domingo, 1 de março de 2026

O "ponto de vista tibetano" acerca da morte

Escrito por T. Lobsang Rampa




« – Houve  pessoas que afirmaram e escreveram que o senhor não tem o ar de um tibetano

– De facto? O senhor acredita que as pessoas dum dado país se assemelham sempre à ideia que deles faz a imaginação popular? Tome por exemplo um pequeno país, a Inglaterra. Existe um único inglês que seja “típico”? O pequeno galês trigueiro é mais ou menos “inglês” do que o enorme escocês louro? E reciprocamente?

Repare: na Índia, as pessoas de alta casta são muitas vezes tão brancas de pele que poderiam passar por europeus; entretanto, na imaginação das pessoas, o indiano-tipo é pequeno, escuro e vestido de andrajos.

O personagem que simboliza a Inglaterra, John Bull, devia ser o inglês-tipo. Existe na realidade? Não. E o Tio Sam? Assemelham-se os Americanos ao Tio Sam? É evidente que não. Sendo assim, quando me dizem que não tenho o ar dum tibetano, sorrio. Que posso fazer perante pessoas que dão mostras duma tal ignorância da vida e das formas da vida?

(...) – A imprensa daqui publicou uma carta do dalai-lama que diz que o senhor é um impostor. Quer responder a isso?

 – A imprensa deu um grande destaque a uma pretensa declaração do dalai-lama, segundo a qual eu não seria “autêntico”. O dalai-lama não disse nada disso. Todos sabem que as pessoas “altamente colocadas” tem um grande número de secretários. Trudeau, por exemplo, tem uma imensidão de secretários que – dentro de certos limites, bem entendido – estão autorizados a escrever o que lhes parece oportuno; isto porque Trudeau não tem evidentemente tempo para se ocupar pessoalmente de todos os seus correspondentes. No que me diz respeito, sei justamente que um dos secretários do dalai-lama não me vê com bons olhos, donde expressões como: “Nós não concedemos crédito...”, o que, de qualquer modo, é muito diferente do que a imprensa tenta insinuar. A propósito, foi o senhor mesmo que me disse que dois lamas tinham estudado o “assunto Rampa” e que um deles se me tinha oposto enquanto o outro se pronunciou inteiramente a meu favor. Como é que se explica que as pessoas estejam sempre prontas a adoptar o partido desfavorável?

Um escritor americano muito conhecido foi ver o dalai-lama, na Índia, e voltou portador duma mensagem assegurando-me que quando o Tibete fosse libertado o dalai-lama me acolheria no Potala. Não, não coloque na boca do dalai-lama palavras que ele não pronunciou. Pelo contrário, considere suspeito o que foi dito pelos seus secretários. O senhor não conhece os seus intentos. Eu creio conhecê-los.

Desejo fazer ainda uma outra observação que, até agora, ainda não apareceu nas suas perguntas. A imprensa parece perplexa acerca da minha identidade. Pergunto-me porquê. Note que me encontro neste ponto em boa companhia. Quem era Shakespeare? Quem era Bacon? Quem era Moisés? Tantos problemas sobre identidades acerca das quais ainda se discute! Por outro lado, para lhe dar uma ideia da enormidade de certas declarações de jornalistas, vou mostrar-lhe um recorte de imprensa onde se diz que Cristo viveu no Japão e que morreu lá. Acredita o senhor neste absurdo? Então porque acreditar em todas essas parvoíces que a imprensa publica a meu respeito? A propósito, espero que produza o recorte em questão. Isso há-de interessar as pessoas.





(...) – Pretendem alguns que o senhor copiou provavelmente a Sr.ª Blavatsky ou a Sr.ª Alexandra David Neel.

Cada vez mais cómico? Não, eu não copiei ninguém. Não possuo obras de referência. Nunca li nenhuma das obras da Sr.ª Blavatsky nem nenhuma das da Sr.ª David-Neel. Escrevo exclusivamente de acordo com a minha experiência pessoal e parece-me que isto é inteiramente adequado.






Pretendem alguns que o senhor foi contratado por Hitler para se deslocar ao Tibete a fim de aí seguir um certo treino, para, depois voltar para junto dele e o aconselhar.

– O senhor acredita seriamente que vou responder a uma tal pergunta? Pois bem, vou mesmo responder a essa pergunta! Ainda que o senhor dê a impressão de ter andado a percorrer os asilos de alienados para encontrar pessoas capazes de fazer perguntas tão loucas!

Não, nunca fui contratado por Hitler para ir ao Tibete. Se o senhor quer saber toda a verdade, a verdade completa e nada mais que a verdade, leia o meu décimo terceiro livro. Está já a ser impresso. Quando o tiver lido, ficará a saber tudo. [Perguntámos a Louis Pauwels (autor de Le Matin des Magiciens) o que sabia da identidade de Rampa. Segundo este célebre autor francês, não é impossível que T. Lobsang Rampa tenha feito parte do grupo de político-místicos que se deslocou ao Tibete sob a direcção pessoal de Himmler e a pedido do próprio Hitler.

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Bruno Beger. Ver aqui

Querendo obter outros esclarecimentos dirigimo-nos a Simon Wiesenthal (o “caçador de nazis” que conseguiu a captura de mais de 1000 criminosos de guerra -  entre os quais Eichman). O seu Centre de Documentation de Vienne não possui qualquer dossier preciso sobre Rampa que, não sendo um criminoso, não é procurado. Contudo, este especialista não afasta a possibilidade de Lobsang Rampa ter podido fazer parte duma certa organização sob o nome de Thulé a que Pauwels se refere longamente no Le Matin des Magiciens.


Simon Wiesenthal


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Outro pormenor que aos olhos de algumas pessoas dá peso às suspeitas de Pauwels e aos rumores que circulam a respeito de Rampa: este viveu algum tempo no Uruguai; ora, é bem sabido que no fim da guerra numerosos nazis se refugiaram precisamente na América do Sul].»

«Rampa explica-se» (in Alain Stanké, «Lobsang Rampa – O Enigma»).




 

O "ponto de vista tibetano" acerca da morte



Palácio de Potala (Lassa, Tibete).

Antes de descrever os nossos métodos para dispor dos corpos dos mortos talvez seja aconselhável explicar mais pormenorizadamente o ponto de vista tibetano acerca da morte. A nossa atitude é muito diferente da dos povos ocidentais. Para nós um corpo não é mais que uma “casca”, uma cobertura material para o espírito imortal. Para nós um corpo vale menos que um traje velho que se abandona. No caso de uma pessoa que morre de morte natural, isto é, não de forma violenta e súbita, consideramos que o processo se passa assim: o corpo está doente, falhado, e tornou-se tão desconfortável para o espírito que este é incapaz de aprender quaisquer lições mais. Chegou portanto a hora de jogar fora o corpo. Pouco a pouco, o espírito retira-se e exterioriza-se; a forma espiritual tem exactamente o mesmo contorno que o invólucro carnal e pode ser visto nitidamente por um clarividente. No momento da morte, o cordão que junta os corpos físico e espiritual (o “Cordão de Prata” da Bíblia cristã) adelgaça-se, quebra-se e o espírito afasta-se. É nessa ocasião que ocorre a morte, que não é mais que o nascimento de uma vida nova, pois esse cordão é semelhante ao cordão umbilical que é cortado para permitir ao recém-nascido uma existência independente. No momento da morte o resplendor da força vital extingue-se à volta da cabeça. Esse resplendor também pode ser visto por um clarividente.

Na nossa opinião, um corpo leva três dias a morrer; é esse o tempo necessário para a cessação de toda a actividade física e para o espírito, a alma, ou o ego, se libertar completamente do seu invólucro carnal. Acreditamos que durante a vida de um corpo se forma um duplo etéreo; esse duplo pode tornar-se um fantasma. Provavelmente toda a gente já sentiu a seguinte sensação: depois de olhar para uma luz forte virar-se e, aparentemente, continuar a ver a luz. Nós consideramos a vida um fenómeno elétrico, um campo de força, e esse duplo etéreo que fica para além da morte é semelhante à luz que se vê depois de olhar para um forte foco luminoso, ou, em termos de electricidade, como um forte campo magnético residual. Se o corpo tem razões fortes para se agarrar à vida cria uma força etérea, e esta forma um fantasma que fica a habitar os cenários familiares.


Há três corpos básicos: o carnal, por intermédio do qual o espírito aprende as árduas lições da vida; o etéreo, ou magnético, que é construído por cada um de nós com a nossa lascívia, os nossos apetites, as nossas paixões fortes; e o espiritual, a “alma imortal”. Esta é a nossa crença lamaísta, que não corresponde necessariamente à crença budista ortodoxa. Uma pessoa, ao morrer, tem de passar por três estágios: é preciso dispor do seu corpo físico; é preciso dissolver o seu etéreo; e é preciso ajudar o seu espírito a encontrar o seu caminho no seu plano de existência especial. Os antigos egípcios acreditavam também nesse duplo etéreo, nos guias dos mortos e no mundo do espírito. No Tibete ajudamos as pessoas antes de morrerem. O homem instruído não tem necessidade de tal auxílio, mas o homem comum, o trappa, tem de ser guiado através de toda a viagem. Talvez seja interessante descrever o processo. Um dia, o muito honrado mestre dos mortos mandou chamar-me. “É tempo de estudares os métodos práticos de libertar a alma, Lobsang. Hoje, irás comigo”. Caminhámos ao longo dos compridos corredores, descemos degraus escorregadios, até aos aposentos dos trappas. Ali, numa “enfermaria”, um velho monge aproximava-se daquela estrada que todos nós havemos um dia de percorrer. Tivera um ataque e estava fraquíssimo. As forças faltavam-lhe e, enquanto o observava, as suas cores aureolares esmoreciam. Tinha de ser mantido consciente a todo o custo até não haver mais vida para manter esse estado. O lama que estava comigo tomou com gentileza entre as suas as mãos do moribundo. “Aproximas-te do momento de te libertares dos sofrimentos da carne. Ouves-me bem para que possas escolher o caminho mais fácil. Os teus pés esfriam. A tua vida esvai-se. Compõe os teus pensamentos, pois nada há a temer. A vida abandona os teus membros e a tua visão torna-se indistinta. O frio vem subindo por ti, seguindo a vida que te foge. Compõe os teus pensamentos, pois nada há a temer na libertação da vida para uma realidade maior. As sombras da noite eterna começam a toldar a tua vista e a tua respiração dificilmente passa pela tua garganta. Aproxima-se o momento para a libertação do teu espírito, para que este goze dos prazeres da vida eterna. Compõe os teus pensamentos, a hora da tua libertação aproxima-se”.



Enquanto assim falava, o lama passava a mão desde a clavícula do alto da cabeça do moribundo de uma forma que se provou libertar o espírito com um mínimo de dor. O moribundo ia sendo constantemente avisado dos obstáculos que lhe surgiam no caminho e da melhor maneira de os evitar. Descrevia-se-lhe com exactidão a estrada, estrada que tinha sido determinada pelos lamas telepáticos já mortos e que continuavam a comunicar-se connosco da vida eterna.

“A tua visão desapareceu completamente e a tua respiração está a parar dentro de ti. O teu corpo se esfria e os sons desta vida já não chegam aos teus ouvidos. Compõe os teus pensamentos em paz, pois a tua morte chegou. Segue a estrada que te indicamos e encontrarás paz e alegria.”

Os movimentos da mão do lama continuavam enquanto a auréola do velho se desvanecia cada vez mais até desaparecer completamente. O lama soltou um grito súbito e explosivo, um ritual antiquíssimo que ajuda a libertar completamente o espírito. A força vital juntou-se numa massa semelhante a uma nuvem sobre o corpo imóvel agitando-se em grande confusão até formar-se uma réplica esfumada do corpo a que tinha estado ligada pelo “Cordão de Prata”. O “Cordão” adelgaçou-se lentamente e assim como um bebé renasce quando se corta o cordão umbilical, assim o velho renasceu  na vida seguinte. Lentamente, como uma nuvem no céu, ou o fumo de incenso num templo, aquela forma afastou-se. O lama continuou a dar instruções telepáticas durante a primeira fase da jornada. “Estás morto. Aqui nada mais há para ti. Cortaram-te os nós que te prendiam à carne. Estás no bardo. Segue o teu caminho e nós seguiremos o nosso. Segue o caminho prescrito. Abandona este mundo de ilusão e entra na Realidade Maior. Estás morto. Continua o teu caminho.”

As nuvens de incenso elevavam-se no ar. A distância, os tambores rufavam surdamente; dum ponto alto do telhado do mosteiro uma trombeta grave lançava sobre a paisagem a sua mensagem de morte; dos corredores, lá fora, chegavam até nós os sons de uma vida vigorosa, o arrastar de botas de feltro e o mugir cavo de um iaque. Mas ali, naquele pequeno quarto, tudo era silêncio: o silêncio da morte. Só as instruções telepáticas do lama agitavam a camada do silêncio. A morte: outro velho partira na sua roda da existência, aproveitando talvez as lições desta vida, mas destinado a continuar até atingir o estado de Buda, ao fim de longo e continuado esforço.

(In T. Lobsang Rampa, A 3ª Visão, Record, 8.ª Edição, pp. 234-237).




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