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sábado, 22 de dezembro de 2018

A vós, ó geração de Luso, digo...

Escrito por Luís de Camões







A vós, ó geração de Luso, digo,
Que tão pequena parte sois no mundo;
Não digo inda no mundo, mas no amigo
Curral de Quem governa o Céu rotundo;
Vós, a quem não somente algum perigo
Estorva conquistar o povo imundo,
Mas nem cobiça ou pouca obediência
Da Madre que nos Céus está em essência;

Vós, Portugueses, poucos quanto fortes,
Que o fraco poder vosso não pesais;
Vós, que, à custa de vossas várias mortes,
A lei da vida Eterna dilatais:
Assim do Céu deitadas são as sortes
Que vós, por muito poucos que sejais,
Muito façais na santa Cristandade.
Que tanto, ó Cristo, exaltas a humildade!

Vede'los Alemães, soberbo gado,
Que por tão largos campos se apascenta;
Do sucessor de Pedro rebelado,
Novo pastor e nova seita inventa.
Vede'lo em feias guerras ocupado,
Que inda co'o cego error se não contenta,
Não contra o superbíssimo Otomano,
Mas por sair do jugo soberano.

Vede'lo duro Inglês, que se nomeia
Rei da velha e santíssima Cidade,
Que o torpe Ismaelita senhoreia
(Quem viu honra tão longe da verdade?).
Entre as Boreais neves se recreia,
Nova maneira faz de Cristandade:
Para os de Cristo tem a espada nua,
Não por tomar a terra que era sua.

Os Lusíadas (Canto VII).






quinta-feira, 31 de maio de 2018

Da gente ilustre portuguesa e do pátrio Marte

Escrito por Luís de Camões




Castelo de Guimarães



- Como?! Da gente ilustre portuguesa
Há-de haver quem refute o pátrio Marte?!
Como?! Desta província, que princesa
Foi das gentes na guerra em toda a parte
Há-de sair quem negue ter defesa?!
Quem negue a fé, o amor, o esforço e arte
De Português, e por nenhum respeito
O próprio Reino queira ver sujeito?!

Os Lusíadas (Canto IV, XV).



Castelo de S. Jorge















Porta de Martim Moniz


















Ver aqui


quinta-feira, 17 de maio de 2018

Não vimos mais enfim que mar e céu

Escrito por Luís de Camões








Já a vista pouco e pouco se desterra
Daqueles pátrios montes que ficavam;
Ficava o caro Tejo e a fresca serra
De Sintra, e nela os olhos se alongavam;
Ficava-nos também na amada terra
O coração, que as mágoas lá deixavam;
E já depois que toda se escondeu
Não vimos mais enfim que mar e céu.

Os Lusíadas (Canto V, III).





quarta-feira, 18 de abril de 2018

E se mais mundo houvera lá chegara

Escrito por Luís de Camões




Basílica do Bom Jesus. É uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo e faz parte do conjunto arquitectónico de Igrejas e Conventos de Goa.



Mas entanto que cegos e sedentos
Andais de vosso sangue, ó gente insana,
Não faltaram cristãos atrevimentos
Nesta pequena casa lusitana.
Na África tem marítimos assentos;
É na Ásia mais que todos soberana;
Na quarta parte nova os campos ara
E se mais mundo houvera lá chegara.

Os Lusíadas (Canto VII, XIV).



Placa comemorativa da passagem do Apóstolo do Oriente



sexta-feira, 30 de março de 2018

Nunca louvarei o capitão que diga: «Não cuidei»

Escrito por Luís de Camões








Tal há-de ser quem quer, co'o dom de Marte,
Imitar os Ilustres e igualá-los:
Voar co'o pensamento a toda a parte,
Adivinhar perigos e evitá-los,
Com militar engenho e sutil arte,
Entender os imigos e enganá-los,
Crer tudo, enfim; que nunca louvarei
O capitão que diga: «Não cuidei».

Os Lusíadas (Canto VIII, LXXXIX).



Ares


domingo, 25 de fevereiro de 2018

Também dos portugueses alguns traidores houve algumas vezes

Escrito por Luís de Camões




Mosteiro da Batalha



Ó tu, Sertório, ó nobre Coriolano,
Catilina, e vós outros dos antigos
Que contra vossas pátrias, com profano
Coração, vos fizestes inimigos:
Se lá no reino escuro de Sumano
Receberdes gravíssimos castigos,
Dizei-lhe que também dos Portugueses
alguns traidores houve algumas vezes.

Os Lusíadas (Canto Quarto).






Túmulo com os restos mortais de um soldado português desconhecido da Grande Guerra.


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Nippon-koku

Escrito por Luís de Camões




Santuário de Itsukushima



Inda outra muita terra se te esconde,
Até que venha o tempo de mostrar-se.
Mas não deixes no mar as Ilhas onde
A Natureza quis mais afamar-se:
Esta, meia escondida, que responde
De longe à China, donde vem buscar-se,
É Japão, onde nasce a fina prata,
Que ilustrada será co'a Lei divina.

Luís de Camões («Os Lusíadas», Canto X).









Monte Fuji-san





















Xilogravura: A Grande onda de Kanagawa






Gravura Surugacho (Rua Suruga, 1856).



Castelo Kumamoto









Castelo de Ogaki Gifu



Castelo Matsumoto



Castelo Ozakajo Osaka



Castelo Himeji

















Fujiwara Tomotsune (Katana, cerca de 1660, Período Edo).