quinta-feira, 19 de março de 2026

O Plano Astral

Escrito por C. W. Leadbeater




«Luz Astral deve ser entendida aqui como um termo genérico para a ideação divina e universal [quando] reflectida nas águas do espaço ou caos, que é a própria Luz Astral. Ou seja, a Luz Astral é como o espelho da ideação divina mais elevada, mas é tudo invertido, porque este é um Plano de ilusão e aqui tudo está de cabeça para baixo

(In H.P. Blavatsky, «Comentários sobre a Doutrina Secreta. As Instruções não publicadas de 1889», Reunião da Loja Blavatsky, Quinta-Feira, 14 de Fevereiro, 1899).

 


Napoleão Bonaparte perante a Esfinge

«Chamam-lhe muitas vezes [à “região” astral] de reino da ilusão, não por ser mais ilusório do que o mundo físico, mas em virtude da extrema incerteza das impressões que nos chegam de lá por parte de observadores inexperientes, o que se deve, essencialmente, a duas notáveis características do mundo astral. Em primeiro lugar, muitos dos seus habitantes detêm uma extraordinária capacidade de mudar de forma com uma rapidez camaleónica, além de conseguirem iludir de modo quase ilimitado aqueles com quem decidem brincar; em segundo lugar, neste plano, a visão constitui  uma capacidade muito diferente da visão física, sendo também muito mais ampliada. Ali, a visão de um objecto proporciona a perspectiva simultânea de todos os lados, sendo o interior de um sólido tão claramente visível como o seu exterior. Assim, é óbvio que o visitante inexperiente sente uma grande dificuldade em compreender o que realmente vê e ainda mais em traduzi-lo para a tão desadequada linguagem do discurso comum. Um bom exemplo do tipo de erro que pode ocorrer frequentemente consiste na inversão de qualquer número que o observador leia à luz astral, podendo, por exemplo, interpretar o número 139 como 931, e assim por diante.

(...) Muitos Teosofistas falam com desprezo do plano astral, encarando-o como se não merecesse qualquer atenção, mas esta visão parece-me equivocada. Claro que o nosso objectivo deverá centrar-se em alcançar o plano espiritual; seria desastroso se o estudante negligenciasse esse desenvolvimento superior e se contentasse com alcançar a consciência astral. Há pessoas cujos Karmas lhes permitem desenvolver primeiro as capacidades espirituais – escapando temporariamente ao plano astral. E caso o seu desenvolvimento espiritual corra bem, quando, mais tarde, entrarem em contacto com este plano, terão a enorme vantagem de o poder explorar a partir de uma posição superior e com a ajuda de uma perspectiva espiritual que não pode ser enganada e de uma força também espiritual imbatível. É, no entanto, um erro fazer como alguns escritores e supor que este se trata do único ou até do método mais usual adoptado pelos Mestres da Sabedoria relativamente aos seus discípulos. Este método evita muito trabalho, mas este género de progresso abrupto foi negado à maioria de nós graças às nossas próprias faltas e tolices cometidas no passado. Podemos apenas esperar avançar devagar, passo a passo. Como o plano astral é o que está mais próximo do nosso mundo de matéria mais densa, é normalmente da sua relação com este que decorrem as nossas primeiras experiências sobrenaturais. Assim, o plano está longe de ser irrelevante para aqueles que entre nós são meros iniciantes nestes estudos. A clara compreensão dos seus mistérios poderá, muitas vezes, ser de extrema importância, não só por nos permitir compreender muitos dos fenómenos que ocorrem nas sessões espíritas, nas casas assombradas, etc., e que, de outro modo, se tornariam inexplicáveis, como também por nos ajudar a proteger a nós e aos outros de eventuais perigos.»

C. W. Leadbeater («O Plano Astral»).




«O que se pode dizer sobre a Luz Astral? A Luz Astral é a grande enganadora.»

(In H.P. Blavatsky, «Comentários sobre a Doutrina Secreta. As Instruções não publicadas de 1889», Reunião realizada na Loja Blavatsky em 7 de Fevereiro, 1889).

 

O PLANO ASTRAL

Antes de mais, será importante saber que o plano astral se encontra dividido em sete subníveis, cada um com o seu correspondente grau de materialidade e estado de matéria. Numerando-os em sentido descendente do mais elevado e menos material, concluímos que se agrupam naturalmente em três classes: as divisões 1, 2 e 3 formam uma classe e as divisões 4, 5 e 6 formam outra, enquanto a sétima e mais baixa se mantém isolada. A diferença entre a matéria de uma e outra classe é comparável à que existe entre um sólido e um líquido, ao passo que a diferença entre a matéria das subdivisões de uma classe se assemelha à existente entre dois tipos de sólidos, por exemplo, o aço e a areia. Deixando, para já, a sétima divisão de lado, podemos dizer que as divisões 4, 5 e 6 do plano astral têm como cenário o mundo físico em que vivemos e tudo aquilo que conhecemos. A vida na sexta divisão equivale à nossa vida na Terra, à excepção do corpo físico e das suas necessidades. Ao ascender à quinta e à quarta divisões, tudo se torna cada vez menos material e mais afastado do nosso mundo inferior e das suas questões.



O cenário das divisões inferiores corresponde ao da Terra, mas também representa muito mais, pois, sob este ponto de vista diferente, e com recurso aos sentidos astrais, até os objectos puramente físicos se apresentam de modo muito diferente. Como anteriormente referimos, são observados por alguém cujos olhos se encontram completamente abertos e não, como habitualmente, a partir de um único ponto de vista, mas em simultâneo de todos os ângulos. A ideia é, já por si, bastante confusa. Se lhe acrescentarmos o facto de cada partícula do interior de um corpo sólido ser tão visível e clara como as do seu exterior, compreender-se-á que, sob semelhantes condições, até os objectos mais familiares podem, à primeira vista, tornar-se absolutamente irreconhecíveis. No entanto, basta reflectirmos brevemente para concluirmos que esta visão se aproxima muito mais da verdadeira percepção do que a física. Se no plano astral observarmos, por exemplo, os lados de um cubo de vidro, eles parecer-nos-ão todos iguais, como na verdade são, ao passo que, no plano físico, observaremos o lado mais distante em perspectiva; ou seja, parecer-nos-á menor do que o lado que nos estiver mais próximo, o que será, obviamente, uma mera ilusão. Foi essa característica da visão astral que levou a que, por vezes, fosse referida como visão em quarta dimensão – um termo muito sugestivo e expressivo. Além destas eventuais fontes de erro, as coisas complicam-se ainda mais graças ao facto de a visão astral percepcionar formas de matéria que, embora puramente físicas, em condições normais são invisíveis. Refiro-me, por exemplo, às partículas que compõem a atmosfera, às diversas e constantes emanações de tudo o que tem vida e também aos quatro graus de uma categoria ainda mais subtil de matéria física que, à falta de nomes mais distintivos, devemos descrever como matéria etérica. Esta última forma constitui um tipo de sistema por si só, interpenetrando livremente toda a outra matéria física; e o estudo das suas vibrações e do modo como as diversas forças superiores as afectam constitui um campo de estudo vasto e profundamente interessante para qualquer pessoa de ciência que detenha visão necessária para o analisar.

(In C. W. Leadbeater, O Plano Astral, Albatroz, 1.ª edição, 2025, pp. 21-23).






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