domingo, 20 de maio de 2012

Silogística

Escrito por Miguel Bruno Duarte








«A partir do Iluminismo de cariz maçónico, procurou-se desvincular a ética da religião ou religiões concretas, a razão da fé e da Revelação divina. Por isso a maçonaria propõe o que é comum a todas as religiões e a todas as éticas. É isso que se deve ensinar nos centros de ensino e aquilo que deve reger a cidadania. É a chamada "ética cívica" ou "filosófica, racional", distinta e contraposta à "ética/moral religiosa".

(...) O homem dos nossos dias, qual Teseu, anda perdido e inquieto no labirinto serpenteante da globalização, em busca do fio de Ariadne que o conduza a uma "nova ordem", sem dúvida utópica. A maçonaria falou sempre de uma "Nova Ordem" e, pelo menos desde o início do século XIX, também de uma "Nova Era". Entre 1829 e 1990 veio a lume The New Age, uma das publicações periódicas mais conhecidas, órgão do Conselho Superior do Rito Escocês da circunscrição sul dos Estados Unidos. Para que a convivência dos homens e das nações seja pacífica já não basta a ética cívica. É necessária a implantação de uma ética mundial, ou de um "mínimo ético", quer dizer, uma normativa básica que regule adequadamente as relações entre todos os povos e indivíduos. Para além da Declaração dos Direitos do Homem (1948), já foram dados alguns passos nesse sentido, o mais notório dos quais foi, sem dúvida, a Declaração de Uma Ética Mundial (DEM) do II Parlamento das Religiões (Chicago, 4 de Setembro de 1993), em torno da ética. As religiões são marginalizadas, e até certo ponto suplantadas, pela ética mundial ou comum a todos, religiosos ou não.

(...) O resultado será "uma ordem nova" (DEM, "Introdução"). Isto, porque "não é possível uma Nova Ordem Mundial sem uma ética mundial" (DEM I), sem uma "renovação espiritual" mais necessária do que "as transformações sociais e ecológicas" (DEM II)».

Manuel Guerra («A Trama Maçónica»).


«Podemos pensar, como o relativista, que nenhuma sociedade, incluindo a nossa, é detentora exclusiva da verdade. Mas podemos entender que isso significa apenas que algumas sociedades estão certas acerca de algumas coisas, e outras acerca de outras.

(...) Se cada sociedade pode aprender com as outras, a importância do diálogo intercultural é óbvia.

(...) Para que o diálogo intercultural se realize, é importante que os membros de todas as sociedades estejam dispostos a procurar as bases de entendimento que lhes permitam não só comunicar entre si, como progredir no sentido de eliminar erros morais e fortalecer práticas morais que se têm mostrado correctas. A Declaração Universal dos Direitos Humanos é um documento especialmente importante para promover essas bases de entendimento entre todas as culturas».

In «A Arte de Pensar» (Filosofia 10.º ano), Capítulo 7: Valores e cultura: a diversidade e o diálogo de culturas, Didáctica Editora, Vol. I, 2011, pp. 132-33.



Quartel-General da Unesco (Paris).




«... de nada vale objectar que a Unesco declare a filosofia como estando num plano superior ao das outras disciplinas, ou, por outras palavras, que os filósofos, jamais substituindo os especialistas doutros domínios, devam, acima de tudo, dar uma "unidade intelectual" aos fins doutrinários daquela instituição. Daí a "vulgarização de uma cultura filosófica internacional", se atendermos à nomenclatura do programa da Unesco em matéria de filosofia, tal como foi projectado pela Comissão preparatória de 24 de Junho de 1946. Por conseguinte, este programa, adverso ao princípio das nacionalidades, apenas representa uma tendência ideológica apostada na utopia dos direitos e dos deveres do homem perante a "nova democracia".

Embora negando protagonizar um dirigismo na ordem internacional, a Unesco revela a sua face quando a propósito do seu programa, deixa entrever o seu plano de acção, de que salientamos, pelo teor assaz interventivo, os seguintes pontos:

1. "Sugestões" ou "recomendações" a sociedades nacionais e internacionais de filosofia; 2. Ligação e apoio financeiro às universidades nacionais com vista à "execução de um plano de ensino à escala mundial"; 3. Intercâmbio internacional de professores e estudantes mediante bolsas de estudo; 4. Subvenção "criteriosa" no plano editorial de obras e manuscritos de natureza filosófica; 5. Patrocínio de revistas e traduções já editorialmente asseguradas; 6. Subordinação da filosofia a problemas sociais e políticos, como por exemplo a "psicologia social", "as causas sociológicas das nevroses", "o homem face ao Estado", "a liberdade política", etc.; 7. Redacção de um manual de moral destinado aos alunos do secundário em todo o mundo; 8. "Sugestões" feitas aos Estados-membros tendo em vista uma formação moral e cívica dos professores primários, com base nas publicações da Agência; 9. Publicação de "um jornal internacional em várias línguas", cujo propósito é o de, num primeiro momento, "propor" um programa de ensino moral às escolas, para, finalmente, o inserir como parte integrante dos diferentes programas nacionais. Em suma: trata-se de uma cultura unificada, a que não é alheia uma atitude que se diz contrária à veiculada pela propaganda, mas, na verdade, reveladora em si de finalidades que só podem resultar num sistema totalitário».

Miguel Bruno Duarte («Noemas de Filosofia Portuguesa»).





Silogística


António Quadros, em estilo que Orlando Vitorino chegara a caracterizar de «aparentemente conciliador mas intimamente revulsivo», escrevera em tempos que a ONU não mais seria do que uma nação mundialmente hegemónica em detrimento de uma independência civilizacional das nações e das pátrias política e culturalmente organizadas (1). Porém, hoje as coisas são muito mais complexas na medida em que a ONU já é, efectivamente, o governo mundial ao qual subjaz uma rede apátrida de forças económicas, políticas e culturais inspiradas por uma engenharia comportamental à escala planetária (2). Prova disso são as inúmeras agências que da ONU proliferam sob as directrizes programáticas de técnicos e especialistas em matéria tão vasta e ampla quanto podem ser os vários interesses e actividades da existência humana, entre as quais proliferam as questões morais e culturalmente sociológicas dirigidas e regulamentadas pela Unesco.











Não esqueçamos, pois, que os objectivos do projecto supranacional da ONU já estavam teoricamente definidos antes de a Segunda Guerra Mundial ter terminado em 1945. Desde então, a cultura unificada, propagandeada em termos pacíficos e suasórios pela ONU, é o objectivo último a impor a toda a organização do ensino dos diferentes países, nações e civilizações onde quer que existam ou onde quer que se encontrem. Nesse propósito, a Unesco projectou, inclusivamente, uma «unidade intelectual» alegadamente filosófica, já que não só se apresentou, desde o primeiro momento, como uma instituição filosófica, como propugnou ainda, em Comissão preparatória, de 24 de Junho de 1946, pela «vulgarização de uma cultura filosófica internacional» (3). A ONU negaria, já então, tratar-se de um dirigismo na ordem e na legalidade internacionais, ao mesmo tempo que «recomendava» um plano no qual se estipulava um apoio financeiro às universidades nacionais com vista à «execução de um plano de ensino à escala mundial», assim como estipulava igualmente a subvenção «criteriosa» no plano editorial de livros, revistas e traduções já previamente asseguradas do ponto de vista da subordinação da filosofia à moral e à sociologia politicamente correctas (4).

Consequentemente, não é por acaso que no âmbito do actual programa da «disciplina de Filosofia» (5), a Unesco - tal como se refere num posterior aditamento do respectivo programa -, haja ditado «a todos os Estados a introdução ou o alargamento da formação filosófica a toda a educação secundária» (6), a ponto de uma tal disciplina ficar estreita e ideologicamente dependente de um declarado «vínculo entre Filosofia e Democracia, entre Filosofia e Cidadania». Ora, inúmeros são os modos como um tal vínculo se tende a repercutir no influxo linguístico dos jovens destinatários, posto que um tal processo, tão amplo quanto as disciplinas, os processos pedagógicos e os respectivos agentes de ensino, se baseia numa incessante repetição de palavras de ordem cuja fonte remota já quase ninguém praticamente questiona ou identifica como tal. Por conseguinte, não há fenómeno linguístico que, de um modo geral, todo o indivíduo, em semelhantes circunstâncias, cuide de analisar no sentido de se libertar de toda a carga ideológica pré-determinada e politicamente correcta, mas, por isso mesmo, encobridora do senso mais directo e concreto da realidade.

Preconizam as Categorias de Aristóteles que sem os estudos de ordem filológica não podem prosseguir os estudos de filosofia pautados pelo logos e pela lógica. Tais estudos, estilística ou literariamente considerados, precedem mesmo os estudos de psicologia, pois só mediante a palavra é que a psique, feminina ou masculina, se nos revela ao serviço da expressão, da comunicação e da persuasão. E eis a razão por que também os estudos de ordem filológica permanecem a base dos estudos humanísticos, hoje em dia praticamente adulterados em prol de uma organização do ensino técnica e tecnologicamente dominante.

Aristóteles


Paralelamente se compreende que, perante essa adulteração, surja, nos termos da «disciplina de Filosofia», um simulacro caricatural do que seja a verdadeira arte de persuadir e argumentar à luz do silogismo aristotélico, segundo o qual, estabelecidas certas noções ou conceitos acerca das coisas, resulta algo diferente do previamente estabelecido. Ora, não é isso o que se ensina aos jovens estudantes das escolas médias e universitárias, na medida em que os professores-repetidores se fazem eco de velhas estruturas académicas e compendiarísticas que remontam, não a Aristóteles propriamente dito, mas sobretudo à lógica escolástica de matriz medieval e moderna, que nem sequer é uma lógica incompleta porque é ontologicamente vazia de acidentes verbais, como o tempo, o modo e a voz. Nela, portanto, a existência, em sua natureza única e pluriforme, aparece subsumida na fórmula essente do S é P, que é uma relação simplesmente formal de sujeito e predicado jamais realizada segundo a prioridade concedida por Aristóteles à virtude do verbo.

Ou seja: a «lógica formal», tal como é oficialmente ensinada, não é uma lógica modal dirigida ao reinos do natural e do sobrenatural, na medida em que, sendo uma lógica de classificação espacial e abstracta, não logra ultrapassar os estreitos limites de uma ordenação meramente extensiva de «conceitos» equiparados a classes passíveis de maior ou menor inclusão entre si. O jovem estudante aprende assim a analisar a qualidade (afirmação ou negação) e a quantidade (universal ou particular), a distinguir as inferências mediatas das imediatas com base na oposição, combinação e conversão das proposições gerais (contrárias, subcontrárias, contraditórias e subalternas), a multiplicar as figuras pelos modos silogísticos com o fim de analisar as 256 formas de combinação possíveis, das quais só 19, secundadas em nomenclatura latina para efeitos de facilidade mnemónica, são formalmente aceites segundo certas e determinadas regras de validade silogística. Trata-se, ao fim e ao cabo, de um processo lúdico de coerência e consequência puramente formal, já que aplicado à revelia de todo e qualquer acordo com a realidade, ou, se quisermos ainda, com o conteúdo que da realidade induzido ou mediado seja com vista à sua transcensão mental.

Tal acontece porque a lógica de Aristóteles se viu progressiva e secularmente reduzida a uma pura relação espacial de inclusão de objectos em classes, de que dão exemplo os silogismos categóricos e hipotéticos. Porém, Aristóteles jamais apresentou o silogismo como uma série ou um conjunto de proposições que reduzissem o raciocínio e a argumentação a três esquemas quantificados de pura inutilidade retórica. E tão abusivamente formalizados foram esses esquemas que, abstraídas inclusive as condições espácio-temporais, permaneceu apenas o constrangimento automático e raciocinante que haveria de suscitar a reacção negativa dos cartesianos no auge da modernidade científica e matematizante (7).






Daí se explica, aliás, que a lógica, alterada e adulterada pelos escolastas das sucessivas idades, decaísse na operação matemática de extensão ilimitada (logística), porquanto já completamente liberta de todo o universo idiomático em prol dos símbolos e sinais de notação unívoca figurados na técnica do cálculo. A lógica de Aristóteles cai, pois, fora do modelo matemático, porque, caso contrário, jamais faria a mediação entre a Natureza e Deus, mediação, além do mais, fundamentalmente indutiva por contraste à participação platónica entre o real e o ideal. A par da indução, que tem por fim a descoberta do conceito oculto ou da razão implícita na fecunda doutrina do silogismo, a lógica de Aristóteles é também o estudo analítico dos processos sofísticos, tanto mais presentes quanto mais se vão alargando e intensificando os sofismas jornalísticos, parlamentares e académicos do nosso tempo.

Já dissemos que, para Aristóteles, o conceito não é uma classe. Assim se explica por que o conceito, naturalmente expresso na palavra, pressupõe em si uma potencial qualificação de ordem semântica indispensável à demonstração de proposições necessárias e universais. Para tal qualificação contribui, sem dúvida, a definição das palavras sem que com isso se caia, pela via da “lógica formal”, na redução abstracta do conceito a uma pura extensão classificativa e espacial dos termos entre si, como quando se parte do género para a espécie – dizendo-se do Animal para o Homem -, ou da espécie para o género - dizendo-se do Homem para o Animal.

Se as coisas sensíveis, susceptíveis de medição ou mensuração, não se definem, os conceitos e as ideias, libertos da lógica decaída no círculo vicioso das convenções gramaticais e dos processos e esquemas estáticos de conversão e combinação de proposições, permanecem numa esfera privilegiada ante a delimitação abstracta das classes e da partição dicotómica entre juízos verdadeiros e falsos, positivos ou negativos. A lógica de Aristóteles não é, por isso, uma lógica confinada à repetição das regras e dos exemplos do compêndio escolar, já que não só considera a formação de imagens em determinadas condições do espaço e do tempo, como ainda e, sobretudo, possibilita o exercício pístico, gnósico e sófico que liberta o homem das condições estéticas da sua subjectividade. Numa palavra, o homem, por instantes que seja, também há-de desespacializar e destemporalizar à imagem e semelhança de Deus.




Aliás, como já pensara e interpretara Álvaro Ribeiro, a lógica de Aristóteles é uma lógica da invenção, da transcensão e da síntese na medida em que a distinção entre o abstracto e o concreto, a especialização e a generalização, a indução e a dedução, a forma e a matéria, o acto e a potência só se realizam perante a leitura de obras científicas, artísticas e filosóficas na condição imprescindível de nunca dispensarem o acesso à observação e à experimentação. Erro ou desvio é, portanto, o de separar os resultados em permanente actualização das ciências e das artes mecânicas da lógica tradicional propriamente dita, posto que, nesses termos, se inibe o despertar dinâmico da inteligência humana na capacidade de discernir paralogismos e descobrir silogismos sem cair na univocidade puramente formalista das classificações e dos esquemas estáticos da lógica medieval e moderna. Isso mesmo viu igualmente Olavo de Carvalho ao restabelecer a diferença aristotélica de grau do “discurso integral”, a saber: o poético, que tem por objecto o possível; o retórico, que tem por objecto o verosímil, o dialéctico, que tem por objecto o provável; finalmente, o lógico ou analítico, que tem por objecto a certeza apodíctica do encadeamento dedutivo e probante do silogismo científico (8).

Embora uma tal gradação se afigure, efectivamente, à imagem de um afunilamento piramidal, como bem vira o nosso compatriota João Seabra Botelho (9), ela não deixa, todavia, de se exprimir como uma teoria integral do logos. Ninguém pode, portanto, inferir da certeza para a verdade sem a mediação inferencial do conhecido para o desconhecido, do sensível para o inteligível, da potência para o acto. A dedução própria do silogismo não dispensa, como tal, o movimento de retorno às formas, aos fenómenos e até às aparências emergentes da natureza imediatamente dadas e plenamente contidas nos princípios universalizantes do espírito, como a verdade, a liberdade e a justiça.


Notas:

(1) António Quadros, Franco-Atirador, Espiral, 1970, p. 184.

(2) Sobre este ponto, diz-nos Daniel Estulin: «O RAND Institute e o Tavistock de Inglaterra, financiados pelos Rockefeller, investigam «a dinâmica da evolução»: a lógica subjacente ao motivo de pessoas de origens, interesses, lealdades e níveis de informação diversos terem certas opiniões. Os elitistas do establishment chamam-lhe «engenharia do consentimento». Coleman esclarece no livro: «A Tavistock, e fundações do mesmo género na América, têm uma única finalidade – vergar a força psicológica do indivíduo e reduzir-lhe as defesas perante os ditadores da Ordem Mundial»» (in Toda a Verdade sobre o Clube Bilderberg, Publicações Europa-América, 2008, p. 134).

(3)  Cf. Philosophie et démocratie dans le monde, enquête de L’UNESCO, Editions UNESCO, 1945, pp. 37-39.

(4) Cf. ob. cit., pp. 39-44.

(5)  Cf. Ministério da Educação, Introdução à Filosofia (Ensino Secundário), Imprensa-Nacional Casa da Moeda, 1992.

(6) Cf. Ministério da Educação, Programa de Filosofia (10º e 11º Anos), Departamento do Ensino Secundário, homologado em 22 de Fevereiro de 2001.






(7) A “lógica formal”, tal como se ensina nas escolas médias e universitárias, tem por objectivo analisar a validade de um “argumento” supostamente silogístico, partindo do falso princípio de que todo o argumento é um conjunto de proposições mas nem todo o conjunto de proposições é um argumento. Ora, em Aristóteles não só o argumento silogístico não se reduz a um conjunto constituído por duas premissas e uma conclusão – o “silogismo categórico regular” segundo a classificação dos escolásticos medievais e modernos – como também não se confina ao necessitarismo constringente da “forma lógica” abstraída de todo e qualquer conteúdo experiencial, imaginal e conceitual que se manifeste e realize como tal. Logo, a determinação da verdade ou da falsidade de uma proposição, seja ela afirmativa ou negativa, é o que importa para Aristóteles enquanto condição primeira para a elaboração e demonstração lógica de todo o discurso silogístico que transcenda a mera correspondência ou a mera representação entre o pensamento e a realidade. Mas é precisamente isto que não acontece na “lógica formal” de matriz medieval e moderna, já que a “validade silogística”, formalmente vazia, dispensa a procura da verdade numa articulação que se quer sempre figurativa e redutora das premissas e da conclusão. Quanto muito existe o “valor de verdade” entre proposições gerais (contrárias, subcontrárias, subalternas e contraditórias), assim como a “validade material” que, imediatamente representável na realidade mais sensível e circundante, há-de ou não reflectir-se, por um lado, em cada proposição isoladamente considerada, e exigir, por outro, que de duas premissas verdadeiras não resulte uma conclusão falsa. Em última análise, de um “argumento” não se pode dizer, do ponto de vista da mera “lógica formal”, que ele é verdadeiro ou falso, uma vez que, num sentido completamente inverso ao que Aristóteles pensara, a “lógica formal” de matriz medieval e moderna é ontológica e filosoficamente vazia.

(8) Cf. Olavo de Carvalho, Aristóteles em Nova Perspectiva, Topbooks, pp. 40-49.

(9) J. S. Botelho, «Aristóteles em Nova Perspectiva», in Sapientia Autem Non Vincit Malitia, Homepage de Olavo de Carvalho. Segundo João Botelho, o Organon de Aristóteles seria melhor compreendido à luz de um sistema esférico do que de um sistema piramidal. Quer dizer: em Aristóteles jogam, operam e combinam-se dinâmica e dialecticamente indução e dedução, análise e síntese, múltiplo e uno, ciência e imaginação. Além disso, o autor também salienta a importância do “discurso sofístico”, assaz presente na filosofia grega, em geral, e no pensamento de Aristóteles, em particular.


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