sábado, 23 de fevereiro de 2013

ONU, maçonaria e comunismo internacional (iii)

Escrito por Alejandro Botzàris





«Houve quem quisesse ver a marca da Maçonaria noutras sociedades supranacionais como a (...) Sociedade das Nações, as Nações Unidas, a Conferência de Paz de Haia e mesmo no lançamento e organização dos Jogos Olímpicos. Do que não há dúvida é da importante participação de alguns maçons na Conferência de Paz de Haia e na criação da Sociedade das Nações (...). Já não poderemos dizer o mesmo relativamente a outras sociedades e organismos internacionais como a Organização das Nações Unidas ou a ressurreição dos Jogos Olímpicos. Seja como for, todas elas não fizeram mais do que proclamar de novo o modelo defendido pela Maçonaria Universal, isto é, a prevalência da fraternidade entre os povos sem distinção de raças, nacionalidades ou convicções religiosas».

Miguel Martín-Albo («A Maçonaria Universal»).


«Os dois únicos países que lograram manter a integridade dos seus impérios coloniais, Bélgica e Portugal, conseguiram-no porque não permitiram a intromissão de ideologias ou dos organismos internacionais nas suas colónias. Portugal teve o acerto de proclamar as suas colónias "províncias do Ultramar", estendendo assim às mesmas as leis e os princípios que inspiram a defesa do Estado e, ao mesmo tempo, pondo a salvo as suas colónias da descabelada imiscuição da ONU - que tantos danos tem causado nas colónias britânicas, francesas e holandesas.

Esta situação criou um terreno favorável à situação comunista. Pode-se dizer, inclusivamente, que, se Lenine e Estaline criaram uma estratégia comunista colonial, as potências coloniais facilitaram, pela sua falta de política coordenada, de solidariedade e de continuidade no domínio colonial, um terreno muito propício para a realização dos seus propósitos. Por outro lado, o democratismo e o propetismo, semeado pela Maçonaria mundial nos países ocidentais, contribuíram também para a formação de uma opinião "anticolonialista" nas mesmas metrópoles, acelerando assim o processo de decomposição colonial. É característico, neste domínio, o exemplo do império colonial francês, no qual a democracia serviu de introdutora do comunismo. A opinião pública francesa exigiu o armistício da Indochina e a Conferência de Genebra foi somente a conformação de uma derrota, que se realizou no espírito dos franceses e definiu nas mesas das chancelarias.

Assim, a União Soviética e o comunismo internacional, verdadeiros culpados da onda de anticolonialismo desencadeada desde o final da segunda guerra mundial, têm cúmplices no próprio bloco ocidental. Consciente e inconscientemente, diferentes forças militam a favor do desenvolvimento antticolonialista, cuja beneficiária é a União Soviética».

Alejandro Botzàris («África e o Comunismo»).





«Os mações, como qualquer outro cidadão, podem ter e divulgar as ideias políticas que preferirem, inclusivamente independentistas, desde que o façam de modo pacífico e sem atropelar quer os direitos dos outros, quer as exigências do bem comum. Mas a leitura dos documentos maçónicos e o conhecimento da história, em mais de uma ocasião, torturam a imaginação com uma interrogação-chave nesta questão: terão os mações da maçonaria regular ou inglesa corrido o risco de facilitar informação ao Governo inglês, estando ao serviço do império britânico em detrimento do espanhol? Note-se que, na maçonaria regular, a chefia política e a maçónica concentram-se na mesma pessoa, o rei de Inglaterra, e que os interesses dos Governos espanhol e inglês se sobrepuseram em não poucas circunstâncias e níveis. A mesma dúvida e a mesma interrogação surgem acerca da maçonaria irregular ou francesa, já desde os mações "afrancesados" de séculos passados: "É importante mencionar que, da mesma forma que Napoleão utilizou as lojas maçónicas existentes para controlar o seu império, assim também a Grã-Bretanha as utilizou para controlar a Commonwealth". Não penso que seja dar um tiro no escuro supor que em mais de uma ocasião se valeram ou, pelo menos, tentaram instrumentalizar as lojas maçónicas espanholas ao serviço dos seus interesses político-económicos, ainda que estes não coincidissem com os da Espanha.

Sem dúvida alguma,"«a maçonaria estendeu-se entre os países árabes e na África subsariana principalmente através da colonização francesa... Na América, na Índia e na Austrália foram as lojas militares dos regimentos do exército colonial inglês que se encarregaram disso... No mundo árabe, a maçonaria foi igualmente introduzida pelos franceses em e a partir da Argélia. A primeira loja foi militar e instalou-se em Argel em 1832. Vinte anos mais tarde, foram contabilizados 850 mações na Argélia". Aparentemente, o primeiro muçulmano mação foi Sidi Hamed (1839, Argélia). O  emir Abd el-Kader figura como o primeiro árabe de alguma notoriedade a ingressar na maçonaria (em 1864, na loja As Pirâmides de Alexandria). Lutou contra a colonização francesa da Argélia até ser obrigado a render-se em 1847».

Manuel Guerra («A Trama Maçónica»).


«Poeta de renome, o Presidente da República do Senegal foi paladino de uma nova realidade geopolítica (a Euráfrica), mostrava orgulho na sua ancestralidade lusíada (Senghor é a derivação nativa da palavra “senhor”) e defendia uma convergência de tipo confederal, envolvendo Portugal (na sua dimensão pluricontinental) e o Brasil. Senghor era também um membro da Maçonaria dependente do Grande Oriente de França. Um membro do clandestino Grande Oriente Lusitano diz que a “luz verde” para uma mudança de atitude dos maçons portugueses quanto à independência dos territórios de África foi dada pelo Grande Oriente de França: “Repare, por exemplo, nas posições tímidas que a CEUD defendia, em 1969, acerca do dramático problema africano. A viragem deu-se efectivamente a partir das novas directrizes do Grande Oriente de França. Era então Grão-Mestre Fred Zeller”. A teia multinacional da Maçonaria explica também o maior intervencionismo de Senghor, que começou por incitar as autoridades do Brasil a impulsionarem a projecção da comunidade luso-afro-brasileira».

José Freire Antunes («Nixon e Caetano»).
Onde nos aproximamos da verdadeira fonte do chamado «anticolonialismo americano» é quando o Time menciona o programa do presidente Wilson, com o seu princípio sobre «o direito dos povos de governarem-se a si mesmos», um dos treze pontos apresentados pelo presidente na Conferência de Versalhes de 1918.

O véu levanta-se completamente quando se aborda o tema das influências ocultas, mas nem por isso menos decisivas, que inspiram a política oficial da quase totalidade dos Estados ocidentais chamados «democráticos», assim como o «anticolonialismo» da ONU.

Na nossa época, quase não se fala da Maçonaria, e o silêncio sobre este tema é uma lei não escrita em todos os países democráticos. Parece ter desaparecido da política. As polémicas que se poderiam ouvir ou ler acerca do problema maçónico noutros tempos acabaram. Inclusivamente, a imprensa católica, nos países ocidentais, já não fala da Maçonaria. De vez em quando, somente, numa pequena folha de tiragem muito limitada, aparece um artigo que passa despercebido a um público indiferente. «A maior vitória da Maçonaria é ter persuadido o mundo de que não existe...» - disse alguém, com muita razão.

Há pouco tempo apareceu em França um livro que volta a falar do problema maçónico: Os Mistérios da Maçonaria, de George Olivier (ed. de La Librairie Française, Paris, 1958). No princípio deste livro, o autor faz constar que não somente a Maçonaria não desapareceu, como também está mais forte do que nunca, sobretudo porque conseguiu fazer o silêncio em torno de si:

«A Franco-Maçonaria não é uma sociedade secreta somente porque se ignora o seu objectivo; é secreta em todos os seus domínios: porque se ignora quais são os seus métodos, qual é o carácter da sua obra levada a cabo até agora por ela mesma, qual é a sua organização. Oculta tudo isto não somente dos profanos, mas também dos próprios membros, do mesmo modo que lhes oculta o seu próprio fim.

Salientaremos finalmente que, quando se estuda a sua organização, chega-se à conclusão de que a Maçonaria é mais do que uma sociedade secreta, porque é um verdadeiro edifício de associações secretas umas para as outras, de maneira que os "iniciados" sejam iniciados somente em coisas do rito, de raciocínio, mas não na essência própria da Maçonaria, de tal modo que entre esta série de sociedades cada vez mais ocultas existe uma que seria impossível de se constituir à luz do dia, perante o olhar do mundo "profano", completamente secreta esta, no sentido de que todos, salvo os que fazem parte dela, ignorem tudo acerca da mesma, inclusivamente a sua própria existência».




Há um domínio, em todo o caso, no qual o mundo pode perceber claramente a acção maçónica: é o da campanha anticolonialista que fomenta a desintegração das grandes construções históricas multirraciais que tinham afiançado a influência da civilização europeia e cristã sobre o mundo dos mais diferentes povos. O mencionado livro esclarece as razões profundas da evolução anticolonialista num dos maiores impérios coloniais: o francês.

No capítulo que dedica à história política da Maçonaria, George Olivier cita uma decisão do convénio de 1928 da Ordem Maçónica Mista Internacional «O Direito Humano», uma das três grandes «Obediências» maçónicas francesas, com o Grande Oriente e a Grande Loja, cujas posições sobre a questão colonial são, além do mais, idênticas:

«É urgente inaugurar o estudo imediato dos meios próprios para levar a cabo o desaparecimento completo do regime colonial e para desencadear uma campanha anticolonial pelos grupos parlamentares. Temos de trabalhar pelo desaparecimento deste regime e pela extensão às raças de cor do direito de os povos disporem de si mesmos».

O leitor notará a continuidade do princípio entre esta directriz da poderosa organização maçónica e o princípio enunciado pelo presidente norte-americano Woodrow Wilson (mação do 33.º grau) dez anos antes da Conferência de Versalhes.

No mesmo convénio da mencionada Ordem Maçónica «O Direito Humano» tinha sido votada uma resolução anticolonialista, cujo texto começava pelo parágrafo seguinte:

«... O regime colonial, nascido da violência e do Imperialismo Económico e contrário ao ideal de paz e de liberdade que propagam os homens justos...».

Não é de estranhar, pois, que esta campanha maçónica tenha feito perder à França grande parte do seu império colonial (Síria, Líbano, Indonésia, Marrocos, Tunísia, Guiné) até agora e prossiga trabalhando para separar o que dele resta da metrópole.

Contudo, é necessário recordar que o homem que iniciou o movimento anticolonial ocidental foi um mação do mais alto grau, o presidente Roosevelt, dos Estados Unidos da América, que, ao findar a segunda guerra mundial, empreendeu uma ampla acção anticolonialista, prometendo a «liberdade» às colónias europeias, como um dos resultados da vitória democrática. Falando da actuação de Roosevelt, um notável mação francês, Groussier, declarou no Congresso das Lojas do Leste, em Maio de 1939: «A nossa acção é muitas vezes discreta e é necessário que assim seja. A Maçonaria é a inspiradora das mensagens do Irmão Roosevelt.

Para voltar à França, citaremos o exemplo de Gaston de Monnerville, presidente do Conselho da República desde 1947 e deputado da Guiana Francesa no Parlamento da IV República, subsecretário de Estado das Colónias, mas ao mesmo tempo mação de alto grau do Rito Escocês «Cavaleiro Kadosh» desde 1939, membro das Lojas Maçónicas «França Equinocial», «A Providência», «Os Amigos da Ordem», etc.

Outro notável político francês, Albert Saurrat, que foi governador-geral da Indochina (1911-1914), ministro das Colónias (1920-1924), ministro para a África do Norte (1937-1938), etc., era membro do Grande Oriente de França.



Na lista dos parlamentares franceses membros das diferentes organizações maçónicas, encontramos também Paul Alduy, que foi governador-geral da Argélia em 1947 e 1948, vários deputados argelinos, como Mohamed Ben Hadja Bengana, deputado por Constantina, Ali Ben Lakdar Brahimi, deputado por Argel, e Abdel Kader Cadi, deputado por Constantina; Henri Caillavet, secretário de Estado do Ministério do Ultramar (1953), Georges Condat-Mahamam, deputado da Nigéria Francesa...

A lista que nos proporciona o escritor francês Pierre-Charles, no seu livro A Franco-Maçonaria no Parlamento (editado em Paris, em 1956), poderia ser, apesar de tudo, mais longa, visto que o mencionado livro contém os nomes de várias centenas de parlamentares franceses que aderiram à Maçonaria. Entre eles encontram-se numerosos políticos da República Francesa que desempenham um papel decisivo na administração colonial, como os atrás mencionados à maneira de exemplo. Todavia, há a salientar o facto de quase a totalidade dos presidentes dos governos franceses dos últimos decénios terem sido mações, começando pelo socialista Léon Blum e acabando pelo radical-socialista Mendès-France.

A acção da Maçonaria na desintegração do império colonial francês faz-se sentir na monopolização da representação parlamentar dos territórios franceses do ultramar. No ano de 1939, em vésperas da segunda guerra mundial, a situação neste domínio era a seguinte:

Guadalupe estava representada em França por um senador e dois deputados, os três mações; Martinica, por um senador e dois deputados, os dois últimos mações; Guiana, por um deputado mação; Senegal, por um deputado mação; as ilhas de Reunião, por um senador e dois deputados, os três maçãos.

Todos os anos se reunia em Paris, sob a presidência do Irmão Jules Zivy, venerável da Loja «Estrela Polar», de Paris, e filiado da Loja Egípcia «As Pirâmides do Egipto», de Alexandria, um convénio dos representantes maçónicos dos territórios do ultramar para discutir os problemas das ditas regiões. Não resta dúvida de que as decisões tomadas nestes convénios, que inspiravam a acção dos representantes parlamentares referidos, se encaixavam perfeitamente na directiva da Ordem Maçónica «O Direito Humano», atrás citada.

O livro salienta o facto de que a maioria dos governadores-gerais e residentes, nomeados pelos sucessivos governos da III República nos territórios coloniais franceses, eram maçãos. Os seus nomes encontram-se numa impressionante lista publicada na revista Os Documentos Maçónicos, de Janeiro de 1943.

General De Gaulle

Ao terminar a guerra, o Governo do general De Gaulle devolveu à Maçonaria este monopólio de administração e representação parlamentar no império colonial francês. Este facto explica, melhor do que qualquer outro, a facilidade com que o comunismo pôde infiltrar-se nos organismos administrativos e sindicais das colónias francesas e estabelecer em cada uma delas uma «festa de ponte» para Moscovo. O papel dos socialistas franceses, os quais, como partido político, formavam uma parte integrante de todas as maiorias governamentais do após-guerra e tinham monopolizado os postos-chaves na administração colonial, consistiu principalmente em facilitar aos comunistas esta infiltração. Contudo, socialistas e comunistas combatiam-se encarniçadamente no cenário político francês, enquanto colaboravam no domínio colonial. Esta paradoxa situação encontra a sua explicação lógica quando se sabe que a quase totalidade dos dirigentes políticos socialistas franceses são membros das lojas maçónicas.

Mas onde se evidencia com maior claridade a desintegradora influência da Maçonaria como força anticolonialista é na actuação do dirigente político francês Mendès-France, o qual pôs o fim à guerra da Indochina entregando todo o Vietname do Norte ao comunismo. Como presidente do Governo, teve uma influência preponderante não somente no caso da Indochina, mas também no da independência de Marrocos e da Tunísia.

Em Julho de 1954, a revista francesa Rivarol publicava a fotocópia das fichas de diferentes lojas maçónicas que demonstram que Mendès-France é mação do 33.º grau.

Limitámo-nos (...) a ver certos apontamentos sobre o papel da Maçonaria na desintegração do império colonial francês. É mais provável que a misteriosa organização internacional haja tido uma influência semelhante em outros países que tenham visto desmembrar-se os seus impérios, sobretudo a Holanda e a Jugoslávia. Deixamos aos historiadores a tarefa de investigar este capítulo da história política contemporânea, visto que o nosso tema é outro... (in ob. cit., pp. 176-180).





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