domingo, 21 de novembro de 2010

Actualidade da filosofia portuguesa

Escrito por Miguel Bruno Duarte



«Alheia às vicissitudes da cultura universitária, onde se deforma quando se reflecte, tem sido quase sempre inspirada por um espírito subtil e desconhecido a filosofia portuguesa».

Álvaro Ribeiro («Apologia e Filosofia»).



Raríssimos são, hoje, os que, com frontalidade e coragem, revelam compreender que um abismo sem fundo existe entre o saber parasitário das instituições universitárias e o pensamento vivo, espontâneo e criador de filósofos portugueses. Uma coisa são apenas duplicados do que no passado foi o pensamento vivo e especulativo de indivíduos espiritualmente superiores, outra coisa é, na actualização prospectiva da tradição filosófica nacional, o aparecimento de novos e inesperados pensadores da cultura nacional-humana. Por outras palavras, todo e qualquer carreirista universitário pago para produzir erudição livresca e quase sempre segundo os ditames ideológicos conformes à cultura dominante – no presente caso o da cultura socialista -, não é nem deverá ser confundido com o que a tradição clássica, baseada no modelo da sabedoria socrática, entendia ou caracterizava por filósofo.

A filosofia portuguesa não é a filosofia de um «grupo», como dizem os seus detractores. Dizê-lo simplesmente assim significa, uma vez desaparecido o alegado «grupo», poder dar finalmente por finda a filosofia de um povo que já muitos consideram como tendo «saltado para fora do tempo». Eis então, rigorosamente, o ponto da questão: o movimento da filosofia portuguesa, no que o distingue de outros movimentos culturais, científicos e literários, está no facto incontornável de ter assumido a tradição filosófica pátria contanto que despida de tudo o que, erudita e monograficamente, grassa nas academias e nas universidades ao sabor do neoglobalismo triunfante, nomeadamente sob a forma do positivismo francês, alemão e anglo-saxónico.

Deste modo se explica, aliás, que Orlando Vitorino repudiasse o suposto carácter «grupal» da filosofia portuguesa, não obstante a sua manifestação na concreta e situada tertúlia de Álvaro Ribeiro e José Marinho, irmãos espirituais em Leonardo Coimbra. Ou seja: a filosofia portuguesa não só irradiou a outras personalidades das mais diversas origens, ideários e matizes ideológicos como Almada Negreiros, Jorge de Sena e José Régio, como também lançou raízes mais fundas, singulares e originais que hoje permanecem e prometem doravante constituir a filosofia de todos os portugueses que pensam. Logo, como escrevera Orlando Vitorino, a filosofia portuguesa é um dos acontecimentos mais importantes da história de Portugal, afirmação que só estranhará quem não puder compreender a afirmação de N. Hartman de que os Discursos à Nação Alemã, de Fichte, foram um dos acontecimentos mais importantes da história universal.

Ora, a máquina universitária, dominada por inúmeros grupos de activistas – os mesmos que controlam ou tendem a controlar toda a acção cultural do Estado e são, além do mais, os queridinhos da Comunicação Social – essa, dizíamos nós, não pode nem quer reconhecer e perceber tão abissal diferença. Daí que surjam criaturas que, sob os efeitos contraditórios e estonteantes de uma propaganda gramsciana, declarem a morte alheia de tudo o que não compreendem, seja de Portugal seja da filosofia portuguesa.

Orlando Vitorino


Na verdade, tais criaturas, que nem sempre falam em nome próprio, deixam, por vezes, ressaltar ainda mais a sua burrice vazia sobre o que espiritualmente as transcende: o pensamento autêntico que não corre pelas vias consagradas da classe política, jornalística e universitária do nosso tempo. Um pensamento, para mais, que não é apanágio de técnicas e metodologias universitárias de pura e redutora análise linguística sobre a letra morta de textos manuscritos ou impressos, brochados ou encadernados. Tal não significa que a paleografia não seja uma actividade auxiliar ou necessária, mas tão-somente que ela ainda não é pensamento nos termos de um real e profundo movimento gerador de alta cultura.

Pinharanda Gomes é, na filosofia portuguesa, o exemplo paradigmático do obreiro paleográfico que, pairando acima das citações ornamentais e corporativas do mais insípido academismo, sabe decifrar, comentar e publicar documentos colhidos e investigados em arquivos e bibliotecas que nem sempre parecem estar ao serviço do património científico, artístico e filosófico português. Por isso, de muitos historiadores e paleógrafos existentes entre nós, ele é, sem dúvida, o primeiro e o mais abalizado de todos, pois percebe e compreende onde mora o valor de um paciente e laborioso trabalho que, como o seu, visa o «fundamento» sumológico das verdades eternas e principiais de uma filosofia da história norteada por e para Portugueses. Como tal, Pinharanda Gomes vale, no mínimo, mil universitários pela sua obra verdadeiramente monumental, e tanto mais valiosa porquanto inspirada no pensamento de Álvaro Ribeiro e José Marinho que foram, por certo, filósofos que promoveram aulas abertas e gratuitas de filosofia, coisa, aliás, impensável em "profissionais" pagos para dissertar no meio universitário.

Na realidade, foram esses mesmos "profissionais" parasitários do pensamento extra-universitário que, por entre as vestes dissimuladas da “Filosofia em Portugal”, jamais admitiram a existência da filosofia portuguesa por a considerarem, como refere Pinharanda Gomes, uma ideologia já feita para então recusá-la liminarmente (1). E a ironia perpassa pelo facto desses mesmos «profissionais» do intelecto alheio não terem o mesmo sentido supostamente crítico quando são pagos para ensinar as mais dogmáticas e dissimuladas ideologias que fazem da corporação universitária o maior foco de positivismo e materialismo do nosso tempo (2). De nada vale, portanto, a solenidade dos congressos, dos debates e das conferências se estas não visarem uma finalidade superior à mera ruminação do saber já feito e vertido em segunda, terceira ou quarta mão, como, aliás, o reconhece Afonso Botelho nos seguintes termos:

«A solenidade das conversas não é a solenidade dos Congressos. Os Congressos, de um modo geral, servem para dar aparência singular ao que é quotidiano e habitual. Com esta solenidade exterior só aparentemente se começará a consagrar a filosofia portuguesa, visto que, de tais reuniões, dirigidas predominantemente aos sentidos da vista ou do ouvido, apenas se deduz a visão e a audição do que já existia, ou do que não existia nem jamais existirá. São, portanto, reuniões do senso comum e da fantasia colectiva» (3).



Afonso Botelho



De facto, a filosofia portuguesa abre-nos as portas para a compreensão una e omnímoda, como diria o próprio José Marinho, do quanto podem e estão efectivamente minadas, sob o ponto de vista do ideologismo cientista, as instituições jurídicas, políticas e culturais da actualidade. De resto, essa coisificação saturnina, que Marinho designara por cisão extrema, teve aspectos verdadeiramente precursores no domínio do positivismo invasor, no momento em que este, a partir de meados do século XIX, se infiltrara na superficialidade cultural de medíocre mas nefasta aclimação no extremo ocidental ibérico. Daí, pois, ter Álvaro Ribeiro escrito para José Marinho o quanto considerava, não os marxistas, mas os positivistas como «os maiores inimigos do pensamento português».

Demais, diz-nos o autor d’Arte de Filosofar:

«Não está ainda perfeita a história do positivismo em Portugal, desde a primeira menção do nome de Augusto Comte nos escritos dos publicistas liberais e socialistas, monárquicos e republicanos, antes de o sistema filosófico ter sido exposto e divulgado pelas instituições intercambiais de cultura. Escritores racionalistas como Amorim Viana, Cunha Seixas e Sampaio Bruno estudaram, certamente, o Curso de Filosofia Positiva. Certo é, porém, que ao nome de Augusto Comte não podemos deixar de ligar o nome de Teófilo Braga, mestre inolvidável de professores, escritores e jornalistas que alertaram de unicidade a alma nacional com a confiança nas virtudes do povo português e com a esperança de que um novo sistema de educação seria capaz de fazer passar o espírito da potência ao acto.

A tese de que o positivismo português foi historicamente dependente do positivismo brasileiro não está ainda suficientemente fundada ou demonstrada. Em 1870, por um manifesto célebre fundou-se o partido republicano brasileiro, o qual só adoptou mais tarde os princípios positivistas em consequência da doutrinação de homens ilustres como Benjamin Constant, Miguel Lemos e Teixeira Mendes. A República Brasileira foi proclamada a 15 de Novembro de 1889, mas as notáveis leis do seu governo provisório oferecem impressionantes semelhanças com a letra e o espírito das leis do governo provisório da República Portuguesa, proclamada em 1910 (4).




É hoje evidente – prossegue Álvaro Ribeiro - que o positivismo foi um factor constitutivo da ideologia republicana em Portugal. Não se tem prestado maior atenção a que o positivismo também exerceu poderoso fascínio sobre a mentalidade dos políticos monárquicos, absolutistas e constitucionalistas, pelo que formou na opinião pública, - parlamentar, partidária e jornalística, - a premissa doutrinal que, ligada à crítica diária dos acontecimentos políticos, havia de exigir a conclusão necessária, previdente e conveniente de abolir a monarquia dinástica. A lei dos três estados era prudentemente invocada para a instalação definitiva do cientismo – sem Deus nem religião, - de modo a apartar os pensadores da obra filosófica de Augusto Comte, isto é, da obra realizada na ética, na moral e na política.

O positivismo serviu também, aos escritores republicanos e monárquicos, de barreira cultural contra a propagação das doutrinas socialistas, acolhidas por Antero de Quental e por Oliveira Martins, como de travão para o movimento operário, obreiro, ouvrier, o qual sagrava acima de tudo o trabalho manual e mecânico, contradizendo o espírito cooperativo de todas as profissões hierarquizadas na empresa própria da indústria moderna. Teófilo Braga, apesar do valioso e gigantesco labor de aplicar os métodos positivistas ao estudo étnico, folclórico, literário e histórico do povo português, não foi personalidade capaz de impedir que a desnacionalização cultural se projectasse na constituição política, redigida em 1911 sem ordem nem progresso. Tão certo é que, no nosso país, os partidos políticos mais parecem secções portuguesas de associações internacionais, lutando em prol de exóticas e peregrinas ideologias» (5).


Presentemente, o Brasil, correndo sob a divisa positivista da ordem e do progresso, está sendo, muito para além disso, uma plataforma de coordenação revolucionária para a implantação do neocomunismo no continente sul-americano. Prova disso é a resistência de alguns ilustres brasileiros que, como Olavo de Carvalho, se batem heróica e frontalmente por um Brasil que rejeite, denuncie e combata o terrorismo cubano e certas e bem identificadas organizações revolucionárias como o Foro de São Paulo, as FARC (6) e o MIR chileno (7). E tanto mais o fazem quando essa resistência se torna indispensável contra o establishment esquerdista imposto a todos os quadrantes da vida político-económica, jornalística e académica.



João Paulo II



Por isso, desde já nos consideramos naturalmente solidários com nossos irmãos de Vera Cruz em nome de uma língua e de uma Pátria que nos é, não obstante a cisão histórica na «coisa pública», bem como na origem e na acção de dois Estados diferentes, efectivamente comum. Na verdade, o abortismo ou a “cultura de morte” - na inequívoca expressão de João Paulo II -, a "liberalização das drogas", o multiculturalismo, o alarmismo ecológico, o feminismo, o “casamento” gay, enfim, tudo o que o socialismo progressista nos quer agora impor, encontrará da nossa parte a mais viva hostilidade. De resto, é um facto indesmentível de que a desproporção entre o esquerdismo - constituído por organizações sectárias e partidárias para destruir a Pátria, a Nação e a República -, e a direita abstracta e paradoxalmente inexistente, não passa, por sua vez, de um artificio de engenharia social que, além do mais, contribui sobremodo para o triunfo da Nova Ordem Mundial.

Também é verdade que a filosofia portuguesa, entendida nas suas mais distintas figuras de proa, como Álvaro Ribeiro e José Marinho, não se comprometeram, como Orlando Vitorino, a encarar de frente a táctica gramsciana enquanto via de instauração do comunismo no ensino e na cultura. Nesse sentido, brasileiros como Olavo de Carvalho estão, em muitos aspectos, bem mais preparados do que a massa amorfa e apática dos intelectuais portugueses, que já nem sequer olham de frente para a realidade que os tolhe e absorve num redemoinho de tagarelice oca e vazia nas academias e nos concentrados órgãos de comunicação de massas. Nisto, até os epígonos da filosofia portuguesa, alguns deles já em órbita universitária, quedam perdidos por entre auto-elogios, lamúrias e cultos de personalidade.

Felizmente, a sabedoria, simbolicamente considerada, é mulher que prefere antes de mais os que a procuram e por ela se batem na melhor tradição socrática. Nós nem queremos imaginar, entretanto, o que seja o naufrágio do estudante universitário lançado às turvas águas da filosofia estrangeira, venha ela na forma de marxismo, pragmatismo, desconstrucionismo, ou ainda na forma de kantismo, nietzscheanismo, estruturalismo, heideggerianismo, e todos os demais ismos. Contudo, permanecerá sempre uma bóia de salvação lançada pela filosofia portuguesa, cujo horizonte superno ora atravessa as implicações últimas da visão unívoca e mística de José Marinho, ora atende ao aristotelismo modal e teleológico de Álvaro Ribeiro.

Assim, cabe-nos dizer que o movimento da filosofia portuguesa, no que verdadeira e espiritualmente significa, não deve, quanto a nós, ser equiparado a outros movimentos manifestamente cívicos, literários, políticos ou outros, como fazem certos universitários que só vêem, em termos lineares, o antes e o depois, histórica ou sociologicamente considerados. Se tudo fosse pautado nos tais termos lineares do antes e depois, permaneceria apenas a imagem temporal do que incessantemente se nega, altera e corrompe, onde nada por si mesmo subsiste ou permanece. Ora, entendida a filosofia portuguesa, não como o pensamento do já pensado, mas como o pensamento em acto, é o que nos permite dizer hoje, como ontem disse Álvaro Ribeiro, e amanhã o dirão outros ainda, que a interpretação portuguesa da filosofia de Aristóteles é superior à interpretação alemã.




Notas:

(1) Pinharanda Gomes diz, de um modo mais geral, embora surpreendentemente incorrecto para o filólogo abalizado que é, que os meios oficiais, constituídos já no tempo de Álvaro Ribeiro em «múltiplos quadrantes (Situação e Oposição, Estado e Igreja, Universidade e Intelectuais)», jamais admitiram «a reforma – entenda-se a «autonomização da Faculdade de Filosofia (que deixaria de constituir um sector departamental da Faculdade de Letras)» - aduzida pelo filósofo [Álvaro Ribeiro]» (cf. Pinharanda Gomes, «Álvaro Ribeiro (1905-1981): da “Renascença Portuguesa” à “Filosofia Portuguesa”, in A “Escola Portuense”, Edições Caixotim, 2005, p. 130). Surpreendentemente incorrecto porque Álvaro Ribeiro não se inibiu de, com toda a propriedade filológica, demonstrar que «o substantivo reforma encerra e encobre um conceito inaplicável a qualquer ordem de problemas administrativos, porque a mudança de forma implica a conservação da matéria, enfim, uma doutrina materialista, que só por convenção tolerável respeitará a identidade do mesmo ser. A correlação entre forma e matéria, entre escola formal e escola material, deverá estar na mente de quem discute problemas de educação, ainda quando de propósito se excluam as noções de causa eficiente e de causa final. Confundir a imaginação industriosa com a imaginação teleológica no mesmo lugar, ou no lugar-comum, é proceder contra as regras superiores da actividade da inteligência. Desejável seria que em qualquer projecto de sistema escolar vigorasse uma nomenclatura mais apurada, mais autêntica, mais sincera, para que os assuntos altamente sérios de educação nacional não caíssem nos lugares-comuns onde não é exigida mais do que a facilidade de palavra, no falar e no escrever» (cf. Álvaro Ribeiro, «Revolução Universitária», in Memórias de Um Letrado, III, Guimarães Editores, 1980, pp. 91-92). Noutra passagem, diz ainda o filósofo portuense: «O Marquês de Pombal pretendeu reformar a Universidade de Coimbra fora da filosofia de Aristóteles. Ignorava o Estadista, como também ignoravam os seus colaboradores, que a forma significa alma, princípio interno de actividade, porque a alma não é a figura exterior que delimita um corpo de maior ou menos beleza geométrica. Tal é a razão escolhida para atribuir à palavra reforma o sentido artificial de outra forma, e assim o reformado é o sujeito de morte civil, consoante a linguagem usada ou desusada no funcionalismo público» (cf. «Ensino Superior, Ensino Soberano», in ob. cit., pp. 87-88).

(2) Este foco desnacionalizante continua bem patente nas formas recicladas do estruturalismo, da etnologia moderna, do historicismo revisionista, das doutrinas existencialistas, ateias e igualitárias, do marxismo e dos círculos supostamente “liberais” da cultura anglo-saxónica. Quem, entretanto, deseje verificar até que ponto a hegemonia gramsciana se espelha na bibliografia universitária corrente, comece pelos departamentos nominalmente responsáveis por «áreas» ou «domínios» tão aparentemente díspares como a “Filosofia”, a “Psicologia”, a “Sociologia” e as “Ciências Sociais e Políticas”.

(3) Cf. Álvaro Ribeiro, «Os Reis Magos e a Tradição Portuguesa», in As Portas do Conhecimento, com nota prefacial de Afonso Botelho, IAC, 1987, p. 132). Por outro lado, existe, na Fundação António Quadros, uma carta deveras interessante de Álvaro Ribeiro para António Quadros, na qual se valoriza a aproximação por este encetada em prol das relações culturais luso-brasileiras. E dizemos interessante porque, também aí, a misantropia de Álvaro Ribeiro, não obstante essa valorização, deixa entrever o quanto essas relações tendem à evanescente rotina de um acto de superficialidade cultural do que propriamente a uma aproximação profunda e aprofundada das raízes filosóficas abscônditas em jogo. Outra carta, num contexto caracterológico diferente, mas ainda assim analogamente convergente, é a de Orlando Vitorino para António Quadros, na qual é lançado um apelo ao destinatário para que procure revelar o seu pensamento numa base mais propriamente especulativa do que simplesmente erudita e «pedagógica», quando não, por vezes, sociológica.



António Quadros



(4) João Camilo de Oliveira Torres, O Positivismo no Brasil, 2.ª edição, revista e aumentada, Editora Vozes Limitada, Petrópolis, R. J. 1957.

(5) Álvaro Ribeiro, «Augusto Comte», in As Portas dos Conhecimento, pp. 355-356.

(6) Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, organizadas em 1964 sob a forma de estrutura armada do Partido Comunista Colombiano.

(7) Movimento Revolucionário de Esquerda, fundado em 15 de Agosto de 1965 e accionista maior da indústria brasileira de sequestros.


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