domingo, 10 de janeiro de 2016

Portugal e o globalismo

Escrito por Miguel Bruno Duarte






António Telmo no Mosteiro dos Jerónimos

«A cifra, primeira na ordem do Reino, que cala o mistério da história de Portugal, é o "manuelino". Ponhamos, porém, esta afirmação no modo hipotético. Se ela vier a confirmar-se, isto é, se for possível demonstrar que por detrás do "manuelino" está uma organização esotérica, então, qualquer que ela seja, identificar-se-á com o Reino, porquanto os símbolos fundamentais do "manuelino" - a cruz de potência e a esfera armilar - eram simultaneamente os símbolos régios.

Julgamos apresentar esta demonstração nas páginas deste livro. Vamos, todavia, mais longe. Situamos a doutrina, de que o "manuelino" será a suprema expressão, no início e na génese da nacionalidade que, em nosso entender, ter-se-ia formado para realizar os fins daquela suposta organização. Qualquer coisa terá falhado, de que nos é difícil, senão impossível, calcular a exacta natureza; qualquer coisa, em certo momento, situável provavelmente no reinado de D. Manuel I, terá sido adiado para os séculos futuros e a súbita irrupção do "manuelino", que invade com os seus símbolos o país de norte a sul e de oriente a ocidente, pode bem interpretar-se como um livro deixado aos inomináveis vindouros.

Neste sentido, Os Lusíadas constituem a cifra poética para aquilo de que os Jerónimos são a cifra arquitectónica. Depois do grande poema oceânico, a literatura portuguesa caracterizar-se-á, nos seus aspectos superiores, pela profecia. Vieira, Junqueiro, Pascoaes, Pessoa e Régio, sem dúvida os primeiros artistas portugueses da palavra e do pensamento, são, por diferentes modos, escritores messianistas. De uma maneira ou de outra, todos eles reconheceram a identidade da Pátria com o ciclo heróico que termina, de facto, em D. Manuel I e se prolonga, em forma fantasmática, até Alcácer-Kibir.

(...) Se havia uma doutrina secreta ligada aos Descobrimentos, as causas que, em geral, se lhes apontam vêm a ter um valor secundário, importante no seu plano - económico, religioso ou outro -, mas incapaz de dar a verdadeira razão. Do nosso ponto de vista, tudo se integra num processo que vem de longe (pelo menos, desde a fundação da nacionalidade), cujo momento fundamental e decisivo se deve situar na queda dos Templários.

O que é que permitiu que, em Portugal, a Ordem da Milícia do Templo continuasse a existir coberta pela Ordem da Milícia de Cristo? Este facto simples: Portugal é a Ordem do Templo até D. Manuel I e desde a sua origem.

Só assim se explica que a cruz da Ordem simbolizasse a Pátria nos templos e nas caravelas».

António Telmo («História Secreta de Portugal»).



Estátua de D. Afonso Henriques




«(...) Mais enigmático ainda é um documento há pouco descoberto na Chancelaria de Afonso V. Nele se menciona um certo Jorge, "embaixador de Preste João", que estava em Portugal em 1452. Nunca mais se sabe acerca desta personagem. Nenhum cronista, contemporâneo ou posterior, se lhe refere, e quando, sessenta anos depois, chegou à corte de D. Manuel um enviado da Abissínia, foi acolhido como primeiro embaixador do Preste João.

Quem era, então, Jorge, e que era ele? Seria algum peregrino abexim vindo a Roma ou a Jerusalém, que os agentes de D. Henrique encontraram e persuadiram a visitar Portugal? Esta explicação parece muito provável, mas porque lhe chamaram, então, embaixador?

Foi em 1454, dois anos após esta visita misteriosa, que D. Afonso V concedeu à Ordem de Cristo, de que D. Henrique era mestre, jurisdição espiritual sobre a Guiné, Núbia e Etiópia.

(...) Quando D. Henrique morreu, em 1460, os problemas que ele tinha posto a si mesmo estavam ainda, na sua maioria, por resolver. A terra do Preste João quase não passara de Lenda. O sonho do caminho marítimo para a Índia ainda se não tinha corporizado. Mas, em sua vida, D. Henrique havia transformado o Mundo. Com a sua mão arredara, para sempre, os fantasmas de que a imaginação dos homens povoara o Atlântico. Uma nação havia que tinha perdido todo o pavor do Oceano. E a nação que o Infante instruíra na arte da navegação era jovem e forte - povo ainda não corrompido pelo luxo, que tinha vivido da agricultura e da espada. Os seus antepassados haviam-lhe legado uma grande tradição guerreira. Poucos em número, estavam habituados a vencer contra enormes desigualdades. Filhos dos vencedores de Mouros e Castelhanos, sentiam-se invencíveis. Quanto aos perigos do mar - uma viagem marítima já não era aventura de acaso, mas um problema a resolver pelas regras de uma ciência exacta. Portugal enfrentava assim o mundo desconhecido, e não o temia».

Elaine Sanceau («Em Demanda do Preste João»).






Fortaleza de Sagres


Promontório de Sagres




Portugal e o globalismo


Três foram, de facto, os homens que estiveram na origem da Comunidade Económica Europeia (CEE): Jean Monnet, o Conde Richard N. Coudenhove-Kalergi da Áustria e Józef Retinger. Ora, a CEE, sendo instituída por um dos Tratados de Roma em 1957, fora estabelecida com vista a um Super-Estado Europeu conforme o planeado nas reuniões do Grupo Bilderberg, tendo ocorrido a primeira reunião em 1954, no Hotel de Bilderberg, perto de Arnhem, na parte oriental dos Países Baixos. De resto, as futuras reuniões entre ministros dos Negócios Estrangeiros da Europa haviam sido particularmente propostas por Józef Retinger e o presidente do Grupo Bilderberg, o Príncipe Bernardo da Holanda.

Considerado o "Pai da Europa", Jean Monnet era, curiosamente, filho de um comerciante francês de brandy. Em 1910, mudando-se para o Canadá em busca de novos mercados para o negócio de família, tornou-se confidente de presidentes e primeiros-ministros, chegando, inclusive, a Secretário-Geral da Liga das Nações e a vice-presidente da empresa TransAmerica, conseguindo assim conquistar um estatuto internacional que lhe permitiria jogar em ambos os lados do Atlântico para a criação da Comunidade Económica Europeia. Entretanto, N. Coudenhove-Kalergi redigia, em 1923, um livro intitulado Pan Europa, propondo já a formação dos Estados Unidos da Europa, como ainda viria a propor que o Hino da Alegria de Beethoven se tornasse, de facto, o Hino representativo da federação europeia.

Se bem que a formação de um Super-Estado Europeu não tivesse sido mencionada aquando das negociações para os Tratados de Roma (Tratado Constitutivo da Comunidade Económica Europeia e Tratado Constitutivo da Comunidade Europeia da Energia Atómica), a verdade é que foram sendo gradualmente abatidas, em nome de uma "zona de comércio livre", todas as fronteiras que configuravam uma Europa política, económica e culturalmente diversificada. E, nisto, não faltaria ainda o pretexto das funestas consequências do último conflito mundial para acelerar o processo de unificação europeia na transição do plano estritamente económico para o plano político mediante o Tratado de Maastricht (1992), que, desse modo, instituiria a União Europeia e a centralização do poder de decisão mediante a criação de um Banco Central Europeu (1998) e de uma moeda única (1999), bem como através da administração regional e de políticas comuns de trabalho, agricultura, indústria, saúde, educação, transportes, etc.

Jean Monnet (1888-1979).









Józef Retinger (1888-1960).



Conde Coudenhove-Kalergi (1894-1972).



(1911-2004).









Consequentemente, a criação de um Super-Estado Europeu implicava necessariamente o fim das soberanias nacionais, segundo as leis que os burocratas não-eleitos de Bruxelas ditam e impõem aos Governos e Parlamentos nacionais. Aliás, não fora por acaso que alguns desertores do KGB, como Anatoly Golitsyn e Vladimir Bukovsky, se deram ao trabalho de mostrar a semelhança existente entre o sistema de corrupção inerente aos burocratas do Politburo da União Soviética e o sistema não menos corrupto que actualmente envolve os burocratas do mais impante europeísmo emergente. Bukovsky dissera, inclusive, que em 1992 tivera acesso aos documentos do Comité Central do Partido Comunista da União Soviética, que confirmavam o intento de transformar a Europa num consórcio totalitário.

Mas há mais: a criação de um Super-Estado Europeu integra-se numa Nova Ordem Mundial que inclui outros Super-Estados a serem criados em zonas específicas do globo. Assim, teremos, a par da União Europeia, a União Americana, a União Africana e a União Ásia-Pacífico. Ou seja: têm sido criadas novas "zonas de comércio livre" com vista a procurar fundir diferentes países ou plataformas regionais, pelo que têm surgido tratados como o North America Free Trade Agreement (NAFTA), que envolve os Estados Unidos, o Canadá e o México, ou fóruns como o Asia-Pacific Economic Cooperation (APEC), constituído por 21 países localizados no Círculo do Pacífico, ou ainda organizações como a Comunidade Económica Africana (CEA), que estipula a criação, entre Estados africanos, de uniões aduaneiras, um banco central, uma moeda comum, etc. Por outras palavras, a centralização do poder de decisão na Europa, nas Américas, África e Ásia-Pacífico processa-se em nome da "coordenação", da "cooperação" e da "associação" de múltiplos interesses, forças e actividades em jogo, mas que posteriormente evoluem para "uniões" ou "entidades" que possam garantir o objectivo final: a consolidação de um Governo Mundial com um Exército Único, um Banco Único, uma Moeda Única (electrónica, não em dinheiro), em suma, o Reino do Anticristo.

O caso da União Europeia é, portanto, um caso paradigmático do que temos vindo a descrever, na medida em que já está praticamente consumada uma divisão da Europa em regiões administrativas controladas quer por comissários europeus não-eleitos, quer pelos seis membros do Quadro Executivo do Banco Central Europeu que controlam a moeda única e as reservas monetárias de cada "Estado". E, Portugal, como é óbvio, permanece presentemente subjugado aos poderes totalitários da União Europeia, bastando, para o efeito, ver como não há governo em Portugal que, ao longo dos últimos trinta anos, não cumpra ordens, normas e directivas europeias que visam obter o desaparecimento da entidade histórica e espiritual que é Portugal. Assim, a servil submissão dos Portugueses chega a ser tão claramente ostensiva, que é bom que se veja bem o que verdadeiramente significa a perfídia da "classe política" reunida no Mosteiro dos Jerónimos para servir e consumar desígnios inteiramente estranhos ao povo português.

Assinatura do Tratado de Adesão à Comunidade Económica Europeia (CEE) no Mosteiro dos Jerónimos (12 de Junho de 1985).


Ver aqui








Ernâni Lopes, Rui Machete, Mário Soares, Jaime Gama e António Marta









8 de Janeiro de 2016


A "élite" internacionalista


António Costa





Durão Barroso


Cavaco Silva e António Costa



Martin Schulz





Rui Machete e o globocrata socialista António Guterres


Passos Coelho e Luís Montenegro


Fernando Medina e António Vitorino


Mário Centeno


Assunção Cristas e Maria João Rodrigues






Arte Popular Nacionalista das Caldas



Caldas da Rainha

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Capela de Santo António

Escrito por Ana Leonor Mata e Inês Florindo Lopes



Montargil. Ver aqui





























«A vila de Montargil, localizada no alto da encosta, desenvolve-se numa malha urbana concentrada mas ao mesmo tempo dispersa, onde são bem evidentes as várias fases de ocupação adaptadas sempre à morfologia do terreno em constantes montes e vales. No alto [onde os primeiros habitantes se protegiam dos seus inimigos], vê-se o extenso espelho de água que constitui a albufeira de Montargil, e que na realidade é a verdadeira protagonista deste trecho do território português e que fez com este local, pelas suas características, fosse o escolhido para que se fixasse um determinado grupo populacional que fez ao longo de décadas nascer e desenvolver esta Vila.

Quando chegamos ao coração de Montargil podemos encontrar a Capela de S. Sebastião, numa plataforma mais elevada com acesso por escadaria, que fica no topo das duas ruas principais que se desenvolvem ao longo do vale e caracterizam o pequeno centro. São estas duas ruas paralelas, que permitem o acesso à Igreja Paroquial também localizada numa zona superior, que são símbolo da arquitectura típica montargilense. Quer a Rua da Misericórdia, onde se localiza a Igreja da Misericórdia, quer a Rua do Comércio, primam pela sua posição central e privilegiada de acesso à principal igreja da vila. Este trajecto é rico em fachadas altas, estreitas, esgrafitadas e coloridas a tons quentes e ocres, bem como em habitações de caio branco e barras amarelas ou azuis ou revestidas por superfícies azulejares, realçando elementos decorativos de protecção em ferro forjado e em madeira. É toda esta mescla cromática e de texturas que caracteriza esta vila tão pitoresca, com tanto para contar.

A parte mais antiga do traçado urbano de Montargil é protegido por três montes, como se se tratasse de um triângulo de protecção em que facilmente no nosso imaginário figuramos uma muralha virtual. Sendo assim, no cimo de cada monte existe uma capela, nomeadamente: S. Sebastião, Igreja Matriz de Santo Ildefonso e Capela de Santo António, e, no coração do vale, a Igreja da Misericórdia.



Igreja de São Sebastião




Interior da Igreja de São Sebastião, de nave única, em abóbada de volta perfeita.




Igreja Paroquial de Montargil




Pelourinho


Estas capelas, símbolo da espiritualidade da época, certamente que estiveram ligadas ao poder e prestígio das ordens religiosas, mas (...) implantadas no seio de uma comunidade agrícola apresentam características fortemente rurais, que consoante a riqueza dos patronos e os recursos ou dádivas disponíveis, se revestiram de maior ou menor qualidade técnica, exuberância formal e decorativa. (...) A construção destes templos constituía uma das mais importantes tarefas das comunidades recém-formadas, pelo que as casas mais importantes do povoamento seriam as próprias igrejas ou capelas. Era pela Porta do Céu que se entrava na Casa de Deus, em torno da qual era possível viver no conforto da paz espiritual.

Com o passar dos anos e devido à contínua ocupação destas terras, e nesse sentido o aumento dos fiéis, houve a necessidade de se construir na parte noroeste da vila uma nova capela, dedicada a S. Pedro, e uma pequena ermida, que ficando à beira da estrada, dava passagem para outras aldeias e lugares próximos já na direcção do Ribatejo. Nessa sequência explica-se, mais tarde, a necessidade da construção das capelas da Farinha Branca e Vale de Vilão».

(in «Montargil. Na Rota do Sagrado», Associação Nova Cultura de Montargil, 2011, pp. 26-27).


«...O mundo do sagrado é o daquele plano da alteridade que transcende absolutamente a nossa pobre vida do dia a dia. É o mundo do numinoso, do luminoso irradiante, do fascinante absoluto, também o do tremendo absoluto. Ora em qualquer ponto do planeta, por mais humilde que seja, está aberto o caminho para a experiência do sagrado. Está aberto, pois, em Montargil. Há séculos, há milénios que essa experiência é vivida pelo homem em Montargil.

Nos dois últimos milénios, essa experiência é a do cristianismo (...). A rota do sagrado tem o diâmetro exacto do planeta Terra e pode dizer-se que está agora a sair dele para além dele, para o espaço integral do sistema solar. Há no Planeta um pequeno rincão que dá pelo nome de Montargil. A rota planetária do sagrado passa por aqui, é assinalada pelo homem montargilense aqui. Na nossa terra...».

Manuel Ferreira Patrício (Posfácio, in «Montargil. Na Rota do Sagrado», p. 63).










Capela do Senhor das Almas







CAPELA DE SANTO ANTÓNIO


Localizada no alto de Santo António, num dos pontos mais altos da povoação, com vista privilegiada para a barragem de Montargil, a Capela de Santo António impõe-se não só pelo deslumbre da paisagem, mas também pela espiritualidade do local, e pitoresca construção. É um edifício com fachada de pilastras encimadas por fogaréus piriformes, frontão simples, telhado com campanário de olhal de volta perfeita, portal recto e duas pequenas janelas com gradeamento.

A nave única, de planta retangular, provavelmente adaptada a partir do primitivo nártex coberto, mas aberto ao exterior por arcos laterais é de caio branco e tecto novo forrado a madeira. A capela-mor circular, provavelmente a primitiva construção, destaca-se pela pintura mural da cúpula, o estuque decorativo das paredes e o altar em talha dourada com imagem do padroeiro. A planta centrada de origem oriental, estará ligada a funções baptismais ou fúnebres, embora não haja exemplo disso em Portugal. O simbolismo é caracterizado pela dimensão apocalíptica da Jerusalém celeste, servindo a sua geometria sagrada para invocar um sentido de redenção, que a ideia do sepulcro de Cristo encerra. Não existe qualquer dúvida que inicialmente esta capela era de planta circular e cúpula hemisférica, de influência helenística e oriental que tinha o objectivo de aumentar a mística dos fiéis pelo envolvimento que a estrutura circular comportava e oferecia.

Capela de Santo António


Na pintura mural da cúpula, pouco subsiste da pintura original datável do século XVII-XVIII. Aplicada a seco, sofreu um repinte no século XIX que alterou as feições da imagem central de Santo António. E assim sendo, da pintura original permanecem apenas, na parte inferior da cúpula, pormenores de cenas da vida do Santo.

A pintura decorativa sobre as paredes que ladeiam o altar-mor da capela de Santo António é um revestimento tradicional à base de uma argamassa de cal e pó de mármore, muito comum no século XIX português. Este tipo de revestimento funciona como uma camada de apresentação estética que pretende imitar a pedra de mármore, e que era geralmente de cor branca ou cor escura, ambas as situações retratadas na capela de Santo António. Quando as argamassas estavam ainda frescas, na tentativa de imitar as juntas utilizava-se um ponteiro para marcar as arestas das supostas pedras e por vezes poderiam ser adicionados pigmentos na argamassa, sobretudo no caso de superfícies mais escuras. Para completar o revestimento, eram ainda aplicados a seco, alguns veios numa imitação mais fiel do mármore. As paredes circulares apresentam um marmoreado branco sustentado por lambrim texturado em tons de amarelo e arco com marmoreado de veio escuro, Do lado direito, ainda uma janela em trompe-l'oeil imita a simétrica que se abre à sua frente.

Ladeando o retábulo em talha dourada, no altar-mor, surge um trabalho em estuque relevado com concheados, enrolamentos vegetalistas e florais, comum em edifícios religiosos e casas de habitação nobre. Na realidade, o século XIX português assiste à industrialização da arte do estuque sobretudo no referente aos estuques decorativos modelados, compostos de cal e pó de mármore.

O retábulo da capela de Santo António é uma peça em madeira de castanho, entalhada e dourada a ouro fino, do século XVIII. É composto por um nicho central, ladeado por duas colunas de cada lado e cimalha em forma de concha centrada por querubins. As colunas são torsas e profusamente decoradas com parras, uvas e pássaros, salientando um efeito expressivo típico do período barroco. É sem dúvida um retábulo sumptuoso, com formas curvilíneas e agitadas, e efeito expressivo apoiado na luz e cor. No nicho central figura uma escultura em madeira entalhada e policromada de Santo António do século XVIII.



Interior da Capela de Santo António de nave única e planta rectangular.





Todo o edifício foi alvo de uma intervenção de conservação e restauro profunda quer a nível estrutural, quer a nível decorativo que decorreu no ano de 2010. A Capela de Santo António é sem dúvida um local místico, cheio de recordações locais e a fama de casamenteiro do santo padroeiro tornou-a muito querida entre os montargilenses. Ainda se contam os episódios em que as raparigas da vila, em idade de casar, tentavam acertar na fechadura da porta com os olhos vendados: o número de tentativas correspondia ao número de anos que demorariam a realizar a ambicionada cerimónia! De facto, Santo António é sem dúvida o Santo português mais venerado e depois de S. Francisco de Assis, o Franciscano de maior relevo. É considerado Doutor da Igreja e o número de milagres que lhe são atribuídos é o suficiente para fazer dele um grande taumaturgo... (in «Montargil. Na Rota do Sagrado», pp. 40-43).