segunda-feira, 23 de março de 2026

O ovo áurico

'Escrito' por Helena Petrovna Blavatsky


«A Teosofia seria a síntese filosófica que, resumindo o saber exotérico e esotérico, da percepção normal e da nova percepção, desse do Ser a mais compreensiva explicação.

O valor da Teosofia está, pois, na possibilidade ou impossibilidade das novas percepções.

Para disso julgar não temos nós, os não iniciados, categoria; como para julgar da nossa escala cromática não tem categoria um cego.

Eles, os iniciados, a afirmam; a nós somente resta o silêncio dos mudos ou o trabalho da experiência iniciática que nos apontam.

Mas, para sermos justos, devemos, no entanto, considerar que a vidência espontânea, a libertação mnésica e muitos dos fenómenos por Boirac chamados “espiritóides” indicam a presença duma realidade, que nos embebe e não percebemos, e que é bem parecida com a que os teósofos nos dizem aberta à percepção iniciática. De modo que o dever dum espírito verdadeiramente científico, isto é, dum espírito de universal curiosidade e não de idolatria por qualquer tipo de realidade já construída, é de atenta simpatia para a nova luz, que se vem anunciando e pode muito bem ser de melhoramento e alegria para as almas.»

Leonardo Coimbra (In «Dispersos. III - FILOSOFIA E METAFÍSICA», Editorial Verbo, 1988).

«(...) - Quando olhamos para as coisas, não as vemos. Só olhamos para elas, suponho eu, para nos certificarmos de que tudo está lá. Como não estamos preocupados em ver, as coisas parecem-nos sempre as mesmas, cada vez que olhamos para elas. Quando aprendemos a ver, por outro lado, uma coisa nunca é a mesma cada vez que a vemos, e, no entanto, é sempre a mesma. Eu disse-te, por exemplo, que um homem parece um ovo. Cada vez que vejo o mesmo homem, vejo um ovo, mas não é o mesmo ovo.»

Carlos Castaneda («Conversas com Don Juan - Para além da realidade»).

  


O OVO ÁURICO 

O ovo áurico é constituído de curvas, análogas às formadas pela areia sobre um disco metálico vibratório. Todo o átomo, como todo o corpo, tem o seu ovo áurico que lhes serve de defesa, com materiais adequados atraídos pela sua constituição. O ovo áurico do iogue repele todas as influências malignas. Nenhum poder de vontade se manifesta através do ovo áurico.

A criança tem um ovo áurico muito pequeno, de cor branca quase pura. No momento em que nasce, o seu ovo áurico é formado de akasha, em conjunto com o tanas que permanecem latentes ou potenciais até ao sétimo ano de vida.



O ovo áurico de um idiota não pode ser chamado de humano, pois não está colorido por manas [“corpo mental”]. São mais vibrações akashicas que um ovo áurico, isto é, uma envoltura material semelhante à das plantas e minerais.

O ovo áurico transmite as vidas periódicas à vida eterna, de prana [“sopro de vida”] a Jiva [“alma espiritual”].

Desaparece, mas não se desvanece.

Por ser uma força psicofísica, o magnetismo torna-se muito perigoso. Todavia, «um líquido excelente pode passar por condutos sujos», como sucede quando se vale do hipnotismo para curar os seus vícios os alcoólicos e fumadores de ópio. O ocultista pode servir-se do mesmerismo para a extirpação de costumes viciosos, se o seu propósito é perfeitamente puro, porque, no plano superior, a intenção é tudo, e a boa intenção há de propender necessariamente para o bem.



O ovo áurico é completamente puro quando nasce a criança, mas, no sétimo ano, supõe-se que manas colore, superior ou inferiormente, a sua aura. O raio de manas desce no vórtice dos princípios inferiores e, assim, descolorido e limitado pelos tantras kâmicos e os defeitos do organismo corporal, forma a personalidade. O carma hereditário pode alcançar a criança antes dos sete anos, mas não pode entrar em acção até à descida de manas. O ovo áurico é o ser humano; como a luz astral é a terra, e o akasha é o éter. Os estados críticos não se contam; são os centros layas, ou elos perdidos da nossa consciência que separam estes quatro planos uns dos outros.

(In Helena P. Blavatsky, A Doutrina Secreta, Alma dos Livros, 1.ª edição, 2025, pp. 506-507).






 

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