sábado, 25 de junho de 2011

O Conde de Cagliostro (i)

Escrito por Camilo Castelo Branco







«José Bálsamo, mais conhecido pelo título de conde de Cagliostro, veio também a Portugal, disfarçado sob o título de conde de Stephens. Este famoso aventureiro era um cavalheiro da indústria que se filiou na Maçonaria com a intenção de utilizar em seu proveito a Maçonaria de Adopção [Ramo da Maçonaria Moderna destinada às mulheres]. Para esse fim fundou em Paris, em 1782, uma Loja que tomou o nome de Loja-Mãe de Adopção da Alta Maçonaria Egípcia. Era presidida pela esposa de Cagliostro e ele próprio tomava nela o título de Grande Copta.

Cagliostro entrou em contacto com as melhores famílias de Lisboa; mas apesar disso não conseguiu escapar ao faro de Manique, que ordenou a sua expulsão. Seguiu então para Itália e, tendo sido detido em Roma, em 1790, morreu na prisão em 1795».


Manuel Borges Grainha («História da Franco-Maçonaria em Portugal»).



José Bálsamo, Conde Alexandre de Cagliostro, nasceu em Palermo a 8 de Junho de 1743. Consta haver tido por mestre um alquimista de nome Altotas, como ter
 ainda sido o restaurador da Maçonaria Egípcia. Foi, além disso, considerado um charlatão por se atribuir a virtude de comandar os anjos, quando não obrar em nome do Deus eterno. Seja como for, o ocultista italiano produziu funda impressão na corte de Luís XVI, logrando, inclusive, ter o seu nome estampado num dos mais notáveis romances de Alexandre Dumas, onde nos é dado entrever, por intermédio de José Bálsamo, uma futura imagem da morte de Maria Antonieta numa garrafa de cristal.

Envolvido no processo do colar, o afamado ocultista retirou-se para Roma onde, por incumbência do Santo Ofício, lhe fora atribuída a pena capital, depois transformada em prisão perpétua. De resto, a resolução definitiva ficara a cargo de Pio VI, conforme se averba no seguinte passo:

«José Bálsamo, réu confesso e convencido de muitos delitos, e incurso nas censuras e penas publicadas contra os hereges formais, dogmatizantes, heresiarcas, mestres e sequazes da magia supersticiosa, e igualmente nas censuras e penas estabelecidas tanto nas constituições apostólicas de Clemente XI e de Benedito XIV contra aqueles que de qualquer modo favoreçam e promovam a sociedade e conventículos dos franco-maçons, como no édito da Secretaria de Estado contra os que em Roma ou outro qualquer domínio Pontifício tiveram nela parte: usando de graça especial, comuta-se-lhe a pena de relaxá-lo ao braço secular (pena de morte) em cárcere perpétuo numa fortaleza, onde deverá ficar estreitamente retido, sem esperança de obter mais graça; mas, tendo abjurado de todos os erros na prisão em que actualmente se encontra, determino que seja absolvido das censuras, impondo-se-lhe as devidas e saudáveis penitências.

Quanto ao livro manuscrito
, que tem por título Maçonaria Egipciana, solenemente o condeno, porque contém ritos, proposições, doutrinas e sistemas que conduzem à sedição e à destruição da religião cristã, e é supersticioso, blasfemo, ímpio e herético, pelo que deve ser publicamente queimado pelo ministro da Justiça, juntamente com os instrumentos pertencentes à mesma seita. Com uma nova constituição apostólica se confirmarão e renovarão, não só as constituições dos Pontífices predecessores, mas também o referido édito da Secretaria de Estado, que proíbem a sociedade e conventículos dos franco-maçons, mencionando em especial a seita egípcia e a outra vulgarmente chamada dos iluminados, estabelecendo-se contra todas as pessoas que nelas se juntem, ou por qualquer modo as auxiliem, as mais graves penas corporais».

Ora, uma tal sentença, que para Camilo Castelo Branco «corresponde plenamente a todos os ditames da justiça, da equidade, da prudência, da religião e da tranquilidade pública, não menos para o estado Pontifício, que para o mundo inteiro», queda inserta no seu livro José Bálsamo, O Conde de Cagliostro. Camilo é, pois, peremptório, a respeito de quem toma por charlatão, impostor, ateísta, sacrílego, materialista, incrédulo e sobretudo indigno do santo matrimónio por ministrar a Lourença Feliciana, sua mulher, a máxima com que amiúde a corrompia para obter jóias e dinheiro: Que o adultério não era pecado numa mulher que se entregava por interesse, não por amor, a outro homem.





No seu livro, Camilo não destrinça a Maçonaria operativa da Maçonaria especulativa. Por outras palavras, não distingue a Maçonaria medieval, corporativa e mesteiral da Maçonaria iluminista e racionalista transviada em facções, regras, ritos e lojas de perfil ou feição protestante. No entanto, averba o carácter impiedoso inerente a várias espécies de Maçonaria, como a da já referida Maçonaria Egípcia fundada ou restaurada por José Bálsamo, ou a que, congeminada pelos iluminados e atreita à destruição da catolicidade e das monarquias, dá pelo nome de estreita observância; finalmente, temos a Maçonaria da alta observância, aparentemente propensa à arte hermética mas, no fundo, subversiva e revolucionária.

Não há, pois, como fugir ao facto de a Maçonaria ter decaído e degenerado nos dois últimos séculos. Exemplo disso é o Grande Oriente Lusitano, o mesmo que, em nome da democracia e da república positivista, começou por alçar uma estátua ao feroz e cruel Marquês de Pombal, para, assim, na história mais recente - que é a história espúria do jacobinismo, do ataque à Igreja Católica e da pregação socialista - ter igualmente contribuído para amordaçar Portugal na teia de poderes e organizações internacionais. Mas essa é outra história que transcende o contexto histórico em que jaz o ilustre novelista de Oitocentos.

Resta então atender, ainda que brevemente, ao Conde de Cagliostro, segundo Camilo Castelo Branco.

Miguel Bruno Duarte





EM QUE SE DÁ UMA BREVE IDEIA DA MAÇONARIA EM GERAL, E UMA DESCRIÇÃO EM PARTICULAR DA MAÇONARIA EGÍPCIA


«Muitas vezes [José Bálsamo] usou também de um misterioso silêncio; mas a alguns que lhe perguntavam por seu nome, ou por sua condição, tomava o partido de responder: Ego sum qui sum; e quando apertavam muito com ele sobre esta matéria, o mais em que condescendia era pôr por escrito a sua cifra figurada numa serpente, que tinha na boca uma maçã trespassada com uma seta».


... A maçonaria é um agregado de pessoas vulgares e de costumes soltos, que se juntam em sociedade, ou, para melhor dizer, em sítio determinado. No ano de 1723, foi pela primeira vez impresso em Londres o livro das suas constituições por Guilherme Hunter: ali se lê, que naquela cidade e seus arrabaldes se contavam já vinte casas particulares destes sectários, cada uma das quais tinha seu decano, e mandava todos os anos um deputado a uma assembleia para a eleição de um superior a quem todos estavam sujeitos.

A maior preocupação dos seus dirigentes foi ocultar a verdadeira origem ou modelo que se propuseram seguir, para melhor dissimular seu objectivo e fim, que no referido livro impresso em Londres, se diz ser o de fazer florescer a arquitectura. Depois, inicia-se a história por Adão, criado à imagem de Deus, que é o grande arquitecto do Universo: no decurso do tempo Moisés e Salomão recebem o nome de grandes mestres, e assim continua discorrendo, idade por idade, por todas as nações do mundo e primeiros monarcas, especialmente aqueles que têm sido amantes e protectores da Arquitectura.

Em outros livros, impressos, em particular, por aqueles que quiseram defender esta seita, intentou-se trazer sua origem, ou de alguns Templários que ficaram refugiados na Escócia, os quais, por motivos de cruzadas, achando-se muitas vezes misturados com os infiéis, se viram obrigados a convir em certos sinais para reconhecerem-se, ou de Tomás Cramnero, que se fez chamar Flagellum Principum e que no ano de 1558 foi bispo apóstata favorecido de Ana Bolena e depois queimado, ou de Oliveiro Cromwel, a quem chamavam o famoso libertador dos reinos, ou do antigo rei Artur.

As casas de reunião denominam-se lojas. Seguindo sempre a alegoria da arte mecânica, tem diversas classes e graduações: uns são moços, outros trabalhadores, outros mestres; e assim se distinguem os moços, que por outro nome são aprendizes, companheiros e mestres. Em muitas lojas há maiores graus, e são: arquitecto, mestre e outros semelhantes. Dos veteranos, isto é, dos graus mais elevados, escolhem-se os oficiais, que têm diversos títulos, como de secretário, irmão terrível, venerável e outros. As lojas pertencentes a um mesmo rito todas se comunicam entre si, e correspondem-se com uma loja-madre, cujo caporal, ou presidente, se chama grande oriente, e este envia a todas as suas instruções e oportunos regulamentos.


Os membros de uma classe celebram suas reuniões e realizam as suas funções separadamente das outras; daqui vem que os aprendizes não sabem, nem devem saber, o que fazem os companheiros, nem estes o que pertence aos mestres. Para conservar um tal sistema, os indivíduos da seita reconhecem-se entre si por alguns sinais recíprocos, e toques de mãos, e também por algumas palavras proferidas alternadamente, sílaba por sílaba: e assim cada uma das classes tem distintos sinais, toques, e palavras. Umas e outras mudam também segundo a variedade dos ritos das lojas.

De um grau sobe-se a outro, com intervalo de tempo. Muitas e complicadas são as cerimónias que se fazem para o recebimento, e respectivo acesso aos graus, que sempre têm lugar na loja. Em diversos livros impressos encontra-se o plano; (...) Ali há muito de ridículo, mas muito mais de superstição, de profanação: e de abuso das coisas sagradas. Três circunstâncias são aqui assinaladas principalmente. A primeira: a obrigação que contraem os indivíduos, de profundo e inviolável segredo, debaixo de um terrível juramento. A segunda: a cega obediência que prometem a qualquer ordem do seu superior. A terceira: uma incorporação e reunião entre eles, que, superando ainda os vínculos de uma natural fraternidade, um ocorre prontamente às necessidades do outro, em qualquer lugar, tempo, e circunstâncias.

Qual deva ser o resultado destas combinações, cada um de per si mesmo pode prevê-lo. Alguém que fez suas observações sobre o carácter dos seus componentes, e especialmente dos seus caporais, julga-os a todos ou ineptos em ciências, ou depravados nos costumes, ou incrédulos da verdadeira fé. Quem tiver conhecimento de algum, facilmente avaliará a importância desta reflexão. Nós, deixando de parte todas as especulações, falaremos de puro facto, e sem mistério. Por muitas denúncias voluntárias, de prisões, de testemunhas e outras apuradas notícias, que com os respectivos documentos se conservam em nossos arquivos, vê-se claramente que os seus ofícios de sociedade são mentirosos, suas especulações falsas; alguns professam uma descarada irreligião, e outros tratam de sacudir o jugo da subordinação e destruir as monarquias. Este é, indubitavelmente, o fim a que todas obedecem, porém nem a todas, nem a todos, nem a um mesmo tempo se comunica o grande segredo, sem que primeiro os caporais e directores tenham esquadrinhado bem o coração e regulado as inclinações de cada indivíduo. Antes procuram cativar-lhes os ânimos com a lisonja de descobertas portentosas ou podem remir o homem das suas misérias, concedendo-lhes o uso daquelas paixões, que permitem dar relevo a todo o infame prazer. Isto não pode causar admiração, sabendo-se que ali domina o partido democrático, que tem por fito atacar e destruir as monarquias.

É, portanto, bem recomendável a vigilância e zelo dos Romanos e Pontífices em ter condenado e proscrito esta sociedade. A santa memória de Clemente XII na sua Constituição, que começa In Eminenti, publicada aos 6 de Abril de 1738, fulminou sobre ela e seus respectivos adeptos excomunhão ipso facto incurrenda, sem alguma declaração e reservada ao mesmo Pontífice, Preter quam in mortis articulo... À pena espiritual juntou também a Constituição o terror das penas temporais, mandando todos os ordinários, superiores eclesiásticos e inquisidores da fé velar sobre tais sectários e castigá-los condignamente: Tam quam de haeresi vehementer suspectos.

Clamem a todo o gritar os incrédulos que isto foi um fanatismo da Religião. O amor e a observância dela, foi uma das causas que animou aquele sábio Pontífice a pensar de tal modo, vendo os gravíssimos danos que adviriam especialmente de uma reunião de pessoas de todas as seitas, e a importância de um juramento de profundo segredo, que só entre eles é conhecido; e viu com Cecílio Natel sobre Minúncio Félix, que honesta semper publico audent selera secreta sunt. Reflectiu que os conventículos sempre foram interditados por todas as leis, assim canónicas como civis, e que em qualquer domínio ou governo os reconhecem perniciosíssimos à tranquilidade pública e à segurança do Estado.




Desta forma procurou Clemente XII cuidar no bem universal de todo o mundo. Porém, nos seus estados fez ainda mais: quis que se publicasse, como se publicou, um édito com data de 14 de Janeiro de 1739, no qual, debaixo de irremissível pena de morte, proibiu reunir-se, escrever-se ou falar-se da Sociedade dos Livres-Muratores, como perniciosa, suspeita de heresia e sedição, sujeitando à mesma pena o que solicitasse ou intentasse ser nela admitido, ou lhe prestasse ajuda, favor, conselho ou casa; impõe finalmente a todos a obrigação de revelá-lo, sob pena de incorrer nas penas corporais e pecuniárias a arbítrio, em caso de transgressão.

O imortal Benedito XIV, animado do mesmo zelo, na ocasião do concílio universal, ano de 1750, compreendeu quanto se tinha propagado a desordem e o dano produzido pelos chamados pedreiros-livres, e soube-o com aquela certeza que lhe subministraram as sinceras confissões de muitos estrangeiros, os quais, passando a Roma para conseguir indulgências, recorreram a ele para obterem a absolvição da excomunhão fulminada na bula de seu predecessor. Este confirmou-a também e publicou-a de novo per extensum, como sua Constituição, que começa: Providas Romanorum Pontificum de 18 de Maio de 1751.

As potestades seculares, antes e depois, têm pensado do mesmo modo. Deixemos, pois, as rigorosas proibições feitas no ano de 1737 em Manheim, pelo sereníssimo Eleitor Palatino, em Viena, em 1743, em Espanha e Nápoles em 1751, em Milão em 1757, em Mónaco em 1784 e 1785, e também em outros tempos na Sabóia, Génova, Veneza, Ragusa, e outras. Não nos limitaremos só aos países apostólicos, mas também trataremos dos outros.

Por um irrefragável documento conservado nas actas do Santo Ofício, consta que a Porta Otomana, no ano de 1748, foi informada de que um francês criara, em Constantinopla, lojas de pedreiros-livres, isto em casa de um mercador inglês, tendo também convidado os turcos para nelas ingressarem. O capitão Baxá deu ordens terminantes para que a sociedade fosse encerrada, presos os seus adeptos e incendiada a casa. Tomada a tempo esta disposição, foi tal o terror dos sectários, que desbarataram imediatamente o mobiliário e nenhum deles falou mais em tal. Juntamente, foi intimidado o inglês dono da casa para que não tornasse a admitir, se a não queria ver reduzida a cinzas. A Porta Otomana informou do facto os embaixadores das cortes estrangeiras que estavam contentes com a tolerância das igrejas para uso da religião católica; foi também intimado o francês que era superior ou cabeça, para que saísse imediatamente da cidade, e de facto logo embarcou, sem mais se ouvir novas dele.

Parece que o que até aqui se tem dito é bastante para descobrir o disfarce debaixo do qual se quer esconder esta sociedade, e para todos se resolverem seriamente a livrar-se deste contágio.

Se acaso fica na incerteza do que até agora se tem exposto, ouvirá brevemente as coisas que, no presente processo, disse Cagliostro, ao qual não se pode negar um pleno conhecimento da matéria, como quem por tantos anos viveu entre os maçónicos e é considerado por eles como um génio sobrenatural.

Ele disse que são muitas as seitas em que está dividida a maçonaria, mas duas são as mais frequentes: a primeira chama-se da estreita observância, e pertence aos iluminados; a segunda da alta observância. Aquela professa uma absoluta incredulidade, obra magicamente, debaixo do especioso título de vindicar a morte do grão-mestre dos Templários, tendo principalmente por objecto a destruição total da religião católica e das monarquias. A outra, aparentemente, emprega-se em indagar os arcanos da Natureza para aperfeiçoar a arte hermética, especialmente na pedra filosofal; porém, a absoluta subordinação a seu superior e o vínculo do juramento do segredo, indicam que os seus fins são combater o estado e a tranquilidade pública.




Nesta segunda classe, confessou Cagliostro ter-se adscrito em Londres, e igualmente sua mulher, tendo ambos tido suas patentes; Cagliostro pagou a sua com cinco guinéus. Num mesmo dia foram admitidos aos três graus que compõem a loja, que vem a ser, como já se disse: aprendiz, companheiro e mestre, e receberam os arneses pertencentes ao ministério, isto é, mandil, faixa, estola, esquadro, compasso e outros mais. À mulher deram uma cinta ou liga, dizendo-lhe que era aquela a insígnia da ordem, e nela estavam escritas estas três palavras: união, silêncio, virtude, e lhe foi mandado que devia dormir aquela noite com ela, cingindo-a a si. Refere largamente Cagliostro as funções e cerimónias observadas na admissão aos ditos graus. Já dissemos que o plano anda impresso em vários idiomas (...). Antes do aceite, exigem-se algumas provas de valor do indivíduo que deve ser admitido. Nas que deu Cagliostro, duas foram capazes de mover, não sabemos se o enfado, se o riso. Primeiramente estava na sala uma corda atada de um lado a outro, sendo ele obrigado a dar um salto para, com a mão, se agarrar a ela, ficando assim obrigado por algum espaço de tempo; mas, como era pesado, isto custou-lhe, sentindo alguma dor e ficando-lhe a mão extensa. Depois taparam-lhe os olhos e deram-lhe uma pistola descarregada, mandando-lha carregar com pólvora e bala, o que fez; porém, quando ouviu que a devia disparar contra a testa, como era natural mostrou toda a repugnância. Foi-lhe então tirada com desprezo das mãos e levaram-no a ir prestar juramento. Na solenidade e importância deste, induziram-no a que descarregasse, como já lhe tinham mandado, a dita pistola, que em seguida lhe deram. Com efeito, descarregou-a, estando também com os olhos tapados, e sentiu o golpe na cabeça sem lhe fazer a menor lesão; ele observou, em outras admissões, que esta experiência era uma ficção, porque, quando se dá ao iniciando, pela segunda vez. a pistola, esta está descarregada, e quando vai dispará-la, outro dispara a carregada, e outro, com um ligeiro instrumento, dá um golpe na cabeça do vendado, que desta forma fica julgando que o tiro lhe acertou, admirando-se por ficar ileso.

A forma do juramento que pronunciou é a seguinte: Eu, José Cagliostro, em presença do grande arquitecto do Universo, e na de meus superiores, como também da respeitável sociedade em que me acho, obrigo-me a fazer tudo quanto me for mandado por eles, e portanto juro, debaixo das penas estabelecidas pelos ditos meus superiores, obedecer-lhes cegamente, sem perguntar o motivo, e de não revelar os segredos, nem por palavra nem por escrita, nem os arcanos que me forem comunicados (in José Bálsamo, Conde de Cagliostro, Hugin, 2001, pp. 39-44).

Continua


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