Escrito por Hesíodo
« ... Homero, que, ao dizer “Okeanos, progenitor dos deuses, e a mãe Tétis”, declarou que todas as coisas têm origem no fluxo e no movimento.»
Platão («Teeteto»).
« ... como diz Homero, uma vez mais, "Okeanos progenitor dos deuses, e a mãe Tétis"; e penso que também Hesíodo. Também Orfeu afirma algures que "Okeanos de bela corrente foi o primeiro a iniciar os casamentos, ao desposar Tétis, sua irmã pela lado materno"».
Platão («Crátilo»).
«Há quem suponha que os mais antigos e, por certo, primeiros teólogos, muito anteriores à presente geração, formularam a mesma hipótese (sc. que Tales), pois fizeram de Okeanos e de Tétis, progenitores do que nasce, e do juramento dos deuses, a água – a que os próprios poetas chamaram Estige: é que o que é mais antigo é o que merece maior veneração, e o que mais venerável é empregado como juramento.»
Aristóteles Met. A 3, 983 b 27
« ... devemos acreditar naqueles que primeiro falaram, naqueles que foram, segundo as suas próprias palavras, progénie dos deuses, e que, suponho eu, devem ter conhecido bem os seus antepassados: ... Okeanos e Tétis eram filhos de Gaia [terra] e de Úrano [céu], e seus filhos foram Fórcis, Cronos, Reia e seus companheiros ...».
Platão («Timeu»).
«Em algumas fontes se diz que todas as coisas provêm da Noite e do Tártaro, e noutras, do Hades e do Aither; o autor da Titanomaquia diz que elas provêm do Aither, e Acusilau, que as demais coisas provêm do Caos, que foi o primeiro; ao passo que nos versos atribuídos a Museu está escrito que o Tártaro e a Noite foram os que primeiro existiram.»
Filodemo de pietate 137, 5
«E a história não é minha, mas ouvi-a a minha mãe, como o céu e a terra eram uma só forma; e quando se separaram, um do outro, geraram todas as coisas e fizeram-nas sair para a luz: as árvores, as aves, os animais, os seres que o mar salgado alimenta, e a raça dos mortais.»
Eurípides fr. 484 (do Melanipo, o Sábio).
«É que, aquando da composição original do universo, o céu e a terra tinham uma só forma, porquanto as suas naturezas estavam misturadas; após o que os seus corpos se separam um do outro e o mundo assumiu a configuração total que vemos nele ... ».
Diodoro I, 7, 1 (DK 68 B 5, 1).
«Ele cantou como a terra e o céu e o mar, outrora munidos mutuamente numa única forma, se separaram uns dos outros como uma luta de morte; e como as estrelas, a Lua e os caminhos do Sol têm para sempre os seus firmes limites no aither ... ».
Apolónio de Rodes, I, 496
« ... porquanto os teólogos “mistos”, aqueles que não dizem tudo por uma forma mitológica, tais como Ferecides e alguns outros, e também os Magos, fazem do primeiro genitor a melhor de todas as coisas.»
Aristóteles Met, N 4, 1091 b 8
«Por muito belo e verídico que seja o discurso de Diotima, no Symposium de Platão, um quase tanto me parece ser o de Aristófanes, com todo o humor da sua fantasia pelo menos, o sentido dele é imediatamente inteligível, neste contexto. O rebuscamento que nos faz sorrir não prejudica a seriedade do “mito”: o Andrógino é um símbolo ou, se não, bem o sugere. Facilmente rola o esférico conjunto de varão e mulher, na íngreme escalada, que os deuses temem por atentado ao seu poderio. Mas, indistintos, como indistintos foram Céu e Terra, antes da separação cosmogónica, esses espécimes do homem integral, que viria a ser macho e fêmea, possuíam, possuindo-se sem o querer, sem o desperdício da energia que viriam a despender, quando, divididos, metade buscava metade, força bem capaz de se igualar, ou mesmo, de exceder a de uma divindade que também se repartia por sexos opostos. Mas o Andrógino, como símbolo, não é a metade reunida à metade, é metade e metade mais o que ambas reúnem em “todo”, divisível em duas metades.»
Eudoro de Sousa («Do Diabólico ao Simbólico», in Mitologia, História e Mito).
«Quando se dissipam as sombras do caos de Hesíodo, é a negra Gaia um princípio feminino, que aparece. Sem esposo, Gaia gera – depois das “grandes montanhas”, o Oceano e o Ponto – o seu próprio macho ou esposo; e toda a geração divina proveniente de Gaia, tal como é indicado por Hesíodo segundo uma tradição que não se deve confundir com a do puro culto olímpico, se apresenta como um mundo submetido ao movimento, à mutação, ao devir.»
Julius Evola («Revolta contra o Mundo Moderno»).
A SEPARAÇÃO DA TERRA E DO CÉU
Primeiro que tudo surgiu o Caos, e depois Gaia [Terra] de amplo peito, para sempre firme alicerce de todas as coisas, e o brumoso Tártaro num recesso da terra de largos caminhos, e Eros, o mais belo entre os deuses imortais, que amolece os membros e, no peito de todos os deuses e de todos os homens, domina o espírito e a vontade ponderada. Do Caos nasceram o Érebo e a negra Noite; e da Noite, por sua vez, surgiu o aither e o Dia, que ela concebeu e deu à luz depois da sua ligação amorosa com Érebo. E a Terra gerou primeiro Úrano [Céu] constelado, igual a ela própria, para a cobrir em toda a volta, e para ser eternamente a morada segura dos deuses bem-aventurados. Deu à luz, em seguida, as altas montanhas, retiros aprazíveis das Ninfas divinas, que habitam nas montanhas arborizadas. Também deu à luz o mar estéril, que se agita com as suas vagas, o Ponto, sem deleitoso amor; e seguidamente, tendo partilhado o leito com Úrano, gerou Okeanos dos redemoinhos profundos, e Coio e Crio e Hipérion e Jápeto ...






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