sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Do aristotelismo camonino

Escrito por Luís de Camões








Transforma-se o amador na cousa amada
Por virtude de muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.
Se nela está minha alma transformada,
que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar
Pois consigo tal alma está liada.

Mas esta linda e pura semideia,
Que, como o acidente em seu sujeito,
Assim co'a alma minha se conforma,
Está no pensamento como ideia;
E o vivo e puro amor de que sou feito
Como a matéria simples busca a forma.

(in «Sonetos»).



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