domingo, 16 de outubro de 2016

As componentes esotéricas do III Reich

Escrito por Giorgio Galli








«O papel preponderante da mais poderosa elite americana na ascensão de Hitler deverá ser avaliado em conexão com uma certa faceta do hitlerismo que só agora começa a ser verdadeiramente estudada: as origens místicas do nazismo e suas relações com a Sociedade Thule e demais sociedades secretas. Não sendo o presente autor um especialista em ocultismo e conspiração, é, apesar de tudo, óbvio que as origens históricas e neopagãs do nazismo, bem como a existência da Sociedade Thule e dos Illuminati da Baviera, são aspectos a serem devidamente considerados por competentes e abalizados inquiridores. Aliás, alguma dessa pesquisa já se encontra realizada em língua francesa, de sorte que convém abordar uma tal questão partindo da tradução inglesa de Hitler et la Tradition Cathare, de autoria de Jean Michel Angebert.

Angebert ressalta a cruzada de 1933 levada a cabo por um membro da Shutzstaffle, Otto Rahn, em busca do Santo Graal supostamente localizado numa fortaleza cátara no Sul de França. A hierarquia nazi dos primeiros tempos (Hitler e Himmler, assim como Rosenberg e Rudolf Hess), encontrava-se no poder de uma teologia neopagã, de algum modo associada à Sociedade Thule cujos ideais eram próximos dos preconizados pelos Iluminados da Baviera. Tais ideais constituíam uma força subterrânea influente no nazismo, com uma poderosa mística a envolver o núcleo mais duro e fiel das SS. Os historiadores oficiais raramente mencionam, e muito menos descortinam as raízes ocultas do nazismo, descartando assim um factor não menos importante face àquele que normalmente se reporta às origens financeiras do nacional-socialismo».

Antony C. Sutton («Wall Street e a Ascensão de Hitler»).


«O Príncipe Bernardo dos Países Baixos aprovou a crença de que as crises económicas graves, como a Grande Depressão, se podem evitar se houver líderes responsáveis e influentes a gerir os acontecimentos mundiais por detrás da sua postura pública necessária. Por esta razão, pediram-lhe que organizasse a primeira reunião de representantes "homólogos" de todas as facetas dos domínios económico, político, industrial e militar em 1954. Reuniram-se no Hotel Bilderberg em Oosterbeek, na Holanda, de 29 a 31 de Maio. No final da reunião, os participantes acordaram formar uma associação secreta.

A maioria dos relatórios alega que os membros originais chamaram à sua aliança Clube Bilderberg por causa do hotel onde firmaram o pacto. O autor Gyeorgos C. Hatonn, porém, descobriu que o Príncipe Bernardo, nascido na Alemanha, foi oficial no Corpo de Cavaleiros das SS, em princípios dos anos 30, e que fazia parte da direcção de uma subsidiária da I.G., Farben Bilder. No seu livro, Rape of the Constitution; Death of Freedom, Hatonn defende que o Príncipe Bernardo se inspirou na sua história nazi de gestão empresarial para encorajar "o super-secreto grupo de legisladores" a dar pelo nome de Bilderberg, por causa de Farben Bilder, em memória da iniciativa dos executivos da Farben de organizar o "Círculo de Amigos" de Heinrich Himmler - líderes na produção de riqueza que recompensaram amplamente Himmler pela sua protecção ao abrigo de programas nacionais-socialistas, desde os primeiros tempos da popularidade de Hitler até à derrota da Alemanha nazi. A família real holandesa enterrou discretamente esta parte do passado do Príncipe Bernardo quando, depois da guerra, este ascendeu a um alto cargo na Royal Dutch Shell, um conglomerado holandês e britânico. Hoje em dia, esta rica empresa petrolífera faz parte do círculo mais íntimo da elite Bilderberg.

[...] Ainda em 1941, o Dr. Quincy Wright, membro do CFR [Council on Foreign Relations] e especialista em direito internacional da Universidade de Chicago, deu o primeiro e mais esclarecido parecer quanto à "Nova Ordem Mundial" - um governo para o mundo inteiro que limitará a soberania nacional e a independência de nações individuais. Que esta declaração, no deflagrar da Segunda Guerra Mundial, não tenha tido críticas nem comparação com a temida "Nova Ordem" de Hitler, só mostra quão enraizado era o isolamento americano na altura. Ninguém reconheceu a semelhança de objectivos do estado nazi com esta ideologia.

Ao debater as ideias do Dr. Wright numa palestra sobre a "Nova Ordem Mundial", Terry Boardman disse a um auditório esgotado, quase 1500 pessoas na Rudolf Steiner House em Londres, em Outubro de 1998, que Wright considerava três sistemas continentais: uns "Estados Unidos da Europa", um sistema asiático e uma união pan-americana. Wright também previu que cada sistema continental tivesse uma força militar comum e que as forças militares nacionais fossem grandemente reduzidas ou ilegalizadas.













Walter Hallstein. Ver aqui








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Bilderbergers



























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Não obstante, com o advento de um governo mundial, um exército mundial e uma moeda mundial, por que razão quereria a família Rockefeller entregar a soberania dos EUA, que já controlava, bem como a sua riqueza, ao controlo e aos ditames de um Governo Mundial? Tal governo não ameaçaria o seu poder financeiro e, por isso, ser a última coisa no mundo que desejaria apoiar?

Sim, claro, a menos que os Rockefeller, o Clube Bilderberg, o Council on Foreign Relations e a Comissão Trilateral esperassem que o Governo Mundial vindouro ficasse sob o seu comando. Em carta a um sócio, de 21 de Novembro de 1933, o Presidente Franklin D. Roosevelt escreveu: "A verdade da questão é, como ambos sabemos, que um elemento financeiro nos grandes centros tem possuído o governo desde os tempos de Andrew Jackson".

Se for este o derradeiro objectivo - criar um único mercado globalizado, regido por um governo mundial (que, por seu turno, controla os tribunais, as escolas e os hábitos de leitura e o pensamento do povo), policiado por um exército mundial, financeiramente regulado por um banco mundial (por via de uma moeda única global) - não nos poderemos dar ao luxo de ignorar o que nos acontece e o mundo em que vivemos».

Daniel Estulin («Toda a Verdade sobre o Clube Bilderberg»).


«Hjalmar Schacht challenged his post-war Nuremburg interrogators with the observation that Hitler's New Order program was the same as Roosevelt's New Deal program in the United States. The interrogators understandably snorted and rejected the observation. However, a little research suggests that not only are the two programs quite similar in content, but the Germans had no trouble in observing the similarities. There is in the Roosevelt Library a small book presented to FDR by Dr. Helmut Magers in December 1933. On the flyleaf of this presentation copy is written the inscription,

To the President of the United States, Franklin D. Roosevelt, in profound admiration of his conception of a new economic order and with devotion for his personality. The author, Baden, Germany, November 9, 1933.

FDR's reply to this admiration for his new economic order was as follows:

(Washington) December 19, 1933

My Dear Dr. Magers: I want to send you my thanks for the copy of your little book about me and the "New Deal". Though as you know, I went to school in Germany and could speak German with considerable fluency at one time, I am reading your book not only with great interest but because it will help my German.


Very sincerely yours,


The New Deal or the "new economic order" was not a creature of classical liberalism. It was a creature of corporate socialism. Big business as reflected in Wall Street strived for a state order in which they could control industry and eliminate competition, and this was the heart of FDR's New Deal. General Electric, for example, is prominent in both Nazi Germany and the New Deal. German General Electric was a prominent financier of Hitler and the Nazi Party, and A.E.G. also financed Hitler both directly and indirectly through Osram. International General Electric in New York was a major participant in the ownership and direction of both A.E.G. and Osram. Gerard Swope, Owen Young, and A. Baldwin of General Electric in the United States were directors of A.E.G. However, the story does not stop at General Electric and financing of Hitler in 1933.















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In a previous book, Wall Street and the Bolshevik Revolution, the author identified the role of General Electric in the Bolshevik Revolution and the geographic location of American participants as at 120 Broadway, New York City; the executive offices of General Electric were also at 120 Boadway. When Franklin Delano Roosevelt was working in Wall Street, his adress was also 120 Broadway. In fact, Georgia Warm Springs Foundation, the FDR Foundation, was located at 120 Broadway. The prominent financial backer of an early Roosevelt Wall Street venture from 120 Broadway was Gerard Swope of General Electric. And it was "Swope's Plan" that became Roosevelt's New Deal - the fascist plan that Herbert Hoover was unwilling to on the United States. In brief, both Hitler´s New Order and Roosevelt's New Deal were backed by the same industrialists and were quite similar - i.e, they were both plans for a corporate state.

There were then both corporate and individual bridges between FDR's America and Hitler´s Germany. The first bridge was the American I.G. Farben, American affiliate of I.G. Farben, the largest German corporation. On the board of American I.G. sat Paul Warburg, of the Bank of Manhattan and the Federal Reserve Bank of New York. The second bridge was between International General Electric, a wholly owned subsidiary of General Electric Company and its partly affiliate in Germany, A.E.G. Gerard Swope, who formulated FDR's New Deal, was chairman of I.G.E. and on the board of A.E.G. The third "bridge" was between Standard Oil of New Jersey and Vacuum Oil and its wholly owned German subsidiary, Deutsche-Amerikanische Gesellschaft. The chairman of Standard Oil of New Jersey was Walter Teagle, of the Federal Reserve Bank of New York. He was a trustee of Franklin Delano Roosevelt's Georgia Warm Springs Foundation and appointed by FDR to a key administrative post in the National Recovery Administration.

This corporations were deeply involved in the promotion of Roosevelt's New Deal and the construction of the military power of Nazy Germany. Putzi Hanfstaengl's role in the early days, up to the mid-1930s anyway, was an informal link between the Nazi elite and the White House. After the mid-1930s, when the world was set on the course for war, Putzi's importance declined - while American Big Business continued to be represented through such intermediaries as Baron Kurt von Schröder attorney Westrick, and membership in Himmler's Circle of Friends».

Antony C. Sutton («Wall Street and the Rise of Hitler»).


«Um importante neofreudiano que se converteu num aberto simpatizante dos nazis foi o psicanalista suíço Carl Jung, cuja amizade com Freud acabou quando este se negou a encontrar qualquer valor no misticismo gnóstico. Freud, que se opunha a incluir ideias místicas na psicanálise, associava a palavra misticismo a sessões de espiritismo, vozes de outros mundos, ruídos, aparições, levitações, transes e profecias.

"Jung viu em Hitler a apoteose do esforço que tinha realizado na busca de uma comunhão pagã com o Mais Além, uma busca que começou em 1915, ao sofrer uma colossal crise nervosa".

No seu ensaio de 1997 sobre Hitler e Jung, Wolf sustém que entre Hitler e as teorias psicanalíticas de Jung, hoje uma das bases conceptuais da ideologia da "Nova Era", existe uma enorme relação, dado o fascínio de Jung por Hitler. "Porque Jung estava obcecado com a ideia de que a realidade mais profunda, a maior verdade, jaz debaixo dos aspectos inconscientes, místicos e psicóticos da mente do homem, em contraposição com a visão judaico-cristã do mundo, mais racional, externa e científica". Esta foi a base do seu estudo de si mesmo, durante largas décadas, no seu afã de encontrar um mito ou um sistema mítico prévio capaz de ilustrar as ideias que tinha da psicologia da religião. Começou pelo gnosticismo, continuou pelo estudo da astrologia e, mais tarde, pela alquimia especulativa como sistema simbólico.













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Segundo Jung, existe um profundo substrato da consciência, sob as capas dos instintos mecânicos e os fenómenos mensuráveis da psicologia clínica, que tinha o nome de "inconsciente colectivo". Estas imagens tornam-se visíveis em determinadas circunstâncias, como os comícios políticos ou os rituais religiosos, as telas de cinema ou a publicidade e a propaganda; imagens que aceitamos como algo normal, sem estarmos conscientes do poder que representam nem de até que ponto estão a manipular a nossa consciência. E por sua vez, essas imagens, essa trama ou matriz que está por baixo do universo observado, uma espécie de rede de ligações que unem eventos segundo um sistema que apenas podemos vislumbrar, são manipuladas pela mão invisível dos lavadores de cérebros do Instituto Tavistock e da Escola de Frankfurt.

O Instituto Tavistock de Relações Humanas é o braço da guerra psicológica da família real britânica, nos arredores de Londres. É a instituição mais importante do mundo destinada à manipulação da população. Segundo a história oficial da Clínica Tavistock: "Em 1920, sob a direcção do seu fundador, o Dr. Hugh Crichton-Miller, a clínica ajudou de maneira significativa nos esforços para entender os efeitos traumáticos da 'neurose de guerra'". Nos anos 30, o Instituto Tavistock desenvolveu uma relação simbiótica com o Instituto de Frankfurt de Investigação Social. A colaboração mútua levou-os a analisar a cultura de uma população a partir de um ponto de vista freudiano. O nazismo foi simplesmente um dos seus "pacientes estendidos no divã do psiquiatra".

[...] Jung estava impressionado com a ascensão meteórica de Hitler ao poder, e reconhecia que o ditador "devia ter captado uma energia extraordinária no inconsciente teutão". Em Março de 1934, por exemplo, Jung refere-se ao "formidável fenómeno do nacional-socialismo, que todo o mundo contempla com assombro". Jung sugere mais adiante que o inconsciente ariano possui "maior potencial" que o dos judeus. Hitler, disse Jung, "tinha literalmente posto toda a Alemanha de pé". Num ensaio, escrito em 1932, celebra o "dom de líder" do Führer por oposição às "massas indolentes e sempre secundárias, que não são capazes de fazer um só movimento na ausência de um demagogo". Em 1936, Jung apercebeu-se de que Hitler era um dos elementos wotânicos (em referência a um antigo deus germânico) que se tinha reprimido anteriormente: "O impressionante do fenómeno alemão é que um único homem, que está obviamente possuído, contagiou uma nação inteira, ao ponto de tudo se pôr em marcha e avançar para a perdição".

Era possível que Jung não se desse conta de qual era a verdadeira natureza do nazismo? Dificilmente. Em 1938, cinco anos depois da ascensão de Hitler ao poder, Jung qualificou-o de "visionário" e "xamã ou feiticeiro realmente inspirado" cujo poder era "mágico, mais que político", um "veículo espiritual", o "primeiro homem a dizer a todos os alemães o que tem estado a pensar e a sentir no seu inconsciente sobre o destino da Alemanha". E acrescentou: "O poder de Hitler não é político, é mágico".

Quando, em Junho de 1940, a França se rendeu à Alemanha - data que coincide com o solstício de Verão e não passou despercebida a Jung nem a outros místicos nazis -, Jung exclamou com entusiasmo: "É o amanhecer da Era de Aquário!" Ironia insignificante, pois fora precisamente Carl Jung quem cunhara a frase que mais adiante ia ser tão corrente, quando chegasse a "Nova Era".

Nem se pode dizer que os nazis representavam uma minoria da população da Alemanha, mesmo quando estavam no poder. Que aconteceu aos denominados "bons alemães" que cooperaram com o terror de Hitler? Como se conseguiu tal coisa? Pois bem, da mesma forma que hoje, e todos os dias, acontece connosco, mediante a difusão de informação através dos meios de comunicação em massa.

















[...] No caso da Alemanha nazi, em milhões de lares ouvia-se pela rádio a voz de um só homem, Adolfo Hitler. O facto de toda a Alemanha ter estado a ouvir ao mesmo tempo dava mais força à mensagem. Ao fazer parte de uma experiência colectiva, o ouvinte absorvia tudo literalmente como um conjunto de pontos de referência emocionais e não racionais. Os discursos de Hitler encontram-se entre os primeiros acontecimentos em massa da história, e eram orquestrados com tanto cuidado como qualquer evento da história moderna.

Tanto Tavistock como a Escola de Frankfurt prestaram muita atenção às técnicas de propaganda nazi e incorporaram-nas de boa vontade nas suas investigações. O objectivo deste projecto, tal como se afirma em Dissonâncias: Introdução à Sociologia da Música, de Adorno, consistia em "programar uma cultura de massas como forma de controlo social extensivo, que fosse degradando pouco a pouco os seus consumidores". A aplicação das suas investigações sobre o comportamento humano ia desembocar, uma década mais tarde, numa importante e irreversível revolução cultural nos EUA.

"Os lavadores de cérebros chegaram à conclusão de que os factos divulgados pelos meios de comunicação em massa tinham conseguido fazer com que as pessoas desejassem acreditar na realidade e estivessem dispostas a aceitar sem espírito crítico o que se dissera, informação que, se tivesse sido ouvida noutro contexto, teriam muito provavelmente rejeitado"».

Daniel Estulin («O Instituto Tavistock»).


«No Admirável Mundo Novo da minha profética fábula, a tecnologia avançou muito para além do ponto a que chegara no tempo de Hitler; consequentemente, os que recebem ordens eram muito menos críticos do que os seus semelhantes nazis, muito mais obedientes à "elite" dirigente. Além disso, foram estandardizados geneticamente e condicionados após o nascimento, de forma a realizarem as suas funções subalternas, e portanto a comportarem-se de forma tão previsível como máquinas. [...] este condicionamento dos "escalões inferiores" já é praticado nas ditaduras comunistas. Os Chineses e os Russos não se atêm meramente aos efeitos indirectos da tecnologia que cada vez progride mais; trabalham directamente nos organismos psicofísicos dos subordinados mais inferiores, sujeitando corpos e espíritos a um sistema de condicionamento inflexível e, sob todos os aspectos, altamente eficaz. "Quantos homens", disse Speer, "têm sido obsediados pelo pesadelo de que as nações pudessem ser um dia dominadas por meios técnicos. Esse pesadelo foi quase realizado pelo sistema totalitário de Hitler". Quase, mas não inteiramente. Os Nazis não tiveram tempo - e talvez não tivessem inteligência e os necessários conhecimentos - para fazerem lavagens de cérebros e condicionar os seus escalões inferiores. Talvez seja esta uma das razões do seu fracasso.

Desde o tempo de Hitler, o arsenal de dispositivos à disposição do aspirante a ditador tem sido consideravelmente aumentado. Além da rádio, do alto-falante, da câmara de cinema e das grandes rotativas, o propagandista contemporâneo pode fazer uso da televisão para transmitir a imagem, assim como a voz, do seu cliente, e pode registar tanto a voz como a imagem nos carreteis das bandas magnéticas. Graças ao progresso técnico, o Grande Irmão pode ser agora quase tão omnipresente como Deus. E não é apenas no domínio da técnica que a mão do aspirante a ditador recebeu novas forças. Desde o tempo de Hitler, têm-se feito trabalhos consideráveis nos campos da psicologia e da neurologia aplicadas, que são o sector especial do propagandista, do doutrinador e do lavador-de-cérebros. No passado, estes especialistas na arte de modificar os espíritos dos homens eram empiristas. Por um método de aproximações sucessivas, tinham apurado um certo número de técnicas e processos, que usavam com grande eficácia sem, todavia, conhecerem precisamente por que eram eficazes. Hoje, a arte de controlar os espíritos está em vias de tornar-se uma ciência. Os praticantes desta ciência sabem o que estão fazendo e porquê. São guiados na sua obra por teorias e hipóteses solidamente estabelecidas sobre uma grande massa de factos experimentalmente averiguados. Graças a novos pontos de vista, e a novas técnicas tornadas possíveis por esses novos pontos de vista, o pesadelo que foi "quase realizado no sistema totalitário de Hitler" não tardará a ser completamente realizável».

Aldous Huxley («Regresso ao Admirável Mundo Novo»).






Aldous Huxley
















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«Se Hitler tivesse sido realmente aquele meio louco delirante cujo retrato nos foi traçado pela propaganda oficial dos vencedores, não se explicaria como pôde fazer frente durante quase seis anos à mais maciça coligação de forças, de meios e de povos que a história alguma vez conheceu... O facto é que Hitler perdeu e que portanto as suas iras, as suas explosões de fúria, as suas próprias decisões surgem à sombra cinzenta e degradante da derrota. E pouco basta para juntar os toques sensacionalistas do seu olhar vítreo, da baba na boca, do seu rolar pelos tapetes, como se descreveu muitas vezes. Enquanto Churchill... não urra, quando muito grita; não tem fúrias, bate apenas com os punhos na mesa; não rasga os relatórios dos generais na cara deles, quando muito censura-os. Se tivesse sido ele o derrotado, apareceria incomensuravelmente ridículo até naquele seu fumar vinte charutos por dia... enquanto médicos de fama certamente fariam notar que a inacreditável quantidade de álcool por ele ingurgitada quotidianamente era a menos adequada para lhe assegurar lucidez mental... Para não falar do que certamente se escreveria sobre as conexões entre as atitudes de Roosevelt e as suas condições físicas... se Roosevelt tivesse perdido, também se daria, acreditamos, alguma importância ao facto de ser membro de numerosas associações secretas: as "Águias", os "Phi Beta Kappa", a "Ordem Real de Elan", como ainda a maçónica "Holland Lodge"».

Pino Rauti e Rutilio Sermonti («Storia del fascismo», Vol. VI).


«Em 1920, Dietrich Eckart e outro membro da sociedade Tule, o arquitecto Alfred Rosenberg, travaram conhecimento com Hitler. Marcaram-lhe uma primeira entrevista na casa de Wagner, em Bayreuth. Durante três anos rodearão sem cessar o pequeno caporal da Reichswehr, dirigindo-lhe os pensamentos e os actos. Konrad Heiden escreve: "Eckart empreende a formação espiritual de Adolfo Hitler". Ensina-lhe a escrever e a falar. Os seus ensinamentos desenvolvem-se sobre dois planos: a doutrina "secreta" e a doutrina da propaganda. Narrou algumas das conversas que teve com Hitler em relação à segunda num curioso folheto intitulado O bolchevismo de Moisés a Lenine. Em Junho de 1923, esse novo mestre, Eckart, será um dos sete membros fundadores do partido nacional-socialista. Sete: número sagrado. No Outono, por altura da sua morte, diz: "Sigam Hitler. Ele há-de dançar, mas a música foi escrita por mim. Nós concedemos-lhe os meios de comunicar com Eles... Não me lamentem: terei influenciado a história mais do que qualquer outro alemão...".

[...] Rauschning descreve assim o Führer: "Somos obrigados a pensar nos médiuns. A maior parte do tempo são seres vulgares, insignificantes. Subitamente, como que lhes caem do céu poderes que os elevam acima da medida comum. Esses poderes são exteriores à sua personalidade real. São visitantes oriundos de outros planetas. O médium está possesso. Uma vez libertado, volta a cair na mediocridade. É sem dúvida desta forma que certas forças atravessam Hitler. Forças quase demoníacas das quais a personagem chamada Hitler não é mais do que a vestimenta momentânea. Essa reunião do banal e do extraordinário, eis a insuportável dualidade de que nos apercebemos logo que entramos em contacto com ele. Este ser poderia ter sido inventado por Dostoïevski. Tal é a impressão que provoca numa pessoa estranha a associação de uma confusão doentia e de um poder turvo".

Strasser: "Aquele que escuta Hitler vê surgir de súbito o Führer da glória humana... Aparece uma luz atrás de uma janela escura. Um senhor com um cómico bigode em vassoura transforma-se em arcanjo... Depois o arcanjo levanta voo: apenas resta Hitler, que se volta a sentar, alagado em suor, com os olhos vítreos".

Bouchez: "Examinava-lhe os olhos, uns olhos que se tinham tornado mediumínicos... Por vezes, qualquer coisa se passava, semelhante a um fenómeno de ectoplasma: qualquer coisa parecia habitar o orador. Emanava um fluido... Depois voltava a ser pequeno, medíocre, até vulgar. Parecia fatigado, completamente exausto".

François-Poncet (ex-embaixador na Alemanha): "Ele entrava numa espécie de transe mediumínico. O rosto reflectia um encantamento extático".





[...] Dizia [Hitler] a Rauschning: "A nossa revolução é uma nova etapa, ou antes a etapa definitiva da evolução que conduz à supressão da história...". Ou ainda: "Não sabem nada de mim, os meus camaradas do partido não fazem a menor ideia dos sonhos que faço e do edifício grandioso do qual pelo menos os alicerces estarão edificados quando eu morrer... Há uma curva decisiva do mundo, eis-nos na charneira dos tempos... Haverá uma alteração do planeta que vós, os não iniciados, são incapazes de compreender... O que se está a passar é mais do que o aparecimento de uma nova religião..."».

Louis Pauwels e Jacques Bergier («O Despertar dos Mágicos»).


«Sigo o meu caminho com a precisão e a segurança de um sonâmbulo».

Adolfo Hitler


«Uma investigação séria sobre as ligações iniciáticas de Hitler com sociedades secretas, não conduz muito longe. Quanto a Hitler médium e à sua força magnética, são necessários alguns esclarecimentos. Que o Führer devesse esta força a práticas iniciáticas parece-nos uma fantasia; de outro modo ter-se-ia de supor absurdamente algo de semelhante também nas considerações de igual força psíquica sugestiva possuída por outros chefes, de Mussolini, por exemplo, a Napoleão. Quanto à qualidade de médium (que, diga-se a talhe de foice, é oposta à de uma qualificação iniciática), pode ser reconhecida, com certas reservas, a Hitler, tendo em conta que, sob mais de um aspecto, é apresentado como um possesso (é o aspecto que o distingue, por exemplo, de Mussolini). Justamente, quando fanatizava as multidões, dava a impressão de que uma outra força o transportava, possuindo-o, como um médium, ainda que de um género muito particular e excepcionalmente dotado. Quem ouviu Hitler a falar a multidões delirantes não pôde deixar de ter esta impressão. Dadas as reservas por nós expressas no que diz respeito a supostos "Superiores Desconhecidos", não é lícito estabelecer a natureza de tal força supra-pessoal».

Julius Evola («Hitler e as Sociedades Secretas» in Il Conciliatore, 15 de Outubro de 1971).


«[...] Hitler conversava um dia com Rauschning, chefe do governo de Dantzig, a respeito do problema da mutação da raça humana. Rauschning, que não possuía a chave de tão estranha preocupação, interpretava as frases de Hitler como frases de um criador de gado que procurasse melhorar o sangue alemão.

"Mas não pode fazer outra coisa senão auxiliar a natureza, dizia ele, abreviando o caminho a percorrer! É preciso que a própria natureza lhe dê uma nova variedade. Até agora, só raramente o criador obteve bons resultados, em relação à espécie animal, no desenvolvimento das mutações, quer dizer, em criar ele próprio novos caracteres.

- O homem novo vive entre nós! Já chegou! - exclamou Hitler em tom triunfante. - Isto não lhe basta? Vou dizer-lhe um segredo. Eu vi o homem novo. É intrépido e cruel. Tive medo diante dele.

"Ao pronunciar estas palavras, acrescenta Rauschning, Hitler tremia num ardor extático".

E Rauschning conta também esta cena estranha, a respeito da qual se interroga em vão o doutor Achille Delmas, especialista de psicologia aplicada. De facto, neste caso, a psicologia não se aplica:

"Uma pessoa da intimidade de Hitler disse-me que ele acorda durante a noite soltando gritos convulsivos. Pede socorro, sentado na beira da cama, como que paralisado. É possuído por um pânico que o faz tremer a ponto de sacudir a cama. Profere vociferações confusas e incompreensíveis. Arqueja como se estivesse a sufocar. A mesma pessoa relatou-me uma dessas crises com pormenores em que me recusaria a acreditar se a fonte não fosse de tanta confiança. Hitler estava de pé no seu quarto, cambaleante, olhando em redor com ar desvairado. "É ele! É ele! Ele esteve aqui!", gemia. Os lábios tremiam-lhe. O suor escorria abundantemente. De súbito pronunciou números sem qualquer sentido, depois palavras, restos de frases. Era pavoroso. Empregava termos curiosamente reunidos, absolutamente extraordinários. Depois, novamente, voltara a ficar silencioso, mas continuara a mexer os lábios. Tinham-no então friccionado, e fizeram-no tomar uma bebida. Depois, subitamente, berrou: "Ali, ali no canto! Está ali!" Batia com o pé no chão e soltava gritos. Tranquilizaram-no dizendo-lhe que nada se passava de anormal, e ele acalmou-se a pouco e pouco. Em seguida, dormira várias horas e voltara a ser quase normal e suportável"».

Louis Pauwels e Jacques Bergier («O Despertar dos Mágicos»).

















«Supostamente, a Primeira Guerra Mundial devia ter sido a "guerra que acabaria com todas as guerras". Ao longo do conflito, morreram milhões de homens, mulheres e crianças, mas enquanto os soldados ingleses, que chegavam a casa a coxear, se encontravam a salvo sabendo, pelo menos, que tinham ganho a guerra, aos soldados alemães não foi concedido esse conforto. Antes do início das hostilidades, a Alemanha era uma das nações mais ordeiras da Europa. Os seus cidadãos eram trabalhadores incansáveis, pacíficos e educados. A Primeira Guerra Mundial modificou tudo isso. Quando regressaram dos campos de batalha, os soldados alemães tinham-se habituado a níveis de violência e a cenas de carnificina nunca antes experimentadas. Regressados a casa, não foram recebidos com as boas-vindas dispensadas aos heróis; depararam-se com uma população desiludida e dividida, deprimida e em luta pela sobrevivência num clima de severa instabilidade económica. Em Abril de 1921, os Aliados exigiram à Alemanha o pagamento de indemnizações que ascendiam a cento e trinta e dois milhões de marcos de ouro (aproximadamente seis mil e seiscentos milhões de libras). Isto fez o valor do marco, que em 1918 mantinha relativamente ao dólar a proporção de quatro para um, ficar absolutamente fora de controlo, atingindo a proporção de setenta e cinco para um. No Verão de 1922, a proporção tinha aumentado para quatrocentos para um. Realmente, foi um período negro para um país mais habituado a chefiar o mundo do que a segui-lo humildemente.

Mais do que qualquer outra das grandes municipalidades alemãs - a constituição da República de Weimar concedera aos antigos estados como a Baviera, a Prússia e a Saxónia, uma determinada autonomia, concedendo-lhes o governo dos seus próprios estados e assembleias representativas -, a cidade de Munique, situada a sul, talvez tenha sido a mais afectada por esse descontentamento e violência. Mesmo durante a guerra, Munique manteve-se à parte das outras cidades, com Hitler a salientar que o "desânimo e o cansaço da guerra eram mais evidentes em Munique do que no Norte" [Hitler: A Study in Tiranny, Alan Bullock, Penguin, 1962].

Dividida em facções e abarrotando de ex-soldados desiludidos e homens de negócios empobrecidos, Munique era um foco de agitação. Em 1918, um jornalista judeu chamado Kurt Eisner chefiou uma revolução socialista nas ruas e estabeleceu uma República bávara, tendo sido assassinado três meses mais tarde pelo conde Anton von Arco auf Valley. Foi constituído então um governo social-democrata, que viria a cair dois meses depois, quando foi instaurada uma república soviética. Ainda não tinha decorrido um mês, quando também esta caiu. Não é de estranhar que, contra todo este cenário confuso, dissociado e divisório, surgisse um grupo a defender a ideia de uma Alemanha forte, pura e inexpugnável. Atribuindo-se o nome de Sociedade Thule (Thule-Gesellschaft) e reunindo-se em segredo, estavam destinados a desempenhar um papel significativo na ascensão de Hitler ao poder, fomentando apoios nas cervejarias de Munique, locais onde Hitler começara a praticar os seus discursos carismáticos que entusiasmavam o populacho. A autora Joanna Kavenna, no seu livro The Ice Museum, assinala: "A Sociedade Thule constituiu a primeira expressão do fetiche nazi pelas tribos "arianas" e terras do norte, antiga elisão da ideia de pureza natural com a crença na superioridade racial de um povo" [The Ice Museum: In Search of the Lost Land of Thule, Joanna Kavenna, Viking, 2005].

O líder da Sociedade Thule e seu principal activista era um homem chamado Rudolf von Sebottendorff. O pai fora um silesiano, operário dos caminhos-de-ferro, a cujo apelido, Glauer, Rudolf aparentemente renunciara, explicando que, durante uma viagem que fizera à Turquia na época da sua juventude, conhecera e fora adoptado por um certo barão Heinrich von Sebottendorff. De facto, as ilusões de grandeza nunca estiveram longe do pensamento de von Sebottendorff e a personalidade que adoptara encaixava-se perfeitamente no tipo de carácter que a sua Sociedade Thule almejava recrutar - homens de linhagem nobre, cujas genealogias fossem velhas de muitos séculos.

Ao regressar da Turquia, antes da fundação da Sociedade Thule, Sebottendorff aderiu a outro grupo secreto chamado Germanenorden (Ordem Germânica). Formada em 1912 por uma mão-cheia de proeminentes alemães ocultistas que se opunham violentamente aos judeus, o seu líder, Herman Pohl, estava obcecado por aquilo que considerava como disseminação gradual da ração germânica e um lento enfraquecimento das linhagens nacionais pela introdução de elementos não arianos. A Germanenorden tinha uma estrutura hierárquica fraternal, semelhante à da Maçonaria, mas, contrariamente a esta, a Germanenorden ensinava aos seus discípulos ideologias nacionalistas baseadas na superioridade racial e a maior parte da literatura do grupo versava temas anticomunistas e anti-semitas. Sebottendorff encaixava-se perfeitamente e no grupo não demorou a fundar o seu próprio ramo, a que deu o nome de Sociedade Thule.






Precisando de um emblema para o grupo que fundara, Sebottendorff adoptou a suástica como verdadeira representação de tudo o que mais amava. Originalmente, a suástica é um antigo símbolo indiano de boa sorte e também o símbolo tradicional do deus nórdico Thor, deus do trovão. No início do século XX tinha sido adoptado por um movimento neopagão alemão, que lhe deu o nome de Hakenkreuz. Talvez Sebottendorff lhes tenha roubado a ideia - afinal, ambos os grupos promoviam fortes ideologias anticristãs -, mas foi só quando um membro da Sociedade Thule, Friedrich Krohn, sugeriu a Hitler que adoptasse a suástica como emblema do seu novo partido político que a actualmente famosa insígnia cresceu, para se tornar num dos mais temidos e odiados símbolos do século XX.

Thule era uma terra mítica (umas vezes referida como uma ilha, outras acreditando-se que fazia parte da Atlântida, o continente perdido), nas regiões nórdicas do mundo antigo, região escura, gelada e misteriosa que existiu muito antes de o homem ser capaz de elaborar mapas do globo com alguma precisão. A primeira menção a Thule surgiu no século IV a. C., quando um explorador grego chamado Píteas se vangloriou de ter navegado desde as regiões quentes do sul da França até às Ilhas Britânicas; navegando para norte durante cerca de seis dias, chegou à terra de Thule. Uma vez lá, disse que os habitantes de Thule lhe mostraram o pôr do Sol no dia mais curto do ano e que, durante o Inverno, toda a região sofria longos períodos de escuridão. Mas, apesar do relato de Píteas, os antigos cartógrafos continuavam a ter dúvidas quanto à verdadeira localização de Thule e até da sua existência real. As Ilhas Britânicas, a Islândia e outras zonas da Escandinávia, eram localizações perfeitamente possíveis, embora Plínio, o Velho, parecesse preferir uma interpretação menos concreta do lugar, quando escreveu que Thule era a "mais remota de todas as terras registadas", um país onde "não existe noite em pleno Verão, quando o Sol atravessa o signo de Caranguejo e, por outro lado, onde não há dia em pleno Inverno, pensando alguns escritores que esta situação ocorre por períodos de seis meses de cada vez, sem interrupção".

Quando os Romanos invadiram as Ilhas Britânicas em 55 a. C., e avançaram para o extremo norte do país, enviaram um mensageiro de volta, com a notícia de terem conquistado Thule. Muitos viajantes, escritores e exploradores escreveram relatórios e enviaram mensagens a confirmar a existência de Thule e até um grupo de antigos clérigos escoceses medievais que se dirigiam para a Islândia em recolhimento, enviaram a mensagem de terem chegado a Thule. No entanto, uma coisa escapou a todos: a prova absoluta e inequívoca da existência desse lugar, pois não só não conseguiam estar de acordo quanto à localização exacta de Thule, como não sabiam como se escrevia a palavra. Ao longo da história, o nome Thule modificou-se, derivando de grafia para grafia, tão preguiçosamente como a mudança das marés: Thule, Thula, Thila, Tila, Thulé, e isto não passa de uma pequena selecção. Tudo indicava que, sobre Thule, nada de concreto ou factual chegaria ao nosso conhecimento, mas, longe disso, foi-se tornando uma terra cada vez mais misteriosa e mítica; um lugar que pairava no limite do mundo conhecido; um símbolo de tudo o que era intangível e remoto. Thule não passava de um antigo mito, o explorador Richard Burton incluiu-a nas suas notas. Existe também uma menção a Thule no popular romance de Charlotte Brontë, Jane Eyre. Quase no início da história, a jovem Jane está sentada na biblioteca da tia, folheando um livro sobre o Árctico, na tentativa de escapar à realidade da sua situação, quando se depara subitamente com uma referência aos rochedos de Thule, referência que a transporta para um mundo de delícias, ao imaginar o longínquo norte gelado invadido pela "grande majestade da zona árctica e a desolada melancolia daqueles espaços; todo aquele reservatório de gelo e neve, onde os resistentes glaciares acumulados ao longo de centenas de anos, vitrificados a altitudes alpinas, rodeiam o pólo e concentram os múltiplos rigores do frio extremo".

Por outras palavras, com o decorrer dos séculos, Thule acabou por representar muitas coisas para muitas pessoas; uma terra mítica; uma terra incognita gótica; um símbolo de mistério e terror - qualquer pessoa podia representar Thule da forma que desejasse e Rudolf von Sebottendorff não foi excepção. Afirmou que a sua sociedade (na qual a filiação só era permitida aos alemães de sangue puro, cuja genealogia remontasse a várias gerações) tinha sido fundada para que os académicos pudessem dar continuidade ao seu interesse pelas sagas nórdicas, existindo um diário dos encontros do grupo que ocorreram entre 1919 e 1925, que apresenta uma série de palestras sobre temas como a terra original dos Teutões, poesia germânica, cultura megalítica e mitos germânicos. Mas estes temas aparentemente inocentes escondiam um segredo bastante tenebroso, que estava muito mais relacionado com os objectivos da Germanenorden (Ordem Germânica) - a busca e reintegração das verdadeiras raízes da raça germânica, busca que acabaria por exigir a expulsão ou, pior ainda, a aniquilação de quaisquer elementos "alienígenas" que existissem dentro do país. Não é de estranhar que entre os membros da sociedade se incluíssem industriais e milionários proeminentes, para não mencionar os oficiais de alta patente, como o chefe da polícia de Munique. Nas reuniões da Sociedade Thule, os convidados e o orador convidado eram homens como Adolf Hitler, Rudolf Hess, Alfred Rosenberg e Dietrich Eckart.








De facto, foi Alfred Rosenberg que, durante a década de 20, dirigiu o jornal da Sociedade Thule, o Völkischer Beobachter. Composto com caracteres pesados, em estilo gótico, tão caro aos grupos nazis e neonazis, o jornal veiculava uma mistura retórica de anti-semitismo e anticomunismo. Por exemplo, quando Kurt Eisner estava no controlo do governo bávaro, o Völkischer Beobachter jurou que tinha sido uma tentativa dos judeus comunistas para "se apoderarem da Baviera". Estavam obcecados com os "estrangeiros" que dirigiam o seu país e alguns jornalistas chegaram a avançar com artigos que exprimiam a opinião de a Alemanha ter perdido a guerra pelo facto de já não se encontrar tão firmemente enraizada nas suas origens teutónicas. Por outras palavras, a Sociedade Thule estava hipnotizada pela ideia de um passado ilustre, no qual os seus antepassados haviam vivido e morrido heroicamente. Romântico? Sim. Mas era para esta ideia que tendiam os grupos de extrema-direita [?] da época - uma visão sublime de montanhas e florestas que injectavam força interior no povo; uma força impossível de ser derrotada.

Era uma fórmula vencedora. No final de 1918, Sebottendorff vangloriou-se de a Sociedade Thule contar com mais de duzentos membros. No Outono desse mesmo ano, afirmou que, só na Baviera, o número aumentara para mil e quinhentos. Mas nem tudo corria bem, porque após o assassinato de Kurt Eisner e da implantação de uma república soviética na Baviera, estalou uma revolta civil. Esta revolta foi apoiada pelos Freikorps, exércitos privados de veteranos desiludidos organizados pela extrema-direita, que entravam em confronto com os comunistas e os combatiam com unhas e dentes. Naturalmente, a Sociedade Thule estava ao lado dos Freikorps e, como consequência, o seu escritório principal foi invadido e vários membros da Sociedade Thule foram levados e executados. Sem se deixar perturbar com esta sangrenta reviravolta dos acontecimentos, Sebottendorff enalteceu os seus homens caídos, classificando-os de mártires, verdadeiros alemães que não tiveram medo de enfrentar aquilo em que acreditavam.

À medida que aumentava o número de membros do grupo Thule e os iniciados continuavam a combater os seus adversários comunistas, uma outra organização, o Partido dos Trabalhadores Alemães, que viria a tornar-se o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores, ou Nazis, dava início à sua vida política. Estando a viver em Munique, em 1919, Hitler não tardou a alinhar-se com este grupo. "Atravessei a pouco iluminada sala de convidados", escreveu Hitler no Mein Kampf, descrevendo o seu primeiro encontro, "onde não havia nenhum convidado e procurei a porta que comunicava com a sala lateral; e aí encontrei-me cara a cara com o Comité. Sob a pálida luz emitida por um enfarruscado candeeiro a gás, pude ver quatro pessoas sentadas à volta de uma mesa [...]". Satisfeito com as credenciais deles, Hitler juntou-se-lhes como sétimo membro do grupo e deu início ao assalto às cervejarias de Munique, agitando os seus ouvintes com uma torrente de invectivas raciais que garantidamente apelava à audiência de classe média baixa. [...] O "problema judeu" tornou-se uma das obsessões da vida de Hitler, [que] manifestava igualmente um interesse enorme pelas origens da raça ariana, paixão que partilhava com o chefe da Gestapo e das Waffen-SS, Heinrich Himmler, que, de acordo com o historiador Robin Cross, também era um membro da Sociedade Thule. Ambos conheciam o apelo poderoso daquilo que a Sociedade Thule representava para o homem comum, da rua, principalmente na Munique do pós-guerra, mas também em toda a Alemanha, porque a doutrina Thule deu suporte à ideia de a Alemanha poder reassumir a supremacia teutónica depois da terrível derrota sofrida na Primeira Guerra Mundial. Tanto a Sociedade Thule como Hitler, juntamente com os seus capangas, estavam também a conferir crédito à ideia de o nazismo não ser apenas uma doutrina política ou um manifesto semi-religioso, mas o meio pelo qual toda a raça poderia renascer.

O sonho romântico de Himmler era estabelecer um país de heróis de olhos azuis e cabelos louros, exactamente a imagem que a Sociedade Thule promovia, ao enfatizar a antiga herança germânica. Mas enquanto Sebottendorff acreditava que Thule existia nas remotas regiões nórdicas, Himmler (e Hitler, até certo ponto) começavam agora a ser influenciados por outro membro da Sociedade Thule, Karl Haushofer, que afirmava ser mais provável que as verdadeiras origens da raça ariana se encontrassem no Tibete.

Em 1933, Hitler assumiu o cargo de chanceler da Alemanha, realizando assim os sonhos da sociedade Thule e de Himmler. Mas enquanto o sol do Partido Nazi se encontrava em ascensão, a luz da Sociedade Thule começava a enfraquecer. O número de membros caiu e vários ex-membros começaram a formar grupos dissidentes para suprirem as suas crenças cada vez mais bizarras. Nem Sebottendorff sobreviveu, sendo expulso pelos seus próprios membros; depois disso, esteve desaparecido durante vários anos, a viajar pelo mundo inteiro. Mas se os tijolos e a argamassa que constituíam a Sociedade Thule estavam a desintegrar-se perante Sebottendorff, os seus ideais floresciam e, o que era ainda mais assustador, tornavam-se leis.









Castelo Wewelsburg (A "Távola Redonda" dos oficiais das SS).





















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Tendo-lhe sido atribuída a tarefa de pôr em prática as ideologias de Hitler - principalmente as que envolviam a superioridade racial -, em 1929, Himmler tornou-se líder das SS ou Schutzstaffel (esquadrões de protecção), concebidos segundo o modelo dos cavaleiros teutónicos de antanho, supostamente representando um grupo de combate superior em força a qualquer outro existente no mundo. Por volta de 1939, as SS contavam aproximadamente com quinhentos mil homens e eram os principais executantes da doutrina racial dos nazis. Foram as SS que dirigiram a maior maior parte dos campos de concentração e extermínio de Hitler, tendo formado também os Einsatzgruppen (forças especiais) aos quais foi atribuída a tarefa de limpar a Europa Oriental de judeus. Em Janeiro de 1937, Himmler fez um discurso no decorrer do qual afirmou que a única missão do povo alemão era "a batalha pelo extermínio do todos os sub-humanos do mundo inteiro, especialmente os que estão coligados contra a Alemanha, que é o núcleo da raça nórdica; contra a Alemanha, núcleo da nação germânica; contra a Alemanha, depositária da cultura humana; eles significam a existência ou não existência do homem branco e nós guiamos o seu destino". Dada a perfeita sintonia com as crenças do grupo, estas palavras poderiam pertencer a qualquer membro da Sociedade Thule, mas, ao contrário deles, Himmler detinha verdadeiramente o poder de pôr em movimento os seus sonhos. Desde o início do exercício do seu cargo, Himmler deu continuidade à ideia de selecção racial e introduziu leis especiais para o matrimónio que fomentavam o acasalamento de pessoas de "grande valor". Esta atitude deu lugar ao estabelecimento de uma quinta destinada à reprodução humana, conhecida como Lebensborn.

O Lebensborn, que foi inaugurado por Himmler em Dezembro de 1935, funcionou inicialmente com um único objectivo: o de permitir às raparigas de raça pura a possibilidade de darem à luz um filho que, depois, seria adoptado por uma família SS. Mas com o passar do tempo, os planos de Himmler tornaram-se cada vez mais sombrios e a 28 de Outubro de 1939 ele proferiu um discurso que incluía o já então famoso édito que dizia: "será a tarefa sublime das mulheres alemãs e das raparigas de sangue puro que ajam sem frivolidade e a partir de uma moral profundamente séria, tornarem-se mães de filhos dos soldados que partem para a guerra". Subsequentemente, transformou o Lebensborn num lugar onde as mulheres alemãs com traços fisionómicos perfeitamente nórdicos podiam "conhecer" soldados SS, com a única finalidade de produzirem filhos que, depois, seriam classificados como racialmente superiores, devido à sua ascendência. Himmler sancionou igualmente a ideia do rapto de crianças nos territórios de leste ocupados pelo Reich, que se encaixassem [?] nos ideais de pureza racial nazis - cabelos louros e olhos azuis. Informadas de terem sido abandonadas pelos pais, milhares de crianças foram transportadas para o Lebensborn. Depois de instaladas, eram "reeducadas" (germanizadas), e algumas tinham a sorte de ser adoptadas por famílias SS. As outras, as que se recusavam a cooperar com os seus raptores, eram transportadas mais tarde para campos de extermínio, onde o destino que as aguardava era a morte.

Mas o pior exemplo da malignidade de Himmler ocorreu em 1942, quando uma unidade SS foi enviada à aldeia checa de Lidice, após o assassinato em Praga do governador SS local, Reinhard Tristan Heydrich. Em represália pela morte de Heydrich, as SS executaram toda a população masculina da aldeia. Então, seleccionaram noventa e uma crianças que consideraram compatíveis com os padrões raciais nazis e levaram-nas para serem reinstaladas no Lebensborn. As que ficaram para trás foram enviadas para campos de extermínio.

Até hoje, ninguém foi capaz de calcular o número exacto de crianças que foram raptadas nos territórios ocupados de Leste embora, em 1946, a estimativa rondasse aproximadamente as duzentas e cinquenta mil. Depois da guerra, só foi possível encontrar o rasto de vinte e cinco mil, que foram devolvidas às respectivas famílias, mas muitos pais SS recusaram deixar partir os seus filhos "adoptivos" e algumas crianças, inclusivamente, recusaram-se a ser expatriadas, dado que haviam sido tão bem doutrinadas, que acreditavam ser cem por cento germânicas.

Por mais horripilante que fosse o projecto Lebensborn, foi apenas um dos muitos esquemas criminosos perpetrados durante a guerra, em nome da pureza racial. Aquilo que a Sociedade Thule iniciara tinha começado a florir durante a era nazi, de forma inimaginável para a maior parte da humanidade. A 15 de Setembro de 1935, Hitler pôs em prática as leis de Nuremberga que despojaram efectivamente os judeus dos direitos humanos básicos, separando-os do resto da população. Aos judeus, conquanto extremamente perturbados pela situação, nada mais restava senão obedecer. Tal como acontecera com a maior parte do resto do mundo, não tinham percebido integralmente as implicações do que Hitler dissera, pois, dissimulado no mesmo discurso, o Führer explicara que, se os planos para aquelas decisões falhassem, seria necessário emitir novas leis,"passando o problema para o Partido Nacional Socialista, que lhe daria a solução final" [A History of the Jews, Paul Johnson, Weidenfeld & Nicolson, 1993].





















































Neville Chamberlain e Adolfo Hitler







O programa de arianização de Hitler prosseguiu aceleradamente, até que, a 1 de Setembro de 1939, se deu zelosamente início à "solução final". Inicialmente, a matança destinava-se aos incapazes mentais ou físicos, [...] mas em breve o assassínio estender-se-ia à exterminação dos judeus. As mortes eram concretizadas por dois métodos: nas câmaras de gás que existiam dentro dos campos de extermínio e por unidades assassinas móveis. Os seis maiores campos de morte eram: Auschwitz, onde morreu mais de um milhão de pessoas, Majdanek, Treblinka, Belzec, Chelmno, e Sobibor. Mas os horrores das câmaras de gás não eram as únicas atrocidades que aguardavam os ocupantes dos campos. Diariamente, efectuavam-se experiências motivadas pela diferença de raça, porque o Partido exigia provas concretas que demonstrassem a sua superioridade racial a todos os outros homens. No Mein Kampf, Hitler afirma que "aquele que pretender curar esta era, que por dentro está doente e podre, deve, em primeiro lugar, invocar a coragem para esclarecer as causas das doenças".

Os nazis preferiram acreditar que "as causas das doenças" se centravam em torno dos judeus, dos ciganos, dos débeis mentais e de qualquer grupo que elegessem vitimar. Milhares de homens, mulheres e crianças, foram fotografados e examinados pelos médicos nazis, que declararam, entre os muitos "resultados" aviltantes derivados das suas experiências, que os ciganos tinham um tipo de sangue diferente do das outras pessoas e eram mais propensos a comportamentos criminosos.

Em Auschwitz foi preparado um laboratório (conhecido como Bloco 10), cujo principal objectivo era descobrir um processo de esterilização em massa, enquanto o infame Joseph Mengele, tão obcecado quanto Himmler pela ideologia nazi de pureza racial, começou a realizar experiências sobre gémeos idênticos. Cada gémeo seria examinado criteriosamente, medindo-lhe cada parte do corpo; tomavam-se notas do comprimento do nariz, da forma da boca; da coloração da pele, olhos e muitos outros pormenores. As crianças eram obrigadas a permanecer de pé durante muitas horas, enquanto os exames decorriam, ao mesmo tempo que a algumas vítimas infelizes se lhes aplicavam gotas corantes nos olhos, que frequentemente causavam perda parcial da visão: Estas últimas experiências constituíam uma tentativa de Mengele para transformar em azul a cor castanha dos olhos das crianças judias. Duas vítimas, Hedvah e Leah Stern, recordaram mais tarde que "Mengele estava a tentar mudar a cor dos nossos olhos. Depois, deixámos de ver durante vários dias. Pensávamos que os nazis nos tinham cegado. Sentiamo-nos muito assustadas com as experiências. Tiraram-nos muito sangue. Desmaiávamos várias vezes e os guardas das SS estavam muito divertidos. Fisicamente, não éramos muito desenvolvidas. Os nazis fizeram-nos tirar a roupa e fotografaram-nos. Eles riam-se, enquanto apontavam para nós. A tremer de medo, ficámos nuas diante destes rufiões, enquanto eles se riam" [Children of the Flames: Dr. Joseph Mengele and the Untold Story of the Twins of Auschwitz, Lucete Matalon Lagnado e Sheila Cohn Dekel, William Morrow, 1991].

Todas estas experiências eram conduzidas com a total aprovação de Himmler, mas não passavam de uma entre as várias áreas de pesquisa em que os nazis se envolveram.

Alguns sectores da Sociedade Thule, incluindo, até certo ponto, o próprio Sebottendorff, processavam uma curiosa mistura de crenças que englobavam não só o mito teutónico, mas também o misticismo oriental e a abrangente obsessão dos finais do século XIX, a antropologia. Prosseguindo a partir do ponto em que a Sociedade Thule saíra, Heinrich Himmler continuou a estudar todas as disciplinas acima, com a única intenção de apoiar as suas teorias (e as da sociedade Thule) sobre as origens da raça ariana. Em 1935, Himmler criou mais um ramo das SS, que recebeu a designação de Forschungs und-Lehrgemeinschaft des Ahnenerbe - A Sociedade de Pesquisa e Ensino da Herança Ancestral.

Tanto quanto os membros da Sociedade Thule tinham acreditado previamente, entre os membros do Partido Nazi havia também quem estivesse convencido de as verdadeiras origens de Thule estarem no perdido, mas não tão mítico, continente da Atlântida, localizado algures entre a Gronelândia e a Islândia. Em directa contradição com isto, Karl Haushofer, fudador de outra seita de extrema-direita [???] chamada Vril, acreditava que as origens da superior raça ariana jaziam na Ásia central, mais precisamente, no Tibete. O explorador escocês (e activista nazi), Sven Hedin, apoiou a teoria de Haushofer e, em 1938, a Sociedade de Pesquisa e Ensino da Herança Ancestral, de Himmler, organizou uma expedição ao Tibete, conduzida por um naturalista alemão, Ernst Schäfer praticante de caça grossa que, em certa ocasião, foi classificado por um diplomata inglês como "volátil, culto, desmiolado ao ponto da criancice, desrespeitador das convenções sociais ou dos sentimentos dos outros e, acima de tudo, sempre nazi" [Himmler's Crusade: The True Story of the 1938 Nazi Expedition into Tibet, Christopher Hale, Bantam, 2004]. A segunda figura principal dessa expedição era Bruno Beger, um antropólogo membro das SS, que acreditava que os arianos podiam ter tido origem na Ásia central, porque as características físicas, principalmente dos tibetanos com os seus ossos faciais elevados e "comportamento autoconfiante e autoritário", reflectiam o protótipo ariano. Beger e os seus homens tiraram mais de sessenta mil fotografias, recolheram muitos moldes de rostos tibetanos e filmaram cento de vinte mil metros de película, após o que concluíram que, em termos antropológicos, os tibetanos constituíam, quase com toda a certeza, um degrau entre as raças mongólica e europeia.





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Jesse Owens (1936).




















Quando regressaram à Alemanha, Himmler considerou-os como heróis, mas apesar de Schäfer ter permanecido junto do seu patrono, nunca chegou a compreender o Holocausto na totalidade nem esteve de acordo com ele. Em oposição, Bruno Beger prosseguiu os seus estudos sobre a raça ariana, seleccionando mais de cem pessoas do campo de Auschwitz, a maioria das quais demonstrou possuir genes asiáticos, que foram estudadas, fotografadas e, depois, executadas.

Malgrado o "êxito" da pesquisa de Schäfer e de Beger, muitas pessoas acreditam não ter havido mais nenhuma expedição custeada pelo nazismo. Uma das excepções foi o escritor Trevor Ravenscroft, cujo livro Spear of Destiny argumenta que entre 1926 e 1943 foram empreendidas outras viagens, todas com o objectivo de estudar as origens da raça ariana. Seja qual for a verdade, o desejo de Himmler de encontrar a origem dos seus ancestrais levou-o a autorizar várias escavações arqueológicas na Rússia, nas regiões a ocidente e a sul, remetendo os "achados" para o quartel-general de Wewelsburg. Houve muitas pessoas, inclusive Hitler, que consideraram que Himmler tinha ido demasiado longe, mas ele manteve-se irredutível e ao longo da guerra prosseguiu as suas pesquisas que, sem dúvida, Sebottendorff teria classificado como legítimos estudos germânicos.

Relativamente a Sebottendorff, no início da década de 30, a influência da Sociedade Thule principiava a sucumbir, exactamente quando Hitler dava início à realização dos seus sonhos de poder. Depois de ter sido expulso de líder da sociedade, a atitude de Sebottendorff contra o novo movimento político alemão foi-se tornando cada vez mais acerba. Não se contentando em passar simplesmente para um plano secundário, publicou um livro em que afirmava que a origem do Partido Nazi era a Sociedade Thule e que era a ele que deviam tudo, teoria que os nazis, como não é de surpreender, objectaram vivamente. O livro de Sebottendorff foi confiscado e todas as cópias que os nazis conseguiram encontrar foram destruídas, enquanto o autor era colocado sob prisão pelas SS, que o "persuadiram" de que o melhor que tinha a fazer era deixar a Alemanha para sempre.

Destruído e sem amigos, Sebottendorff fugiu, empreendendo uma viagem pelo mundo que acabou por conduzi-lo a Istambul. Pouco antes do final da guerra, a 9 de Maio de 1945, vendo a Alemanha derrotada, Sebottendorff faleceu. As circunstâncias que envolveram a sua morte são de algum modo estranhas, uma vez que se afogou enquanto nadava no Bósforo, mas a maior parte dos historiadores concordam que, provavelmente, se tratou de um suicídio. Ao verificar que tudo aquilo que amava estava destruído, não tinha mais nenhuma razão para viver».

Shelley Klein («Sociedades Secretas»).


«A eugenia, noção descabelada de superioridade e inferioridade hereditárias, teve origem nos anos 80 e 90. Foi produzida por uma rede de famílias em que incluíam um primo de Darwin, Sir Francis Galton, Thomas Huxley, Sir Arthur Balfour, e as famílias Cadbury e Wedgewood, assim como outros estrategas do império britânico do fim do século XIX ligados ao movimento da Távola Redonda, de Cecil Rhodes e Lord Alfred Milner. Viram uma oportunidade de fazer avançar a humanidade para uma nova Idade das Trevas ao pegar nas rédeas da teoria de Darwin, baseada na "sobrevivência dos mais fortes" e, aplicaram princípios sociais para desenvolverem um darwinismo social.

Nos Estados Unidos, a história da eugenia começa em 1904, quando o Laboratório de Cold Spring Harbor foi inaugurado pelo proeminente eugenista Charles Davenport. Este foi financiado pelos principais candidatos americanos a oligarcas: Rockefeller, Carnegie e Harriman. Até 1910, os britânicos criaram a primeira rede de assistentes sociais, expressamente para servirem de espiões e imporem o culto racial eugénico, que estava rapidamente a dominar a sociedade ocidental. Os patrocinadores financeiros ingleses de Hitler não foram os únicos a financiar a investigação eugénica. Na década de 20, a família Rockefeller injectou dinheiro no Instituto do Imperador Guilherme para a Genealogia e a Demografia, o qual viria a constituir um pilar fundamental do Terceiro Reich.












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No fim da guerra, com cadáveres ainda a fumegar por toda a Europa, os aliados protegeram os cientistas nazis, como Joseph Mengele, que tinham torturado milhares de pessoas até à morte. A facção radical eugénica nazi causara embaraço aos controladores sociais anglo-americanos, tornando malditas as palavras "eugenia" e "higiene mental". No entanto, os "controladores" não iriam ser dissuadidos. Em 1956, British Eugenics Society decidiu numa resolução que a "sociedade devia prosseguir a eugenia por meios menos óbvios". Isto corresponde a uma "paternidade planeada" e ao movimento ambientalista. Toda a política de controlo populacional sofreu simplesmente uma mudança de nome, e eles continuaram o seu trabalho sob a protecção das Nações Unidas e organizações suas associadas. As Sociedades de Eugenia, Eutanásia e Higiene Mental da América, da Grã-Bretanha e da restante Europa viram simplesmente os seus nomes mudados para outros, mais aceitáveis: a Mental Health Association, na Grã-Bretanha e a National Association of Mental Health, nos Estados Unidos, vindo mais tarde a ser chamada a World Federation of Mental Health.

A Eugenics Quaterly Magazine passou a ser a Social Biology, e a American Birth Control League passou a Planned Parenthood, sendo hoje em dia o grande responsável pelo despovoamento em África. Não é um facto muito conhecido, mas algumas das maiores instituições de ajuda humanitária e grupos de cristãos fundamentalistas dos EUA têm actuado sub-repticiamente em África, ao longo das últimas décadas. A sua bandeira é Planeamento Familiar, mas quando compreendemos as suas verdadeiras implicações e objectivos a longo prazo, percebemos que este conceito foi virado do avesso. Estas políticas de planeamento familiar são advogadas de forma vigorosa e consistente pelos mais importantes doadores bilaterais, como o Governo dos EUA, através do seu delegado, a USAID, e agências multilaterais, sendo as principais: a International Planned Parenthood Federation (IPPF), o Fundo das Nações Unidas para Actividades Populacionais (UNFPA) e o Banco Mundial em África.

O Banco Mundial tem sido, desde a década de 60, a entidade que mais financia o controlo populacional, com os seus gastos anuais a aumentarem vertiginosamente, de uns modestos 27 milhões de dólares entre 1969 e 1970 para mais de 4,5 mil milhões em 2006. Os Presidentes do Banco Mundial, Eugene Black e Robert McNamara, foram a certa altura administradores da Fundação Ford, controlada por Rockefeller. "Mais significativamente, as políticas de controlo populacional são agora uma condição imperiosa, exigida para o desembolso de empréstimos para ajustamento estrutural (os SAL) pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional, no quadro dos seus Programas de Ajustamento Estrutural (os SAP)". Tipicamente, as condições dos SAP incluem políticas de controlo populacional, além da desvalorização, liberalização e privatização das economias nacionais e dos sectores da saúde e da educação. Assim, a preparação de uma Declaração de Política Populacional é uma condição fundamental para o desembolso de um SAP.

Betsy Hartmann, directora do Programa de População e Desenvolvimento no Hampshire College, inventou uma nova expressão para tais políticas: Eco-Fascismo Malthusiano (MEF). Ela observa que a comunidade internacional que auxilia está agora a concentrar os seus esforços de controlo populacional na África subsariana, e o planeamento familiar é a prioridade número um: "O imperativo primordial desses programas produzidos internacionalmente consiste em reduzir o crescimento populacional de maneira tão rápida e 'lucrativa' quanto possível". Como ela bem salienta, em grande parte de África, onde a SIDA ameaça ter consequências humanas e demográficas trágicas, a actual ênfase no controlo populacional e na retirada de fundos aos sistemas de saúde corresponde a uma triagem indirecta.

[...] O WWF e o seu braço terrorista de acção directa, o Greenpeace, bem como outros grupos com ideias semelhantes, não são apenas uma minoria de lunáticos que possamos facilmente ignorar; são as tropas de choque da oligarquia na sua luta contra a humanidade. A lei "malthusiana", semelhante à que foi proposta na Conferência das Nações Unidas no Cairo sobre População em 1994, é uma teoria demográfica quanto ao crescimento populacional e foi desenvolvida durante a revolução industrial, com base no que Thomas Malthus escreveu no seu famoso livro Sobre População, de 1798, e que mais não foi do que uma versão plagiada da publicação de 1790 do monge veneziano Giammaria Ortes, Riflessioni sulla popolazione delle nazioni. Segundo a sua teoria, a população expande-se mais depressa do que os abastecimentos alimentares. Ortes é o autor intelectual em que se baseou o esboço genocida apresentado na Conferência das Nações Unidas no Cairo sobre população, em 1994.



Julian Huxley





Bill Gates






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A maior parte das pessoas talvez ache tudo isto no mínimo espantoso, mas os heróis culturais da época passada, como Margaret Mead, os irmãos Huxley e o falecido Carl Jung (principal promotor do "inconsciente colectivo"), não só participaram ano após ano em conferências com o médico nazi responsável por alguns dos mais odiosos crimes contra a raça humana, como também apoiaram entusiasticamente todas as "teorias" que levaram ao holocausto nazi contra a humanidade. Por exemplo, nos anos anteriores à guerra, Jung foi um dos editores da Revista Alemã de Psicoterapia, juntamente com o Dr. M. H. Göring, primo de Hermann Göring e participante num projecto de eutanásia, o "T4", que consistia na eliminação de quatrocentos mil doentes mentais internados em instituições alemãs».

Daniel Estulin («O Instituto Tavistock»).


«Se há uma ponte oculta entre a Inglaterra e a Alemanha que esconde uma história secreta, podem compreender-se a esperança de Hitler de uma paz com a Inglaterra que incide também sobre a família real (o caso do duque de Windsor...), e os pressupostos sobre os quais se baseava a viagem de Hess à Escócia. É lícito considerar que as vozes respeitantes ao envolvimento de membros da aristocracia e talvez da família real nos ritos de sociedades esotéricas inglesas se transmitiram destas, desde o final do século, às congéneres alemãs que desembocaram no nazismo, a cujos líderes tais vozes chegaram. Mas para completar o quadro é necessário voltar à Golden Dawn do final do século.

Dela fazem parte Bram Stoker (criador da figura de Drácula, conde vampiro...), escritores do fantástico como Arthur Machen, mas também dois entre os maiores poetas do nosso século, William Yeats (que tinha já fundado em 1885 uma Hermetic Society, em Dublin) e Thomas Eliot.

[...] Yeats tornou-se "grão-mestre" da Golden Dawn, sucedendo a Wynn Westcott e a McGregor Mathers, com o qual estava em estreitas relações, tal como estava com madame Blavatski, por ele muito admirada. O matrimónio entre Mathers (vulgarmente definido como mago) e a irmã de Henri Bergson estabeleceu uma ligação indirecta entre a tradição ocultista e a filosofia intuicionista do impulso vital, que tinha alguma analogia com a misteriosa energia do VRIL e que influenciou a cultura europeia de modo relevante».

Giorgio Galli («Hitler e o Nazismo Mágico. As componentes esotéricas do III Reich»).


«Constatons d'abord que l'aristocratie britannique est férue d'ésoterisme et qu'elle garde, intacte et sècrete, une tradition médiévale qui, très probablement, remonte aux civilizations pré-chrétiennes. Il existe toujours des énigmes de famille, transparaissant au regard des initiés, dans les blasons, devises et slogans, spécialment dans l'Ecosse des Highlands.

Ainsi, à côté de la franc-maconnerie bleue, y prospère une franc-maçonnerie templière, chevaleresque, dont les rituels sont impregnès de magie cérémonielle, et qui ne sont connus et pratiqués que par les aînés du peerage. Il n'est pour s'en persuader que d'assister à une tenue du Royal Order of Scotland, qui se déroule avec un faste égal à celui des chapitres du Très noble Ordre de la Jarretière dont le symbolisme, analogue à celui de la Toison d'Or, est d'ailleurs d'essence alchimique.




Voici ce que révèle Roger Delorme dans une étude bien étrangement sur la Jarretière. Aprés avoir rappelé l'origine "officielle" de l'Ordre souverain, il a osé préciser:

"La confrérie serait issue, non de la chevalerie chrétienne, mais de la sorcellerie. Le service célébré en grande pompe à Windsor serait secrètement 'apparenté' aux pratiques lucifériennes, pratiques sacrilèges et sadiques qui sont périodiquement signalées dans la presse britannique et même dans le Times.

La Lady qui perdit sa jarretière n'était pas la comtesse de Salisbury mais l'depte d'une 'coven' (confrérie) d'adorateurs d'un dieu celte à double face et à pied de bouc. Le roi aurait montré qu'il était, lui aussi, adepte de se culte païen em ramassant le ruban.

Ensuite, il aurait créé une double 'coven' composée de vingt-six des principaux nobles du royaume; lui-même étant à la tête d'un groupe de treize et le prince de Galles à la tête de l'autre groupe.

Le nombre limite de deux fois treize des chevaliers de l'Ordre s'explique par sa correspondance avec le chiffre 'fatadique' des membres des 'coven' anciennes et modernes. Chacun de ces groupements de sorciers et sorcières se compose en effet de six couples et d'un grand-prêtre (ou d'une grande prêtresse) conduisant les rites".

Encore faut-il s'entendre sur le sens exact du terme sorcellerie. Depuis les remarquables travaux de Margaret Murray, il est établi, sans aucun doute, que la "sorcellerie" est le vestige d'un culte de la fécondité et des forces naturelles, très antérieur à l'introduction du christianisme en Occident, et qui remonterait même au néolithique.

[...] Il est avéré que dans les comtés toujours impregnés de celtisme, des centaines de Britanniques, appartenant à la meilleure société, sont adeptes convaincus de la "vieille religion", comme ils disent. Voici une déclaration faite récemment par une initiée:

"Notre sorcellerie n'est pas une hérésie chrétienne, ni une manigance érotique. Elle est le dernier surgeon du plus antique et du plus vénérable des cultes d'Éurope. Nous ne sommes pas des vicieux, des détraqués ou des drogués, mais une association de personnes sélectionnées qui adorent la Force Universelle, Force qui, pour nous, s'incarne dans l'Eternel féminin.

Nous recevons plus de cinq cents demandes annuelles d'affiliation, et c'est à peine si nous en retenons vingt-six, et seulement des néophytes sincères qui savent que la véritable mystique est une expérience ineffable et personnelle, que nos rites permettent, après de nombreuses épreuves probatoires, de faire éclore en chacun de nous".




Rudolf Hess










Ce n'est qu'en apparence que nous nous sommes éloignés de Rudolf Hess, de son hôte, le duc, et plus généralement des aspects occultes du national-socialisme germanique. Nous allons, maintenant, y revenir.

Car, au-dessus de cette sorcellerie qu'on pourrait qualifier de cultuelle, existait (et existe encore) non seulement en Grande-Bretagne mais dans toute l'Éurope, spécialement en Allemagne, une sorcellerie initiatique, dont l'O.T.O. n'est, en quelque sorte, que le stade préparatoire, la propédeutique.

Elle se nomme la Golden Dawn of the Outer ou, comme disent ses adeptes, la G.D.; elle est la "fille" d'une autre association très secrète appelée la H.B. of L. La G.D. fut fondée et dirigée par un être extraordinaire, Aleister Crowley.

Qui s'étonnerait de ces avatars des sociétés occultes, de leur prolifération suivie de soudaines disparitions, méditera cette déclaration faite récemment para un chercheur plus à même que quiconque de voir clair en ces labyrinthes ténébreux:

"Les sociétés secrètes apparaissent subitement groupées autour de quelque personnalité forte ou curieuse, puis ne tardent pas à se diviser ou à dégénerer, mais le feu allumé n'est pas éteint pour autant; il couve sous la cendre, se transforme et, plus, contribuera à enflammer un nouveau foyer".

La G.D. tenait ses rituels d'un Berlinoise, Anna Sprengel. Au début de notre siècle, "obéissant à des ordres supérieurs", elle communiqua documents et pouvoirs occultes à trois Britanniques, William Woodmann, Samuel Liddell Mathers et Wynn Wescott, qui, dejá, avaient été initiés aux secrets et mystères du cercle intérieure de l'O.T.O. La G.D. végéta jusq'à ce que Aleister Crowley l'animât de son prodigieux dynamisme, ce Crowley que Robert Amadou qualifie:

"Un seul homme, à notre sens, osa présenter sous une forme conceptuelle et revendiquer l'attitude magique fondamentale. Cet homme est le plus grand, le plus inquiétant, et peut-être le seul magicien du XXe siècle occidental: Aleister Crowley".

Nombreux étaient le points communs entre la doctrine énoncée dans Mein Kampf et les manifestes distribués par Crowley. Dès que le national-socialisme prit corps, dès le début de l'ascension fulgurante du Führer, Crowley, dit Frater Perdurabo, proclama, à plusieurs reprises:

- Avant que Hitler fut, je suis!

Et avant de mourir  - intoxiqué para la drogue - en 1947, le mage noir afficha une sympathie profonde pour Sir Oswald Mosley, l'animateur du parti hitlérien de Grande-Bretagne.

Le snobisme aidant, les fidèles, plus ou moins convaicus, de Crowley, étaient aussi nombreux dans l'aristocratie britannique que dans l'inteligentzia allemande. Alors que la Gestapo faisait une chasse impitoyable aux sociétés secrètes, elle ne perquisitionna jamais dans le templum de la Golden Dawn, installé au coeur de Berlin. Des rites de "récupération" préconisés par Perdurabo ressemblent singulièrement aux attitudes bizarres signalées par l'entourage de Rudolf Hess.











Karl et Albrecht Haushofer étaient des assidus des séances magiques de la G.D., tout comme d'ailleurs les intermédiaires portugais et suisses qui avaient préparé les contacts entre Hess et l'Angleterre. Le "lieutenant" ou le sigisbée de Crowley était un Allemand, Victor B. Neuberg, dont le nom in ordinem était Brother Omnia Vincam. Cést en compagnie de Neuberg que Crowley monta une expédition "ethnographique" dans le Sud Algérien, expédition que les services Indigènes du Gouvernement français interrompirent brutalement en expulsant les deux voyageurs soupçonnés d'espionage au profit de l'Intelligence Service».

Werner Gerson («Le Nazisme - Société Secrète»).


«Existiu uma expressão medieval, na qual estes dois aspectos complementares da autoridade [sacerdotal e real] se encontravam reunidos de um modo assaz feliz: falava-se frequentemente nessa época, de um país misterioso, o "reino do Prestes João".

[...] Na época do rei S. Luís, fazia-se referência ao "Prestes João" nos relatos das viagens de Carpin e Rubruquis. O que complica as coisas é que, segundo alguns, teria chegado a haver quatro personagens com esse mesmo nome: no Tibete (ou no Pamir), na Mongólia, na Índia e na Etiópia (esta palavra tinha então um sentido muito vago), embora seja provável que se tratasse de diferentes representantes de um mesmo poder. Diz-se também que Gengis-Khan quis atacar o reino de Prestes João, mas este repeliu-o desferindo raios contra os seus exércitos. A partir da época das invasões muçulmanas, o Prestes João teria deixado de manifestar-se e seria representado exteriormente pelo Dalai-Lama.

[...] Era o tempo em que, o que poderia designar-se como a "cobertura exterior" do centro de que falamos era formado em boa parte pelos Nestorianos (ou o que se convencionou chamar assim com ou sem razão) e pelos Sabeus; precisamente estes últimos autoproclamavam-se Mendayeh de Yahia que significa "Discípulos de João".

[...] Foram encontradas na Ásia Central e particularmente na região do Turquestão, cruzes nestorianas muito semelhantes às cruzes da cavalaria, algumas tendo no centro uma suástica. - Os Nestorianos cujas relações com o Lamismo parecem incontestáveis, tiveram um papel importante, embora enigmático, no alvorecer do Islão. Os Sabeus, por seu turno, exerceram uma grande influência no mundo árabe no tempo dos Califas de Bagdad; alguns autores pretendem que foi no seu seio que se refugiaram, após uma estada na Pérsia, os últimos Neoplatónicos.

[...] Curiosamente muitos dos grupos orientais de características muito fechadas, como os Ismaelitas ou discípulos do "Velho da Montanha" ou os Drusos do Líbano, tomaram quase todos, tal como o haviam feito as ordens de cavalaria ocidentais, o título de "Guardiões da Terra Santa". Esclareça-se melhor o que isto possa significar: Saint-Yves apercebeu-se muito bem, talvez mais do que seria a sua intenção, deste paralelismo, ao empregar a expressão de "Templários de Agartha". Para que a designação "cobertura exterior" empregue ainda há pouco, não cause surpresa atente-se em que a iniciação da Cavalaria é essencialmente uma iniciação de Kshatriyas, o que explica, entre outras coisas, o papel preponderante que nela desempenha o simbolismo do Amor.

[...] O termo Chakravarti que nada tem de especialmente búdico corresponde correctamente, segundo as coordenadas da tradição hindu, à função de Manu ou de seus representantes: literalmente significa "aquele que faz girar a roda", ou seja, "aquele que, colocado no centro de todas as coisas, lhes dirige o movimento sem contudo nele participar", aquele que é, segundo a expressão de Aristóteles, o "motor imóvel".








Bandeira da Alemanha nazi e do NSDAP (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei - Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães). Ver aqui

Agartha é o ponto fixo que todas as tradições concordam em designar simbolicamente como o "pólo", por ser sobre ele que se efectua a rotação do mundo, representado geralmente pela roda, quer para os Celtas como para os Caldeus e mesmo para os Hindus. Este é o verdadeiro significado da suástica, símbolo que se encontra divulgado em toda a em parte, desde o Extremo-Oriente ao Extremo-Ocidente, e que na sua essência, representa "o signo do Pólo"; esta é, sem dúvida, a primeira vez que na Europa moderna, é dado a conhecer o verdadeiro sentido do símbolo da suástica. Os sábios contemporâneos têm procurado inutilmente explicá-lo através das mais fantasistas teorias; a maior parte deles, obcecados por uma espécie de ideia fixa, quiseram ver nela, como de resto em quase tudo, um símbolo exclusivamente "solar", quando, se alguma vez o foi, foi-o de modo acidental e indirecto. Outros estiveram mais perto da verdade vendo na suástica um símbolo do movimento, mas esta interpretação, sem ser falsa, é contudo bastante insuficiente, pois não se trata de um movimento qualquer, mas de um movimento de rotação que se realiza em torno de um centro ou eixo imutável e é ao ponto fixo, repeti-mo-lo, que se refere essencial e directamente este símbolo».

René Guénon («O Rei do Mundo»).


«Ce symbole traditionnel, le svastika, inclut en ses branches la mystique, le sens profond du nazisme. Dans son Viol psychique des foules, Tchakhotine a exhaustivement precisé le potentiel explosif de certains symboles politiques, tels que la Croix, les Flèches, le Triangle équilatéral et, bien entendu, le Svastika.

Ces signes (et quelques autres) sont, selon l'expression de C.-G. Jung, "archétypiques", c'est-à-dire que par leur vision ils réveilent en chaque individu des pulsions irrésistibles provenant de l'inconscient collectif accumulé dans les "archives" de l'expérience des millénaires et dont chaque psyque, dès la naissance, conserve les lignes de force.

Notre psyché, en effet, étant comparable à un iceberg n'yant de visible qu'un neuvième de la totalité (la partie rationnelle) et le reste appartenant aux profondeurs, aux abysses de l'Inconscient.

Plus que les raisonnables Latins, les Slaves et les Germains - esprit tumultueux - sont sensibles à l'influence des symbols. Comme l'ont écrit magnifiquement les auteurs du traité sur les Symboles édité para les bénédictins de la Pierre-qui-vire:

"Le symbol n'est pas logique... Il est pulsion vitale, reconnaissance instinctive; c'est une expérience du sujet total, qui naît à son propre drame par le jeu irrésistible et complexe des innombrables liens qui tissent son devenir, en même temps que celui de l'univers auquel il appartient et auquel il emprunte la matière de toutes ses re-connaissances".

Les mêmes symbolistes précisent:

"... On ne comprend pas, on n'explique pas um symbole. On l'intègre dans son propre centre. Il nous fascine. On l'adore, en quelque sorte. La fonction essentielle des symboles est précisément cette révélation existentielle de l'homme à lui-même à travers une expérience cosmologique".





Caça bombardeiro Horten Ho 229. Primeira "asa voadora" de propulsão a jacto. Foram produzidos três protótipos para tentar alterar o rumo do conflito.






B-2 Spirit ou Stealth B-2 é um bombardeiro americano projectado nos anos 80 na área 51 pelas empresas Northrop Grumman, General Electric e Boeing usando um conceito antigo sobre "asas voadoras" e uma inovadora técnica de desenho por computador de "asa unida em W".






Fuzil de assalto automático com sistemas ópticos, infravermelhos, visão nocturna, telescópio e unidade de energia (de inspiração alemã).


Sous une forme un peu différente, Isha Schwaller de Lubicz suggère une pensée analogue:

"La science des symboles constitue une magie capable d'éveiller une impulsion du coeur supérieure à celle de n'importe quel discours, même le plus éloquent. Le regarde suit la direction imposée par la forme comme la marche suit l'impulsion imposée par son rythme".

[...] Originairement, le svastika est signe polaire. Il évoque un mouvement circulaire autour d'un axe ou d'un point fixe. Il a donc deux acceptions: d'abord quand on le rapporte au point stellaire autour duquel le firmament semble se mouvoir. Comme a dit Laplace: "Le ciel paraît tourner sur deux points fixes, nommés pour cette raison pôles du monde". Donc il y a analogie essentielle entre le svastika, l'Etoile polaire et la Précession des équinoxes.

Au contraire, quand le pôle est envisagé en mode terrestre, il devient le lieu géometrique d'oú paraît surgir l'axe de rotation de la Terre. Son lieu est alors le continent arctique ou, éventuellement, le continent antarctique.

On a voulu établir une distinction subtile - sinon une opposition - entre le svastika et le sauvatiska, l'un gravitant dans le sens des aiguilles d'une montre, et l'autre dans la direction opposée. Nous n'attachons aucune importance à ces deux explications, remarquant seulement que, dans une direction ou dans l'autre, la croix gammée est toujours évocatrice de mouvement, de dynamisme, au contraire de la Croix.

C'est parce qu'il est aussi un signe polaire terrestre que le svastika "signifie" la race aryenne. Telle est, au moins, l'acception adoptée par List, Rohrbach, Wilser, Rosenberg et autres théoriciens de l'aryanisme intégral.

Selon ces ethnologues (qui sont plutôt des poètes que des scientifiques), à l'aurore de la civilization (il y a des dizaines de millénaires), l'actuel continent arctique était une terre fertile, au climat tempéré, aux ressources inépuisables. D'où les souvenirs mythiques de l'Atlantide, du Paradis terrestre.

Ce continent était peuplé para une race homogène d'hommes grands, blonds, brachycéphales qui avaient atteint un suprême degré de la civilization, civilization basée essentiellement sur la notion de l'honneur. En revanche, les autres groupes humains, dispersés à la surface de la Terre, sortaient à peine de l'animalité,

Cette race privilégiée se qualifiait d'aryenne, les Aryas étant les "deux-fois-nés", c'est-à-dire les Eveillés. Leur terre féconde et polaire s'appelait Thulé. Il y a un sens initiaque profond dans la ballade du roi de Thulé. L'océan boréal, mare tenebrarum, isolait Thulé du reste du monde et mantenait ainsi l'intégrité de la tradition et la pureté du sang aryen.

Par suite, soit d'un cataclysme soudain, soit d'une lente, continuelle évolution, l'axe terrestre bascula, d'óù renversement des divers climats. Non seulement Thulé perdit sa fertilité mais, se couvrant d'une calotte glaciaire, elle devint inhabitable, pour les Aryas comme pour la plupart des gibiers dont ils faisaient l'essentiel de leur nourriture.



Cette hypothèse est confirmée au moins en partie par de récents découvertes géologiques. L'étude minutieuse de la stratigraphie d'un lac bavorois a permis de discerner une succession de cycles alternés de glaciation qu'on désigne sous les noms de Wurm I, II et III. La plus récent, Wurm III, remonte à une quinzaine de millénaires. C'est elle qui aurait contraint les Aryas à abandonner leur berceau ethnique et à se disperser vers d'autres terres nourricières. Cette diasporah s'étala par vagues successives. Ainsi les Aryens apparurent-ils d'abord dans la zone européenne que nous nommons la Scandinavie et le Baltikum. Ils s'établirent ensuite avec prédilection, dans cette partie de l'Europe centrale qui devint le Saint-Empire Germanique. Ils se fixèrent, en particulier, dans le Lusace et la Silésie actuelles.

En ces exils, les Aryas gardaient une nostalgie profond de Thulé. Pour ne pas oublier les traditions de leurs aïeux, ils marquaient leurs passages par des svastikas. Ainsi ce signe jalonne-t-il les établissements successifs des Aryens dans le Vieux Continent.

Alfred Rosenberg affirme que là où abonde la croix gammée, découvre-t-on aussi en très fortes proportions des crânes brachycéphales. En revanche, il n'y aurait pas trace de svastikas dans les zones sémitisées ou de peuplement négroïde.

Voici ce qu'Alfred Rosenberg inculquait, sous une fiction pseudo-scientifique, às ses compatriotes fanatisés.

"Du centre nordique de la Création essaimèrent, par vagues denses, des hordes de guerriers qui se renouvelaient sans cesse et qui partout où ils passaient, organisaient et conquéraient...".

Autant que des soldats, ces Aryens migrateurs étaient aussi des marins:

"Ces flots d'hommes voguaient sur leurs embarcations en forme de cygnes ou de dragons, jusqu'à la Méditerranée, vers l'Áfrique. Par terre, ils allaient à travers l'Ásie centrale jusqu'en Chine; à travers l'Amérique du Nord, vers le sud de ce continent.

Ainsi, rayonnant du Nord, s'est répandue sur la terre entière une race blonde aux yeux bleus, qui a déterminé la face spirituelle du monde, et cela dans les pays mêmes où elle disparut par la suite.

L'éxpédition des Atlantes vers l'Afrique du Nord, la migration des Aryens dans les Indes, celles des Doriens, des Macédoniens, des Latins, tout cela - affirmait Rosenberg, atteste que les parties les plus diverses du monde ancien ont été colonisées par une race nordique prédestinée et privilégiée".

En réalisant un noveau Drang nach Osten, en conquérant leur Lebensraum, les plus purs des Aryens ne feraient que céder aux impulsions irrésistibles de leur hérédité.

Ce passage donnera une idée exacte du lyrisme de Rosenberg et de ses prédécesseurs. Rendant hommage au message civilisateur de Zarathoustra, il écrit:

"Aujourd'hui, au centre et dans le nord de l'Europe, cette même âme de la race qui vivait jadis dans Zarathoustra se réveille avec une force mythique et prend une plus haute conscience d'elle-même. Sentiment nordique, discipline nordique de la race, tel est aujourd'hui le mot d'ordre en face de l'Orient syrien que, sous la figure du judaïsme, s'est glissé en Europe qu'il corrompt..."».

Werner Gerson («Le Nazisme - Société Secrète»).







«A localização do centro ou sede originária da civilização "olímpica" do ciclo áureo numa região boreal ou nórdico-boreal é outro dos ensinamentos fundamentais da Tradição, exposto por nós noutro lugar com correspondente documentação [Rivolta contro il Mondo Moderno]. Uma tradição de origem hiperbórea na sua forma olímpica original ou nas suas reemergências  de tipo "heróico" está na base de acções civilizadoras levadas a cabo por raças que se espalham no continente euro-asiático, entre o fim da idade glacial e o neolítico. Algumas dessas raças devem ter vindo directamente do Norte; outras parecem ter tido por pátria de origem uma terra atlântico-ocidental onde se constituíra uma espécie de imagem do centro nórdico. É essa a razão pela qual vários símbolos e recordações se referem a uma terra que ora é nórdico-árctica, ora é ocidental.

O centro hiperbóreo, entre as suas diversas denominações, que passaram consequentemente a aplicar-se também ao centro atlântico, teve a de Thule, a de Ilha Branca ou do "Esplendor" - o "çveta-dwîpa" hindu, a ilha Leuké helénica - de "semente original da raça ariana" - "airyanam-vaêjô" - de Terra do Sol ou "Terra de Apolo", de Avalon. Em todas as tradições indo-europeias, reminiscências concordantes falam do desaparecimento dessa terra, tornado depois mítico, em relação a um congelamento ou a um dilúvio. É esta a contrapartida real, histórica, das várias alusões a qualquer coisa que, a partir de certo momento teria sido perdida, oculta ou se teria tornado inacessível. É também esta a razão por que a "Ilha" ou "Terra dos Vivos" - entendendo-se por "Vivos" os componentes da raça divina original - a região a que se referiram mais ou menos os [...] símbolos do centro do mundo, foi muitas vezes confundida com a "região dos mortos", sendo estes "mortos" a raça desaparecida. Assim, por exemplo, segundo uma doutrina céltica, os homens teriam tido por antepassado primeiro o Deus dos Mortos - Dispater - que habita uma zona longínqua para lá do Oceano, naquelas "Ilhas remotas" de onde, segundo o ensinamento druídico, teria vindo directamente uma parte dos habitantes pré-históricos da Gália. É, aliás, tradição clássica que, após ter sido o senhor da terra, o rei da Idade de Ouro, Cronos-Saturno, destronado, ou castrado (isto é, privado do poder de gerar", de dar vida a uma nova progenitura), continua a viver, "em adormecimento", numa zona do extremo setentrião, junto ao mar árctico, que, por isso foi também chamado Mar Crónido».

Julius Evola («O Mistério do Graal»).


«Poderíamos citar ainda muitas outras tradições concordantes, a propósito da "região suprema". Para a designar, existe um outro nome, Tula (que os gregos transformaram em Thulé), provavelmente ainda mais antigo do que Paradêsha. Como já vimos, Thulé identificava-se com a primitiva "ilha dos quatro Mestres" e o seu nome foi dado a regiões muito diversas, pois ainda hoje é possível encontrá-lo, tanto na Rússia como na América Central; é de admitir que em cada uma dessas regiões tenha sido, numa dada época mais um menos longínqua, a sede de um poder espiritual, que era como que uma emanação do poder da Tula primordial. Sabe-se que a Tula mexicana deve a sua origem aos Toltecas, povo que teria vindo de Aztlan, "a terra no meio das águas" (referência à Atlântida), donde trouxeram o nome de Tula. O centro a que deram esse nome, substitui provavelmente e em certa medida o continente desaparecido. Deve, contudo, distinguir-se entre a Tula atlante e a Tula hiperbórea, sendo esta que, para o conjunto do Manvantara actual, representa o centro primeiro e supremo; foi a "ilha sagrada", por excelência, e tal como já dissemos, era literalmente polar a sua situação original. Todas as outras "ilhas sagradas" que, nas diferentes tradições, são designadas por nomes de significação idêntica, não passam de imagens daquela; o mesmo se pode dizer do centro espiritual da tradição atlante que apenas regeu um ciclo histórico secundário subordinado ao Manvantara.

Em sânscrito, Tula significa "balança" e designa em particular o signo zodiacal do mesmo nome; segundo uma tradição chinesa, a Balança celeste foi primitivamente a Ursa Maior, o que tem a sua importância, na medida em que o simbolismo que se prende com a Ursa Maior se liga natural e estreitamente ao do "Pólo"; contudo, não podemos alongar-nos aqui sobre esta questão, a qual exigiria outro estudo.

[...] Tula é ainda chamada a "Ilha Branca", cor que [...] representa a autoridade espiritual. Nas tradições americanas, Aztlan tem por símbolo uma montanha branca, figuração que corresponde, antes de tudo, à Tula hiperbórea e à "montanha polar". Na Índia, a "ilha branca" (Shwêta-dwîpa), geralmente situada nas regiões longínquas do Norte, é considerada a "morada dos Bem-Aventurados", identificando-se claramente com a "Terra dos vivos". Existe, contudo, uma excepção aparente: as tradições célticas referem sobretudo a "ilha verde" como sendo a "ilha dos Santos" ou "ilha dos Bem-aventurados", no centro da qual se eleva a "montanha branca" que, diz-se, não foi submergida por nenhum dilúvio e cujo cume tem a cor púrpura. Esta "montanha do Sol", como também é chamada, corresponde a Mêru; este, que é também a "montanha branca", está envolto por uma cintura verde por se situar no meio do mar e no seu cume brilha o triângulo de luz.




À designação de centros espirituais como a "ilha branca" (designação que, lembremo-lo uma vez mais, se pode aplicar ao centro supremo a que se refere em primeiro lugar) devem associar-se os nomes de lugares, regiões ou cidades que exprimem, de modo semelhante, a ideia de brancura e que são em grande número: Albion, Albânia, a própria Alba a Longa, a cidade-mãe de Roma e todas as outras cidades antigas com este nome; para os Gregos, o nome da cidade de Argos tinha o mesmo significado. Quanto à representação do centro espiritual como sendo uma ilha onde se situa a "montanha sagrada", deve atentar-se em que, se ele teve, de facto, essa localização (embora nem todas as "Terras Santas" fossem ilhas), devemos, acima de tudo, ver nela um significado simbólico. Com efeito, os próprios factos históricos, sobretudo os da história sagrada, traduzem à sua maneira, verdades de ordem superior em virtude da lei da correspondência que é o próprio fundamento do simbolismo e que une todos os mundos na harmonia total e universal. A ideia evocada por esta representação é essencialmente a de "estabilidade", indicada anteriormente como característica do Pólo: a ilha permanece imóvel no meio da agitação incessante das vagas, imagem da agitação do mundo exterior; será necessário atravessar o "mar das paixões" para alcançar o "Monte da Salvação", o "Santuário da Paz"».

René Guénon («O Rei do Mundo»).


«Não é só um messias que vai aparecer, mas, se assim nos podemos exprimir, uma sociedade de messias, e a sua concepção paracientífica das leis do cosmos e de uma história épica da humanidade terá um papel determinante na Alemanha dos "redentores". A humanidade vem de mais longe e de mais alto do que se supõe, e está-lhe reservado um destino prodigioso. Hitler, na sua constante exaltação mística, tem consciência de que está ali para que esse destino se cumpra. A sua ambição e a missão de que se supõe encarregado ultrapassam infinitamente o domínio da política e do patriotismo. "A ideia de nação, diz ele próprio, tive de me servir dela por razões de oportunidade, mas já sabia que não podia ter mais do que valor provisório... Um dia virá em que pouca coisa restará, mesmo aqui na Alemanha, daquilo a que chamamos o nacionalismo. O que haverá no Mundo será uma confraria universal dos mestres e dos senhores". A política é apenas a manifestação exterior, a aplicação prática e momentânea de uma visão religiosa das leis da vida sobre a Terra e no cosmos. Há, para a humanidade, um destino que os homens comuns não são capazes de conceber, cuja visão não poderiam suportar. Isso está reservado para alguns iniciados. "A política, diz ainda Hitler, é simplesmente a forma prática e fragmentária desse destino". É o exoterismo da doutrina, com os seus slogans, os seus factos sociais, as suas guerras. Mas há também um esoterismo.

[...] A resistência desesperada, louca, catastrófica de Hitler, no momento em que, como era evidente, tudo estava perdido, só se explica pela expectativa do dilúvio descrito pelos horbigerianos. Se não fosse possível modificar a situação por processos humanos, restava a possibilidade de provocar o julgamento dos deuses. O dilúvio sobreviria, como um castigo, para a humanidade inteira. A noite ia de novo cobrir o globo e tudo ficaria sepultado por tempestades de água e granizo. Hitler, diz Speer com horror, "tentava deliberadamente fazer com que tudo morresse com ele. Já não era mais que um homem para quem o fim da sua própria vida significava o fim de todas as coisas". Goebbels, nos seus últimos editais, saúda com entusiasmo os bombardeiros inimigos que destroem o seu país: "Sob os destroços das nossas cidades aniquiladas estão enterradas as estúpidas realizações do século XIX". Hitler faz reinar a morte: prescreve a destruição total da Alemanha, manda executar os prisioneiros, condena o seu antigo cirurgião, manda matar o cunhado, pede a morte para os soldados vencidos, e desce ele próprio ao túmulo. "Hitler e Goebbels, escreve Trevor Roper, convidaram o povo alemão a destruir as suas cidades e as suas fábricas, a fazer ir pelos ares os seus diques e as suas pontes, a sacrificar os caminhos de ferro e todo o material circulante, e tudo isto em proveito de uma lenda, em nome de um crepúsculo dos deuses". Hitler pede sangue, envia as suas últimas tropas para o sacrifício: "As perdas nunca parecem bastante elevadas", diz ele. Não são os inimigos da Alemanha que ganham, são as forças universais que se preparam para destruir a terra, punir a humanidade, porque a humanidade preferiu o gelo ao fogo, as potências da morte às potências da vida e da ressurreição. O céu vai vingar-se. Ao morrer, resta apenas reclamar o grande dilúvio. Hitler oferece um sacrifício à água: manda inundar o metropolitano de Berlim, onde morrem 300 000 pessoas refugiadas nos subterrâneos. É um acto de magia iniciática: esse gesto provocará movimentos de apocalipse no céu e na Terra. Goebbels publica um último artigo antes de matar, no Bunker, a mulher, os filhos e de se matar a ele próprio. Intitula o seu edital de despedida: "E mesmo que assim fosse". Diz que o drama não se representa à escala da Terra, mas do cosmos. "O nosso fim será o fim de todo o Universo"».

Louis Pauwels e Jacques Bergier («O Despertar dos Mágicos»).











«[...] nos fins de Abril [de 1945] desintegram-se os últimos vestígios da resistência germânica. Conduzem os russos uma ofensiva culminante, que os leva a Viena e ao Elba; americanos e ingleses, avançando para oriente, fazem junção com os exércitos soviéticos; e Berlim está cercada desde 25 daquele mês. Três dias mais tarde, Mussolini é capturado por italianos em revolta, e morto; e o seu cadáver, trazido para Milão, é exposto numa praça ao escárnio público. Berlim rende-se de seguida, a 2 de Maio. Neste dia, ao mundo é dada a notícia de que na véspera, num subterrâneo entre os escombros da capital alemã, se havia suicidado Adolfo Hitler. Doenitz assume um simulacro de poder. Decorrida uma semana, o general Jodl firma no quartel-general de Eisenhower a rendição incondicional da Alemanha e ao outro dia é repetido o acto no quartel-general de Jukov, marechal soviético. Na Europa ensanguentada, fecha-se uma tragédia de quase seis anos.

Em Lisboa, considera-se, à morte de Hitler, que se está perante o falecimento do chefe de Estado de um país que tem com Portugal relações diplomáticas normais. Num momento de desatenção, Teixeira de Sampaio determina que o protocolo do Estado, embora de forma limitada, tome medidas usuais; não se decreta luto nacional: mas são içadas bandeiras a meia-haste. Desencadeia-se por toda a parte uma reacção exasperada: como pode o governo português exprimir pesar pela morte de Hitler? Estupefacto, o Foreign Office pergunta para Lisboa: "é mesmo verdade?" Perante a evidência, a imprensa britânica lança-se numa campanha sem freio contra Salazar: os representantes portugueses são injuriados: alguns funcionários locais demitem-se. Palmela, aterrado, envia telegramas aflitivos: estivera no Foreign Office, escutara ameaças de alguns funcionários. Depois é Bianchi que telegrafa de Washington: está no meio de uma tempestade: a rádio e a imprensa não cessam de atacar Portugal: e a embaixada está cortada de contactos. De outras missões portuguesas são recebidas informações paralelas. De súbito, há uma desorientação geral: angustiados, os enviados portugueses pedem instruções. Oliveira Salazar não tem para Sampaio uma palavra de estranheza ou censura. Aos representantes portugueses no estrangeiro limita-se a telegrafar: "hora a hora Deus melhora". Entretanto, no Foreign Office, refeito da surpresa, pensa-se numa atitude áspera. Mas Churchill, com mais visão de homem de Estado, esfria os exaltados: "Penso ser mais sensato deixar (os portugueses) jogar como desejarem e não ser demasiado duro para com eles. Recordemos que correram um grande risco nos Açores numa altura em que nós não podíamos defendê-los dum ataque alemão por terra". Baruch e Campbell, por seu lado, recomendam serenidade, compreensão. Mas Teixeira de Sampaio, imaginoso e sagaz, combina imediatamente com Salazar a correcção do lapso cometido. Num domingo, quando ainda ruge a campanha pelo mundo, chama Von Halem com urgência dramática. E Sampaio informa-o: dada a desintegração do Estado alemão, o governo português considera que não há autoridade constituída na Alemanha; nestas circunstâncias, cessam naquele momento as relações entre os dois países; e as propriedades e instalações oficiais alemãs em Portugal vão ser encerradas, seladas, postas sob custódia das autoridades portuguesas para ulterior entrega aos aliados. Von Halen esboça um protesto, uma resistência. Sampaio sublinha com um gesto que qualquer discussão é inútil: naquele preciso instante a polícia portuguesa está a actuar. Von Halem retira-se. Sampaio comenta: como é decerto a sua última visita, "em lugar de dois passos habituais que dou fora do meu gabinete para despedir um ministro, desta vez dei três passos".  E ainda excitado desabafa para os funcionários dos Estrangeiros que o cercam: "Ah! tenho-as tido boas!" Salazar desloca-se à embaixada de Inglaterra e pela vitória cumprimenta e felicita Campbell. E também à dos Estados Unidos. E Sampaio pratica igual gesto. Transforma-se em elogio a campanha internacional hostil».

Franco Nogueira («Salazar. As grandes crises - 1936-1945», III).






«[...] até as aristocracias decaem, as monarquias vacilam; através de revoluções e das constituições, aquelas, quando não são suplantadas por regimes de tipo diferente (repúblicas, federações), não passam de vãs sobrevivências, submetidas à "vontade da nação", e à regra de que "le roi règne, mais il ne gouverne pas". Nas democracias parlamentares, republicanas ou nacionais, a constituição das oligarquias capitalistas exprime então a passagem do poder da segunda para o equivalente moderno da terceira casta: o poder passa do guerreiro para o mercador. O reis do carvão, do ferro, do petróleo, tomam finalmente o lugar dos reis do sangue e do espírito. Também a Antiguidade, em formas esporádicas, chegou a conhecer este fenómeno: em Roma e na Grécia a "aristocracia do censo" repetidamente forçou o aparelho hierárquico ascendendo a cargos nobiliárquicos, minando as leis sagradas e as instituições tradicionais, penetrando na milícia e até mesmo no sacerdócio ou no consulado. Depois, viu-se a revolta das Comunas e o aparecimento das diferentes formações medievais de uma potência mercantil. A proclamação solene dos direitos do "Terceiro Estado" em França constitui a etapa decisiva a que se seguem as variedades da "revolução burguesa", ou seja, exactamente da terceira casta, a que servem de instrumento ideologias liberais e democráticas. Paralelamente, é característica desta era a teoria do contrato social: como vínculo social agora já nem sequer se encontra uma fides de tipo guerreiro, ou seja, relações de fidelidade e de honra. O vínculo social reveste-se de um carácter utilitário e económico: é um acordo assente na conveniência e no interesse material - o que só um mercador pode conceber. O ouro serve de intermediário e quem dele se apoderar e souber multiplicá-lo (capitalismo, finanças, trusts industriais) por detrás da fachada democrática controla virtualmente também o poder político e os instrumentos que servem para formar a opinião pública. A aristocracia cede o lugar à plutocracia; o guerreiro, ao banqueiro e ao industrial. A economia triunfa em toda a linha. O tráfico de dinheiro e a agiotagem, outrora confinada nos ghettos, invadem toda a nova civilização. Segundo a expressão de Sombart, na terra prometida do puritanismo protestante, com o americanismo e o capitalismo, não vive mais que "espírito judaico destilado". E é natural que, dadas estas premissas de parentesco, os representantes modernos do judaísmo secularizado tenham quase visto abrir-se à sua frente, nesta fase, as vias da conquista do mundo. São características estas expressões de Karl Marx: "Qual é o princípio mundano do judaísmo? A exigência prática, a vantagem pessoal. Qual é o seu deus terrestre? O dinheiro. O judeu emancipou-se de uma maneira judaica não só por se ter apropriado da potência do dinheiro, mas também porque, graças a ele, o dinheiro se tornou uma potência mundial e o espírito prático judaico se tornou o espírito prático dos povos cristãos. Os judeus emanciparam-se na medida em que os cristãos se tornaram judeus. O deus dos judeus mundanizou-se e tornou-se o deus da terra. O câmbio é o verdadeiro deus dos judeus. Na realidade a codificação religiosa do tráfico do ouro como empréstimo com juros, a que anteriormente sobretudo o judeu se tinha consagrado, faltando-lhe quase qualquer outro meio para se poder afirmar, pode ser considerada a própria base de aceitação e do desenvolvimento aberrante, no mundo moderno, de tudo o que é banca, finança, economia pura, fenómeno comparável ao avanço de um verdadeiro cancro. É este o momento fundamental da "era dos mercadores"».

Julius Evola («Revolta contra o Mundo Moderno»).





As componentes esotéricas do III Reich

De Thule ao Partido

Hitler retoma no pós-guerra os contactos com o mundo das seitas e das sociedades secretas, numa situação que, para avaliar, é preciso partir da observação de um dos três maiores estudiosos do século (com Max Weber e Mircea Eliade) em matéria de significado social da religião, Georges Dumézil. Diz ele:

«Já por meados dos anos vinte o mundo dos estudos se preparava para estabelecer o que hoje é claro: a originalidade unitária indo-europeia, capaz de explicitar o mundo através de uma organização social nitidamente hierarquizante. Na Alemanha tudo isto estava no ar havia decénios, mas sob estandarte restritivo da teoria da raça. Sociedades secretas como a de Thule, a do Vril, como a Ahnenerbe de Friedrich, enxertaram os mitos indo-europeus no descontentamento de Versalhes. E na base de um outro mito antiquíssimo, o do eterno retorno que Eliade demonstrou ser indo-europeu, constituíram uma ideologia que preconizou por um lado o regresso aos "mitos bárbaros" de Odin, Thor, Freyja e por outro, a luta contra o monoteísmo hebreu-cristão que os tinha destruído. O nazismo constituiu-se como uma organização acabada desde 1933, baseada nas três funções, ou seja o Partei (soberania mágico-jurídica), a Reichwehr (a função guerreira) e o Arbeitfront (a organização do trabalho) (1).

Debruçamo-nos, por agora, sobre os primeiros anos vinte... É portanto no clima político, além do cultural, que se segue à paz de Versalhes que as sociedades secretas ocultistas ganham um relevo justamente político. Na Inglaterra a situação oposta (vitória e não derrota na guerra) deixa este associativismo no nível precedente, sem influência política evidente. Mas a ponte entre a Inglaterra e a Alemanha permanece; dela veremos mais adiante as características.








Sir Edward Bulwer Lytton


No que diz respeito à situação alemã, a sociedade Thule torna-se a matriz do partido, enquanto o Vril é a instituição da esfera iniciática. O partido está em Munique, o Vril em Berlim. As relações entre os dois níveis são frequentemente conflituosas. O problema reside em saber-se quanto de iniciático se deve trazer à iniciativa política. É um delineamento que pode parecer estranho, se não se tiver em conta o esteio cultural que tínhamos descrito. Pelo contrário, é compreensível se pensarmos na relação entre o dever ser e o ser, entre a deontologia e a realidade, na tradição racionalista-iluminista do tempo da Revolução Francesa (por um lado Robespierre e Saint-Just, do outro Napoleão e Fouché) e na tradição marxista do tempo da Revolução Russa (por um lado Trotski, do outro, Stalin).

É provável que um primeiro contraste surja justamente com a conquista do poder e isto explica o destino de Bernhard Stempfle e de outros. E é em 1933 que notícias sobre o Vril chegam a França e Pauwels as conhece pelo círculo de um outro ocultista, Gurdjieff, que justamente então encerra o seu "priorado" de Avon:

«O doutor Willy Ley, um dos maiores técnicos do mundo quanto a mísseis, foge da Alemanha em 1933. Por ele soubemos da existência em Berlim, pouco antes do nazismo, de uma pequena comunidade espiritual. Acrescentava sorrindo que os discípulos acreditavam conhecer certos segredos para transformar a raça. Esta sociedade berlinense chamava-se "Loja Luminosa" ou "Sociedade do Vril". A "Loja Luminosa" tinha amigos entre os teósofos e nos grupos Rosa-Cruz. Segundo Jack Belding, autor do livro Os Sete Homens de Spandau, Karl Haushofer teria feito parte desta loja. Encontra-se a mesma indicação em As Estrelas em Tempo de Guerra e de Paz, de Louis de Wohl, que durante a guerra dirigiu o serviço de investigação sobre Hitler e os nazis para o serviço de informação inglês» (2).

Contestou-se o valor deste testemunho, também pela tendência de Pauwels de não aprofundar e de ser sensacionalista. [...] A documentação recolhida [...] faz que se considere inteiramente aceitável o papel de Haushofer na elaboração e gestão de uma doutrina secreta além da sua adesão formal à seita. É importante estabelecer que há um ponto de referência institucionalizado da doutrina secreta e da sua prática oculta que surge contemporaneamente à transformação da sociedade Thule, e que agora é necessário referir a talhe de foice.

Ela deriva do «Germanenorden» (Ordem dos Germanos) e o seu promotor é uma figura singular, (...) Rudolf Sebottendorff (3). Nascido como Rudolf Glauer em 1875, filho de um ferroviário (categoria que, como se vê, tem um particular papel nas associações pré-nazis), foi adoptado em 1911 pelo barão Heinrich von Sebottendorff (a adopção nunca é reconhecida na Alemanha, todavia ele constantemente usou o seu nome). Com a profissão de electricista naval, estabeleceu-se em Constantinopla em 1900, obtém a cidadania turca e a sua formação cultural estabelece-se em contacto com o sufismo islâmico, premissa dos seus estudos ocultistas e astrológicos (publicará uma História da Astrologia em 1924). Tem estes interesses em comum com Rudolf Hess, nascido em Alexandria, no Egipto... É provavelmente através de quanto aprendeu por esta via que Hitler dará frequentemente opiniões positivas sobre o Islamismo e por isso existirão divisões SS islâmicas (4).

Quem aprecie as coincidências, pode notar que na cosmopolita Alexandria nascem também dois intelectuais destacados (não ocultistas) do fascismo italiano: o futuro Filippo Tommaso Marinetti e o poeta Giuseppe Ungaretti, admirador de Mussolini, que escreve sobre «O Povo de Itália» do período esquadrista. Von Sebottendorff, pelo contrário, estuda a Cabala, os textos alquímicos e rosacrucianos, as práticas ocultas dos dervixes. Volta à Alemanha e, como outros ocultistas [...], faz um óptimo casamento (com Berta-Anna Iffland) que põe à sua disposição consideráveis recursos financeiros (5), utilizados em certa medida, quando ingressa em 1916 na «Germanenorden», para a reorganizar na Baviera depois da crise do início da guerra e de uma cisão (von Sebottendorff junta-se ao grupo do chanceler da Ordem, Hermann Pohl, nomeado Walvater).



Germanenorden


Em Janeiro de 1918 sai, financiado por von Sebottendorff, o mensário «Runen»; no mesmo mês de Janeiro Anton Drexler, membro da Ordem, funda uma «Livre associação para uma justa paz», em Julho a sede da Ordem é estabelecida no hotel Quatro Estações de Munique e von Sebottendorff compra o «Münchener Beobachter», que virá a ser depois, como «Völkischer Beobachter», o diário do partido nazi. A 18 de Agosto a inauguração da sede coincide com a adopção do nome «Thule Gesellschaft» por parte da Ordem Bávara. Naqueles mesmos dias a contra-ofensiva aliada em França é prenúncio da derrota alemã e «Ludendorff tem de dizer ao Kaiser que o exército do Reich deixara de ser uma perfeita máquina bélica» (6).

Justamente enquanto se desenha esta derrota, as sociedades secretas reorganizam-se para um maior compromisso num futuro incerto e o próprio Ludendorff, com os seus interesses ocultistas, ali terá um papel de primeiro plano até ao putsch de Novembro de 1923. Em vésperas do armistício Drexler funda o círculo político operário. A Thule tem nesta altura 1500 membros na Baviera e 250 em Munique.

Proclamada a república na Alemanha e na Baviera (aqui sob a direcção de Kurt Eisner), a Thule organiza de imediato uma Liga de Combate, entre cujos chefes está Rudolf Hess; em Dezembro prepara uma conjura (que falha) para assassinar Eisner. A 21 de Dezembro von Sebottendorff está em Berlim, onde a Germanenorden celebra a velha festa nórdica do solstício de Inverno e é redigido o programa do «partido social-alemão» de Alfred Brunner. A 5 de Janeiro de 1919 funda o já citado DAP, que a 18 de Janeiro assume a denominação de nacional-socialista. A 21 de Fevereiro o conde Arco-Valley mata Eisner. Em Abril é proclamada a República dos Conselhos. Sete membros da Thule são presos e serão fuzilados. A 2 de Maio os corpos francos ocupam Munique e abatem a efémera república. Com eles combate Heinrich Himmler (futuro chefe das SS), ainda estudante.

É uma cronologia a ter presente, quer em relação ao papel de Hitler, quer em relação ao carácter «oculto» da Thule. É esta a descrição de Fest:

«No final de Novembro [de 1918, Hitler] teve alta do hospital [...] Voltou a Munique e apresentou-se na sede do batalhão do seu regimento [...] ali ficou de parte, em plena contradição com a pretensa decisão de se entregar à política. Nos primeiros dias de Fevereiro [1919] acabou por se oferecer voluntariamente para o serviço de vigilância de um campo de prisioneiros de guerra perto de Traunstein. [Depois] regressa a Munique, [...] aboletou-se no quartel Türkenstrasse, [o que] o obrigava a submeter-se às vontades do Exército Vermelho e a usar a braçadeira, [e isto] demonstra claramente quanto estava pouco desenvolvida [...] a sua consciência política. [...] Mas dadas as suas afirmações, pela sua atitude política, teria havido a decisão de prendê-lo sem demora; mas Hitler teria posto em fuga, empunhando a espingarda, o destacamento encarregado da tarefa. [...] Otto Strasser perguntou publicamente: "Pode saber-se onde estava Hitler naquele dia [2 de Maio]? Em que canto de Munique se escondia o soldado que deveria combater nas nossas fileiras?" [...] Ele pôs-se à disposição da comissão de inquérito, respondendo em auto. Desenvencilhou-se desta situação de forma tão satisfatória que foi enviado, logo a seguir, para um curso de doutrina cívica. E pela primeira vez Hitler começou a chamar a atenção para si» (7).

É uma versão que aproxima a historiografia, nazi e pós-nazi, segundo a qual Hitler se aproxima concretamente da política e do partido fundado por Drexler apenas no Verão de 1919 (recebeu o cartão a 16 de Setembro).

Hitler com a braçadeira do Exército Vermelho não é motivo para espanto. Até os membros da Thule se inscreveram numa Liga Spartaquista para se movimentarem livremente (8). Não contraria a hipótese de as relações com a sociedade e com Hess serem anteriores e que ficassem na sombra quando foi tomada a decisão de se «pôr na gaveta» o esoterismo para se constituir um partido «social» e de massas, cujo vértice, porém, conservava intactas as próprias convicções derivadas dos filões culturais já por várias vezes aqui referidos. Mas, entretanto, von Sebottendorff afasta-se da Thule no Verão de 1919 durante o que é provavelmente o primeiro conflito no âmbito da cultura «oculta» que conflui no nazismo e que forneceu a chave interpretativa do texto publicado em 1933.




Emblema do Partido Nazi





Tem o objectivo de iluminar positivamente o comportamento do autor durante a efémera república dos conselhos, para «adquirir benesses junto do novo regime com a sua pretensão de ser o precursor do movimento nacional-socialista» (9) cujas origens porém tinham sido já estabelecidas por uma historiografia oficial. Trata-se portanto de um documento para acolher com cautela no que diz respeito à verdadeira natureza da Thule, tanto mais que depois da reconquista de Munique por parte da direita ele deixara a cidade, talvez também pela existência de «uma atmosfera de hostilidade no interior da própria Thule [por causa da] imprudência que levara a que caísse nas mãos da polícia "vermelha" a lista dos filiados» (10).

Trata-se de uma lista em que se afirma que Hitler, Rosenberg e Haushofer nada tinham a ver com a Thule que, «bem longe de ser a poderosa e misteriosa associação secreta do lendário caro à literatura do nazi-ocultismo, não teve aspectos esotéricos nem sequer ocultistas, independentemente da figura do seu principal animador (que teve efectivamente interesses de natureza também esotérica, o que induziu em erro os investigadores superficiais)» (11).

Mas quem apoia estas teses acentua no entanto que «a Germanenorden [é] uma sociedade secreta de intenções vagamente ocultistas» (12) e que Walter Nauhaus (um dos sete fuzilados) é «um jovem estudioso de tradições esotéricas e de cultura nórdica», que sugere o nome da sociedade «em memória da mítica ilha situada no extremo norte, pátria da nação ariana. Esta reclamação era perfeitamente consciente em quem a promoveu», pelo que Evola «cometeu um erro de subavaliação quando escreve que se deve pôr sob reserva que o nome escolhido ateste uma séria e consciente referência ao simbolismo nórdico polar» (13). A «reserva» era sugerida a Evola justamente pela intenção de negar todo o carácter iniciático à sociedade.

Isso porém manifesta-se numa exposição do próprio von Sebottendorff, que afirma: «Ao candidato era mandada a folha de recrutamento n.º 1 em que estava incluído um impresso para comprovação de não contaminação racial do próprio sangue... Uma vez concluído o preenchimento deste impresso, ao candidato era remetida a folha de inscrição n.º 2... e, desde que as averiguações feitas estivessem de acordo com as condições colocadas, o candidato era convidado a apresentar-se numa reunião estabelecida pela Ordem. Ultrapassado depois mais um período de prova, podia finalmente ser filiado no grau de amizade, filiação que era consagrada mediante a celebração de um solene juramento de fidelidade absoluta. A este primeiro grau ou grau de amizade eram admitidas a participar também mulheres e donzelas» (14).

A este primeiro grau seguiam-se outros, como em toda a sociedade iniciática; em 1933 não se fala nisto porque a historiografia nazi oficial considera que a componente esotérica da ideologia não deve ser evidenciada. Mas o autor não pode abster-se de precisar que «o encontro de Hitler com personalidades de relevo filiadas na sociedade Thule e a consequente acção de ligação e apoio que a mesma desenvolveu, marcaram o início e a evolução global da acção política por ele empreendida» (15). Podemos aqui perguntar de que «personalidades» se tratavam se «não eram membros da Thule Gottfried Feder, Alfred Rosenberg e Dietrich Eckart. Mas foram-no Rudolf Hess e Hans Frank, o futuro governador geral da Polónia, embora não ocupassem posições de relevo, devido à sua juventude» (16).


Alfred Rosenberg





Na realidade, a Thule não era muito poderosa nem muito misteriosa, o seu «ocultismo» não é tomado a sério na medida e no sentido em que se referem à tradição iniciática os estudiosos do tradicionalismo. Era, porém, um centro de agregação de personalidades formadas na «doutrina secreta» da qual se falou. Hess, que guiava as formações de combate da Thule, tinha a mesma idade com que Balbo, Grandi, Farinacci, na mesma época, se tornaram dirigentes de primeiro plano do fascismo italiano. Oficial combatente em infantaria, depois oficial na aeronáutica depois de ter sido ferido muitas vezes, era um homem cuja maturidade não é medida apenas pelos seus vinte e seis anos de idade. E os seus interesses ocultistas estão fora de discussão.

Discutir sobre os vários graus de iniciação, sobre os sócios honorários e efectivos, sobre quem estava incluído e quem não estava e por que motivos e qual era a lista caída nas mãos da polícia da República dos Conselhos e se Anton Drexler (o fundador do partido do qual Hitler viria a ser o Führer) «fora eleito membro honorário da Thule provavelmente para lhe poder controlar melhor os movimentos», (17), são questões que será difícil esclarecer, mesmo no futuro, com base em documentação existente. É um facto que a matriz do grupo de intelectuais que está na origem do nazismo é uma associação na qual é dominante a cultura ocultista, a doutrina secreta, que amadureceu nos decénios anteriores.

No mesmo período a sua difusão na Alemanha é testemunhada por Mosse: «A ideia de um Führer ganhava tanto maior significado quanto constituía uma meta para as aspirações de List e fornecia uma real via de saída em tempos de desordens e de inquietações nacionais. E foi efectivamente nos anos incertos por volta de 1920 que a obra de List conheceria nova notoriedade. A mais vasta das associações empregadoras alemãs, a Deuschnationale Handlungsgehilfen Verband (União Alemã Nacional dos Empregados do Comércio), louvou "este homem quase esquecido" que fora um farol de luz e de esperança em anos de trevas» (18).

Mas por muito que ideias como a magia das runas de List estivessem difundidas, as concepções esotéricas não podiam ser propostas como programa político de um partido que pretendia ser de massas, tanto mais quanto tinha à disposição razões mais facilmente popularizáveis: a punhalada nas costas (obra principalmente de hebreus) como causa da derrota; a injustiça de Versalhes quanto aos territórios alemães subtraídos à Alemanha e quanto às enormes indemnizações de guerra a pagar; as incertezas da classe política de Weimar; o perigo comunista.

O grupo de intelectuais de Thule guardou para si o esoterismo e o ocultismo e pôs em primeiro plano a organização política. Von Sebottendorff, criticado e que provavelmente não estava de acordo, foi posto de parte. Abandona Munique, adquire o já citado periódico «Astrologische Rundschau» (Outubro de 1920), vive na Suíça (1923-24) e na Turquia (1929-31), com viagens pelos Estados Unidos e pelo México. Volta à Alemanha em 1933 para publicar Antes que Hitler Venha quando Hitler é já chanceler do Reich e provavelmente retoma uma discussão sobre o papel do ocultismo no novo regime (do qual são provavelmente outros indícios as revelações de Ley, o comportamento de Gurdjieff, o homicídio de Günther Heimsoth).


George Ivanovich Gurdjieff




Uma prova evidente do choque em 1920 é a ruptura entre von Sebottendorff e Dietrich Eckart, muito ligado a Hitler, e a quem este dedicará páginas comovidas no Mein Kampf (tinha morrido em 1923) e que é apresentado por alguns como o seu mentor. O fundador da Thule descreveu assim o acontecimento:

«A hostilidade de Eckart nas relações com Sebottendorff data da fundação da revista "Em Bom Alemão", cujo primeiro número foi publicado a 7 de Dezembro de 1918. Eckart voltara-se para Sebottendorff por intermédio do Irmão em Thule Kneil para obter o financiamento. Mas dado que o encargo de financiar tanto a Thule como o "Beobachter" recaía já inteiramente em Sebottendorff, este tinha recusado. A relação publicada no n.º 42 da revista "Em Bom Alemão" esclarece a direcção seguida por Dietrich Eckart para tornar nítido o empenho da sociedade Thule na luta política» (19).

O quadro é claro. Em termos de ciência política, pode dizer-se que ao extremismo ocultista de von Sebottendorff se opõe a atitude dos intelectuais políticos que insistem em colocar momentaneamente o esoterismo em segundo plano para desenvolver uma acção política directa na base de um programa imediato. O seu sucesso é demonstrado pela evolução dos acontecimentos.

Em Agosto de 1919 saiu a edição nacional do «Münchner Beobachter», que traz no cabeçalho a legenda «Völkischer Beobachter»; em Setembro Hitler estabelece contacto com o DAP no dia 12, adere no dia 16 e poucos dias depois torna-se um dos sete membros da comissão directiva presidida por Karl Harrer, da Thule (que entretanto é guiada primeiro por Hans Dahn, depois por Johannes Hering). A 16 de Outubro dá-se a primeira reunião pública do DAP. O primeiro orador é Johannes Dingfelder, «segundo o qual a natureza mais tarde ou mais cedo se tornaria estéril, os seus produtos tornar-se-iam raros e mesmo esses poucos seriam devorados pelos parasitas» (20), síntese de preocupações que hoje se diriam ecologistas, das quais é indício também o facto de entre os fundadores da Thule existir «o doutor Gaubatz, presidente da Liga Bávara para a Protecção das Aves» (21), pela qual também Hitler se interessou: é a confirmação do filão cultural naturista que remonta a Wagner.

Em Janeiro de 1920 Harrer deixa a presidência do DAP, que a 2 de Março passa a ser oficialmente o Partido Nacional-Socialista Alemão dos Trabalhadores (NSDAP). O programa é elaborado por Hitler, Feder e Drexler. O símbolo é a cruz gamada, já usada no início do século e cujas mais recentes vicissitudes são assim descritas:

«Nos inícios de Maio de 1919, no decorrer da cerimónia comemorativa depois da inumação de Heila von Westarp [secretária da Thule, fuzilada] a tribuna dos oradores fora decorada com uma bandeira arrebatada aos comunistas na qual a mão de uma Irmã pusera, por cima da foice e do martelo, a cruz gamada em campo branco. Na mesma altura, o doutor Friedrich Krohn, sócio da Thule e membro do Germanenorden até 1914, propusera a cruz suástica como símbolo do partido nacional-socialista. A 20 de Maio de 1920, no decorrer da fundação do grupo local, Sternberg propunha este símbolo na sua forma levógira. Hitler modificou-o no sentido dextrógiro» (22).

É importante fixar que ele está à frente do partido poucos dias depois da sua inscrição e, poucos meses depois, tem autoridade bastante para decidir quanto ao seu símbolo, embora não se tenha dito que a alteração tenha um significado particular.







Um estudioso das tendências culturais aqui analisadas e que substancialmente concorda com Evola acerca da relação entre sociedades secretas e nazismo, observa: «Um aspecto da questão é a possível existência de uma autêntica doutrina oculta do nacional-socialismo exteriorizada pela suástica invertida (quer dizer dextrógira, com as pontas voltadas para a direita). Na realidade a suástica, nas muitas culturas que a utilizaram, tanto era levógira como dextrógira, porém isto não significava efectivamente que esta diferente posição dos braços tivesse um sentido, de quando em quando, oposto: quer dizer solar e polar no primeiro caso, o contrário no segundo. E efectivamente escreve René Guénon: "Quanto ao sentido de rotação indicado pela figura, isso tem uma importância inteiramente secundária e não influi no significado geral do símbolo. Efectivamente encontravam-se ambas as formas sem que isto implique necessariamente a intenção de estabelecer entre elas uma oposição qualquer". Palavras de 1931, quando ainda se discutia sobre o símbolo escolhido por Hitler sem estar ainda no poder (23).

Na realidade, uma «autêntica doutrina oculta do nacional-socialismo no verdadeiro sentido, com «corpus» orgânico, provavelmente nunca foi completamente elaborada. Existe pelo contrário uma componente cultural baseada na história esotérica, na cosmogonia esotérica e nas leis ocultas que o guiariam. O grupo de intelectuais que transforma a Thule em partido acredita nisso. E a escolha do símbolo é, neste sentido, importante, pelas interpretações que lhe estão ligadas, ainda que a forma dextrógira ou levógira não «implique necessariamente» versões diferentes ou opostas. Esta discussão tem sentido nas escolas ocultistas. Porém, o facto de Hitler ter sido o árbitro para escolher o símbolo é indicativo da sua influência.

Todas as versões oficiais, nazis e pós-nazis, apologéticas ou críticas, não esclarecem de onde possa derivar. Não da precedente actividade política, inexistente. Não de uma ordem do exército. Mayr e Röhm, pelos quais Hitler é obrigado a responder, são oficiais subalternos, o primeiro não deixa pistas, o segundo depressa fugirá para a Bolívia (24), por não ter perspectivas na Alemanha, e tornar-se-á homem de primeiro plano só anos depois e como chefe das SA. As pequenas seitas estão notoriamente apinhadas de personalidades que se consideram importantes, que querem distinguir-se e também a história alemã deste período o demonstra. E agora como é possível que um homem sem história, recentemente entrado no partido, logo seja chamado como dirigente, dele elabore o programa, dele escolha o símbolo cheio de significado?

A resposta é que Hitler é já conhecido num microscomo que parte de Lanz e passa por Hess e Haushofer e talvez também por Ludendorff, o grande condutor de homens. É por esta via que Hitler é acreditado e, em breve Drexler e Feder serão também postos de lado para lhe deixarem a direcção do partido. Ele falará dos seus dotes - incontestáveis - de orador e de organizador, mas que se manifestarão depois e não antes. O ponto de partida é a confiança de um grupo de intelectuais - Hess, Franck, Feder, Rosenberg, Eckart, Himmler e Max Erwin von Scheubner-Richter, um nobre báltico que em Riga tinha encaminhado Rosenberg para a política e que será morto ao lado de Hitler no putsch de 9 de Novembro de 1923. Fest apresenta-o assim:

«Um aventureiro de passado borrascoso, dotado de um extraordinário talento para rendosos negócios políticos atrás dos bastidores. Deve-se em considerável medida à sua capacidade para obter fundos que Hitler tinha podido contar, nos anos do começo, com a segurança material. [...] era uma espécie de eminência parda com um extraordinário faro para os segredos, mas também com um excepcional savoir faire; bom conversador, tinha laços com industriais, membros da ex-casa reinante dos Wittelsbach, bem como com as autoridades eclesiásticas. A influência por ele exercida sobre Hitler foi sem dúvida alguma importante: único entre os seus adeptos abatidos, foi por ele lamentado como insubstituível» (25).


Hermann Göring. Ver aqui


No mesmo ano morre também Eckart. Mas entretanto o grupo de intelectuais aos quais se juntou Bormann cimentou-se e consolidou-se na direcção do partido independentemente dos cargos formais. É o grupo aos quais se unirão outros membros, que serão marginalizados (como os irmãos Gregor e Otto Strasser) ou que marcharão com Hitler até à catástrofe, como Göring, já unido ao vértice desde 1920 com o prestígio de heróico último comandante da esquadrilha von Richthofen; e como Goebbels, que se destacará dos Strasser para se unir a Hitler. Von Ribbentrop será agregado pelas suas notáveis qualidades diplomáticas; Julius Streicher virá a ser famoso pelo seu anti-semitismo, de particular virulência mesmo entre os nazis. Porém, é o grupo que dirige em Munique a passagem da Thule a partido (e ao qual está ligado Ernst Jünger, cujo papel será esclarecido em seguida) que começa a decidir e decidirá (por vezes da forma não concordante) no momento das grandes opções políticas: o exercício do cargo de chanceler em 1933, a orientação para a guerra em 1938-39, o ataque à URSS em 1941 com a esperança de alcançar um acordo com a Inglaterra.

Hitler apresenta-se nos primeiros anos vinte, na sua maneira de dizer, como o tambor que despertará a Alemanha, como o arauto que lhe prenuncia o renascimento. É o porta-voz de um grupo que se formou na intimidade com a cultura oculta, que considera conhecer as leis que conduzem ao sucesso, e de vez em quando se divide na sua interpretação.

Este grupo não aparece na auto-apresentação do nazismo nem na historiografia posterior. Mas encontrar-se-ão as suas convicções em todas as viragens decisivas, até à conjura de 20 de Julho, em que está envolvido Albrecht, filho de Karl Haushofer e grande amigo de Hess. A relação entre Hitler e este grupo pode permitir uma interpretação que utiliza também a crítica de Evola ao suposto papel dos «Superiores Desconhecidos».

Insisto na expressão de «grupo de intelectuais» para Hitler, Hess, Himmler, Rosenberg, Frank, Haushofer, porque a historiografia - integrando as fontes da auto-apresentação nazi com a memorialística negativa posterior - tende a apresentar o Hitler dirigente do NSDAP como a continuação do vagabundo de Viena, rodeado por rudes aventureiros e agitadores de cervejaria, que seriam o círculo restrito de verdadeiros companheiros e colaboradores do Führer. Eis uma passagem de Fest:

«No seio do partido Hitler continuou a ficar rodeado de gentalha, quando não de tipos decididamente duvidosos: entre os seus raros amigos contavam-se Emil Maurice, típico zaragateiro e herói de brigas de taberna, e Christian Weber, um enorme pançudo ex-comerciante de cavalos, que trabalhara como contra-regra numa equívoca cervejaria. [...] Também o aprendiz do açougueiro Ulrich Graf pertencia ao círculo dos íntimos, que constituía ao mesmo tempo uma espécie de corpo de guarda. Compreendia, além disso, Max Amann, que fora sargento de Hitler, um acólito obtuso e robusto que bem depressa seria posto em evidência como administrador do partido e da casa editora. [...] a figura dominante do entourage [...] era a do jovem Hermann Esser, que tinha trabalhado para a imprensa no Gruppenkommando da Reichswehr» (26).

Estes aspectos estão certamente presentes no primeiro nazismo. Mas sublinhando exclusivamente tais características, corre-se o risco de perder de vista aquela que é, de longe, a mais importante: um grupo de intelectuais formados no âmbito de uma cultura bem definida, a qual constitui a maior ligação entre eles e a razão pela qual escolheram Hitler como líder, principalmente por impulso de Eckart que «já em 1919, numa sua poesia de tom arcaizante, tinha profetizado o advento de um salvador nacional [...]. Não sem surpresa, ele distinguiu em Hitler a verdadeira encarnação de tal modelo e, já em Agosto de 1921, num artigo publicado no "Völkischer Beobachter", saudava nele, pela primeira vez, o Führer, o guia. Hitler definiu publicamente o poeta como "amigo paterno", reconhecendo-se também aluno deste. Em todo o caso, poder-se-ia dizer que Eckart, juntamente com Rosenberg e com os "alemães bálticos", teria exercido a mais duradoura influência ideológica em Hitler naquele período» (27).


Ver aqui










Mais que de influência ideológica, se pode falar de uma comum convicção cultural de um grupo no qual Hitler surge como particularmente dotado de características que se manifestam como faculdades quase mediúnicas e que o fazem assumir a liderança.

Ao grupo traz inicialmente um apoio decisivo Ludendorff, que compartilha com ele as componentes culturais de derivação ocultista (graças também à forte inspiração da mulher, a doutora Mathilde von Kemnitz), que obtém importantes fundos da aristocracia e da alta burguesia e que tem o prestígio de grande homem de guerra. O general será um dos promotores e marchará à frente do cortejo cuja dispersão assinala a derrota do putsch de 9 de Novembro de 1923.

Diz-se que a sua acusação a Hitler de ter fugido durante o combate está na origem da ruptura. Mas existem ainda razões mais profundas, que se podem definir como ideológicas e que atingem a cultura aqui descrita. Ludendorff, como já Sebottendorff , insiste em querer pôr em primeiro plano, em relação ao programa político, um comportamento assim caracterizado:

«Ludendorff [...] deixava-se seduzir, de modo sempre mais condicionante, pelas sombras pseudo-religiosas de uma ideologia sectária, na qual conviviam fé nas antigas divindades germânicas e pessimismo nas comparações com a civilização. O próprio Hitler havia algum tempo que se afastara de atitudes desse género, nas quais reencontrava o obscurantismo dos seus primeiros anos, o de Lanz von Liebenfels e da Thule Gesellschaft com as suas quimeras. No Mein Kampf tinha dado mordaz expressão ao desprezo que alimentava por este romantismo nacional-popular, o qual aliás constituía, ainda que de forma rudimentar, o âmago das suas próprias concepções» (28).

Pode reescrever-se assim: o grupo de Hitler colocava em segundo plano as componentes esotéricas, ainda persistentes na ideologia, sobrepondo a linha programática. Ludendorff era de parecer oposto. Daqui a ruptura. O general funda um seu Tannenbergbund com escassa influência (terá pouco mais de 1% dos votos como candidato às eleições presidenciais de 1925). O Bund sobreviverá até à morte do general, em 1937, e será dissolvido logo a seguir. Dois dias depois de Hitler ter sido designado chanceler por Hindenburg, Ludendorff escrevera ao velho marechal: «O senhor entregou o país a um dos máximos demagogos de todos os tempos. Profetizo-lhe que este homem arrastará o nosso Reich para o abismo e será causa de inimagináveis misérias para esta nação. As gerações futuras o amaldiçoarão no túmulo por esta sua decisão» (29).

Esta linguagem apocalíptica reflecte a cultura em que germinou. Para os ocultistas intransigentes, Hitler é um demagogo por ter posto em surdina o esoterismo a favor de um nacional-socialismo «popular». E a figura do salvador prometido subverte-se no «falso profeta». Contudo, encontra-se aqui uma legitimação do debate a nível da tradição esotérica, porque «não obstante a relação de recíproca desconfiança com os nacionais-socialistas» (30), o Bund pôde operar até 1937. Esta legitimação da dissensão em termos velados e esotéricos é importante ter presente para avaliar quanto sucederá em vésperas da guerra com a publicação de Sobre os Rochedos de Mármore.






Von Sebottendorff, contrariamente ao general, considera que Hitler, como chanceler deixará maior espaço à linha esotérica. A Thule dissolvera-se formalmente em 1930, ano do primeiro grande êxito eleitoral do partido dela derivado (17% dos votos). O seu fundador considera poder retomar a actividade interrompida no Verão de 1920. Mas a publicação de Antes que Hitler Chegasse não lhe restituirá espaço: «o efeito será exactamente o oposto. Depois de o livro sair em segunda edição em 1934, é imediatamente retirado do mercado (de onde a aura de mistério que sempre o rodeou) e o seu autor preso, ainda que por breve tempo. Eis von Sebottendorff a retomar o caminho da sua terra de eleição: a Turquia. Durante a Segunda Guerra Mundial trabalhará para o serviço secreto alemão» (31).

Ludendorff, menos informado sobre o grupo no vértice do poder, é tolerado. Von Sebottendorff, no entanto, não pode operar na Alemanha, mas o seu papel na Turquia não é subestimado, porque decorre na área (o Médio Oriente) que pesará nas decisões de Hitler em Maio-Junho de 1941.

Quanto a Lanz von Liebenfels que, em 1915, sugeriu o termo «ariosofia» para definir a doutrina secreta dos Ários (32), nos anos vinte e trinta opera na Áustria e não influiu na situação alemã. Hitler também o fará calar depois da anexação de 1938. E as várias peças do mosaico são tão difíceis de juntar que Mosse, que no entanto individualizou «as origens místicas do nacional-socialismo» (33) subestima aquilo que ainda define como «Thule Bund» (34), enquanto Allaud, no seu amplo estudo sobre Hitler e as Sociedades Secretas, não fala de Lanz von Liebenfels.

Trata-se agora de completar o quadro com algumas observações sobre o ano de 1933 - o da conquista do poder pelo grupo guiado por Hitler, [...] que completam quanto se disse.

É ainda em 1933 que modificava a sua actividade - encerrando o seu «priorado» de Avon e retirando-se para Paris - um dos mestres da cultura, George Ivanovich Gurdjieff. Nascido em 1877 na Geórgia, destinado pela família à carreira eclesiástica ou, em alternativa, à médica, recusa ambas para ir em busca das fontes do saber, como o Tibete, já meta de outras personalidades desta cultura.. Volta à Rússia em 1913 e escreve um livro (Encontro com Homens Extraordinários) no qual investiga os poderes ainda desconhecidos que o homem teria dentro de si. Tenta ensiná-los a um pequeno e seleccionado grupo de discípulos (entre os quais o mais conhecido será Ouspensky) que acolhe junto de si em Moscovo.

Com o eclodir da revolução transfere-se com o seu grupo para o Cáucaso setentrional, próximo da Geórgia natal, mas também sede de uma daquelas «colónias» indianas de que tinha falado Schlegel. Com o avanço do Exército Vermelho convence o grupo a passar para Constantinopla e depois para a Alemanha.

É um itinerário análogo ao de von Sebottendorff e podemos perguntar-nos se os dois não se teriam encontrado entre 1920 e 1922 quando o fundador da Thule viaja pelas suas duas pátrias.

Em 1922 Gurdjieff estabelece-se em França, e aqui uma sua adepta oferece-lhe o castelo e terreno em Avon, perto de Fontainebleau, onde surge o que vem a ser o «priorado», derivado do nome do castelo que é precisamente Prieuré. Aqui chega, para seguir o mestre, a célebre escritora Katherine Mansfield, doente de tísica e que deveria residir em localidades prescritas pelos médicos. Segue, pelo contrário, o conselho de Gurdjieff, estabelece-se em Avon e ali morre após oitenta e quatro dias, dando lugar a vivas polémicas sobre as causas da morte (ausência de tratamento, práticas anómalas).




Gurdjieff saiu ileso, os adeptos aumentam, até que, inesperadamente, o mestre decide fechar o «priorado» e fixar-se em Paris, pelo motivo de se sentir envelhecer. Na realidade tem cinquenta e seis anos, está em óptima forma e efectivamente continua a sua actividade, se bem que mais reduzida, na capital francesa. É aqui que o conhece e lhe segue a doutrina Louis Pauwels, que sintetiza a sua experiência na avaliação que suscitou a crítica dos tradicionalistas:

«Os intelectuais detractores da nossa civilização sempre foram inimigos do progresso técnico. Por exemplo, René Guénon e Gurdjieff ou os inúmeros hinduístas. Porém, o nazismo foi o momento em que o espírito de magia se apoderou das alavancas do progresso material. Num certo sentido, o hitlerismo era o guenonismo mais as divisões blindadas» (35).

Os partidários de Guénon consideram a abordagem inteiramente arbitrária. Durante a guerra o estudioso tradicionalista está no Cairo e não para ali esperar as divisões de Rommel. Gurdjieff permanece em França. É no seu ambiente que os autores de O Despertar dos Mágicos têm conhecimento de não poucas notícias que usarão no livro e recordam nestes termos o primeiro contacto com as teorias de Hörbiger:

«Estávamos em 1948, eu acreditava em Gurdjieff, e uma das suas fiéis discípulas me convidara a passar umas semanas em família na sua casa, na montanha. Numa noite estrelada e fria o relevo da Lua aparecia nitidamente. "Dever-se-ia dizer uma lua", disse a minha hospedeira, "uma das luas". Existiram outras luas no céu. Esta é a última, simplesmente. É verdade. O senhor Gurdjieff sabe-o e outros sabem-no também» (36).

É portanto uma personagem que tem as mesmas concepções de Hörbiger, em boa parte partilhadas por Hitler, que abandona Avon por uma vida mais discreta em Paris, onde morrerá em 1949, depois de mais dezasseis anos de pregações. Logo, uma vez que é duvidoso que tal decisão tenha sido ditada pela idade, é possível juntar esta opção às outras indicadas: Ludendorff profetiza catástrofes e desventuras; von Sebottendorff volta à Alemanha; Ley abandona-a; o primeiro será, por sua vez, obrigado a deixar o Terceiro Reich naquele 1934, ano em que é morto Bernhard Stempfle, juntamente com o astrólogo de Röhm, Karl Günther Heimsoth, e com Hanussen. Segundo parece a ascensão e o primeiro ano de poder de Hitler suscitaram interesses e mudanças no vértice do ocultismo na Alemanha e na Europa. É em 1933 que Guénon define como arbitrário o uso do símbolo da suástica por parte dos nazis. É ilícito supor que alguns esperassem grandes eventos, outros pelo contrário quisessem pôr-se de parte e que algum tombasse vítima das suas ilusões.

O paralelo, em termos de ciência política, pode ser também o das expectativas suscitadas por um acontecimento revolucionário; há quem acredite chegado o dia das grandes opções, quem continue desiludido e hostil pelo seu adiamento, quem consolide a posição alcançada: este é o caso de Hitler e do seu grupo.

É neste quadro que devemos ir na pegada da Golden Dawn, cujo silêncio no primeiro pós-guerra é determinado pela situação já indicada, que impede as seitas inglesas de assumirem o peso político que tiveram na Alemanha. Mas as ligações permanecem, não só através da adopção simbólica do termo Vril, do qual já se falou, mas através da personalidade de Aleister Crowley.




Viu-se a Golden Dawn guiada por Mathers e por Yeats. O primeiro (do qual é recordada a relação com Bergson), num Manifesto aos Membros da Segunda Ordem, de 1896, afirmava:

«Acerca dos chefes secretos, aos quais me refiro e dos quais recebi a sabedoria da segunda ordem que vos comuniquei, nada posso dizer-vos. Ignoro também os seus nomes terrestres e só muito raramente os vi no seu corpo físico. Eles encontraram-me fisicamente nos tempos e locais fixados precedentemente. Creio que sejam seres humanos vivendo nesta terra, mas que possuem poderes terríveis e sobre-humanos. Sentia-me em contacto com uma força tão terrível que só a posso comparar ao efeito sentido por quem tenha estado perto de um raio durante um violento temporal» (37).

A Mathers sucedeu Yeats, de nome «oculto» Diabolus est Deus Inversus. É durante a sua gestão que Crowley aderiu à sociedade. Daqui as versões que ligam a Golden Dawn ao satanismo, bem como a inversão dos braços da suástica significaria a passagem da iniciação à contra-iniciação.

Nascido em 1875, de família riquíssima, educado num colégio protestante, alguns dados da sua vida podem ser deduzidos com cautela de uma autobiografia escrita em 1930 (The Confessions of Aleister Crowley). A adesão à sociedade é do final do século. Como outras personagens da vivência esotérica pôde permitir-se à compra de um castelo em Loch Ness, na Escócia, junto ao lago do lendário (e nunca visto) monstro. O seu nome esotérico é Perdurabo. Como outros «mestres» já citados, faz viagens pelo Egipto, Índia, Extremo Oriente. Concentra os seus interesses na magia sexual e no tantrismo. Publica em 1904 The Book of the Law (O Livro da Lei), no qual se apresenta como o 666 do Apocalipse, a «Grande Besta». Em seguida, funda uma ordem sua (Astrum Argentum), que se mantém ligada à Golden Dawn. Segundo uma publicação como o «Reader's Digest», alheia a fantasias, «os seus escândalos eram abafados pelos serviços secretos britânicos dos quais, em 1910, se tornara um agente» (38).

No ano seguinte publica Book Four, dedicado à magia sexual que ele definiu «Magick Art». Na véspera da guerra o seu enorme património parece ter desaparecido em viagens, orgias e experiências. Troca a Inglaterra pelos Estados Unidos, mas regressa à Europa em 1919, novamente munido de consideráveis recursos financeiros. Fixa-se na Alemanha, onde entra em contacto com a sociedade ocultista Ordo Templi Orientis, de Theodor Reuss, da qual constitui uma secção inglesa. [...] Fixa a sua residência numa vila em Fontainebleau (onde se alojará também Gurdjieff) e viaja pela França, Alemanha, Inglaterra, Itália, onde em 1920 funda a Abadia de Thelema, em Cefalú, na Sicília. Em 1923, Mussolini impedi-lo-á de ali residir e Crowley estabelece-se em Paris. Aqui publica em 1929 Magick in Theory and Practice. Volta a Inglaterra em 1937, ano em que o duque de Windsor (o ex-rei Eduardo VIII que abdicara no final de 1936 para poder casar com Wallis Simpson) vai visitar Hitler em Berchtesgaden).

A aproximação é importante para esclarecer os antecedentes da viagem de Hess de Maio de 1941, em busca de interlocutores para uma possível paz. Na base de que possíveis relações anteriores, no ambiente da aristocracia inglesa em relação com as sociedades ocultas, um sector da cimeira nazi pensava poder encontrar interlocutores antes da opção decisiva do ataque à URSS?

[...] Porém, a figura de Crowley, mestre do ocultismo e simultaneamente dos serviços secretos ingleses, líder na Grã-Bretanha de uma sociedade que é análoga a uma seita ocultista alemã, merece que se mantenha presente, tanto mais que em 1940 escreveu a Churchill, enviando-lhe um talismã «para fazer que cessassem as incursões aéreas» e afirmara em seguida: «na verdade, fui eu a vencer a guerra!» (39).


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Naturalmente é lícito nas fantasias de um louco, ainda que Crowley se mantenha lúcido e coerente nas suas convicções até à morte (que se deu em 1947). Mas uma vez que nada ainda foi esclarecido quanto ao que aconteceu entre a Alemanha e a Inglaterra entre Maio e Junho de 1941, também algumas afirmações extravagantes podem ajudar a compreender pedaços de acontecimentos dos quais a historiografia pouco se ocupa (40).

Seja como for, regressemos de momento a 1933, altura em que se concluiu a primeira fase do longo caminho das sociedades alemãs da tradição ocultista, no âmbito das quais se formou a cultura de uma forma do grupo dirigente nazi. Um seu expoente é chanceler do Reich. As sociedades secretas já não servem, mas a sua cultura influencia o processo de decisão do vértice do Terceiro Reich e talvez alguma forma institucional permaneça em volta de Haushofer e do Vril. Uma outra parte desta tradição cultural encontrará em contrapartida expressão oficial - como se verá - em iniciativas ligadas às SS.

Naturalmente os êxitos de Hitler foram devidos às causas de fundo que a historiografia já analisou: a frustração de Versalhes, a crise económica de 1929, o apoio fornecido a Hitler pelas classes dirigentes da economia e do exército, a incerteza do comportamento político dos grupos liberais e a dura luta no interior da esquerda entre socialistas e comunistas.

Tudo isto é bem conhecido e nada pode ser acrescentado aos estudos históricos de mérito. Mas existem ainda questões em aberto justamente do ponto de vista histórico. E a da cultura ocultista do Terceiro Reich é uma delas (in Hitler e o Nazismo Mágico, As componentes esotéricas do III Reich, Edições 70, 1990, pp. 101-123).


Notas:

(1) Entrevista de G. Dumézil a Renata Pisu, in «Tutto libri» 17 de Setembro de 1984. Dumézil é muito apreciado pela cultura de direita, como se pode compreender pela sua linha de pensamento; o seu testemunho é portanto particularmente fidedigno.

(2) Louis Pauwels e Jacques Bergier, Il mattino dei maghi, cit., pp. 289-290.

(3) A sua mais apropriada biografia em língua italiana é devida a um estudioso tradicionalista, Renato Del Ponte, na introdução a R. von Sebottendorff, Prima che Hitler venisse, cit., pág. 5-11. Depois também rectificado por notícias imprecisas de historiadores alemães, como Feste e Bracher, incertos quanto ao nome originário da personagem.

(4) Cfr. a propósito de Claudio Mutti, Il nazismo e l'Islam, Cadernos das edições Barbarossa, Saluzzo, 1986.

(5) «Eis o muito dinheiro do qual se ignora a origem», precisa Del Ponte (pág. 8) citando e corrigindo Fest (Hitler, cit., p. 234).

(6) Keith Robbins, La prima guerra mondiale, Mondadori, Milão, 1987, p. 88.

(7) Joachim Fest, op. cit., pp. 92-93.






(8) Cfr. Rudolf von Sebottendorff, op. cit., pág. 10.

(9) Renato Del Ponte, op. cit., p. 10.

(10) Ibidem.

(11) Ibidem, p. 4. Ali se contesta calmamente a exposição da minha tese numa primeira formulação (com muitos erros de dactilografia) apresentada em Maio de 1984 num congresso sobre a direita na Europa promovido pelo Goethe Institut e pela Universidade de Turim (e não pela Fundação Agnelli, como depois se pensou).

(12) Ibidem, p. 9.

(13) Ibidem.

(14) Ibidem, p. 45.

(15) Rudolf von Sebottendorff, pág. II da dedicatória «à memória dos sete fuzilados».

(16) Renato Del Ponte, op. cit., p. 12.

(17) Ibidem, p. 13.

(18) George L. Mosse, Le origini culturali del Terzo Reich, cit., p. 111.

(19) Rudolf von Sebottendorff, op. cit., p. 44.

(20) Ibidem, 14-15.

(21) Cfr. Rudolf von Sebottendorff, op. cit., p. 44.

(22) Ibidem, pp. 14-15.

(23) Gianfranco De Turris, introdução a René Allaud, Hitler e le società segrete, a imprimir nas Edizioni Mediterranee, pág. 7. O texto de Guénon citado é Il simbolismo della croce, Milão, 1973, pp. 101-102. De Turris traduziu com Sebastiano Fusco La razza ventura, de Bulwer Lytton, Carmagnola, 1980.

(24) Röhm tivera um papel importante na politização, no sentido populista, dos militares bolivianos. Cfr. Il socialismo militare in Bolivia (1936-1946) - Tre saggi su populismo e militari in America Latina, organizado por Ludovino Garuccio, Il Mullino, Bolonha, 1974.

Ver aqui

















(25) Joachim Fest, op. cit., p. 165.

(26) Ibidem, p. 163-164.

(27) Ibidem, p. 160-161.

(28) Ibidem, p. 274.

(29) Citado in ibidem., p. 506.

(30) Karl D. Bracher, La dittadura tedesca, cit., p. 178.

(31) Renato Del Ponte, introdução a von Sebottendorff, op. cit., p. 11.

(32) O termo é retomado in: Nicholas Goodrick-Clarke, The Occult Roots of Nazism. The Ariosophist of Austria and Germany 1890-1935 (As Raízes Ocultas do Nazismo. Os Ariosofistas na Áustria e na Alemanha), Wellingborough 1985. O autor definiu von Sebottendorff como «o aventureiro que tinha introduzido a ariosofia no partido nazi», citado por Del Ponte, op. cit., p. 11.

(33) É o título em inglês do ensaio publicado no «Journal of the History of Ideas», Janeiro-Março de 1961. Encontrei Mosse num congresso do Instituto Gramsci da Emilia-Romagna onde tinha o relatório introdutório a um congresso respeitante à política e à estética nos anos trinta e onde expus numa comunicação as hipóteses aqui elaboradas. Mosse não me pareceu particularmente interessado. Daquele congresso derivou uma colectânea publicada pela Laterza.

(34) Cfr. George L. Mosse, op. cit., pp. 237-338 e p. 386 na qual, seja como for, se recorda que «a Thule Gesellschaft se tornaria a incubadora do Partido Nacional-Socialista.

(35) Louis Pauwels e Jacques Bergier, op. cit., pág. 334. Uma recente síntese do pensamento de Gurdjieff é a sua obra traduzida em italiano Vedute sul monde reale, L'Ottava, Roma, 1985.

(36) Ibidem, pp. 306-307.

(37) Ibidem, p. 292.

(38) Selecções do Reader's Digest, Europa misteriosa - societè segrete - riti occulti - maghi - streghe - veggenti, Milão, 1983, capítulo 12, p. 326.

(39) Ibidem, p. 328.

(40) Segundo Guénon, que de tal escreve a Evola (29 de Outubro de 1949), «Crowley em 1931 foi a Berlim para recuperar o papel de conselheiro secreto junto de Hitler». A carta com avaliações também da Golden Dawn está agora em «Quaderni di Avalon», n.º 10, 1986.








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