egg-shell. (HAMLET, IV, 4).


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