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domingo, 28 de abril de 2019

Liberdade

Escrito por António Correia de Oliveira







Liberdade, liberdade,
Livro de boa doutrina:
Mas quantos lêem por cima
O que ela tão fundo ensina!

Liberdade, liberdade,
Livro difícil de leres;
Uma lei: muitas justiças;
Um falar: dois entenderes.

Liberdade natural,
Numa prisão se contém:
Deve prender-se à nossa alma,
E, quanto mais, maior bem.

Cartilha da liberdade,
Ao princípio logo diz:
- Liberdade, como as árvores,
Vive presa a uma raiz.

Liberdade da nossa alma
E do nosso pensamento,
Quer-se presa ao coração,
Não a vá levar mau vento…

Parábolas



Liberdade! Liberdade,
Doce cativa do Amor:
Presa nas penas, é Asa,
Presa em raízes, é Flor!

Alma Religiosa






terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Alto sonho de amor que teve Adão...

Escrito por António Correia de Oliveira



Criação de Adão, por Michelangelo Buonarotti (Capela Sistina).









Adão se entristeceu: ele era só!
E Deus o compreendia… Sim! eu creio
Que Deus, a vez primeira, teve dó.

- Sozinho… - E adormeceu: o sonho veio:
Sonho de amor que foi o sol e a lua
De quanto sonho o mundo inda anda cheio!

Ele era toda a alma; ele era a sua
Carne de fogo: o sangue refervente
Que em vaporosa irradiação flutua.

Era Espírito e Corpo, juntamente,
Alto sonho de amor que teve Adão
Na imensa noite que deu luz à gente.

E dele, (acaso lhe tremia a mão…)
Fez Deus a linda e frágil Criatura
Sem a qual tudo o mais seria em vão.

Hossana! Glória! - Eis Eva, ingénua e pura.
E Deus sorria a Adão, e Adão sorria
À feminina e doce formosura.

Verbo Ser e Verbo Amar



A Mulher, o Homem e a Serpente, por Byam Shaw



Deus Julgando Adão, por William Blake


sábado, 29 de dezembro de 2018

Perigos de dentro

Escrito por António Correia de Oliveira



Mosteiro da Batalha


Filhos, sabei: O Inimigo 
Que vos leva à perdição, 
Passou fronteiras e portas: 
Entrou-vos no coração! 

Entrou nas almas, sedentas 
De vão prazer, mando e orgulho, 
Como, na fruta, as lagartas, 
Ou, no celeiro, o gorgulho… 

Viriato Lusitano 



Falcata


sexta-feira, 25 de maio de 2018

Regresso a Deus

Escrito por António Correia de Oliveira







Jesus caminha. Onde é que vai? Surpresa,
A terra escuta; o sol espreita. Adoram
Aves e lírios, toda a Natureza.

- Oh! bem-aventurança dos que choram,
E dos pobres de espírito e ambição;
Dos que têm fome de justiça, e moram

Entre guerras tirânicas, e são
Pacíficas ovelhas e tesoiro
De amor, misericórdia e mansidão;

Dos perseguidos pelo ódio e o oiro,
Porque são limpos de pecado. Ao dia
Do eterno Reino ou negro Sorvedoiro,

Para os tristes será toda a alegria;
Será toda a abundância aos esfaimados;
Consolo, glória, paz, sabedoria,

Não ao Senhor do mundo, aos maus Soldados,
Mas sim aos que a si próprios se venceram...
Fortes e humildes, - bem-aventurados!

Verbo Ser e Verbo Amar








sexta-feira, 12 de maio de 2017

Paz e Guerra

Escrito por António Correia de Oliveira





Falcata



- «Ó gentes que me escutais:
Qual de vós, vendo-a perdida,
Não dera, por sua Pátria,
Lágrimas, sangue, alma e vida?

Qual de vós, ante o Estrangeiro,
De entre enxadas e torrões,
Não se erguera a ser Pastor
Dum rebanho de leões?» -

Surdo rumor de Epopeia,
(Mil vozes numa só voz),
Responde o Povo, bradando:
- «Ah! todos nós... Todos nós!» -

Viriato Lusitano





sábado, 31 de dezembro de 2016

Carmelita

Escrito por António Correia de Oliveira





A espada do Condestável (Exército Português, Museu Militar de Lisboa).



Ó meu Santo Condestável
Dum povo subido a tanto:
- Quando nos virá de Roma
Já, ao todo, Herói e Santo?

Meu São Nuno, por quem rezas?
Tão cheio de amor e esp'rança?
- "Por todos os da minh'Alma,
Do meu sangue, minha Herança".

Nossa Senhora do Carmo,
Benção de esp'ranças meninas,
Onde está teu relicário,
Teu convento? - "Entre ruínas".

Roga por nós, lembrando o Paladino,
São Galaaz do Reino Lusitano
Patrono e Doador do seu destino.

Hoje em dia, não é contra as Espanhas,
Tão amigas e irmãs,
De cá e lá as mãos tão enlaçadas,
- Mas prontas, de alma e vidas,
A serem, lado ao lado ao céu erguidas
No mesmo heróico frémito de espadas
Ou de orações cristãs.

Roga por nós! Não já contra as Espanhas,
Mas contra as gentes bárbaras e estranhas
Que sobem do Oriente
(Oh triste e negro horror luciferino!)
Q'rendo apagar em túrbido poente
A renascente, doce e branda aurora,
Sempre a sorrir-nos, - Madre redentora!
Quando embalas ao colo o Deus Menino.

Do poema "Carmelita", 1951.









segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

A Pátria

Escrito por António Correia de Oliveira




Mosteiro da Batalha



Primeiro, amai vossa Pátria;
Às mais, depois, vez e hora;
No altar acendem-se as velas,
- Mas de dentro para fora.

Nações diversas: e sonham
Fundi-las numa! Bem vês:
Só Deus é um; e, assim mesmo,
Quantas Pessoas? São três!

Amai a Pátria; e, na Pátria,
Amai o mundo em redor;
Seja a terra como a igreja
E a Pátria o seu altar-mor.

O amor da Pátria, - qual facho
Erguido à mão de Jesus, -
Não tenta queimar as outras,
Mas dar-lhes a própria luz.

Roteiro de Gente Moça











sexta-feira, 20 de março de 2015

Ó Portugal, doce Pátria!...

Escrito por António Correia de Oliveira







No céu há uma janelinha,
Vê-se Portugal por ela:
Quando Deus se sente triste
Vai sentar-se a essa janela...

Cantigas






Digam lá o que disserem,
(O dizer bem pouco importa):
Não há degrau, nem de trono,
Igual ao da minha porta.

Não há amor, qual o meu;
Luz qual a minha candeia;
Não há livro tão bonito
Como o que eu trago na ideia!

Num dia, corri o mundo,
E aqui voltei, à tardinha...
- Ó Portugal, doce Pátria!
Não há terra igual à minha.

Redondilhas





Vive a teu modo. Não tomes
De estrangeiro a estranha ideia;
Alma e corpo têm medidas:
Não lhes serve a roupa alheia...

É Portugal que vos fala


quarta-feira, 23 de abril de 2014

Jesus, Filho de Deus

Escrito por António Correia de Oliveira







Jesus, Filho de Deus, segundo Adão,
Palavra de humaníssimo sentido
E verbo que só Anjos saberão:

Tu, que já eras, antes que surgido
O mundo fosse, e Pai celestial
Antes de nosso filho haver nascido;
Tu, que, da glória e luz primordial,
Para ensinar os homens te fizeste,
Como qualquer, seu companheiro e igual;

Tu, que inspiraste a lei, e a obedeceste:
Pois, se nos deste a morte, em maior dor
Te deste a vida em que por nós morreste;

Tu, cuja mão de Amigo e Criador
Ao mesmo tempo afaga as criancinhas,
Sustém os astros, desabrocha a flor;

Tu, que as ondas do mar em paz continhas,
E as iras do Senhor contra o seu Povo
Amansavas em ti por onde vinhas;

Tu, que no céu longínquo, frio e covo
Qual a palma da mão fechando em nada,
Um Céu abriste, todo cheio e novo;

Tu, chama e alvor da quieta Madrugada,
Em torno à qual os orbes resplendentes
Lembram aves da noite em debandada;

Tu, que baixaste à escuridão das gentes;
E aos cegos deste a luz deslumbradora,
Um outro olhar aos olhos dos videntes;

Tu, Rei dos Anjos entre a luz sonora,
Senhor do espaço infindo e tempo eterno
De aquém e de além vida, noite e aurora;

Tu, doce e meigo como o sol de inverno,
Peregrino do Céu, batendo, à entrada,
Três argoladas aos portais do Inferno:

Pelo Nome do Padre; uma chamada;
Segunda, pelo Filho; a derradeira,
Pelo Espírito Santo, imensa e alada;

Tu, que desceste para a nossa beira,
Trazendo a paz, o amor, a fé, a esp'rança
Ao que a não tem e de verdade a queira;

Tu, que chamaste a tímida criança,
O triste, o humilde, o pobre, o abandonado,
E, em tua mão trazendo uma balança,

Para julgar o trânsfuga, o culpado,
Sorrindo, a Cruz lançaste, ao peso todo,
Não contra o infeliz, mas a seu lado:

- Senhor! onde é que vais, por esse modo,
Teus pés, afeitos ao veludo etéreo,
Mais do que espinhos, recalcando o lodo?

Verbo Ser e Verbo Amar


sábado, 23 de julho de 2011

«Ele há-de vir»

Escrito por António Correia de Oliveira





Ninguém teve, neste mundo,
Amor assim, tão profundo,
Como teve o Rei Soldado,
Trovão de Alcácer Quibir
Desejado, antes de vir;
Depois de ir, mais desejado.

E lá foi! Quem viu? Aonde?
Vivo, ou morto? Onde se esconde?
Ilha? Névoa?... Apenas isto.
Em vão, lá em cima, esperado
Na Corte de Jesus Cristo.

- «Ele há-de vir...» - E reboa,
Tudo reza, ou chama, à toa,
De eco em eco, esta palavra,
Seja o pão, abrindo à mesa;
Seja, ao lar, fogueira acesa;
Seja a terra a quem a lavra.

Sim! há-de vir. Mas, primeiro,
É preciso o Nevoeiro,
E a névoa é água a cismar;
As brumas da sua vinda
São lágrimas; e ainda
As fontes correm ao mar.

(De Hora Incerta, Pátria Certa, Lisboa, S.N.I., 1948).


terça-feira, 13 de abril de 2010

Senhora da Conceição!

Escrito por António Correia de Oliveira








Mãezinha dos Portugueses,
Senhora da Conceição:
Leva a guerra, traz a paz
Na palma da tua mão.

Mas, se formos às batalhas,
Senhora da Conceição!
Dá-nos a doce vitória
À luz do teu coração.


História Pequena de Portugal Gigante



quinta-feira, 25 de março de 2010

Guerra e Paz

Escrito por António Correia de Oliveira




D. Nun'Álvares Pereira (Mosteiro da Batalha).



Portugal não ama a guerra,
Sentado à sua lareira;
Mas, se querem apagar-lha
Pega o Fogo à terra inteira!

Mare Nostrum






domingo, 3 de janeiro de 2010

Sobre a Igualdade

Escrito por António Correia de Oliveira







Vi um fantasma, entre as névoas;
- «Quem és?» - Fugiu, mas ouvi;
«Dizem que sou a IGUALDADE...
Mentira! eu nunca existi!»

Roteiro de Gente Moça