Escrito por T. Lobsang Rampa
«
– Houve pessoas que afirmaram e escreveram que o
senhor não tem o ar de um tibetano
–
De facto? O senhor acredita que as pessoas dum dado país se assemelham sempre à
ideia que deles faz a imaginação popular? Tome por exemplo um pequeno país, a
Inglaterra. Existe um único inglês que seja “típico”? O pequeno galês trigueiro
é mais ou menos “inglês” do que o enorme escocês louro? E reciprocamente?
Repare:
na Índia, as pessoas de alta casta são muitas vezes tão brancas de pele que
poderiam passar por europeus; entretanto, na imaginação das pessoas, o
indiano-tipo é pequeno, escuro e vestido de andrajos.
O
personagem que simboliza a Inglaterra, John Bull, devia ser o inglês-tipo. Existe
na realidade? Não. E o Tio Sam? Assemelham-se os Americanos ao Tio Sam? É
evidente que não. Sendo assim, quando me dizem que não tenho o ar dum tibetano,
sorrio. Que posso fazer perante pessoas que dão mostras duma tal ignorância da
vida e das formas da vida?
(...)
– A imprensa daqui publicou uma carta do
dalai-lama que diz que o senhor é um impostor. Quer responder a isso?
– A imprensa deu um grande destaque a uma
pretensa declaração do dalai-lama, segundo a qual eu não seria “autêntico”. O
dalai-lama não disse nada disso. Todos sabem que as pessoas “altamente
colocadas” tem um grande número de secretários. Trudeau, por exemplo, tem uma
imensidão de secretários que – dentro de certos limites, bem entendido – estão autorizados
a escrever o que lhes parece oportuno; isto porque Trudeau não tem
evidentemente tempo para se ocupar pessoalmente de todos os seus correspondentes.
No que me diz respeito, sei justamente que um dos secretários do dalai-lama não
me vê com bons olhos, donde expressões como: “Nós não concedemos crédito...”, o
que, de qualquer modo, é muito diferente do que a imprensa tenta insinuar. A propósito,
foi o senhor mesmo que me disse que dois lamas tinham estudado o “assunto Rampa”
e que um deles se me tinha oposto enquanto o outro se pronunciou inteiramente a
meu favor. Como é que se explica que as pessoas estejam sempre prontas a adoptar
o partido desfavorável?
Um
escritor americano muito conhecido foi ver o dalai-lama, na Índia, e voltou
portador duma mensagem assegurando-me que quando o Tibete fosse libertado o
dalai-lama me acolheria no Potala. Não, não coloque na boca do dalai-lama
palavras que ele não pronunciou. Pelo contrário, considere suspeito o que foi
dito pelos seus secretários. O senhor não conhece os seus intentos. Eu creio
conhecê-los.
Desejo fazer ainda uma outra observação que,
até agora, ainda não apareceu nas suas perguntas. A imprensa parece perplexa
acerca da minha identidade. Pergunto-me porquê. Note que me encontro neste
ponto em boa companhia. Quem era Shakespeare? Quem era Bacon? Quem era Moisés? Tantos
problemas sobre identidades acerca das quais ainda se discute! Por outro lado,
para lhe dar uma ideia da enormidade de certas declarações de jornalistas, vou
mostrar-lhe um recorte de imprensa onde se diz que Cristo viveu no Japão e que
morreu lá. Acredita o senhor neste absurdo? Então porque acreditar em todas
essas parvoíces que a imprensa publica a meu respeito? A propósito, espero que
produza o recorte em questão. Isso há-de interessar as pessoas.
(...)
– Pretendem alguns que o senhor copiou
provavelmente a Sr.ª Blavatsky ou a Sr.ª Alexandra David Neel.
Cada
vez mais cómico? Não, eu não copiei ninguém. Não possuo obras de referência.
Nunca li nenhuma das obras da Sr.ª Blavatsky nem nenhuma das da Sr.ª
David-Neel. Escrevo exclusivamente de acordo com a minha experiência pessoal e
parece-me que isto é inteiramente adequado.
–
Pretendem alguns que o senhor foi
contratado por Hitler para se deslocar ao Tibete a fim de aí seguir um certo
treino, para, depois voltar para junto dele e o aconselhar.
– O senhor acredita seriamente que vou responder a uma tal pergunta? Pois bem,
vou mesmo responder a essa pergunta! Ainda que o senhor dê a impressão de ter
andado a percorrer os asilos de alienados para encontrar pessoas capazes de
fazer perguntas tão loucas!
Não,
nunca fui contratado por Hitler para ir ao Tibete. Se o senhor quer saber toda
a verdade, a verdade completa e nada mais que a verdade, leia o meu décimo
terceiro livro. Está já a ser impresso. Quando o tiver lido, ficará a saber tudo.
[Perguntámos a Louis Pauwels (autor de Le Matin des Magiciens) o que sabia da identidade de Rampa. Segundo este
célebre autor francês, não é impossível que T. Lobsang Rampa tenha feito parte
do grupo de político-místicos que se deslocou ao Tibete sob a direcção pessoal
de Himmler e a pedido do próprio Hitler.
![]() |
| Ver aqui |
![]() |
| Bruno Beger. Ver aqui |
Querendo
obter outros esclarecimentos dirigimo-nos a Simon Wiesenthal (o “caçador de
nazis” que conseguiu a captura de mais de 1000 criminosos de guerra - entre os quais Eichman). O seu Centre de Documentation de Vienne não
possui qualquer dossier preciso sobre
Rampa que, não sendo um criminoso, não é procurado. Contudo, este especialista
não afasta a possibilidade de Lobsang Rampa ter podido fazer parte duma certa
organização sob o nome de Thulé a que Pauwels se refere longamente no Le Matin des Magiciens.
![]() |
| Simon Wiesenthal |
| Ver aqui |
Outro pormenor que aos olhos de algumas pessoas dá peso às suspeitas de Pauwels e aos rumores que circulam a respeito de Rampa: este viveu algum tempo no Uruguai; ora, é bem sabido que no fim da guerra numerosos nazis se refugiaram precisamente na América do Sul].»
«Rampa explica-se» (in Alain Stanké, «Lobsang Rampa – O Enigma»).
O "ponto de vista tibetano" acerca da morte
![]() |
| Palácio de Potala (Lassa, Tibete). |
Antes
de descrever os nossos métodos para dispor dos corpos dos mortos talvez seja
aconselhável explicar mais pormenorizadamente o ponto de vista tibetano acerca
da morte. A nossa atitude é muito diferente da dos povos ocidentais. Para nós
um corpo não é mais que uma “casca”, uma cobertura material para o espírito
imortal. Para nós um corpo vale menos que um traje velho que se abandona. No
caso de uma pessoa que morre de morte natural, isto é, não de forma violenta e
súbita, consideramos que o processo se passa assim: o corpo está doente,
falhado, e tornou-se tão desconfortável para o espírito que este é incapaz de aprender
quaisquer lições mais. Chegou portanto a hora de jogar fora o corpo. Pouco a
pouco, o espírito retira-se e exterioriza-se; a forma espiritual tem exactamente
o mesmo contorno que o invólucro carnal e pode ser visto nitidamente por um
clarividente. No momento da morte, o cordão que junta os corpos físico e
espiritual (o “Cordão de Prata” da Bíblia cristã) adelgaça-se, quebra-se e o espírito afasta-se. É nessa ocasião que ocorre a morte, que não é mais que o
nascimento de uma vida nova, pois esse cordão é semelhante ao cordão umbilical que é cortado
para permitir ao recém-nascido uma existência independente. No momento da morte
o resplendor da força vital extingue-se à volta da cabeça. Esse resplendor
também pode ser visto por um clarividente.
Na
nossa opinião, um corpo leva três dias a morrer; é esse o tempo necessário para
a cessação de toda a actividade física e para o espírito, a alma, ou o ego, se
libertar completamente do seu invólucro carnal. Acreditamos que durante a vida de um corpo se forma um duplo etéreo; esse duplo pode tornar-se um fantasma.
Provavelmente toda a gente já sentiu a seguinte sensação: depois de olhar para
uma luz forte virar-se e, aparentemente, continuar a ver a luz. Nós
consideramos a vida um fenómeno elétrico, um campo de força, e esse duplo etéreo
que fica para além da morte é semelhante à luz que se vê depois de olhar para um forte foco luminoso, ou, em termos de
electricidade, como um forte campo magnético residual. Se o corpo tem razões fortes para se agarrar à vida
cria uma força etérea, e esta forma um fantasma que fica a habitar os cenários familiares.
Enquanto
assim falava, o lama passava a mão desde a clavícula do alto da cabeça do
moribundo de uma forma que se provou libertar o espírito com um mínimo de dor. O
moribundo ia sendo constantemente avisado dos obstáculos que lhe surgiam no
caminho e da melhor maneira de os evitar. Descrevia-se-lhe com exactidão a
estrada, estrada que tinha sido determinada pelos lamas telepáticos já mortos e
que continuavam a comunicar-se connosco da vida eterna.
“A
tua visão desapareceu completamente e a tua respiração está a parar dentro de
ti. O teu corpo se esfria e os sons desta vida já não chegam aos teus ouvidos.
Compõe os teus pensamentos em paz, pois a tua morte chegou. Segue a estrada que
te indicamos e encontrarás paz e alegria.”
Os
movimentos da mão do lama continuavam enquanto a auréola do velho se desvanecia
cada vez mais até desaparecer completamente. O lama soltou um grito súbito e
explosivo, um ritual antiquíssimo que ajuda a libertar completamente o
espírito. A força vital juntou-se numa massa semelhante a uma nuvem sobre o
corpo imóvel agitando-se em grande confusão até formar-se uma réplica esfumada
do corpo a que tinha estado ligada pelo “Cordão de Prata”. O “Cordão” adelgaçou-se
lentamente e assim como um bebé renasce quando se corta o cordão umbilical,
assim o velho renasceu na vida seguinte.
Lentamente, como uma nuvem no céu, ou o fumo de incenso num templo, aquela
forma afastou-se. O lama continuou a dar instruções telepáticas durante a
primeira fase da jornada. “Estás morto. Aqui nada mais há para ti. Cortaram-te
os nós que te prendiam à carne. Estás no bardo.
Segue o teu caminho e nós seguiremos o nosso. Segue o caminho prescrito.
Abandona este mundo de ilusão e entra na Realidade Maior. Estás morto. Continua
o teu caminho.”
As nuvens de incenso elevavam-se no ar. A distância, os tambores rufavam surdamente; dum ponto alto do telhado do mosteiro uma trombeta grave lançava sobre a paisagem a sua mensagem de morte; dos corredores, lá fora, chegavam até nós os sons de uma vida vigorosa, o arrastar de botas de feltro e o mugir cavo de um iaque. Mas ali, naquele pequeno quarto, tudo era silêncio: o silêncio da morte. Só as instruções telepáticas do lama agitavam a camada do silêncio. A morte: outro velho partira na sua roda da existência, aproveitando talvez as lições desta vida, mas destinado a continuar até atingir o estado de Buda, ao fim de longo e continuado esforço.
(In T. Lobsang Rampa, A 3ª Visão, Record, 8.ª Edição, pp. 234-237).















