quarta-feira, 27 de maio de 2026

Da infinitude e autonomia do Espírito

Escrito por Simplício

 

«E assim que o Espírito começou a mover-se, separou-se de tudo o que era movido, e quanto mais o Espírito se movia, tudo se ia separando; e à medida que as coisas se moviam e se separavam, a revolução aumentava ainda mais o processo de divisão.»

Simplício (Fr. 13, in Phys. 300, 31).

 

«O pensamento de Empédocles de Agrigento gera-se à volta do problema da unidade do ser em face da multiplicidade. O ser para Empédocles é uno e assume em si próprio o segredo insondável da harmonia. O ser é o Spherus

Luís Furtado («Cadernos de Filosofia»).

 

«Mas o Espírito, que é eterno, está seguramente, mesmo agora, onde tudo o mais também se encontra, na massa circundante e nas coisas que se têm unido ou separado.»

Simplício (Fr. 14, in Phys. 157, 7).

 


DA INFINITUDE E AUTONOMIA DO ESPÍRITO

Todas as outras coisas têm uma porção de tudo, mas o Espírito é infinito e autónomo, e não se mistura com o que quer que seja, mas existe sozinho, de per si. Pois, se não existisse de per si, mas se misturasse com qualquer outra coisa, teria um quinhão de todas as coisas, se com alguma se misturasse; porquanto em cada coisa há uma porção de tudo, conforme já antes afirmei; e as coisas, que com ele se misturaram, opor-lhe-iam um obstáculo, de tal forma que não teria poder sobre coisa alguma, do mesmo modo que agora tem, existindo de per si. É que o Espírito é a mais subtil e a mais pura de todas as coisas, e possui um conhecimento total de tudo e o maior poder. É o Espírito que dirige tudo o que tem vida, quer seja maior ou menor. Foi o Espírito que também teve poder sobre toda a revolução, de tal modo que foi ele que, no início, lhe deu impulso. Primeiramente, começou a mover-se a partir de uma pequena área, mas agora move-se sobre uma mais vasta e sobre uma inda mais vasta se há-de mover. E é o Espírito que tem conhecimento de todas as coisas que se misturam e se separam e dividem. E tudo o que estava para ser – o que era e o que agora é e o que há-de ser – a tudo o Espírito pôs ordem, bem como a esta revolução que agora executam os astros, o Sol e a Lua, o ar e o éter, que estão separados. E foi esta revolução a causa de se haverem separado. E o espesso separou-se do fino, o quente do frio, o brilhante do escuro e o seco do húmido. Mas muitas são as partes de muitas coisas, e nenhuma coisa se separa ou distingue de outra por completo, excepto o Espírito. O Espírito é todo igual, quer se trate das maiores ou das menores quantidades dele, ao passo que nenhuma outra coisa é igual a qualquer outra, mas cada simples corpo é e era mais claramente aquilo de que possuía maior quantidade.

(Fr. 12, Simplício in Phys.. 164, 24 e 156, 13).



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