domingo, 1 de fevereiro de 2026

Eco da própria palavra

Escrito por António Correia de Oliveira


Tecto do Baptistério de São João, em Florença, figurando as hierarquias angélicas.


Rumor há, perpétuo e uníssono,

Em que o silêncio amadorna,

E não cabe em nosso ouvido,

Qual água em copo, onde entorna:

 

Seja o dos Anjos, cantando;

Seja o do Inferno em cachão;

Seja o dos astros, no encontro

E raspar da escuridão.

 

Mas, o que a Deus dá mais gosto,

– Eco da própria palavra, –

Será o do grão, tombando

Sobre a terra, ao fim da lavra.


Redondilhas


Os Portões do Paraíso

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