segunda-feira, 28 de junho de 2010

Operação Saramago (i)

Escrito por Miguel Bruno Duarte




Caim mata Abel




«Um professor pergunta a um aluno se ele reza. Este diz que sim; então o primário manda-o ajoelhar e pedir-lhe pão. Depois da pobre criança pedir pão a Deus, o primário pergunta – Deus deu-te o pão?


Não, responde a criança. Então pede-o ao camarada comunista. O pequeno obedece… E este louco, este deus primário entrega-lhe um pouco de pão… demonstrando assim a não existência de Deus (!!)».


Leonardo Coimbra («A Rússia de Hoje e o Homem de Sempre»).



Em Portugal, realizou-se um culto fúnebre dirigido a um fortíssimo candidato à corte luciferina dos fiéis servidores do Príncipe das Trevas. Falamos, obviamente, de José Saramago. Para o efeito, foi mobilizada toda uma operação de propaganda ideológica que a esquerda vem reforçando nos últimos 30 anos, excluindo da ribalta toda a opinião, contestação ou repulsa sobre a maior fraude literária imposta ao povo português. A par disso, foi igualmente possível ver um partido extremista exigindo ao Presidente da República que prestasse, de pronto e reconhecidamente, culto fúnebre ao literato comunista.

Não faltaram outros exemplos, como o da ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, que além de estar preparando a língua portuguesa como instrumento de comunicação técnica ao serviço de organizações internacionais, pôs imediatamente em prática toda uma farsa inerente ao cargo político que ocupa mediante o discurso venal, cúmplice e cabalmente vazio que proferiu nos Paços do Concelho. Isto sem esquecer uma tal de Lídia Jorge, que tentou logo justificar, numa daquelas pomposas e pedagógicas declarações televisivas com que o jornalismo socialista tão habitualmente nos brinda, a iliteracia de Saramago como uma espécie de «revolução cultural». E não faltaram também, da parte do universitário Eduardo Lourenço, as patacoadas labirínticas do costume, como a de que Saramago fora um poeta, coisa só comparável aos dislates da ministra da Educação que, naquele ar de boa mocinha, afirmou ter sido o literato comunista uma verdadeira inspiração na época em que o ensinava aos seus alunos.

Nisto, há, sem dúvida, dois aspectos que ressaltam imediatamente aos olhos dos mais atentos e prevenidos, a saber: 1. o atroz e tacanho provincianismo das classes letradas bem-falantes; 2. A estupidez inacreditável que faz delas agentes de deturpação da cultura genuinamente nacional, europeia e universal.

Não se pense, pois, que toda esta operação nasceu da noite para o dia. Exemplo disso é o que Ernesto Palma, em O Plutocrata, confirma sobremaneira quando diz ter ido Mário Soares à Suécia para obter o Nobel, bem como ter o Instituto Camões, que tão bem opera em rede universitária, financiado a edição sueca dos livros de Saramago.










De resto, já Leonardo Coimbra também procurara compreender, em A Rússia de Hoje e o Homem de Sempre, como toda a organização comunista faz de todo o ensino um instrumento ao serviço do imperialismo afectivo e voluntarista do homem revolucionário:

«… a mais alta educação – o fim último da educação – é a moldagem da consciência comunista.

A cultura política orienta, determina e condiciona em absoluto todas as outras formas culturais – ciências, artes, filosofia, etc.».

E mais adiante, diz:

«… do Comunismo é curioso observar-se que está dum lado a vida e do outro o cimento. Tudo o que é vida, vive nos obstáculos ao cimento; tudo o que é comunismo e cimento é destruição daquela vida, estupro, orgia sexual, morte, absorção das vidas, de cada vida, honra, amor e sentimento pessoal na Fatalidade dum Todo em que se dissolve e perde, como gota de água no Oceano, como poeira na violência do Tufão».

Mesmo assim, havendo hoje a possibilidade de se conhecer factos históricos a propósito da “cultura de genocídio” praticada por comunistas, há ainda quem, com ironia macabra com vista a desdramatizar o óbvio, diga ou escreva que os comunistas são tão maus que até comem criancinhas ao pequeno-almoço. Mas ponhamos essa ironia de parte e vejamos o testemunho do pastor baptista romeno Richard Wurmbrand para então termos uma imagem aproximada do que é passar catorze anos nas prisões comunistas:

«A 23 de Agosto de 1944 um milhão de russos invadiu a Roménia e pouco depois os comunistas apoderaram-se do poder. E isto não se realizou sem a cooperação dos dirigentes ingleses e americanos da época. Pelo trágico cativeiro de tantos povos a responsabilidade pesa sobre o coração dos cristãos da América e da Inglaterra… e devem saber que ajudaram os soviéticos a imporem-nos um regimen de assassínio e terror. Os comunistas convocaram um congresso de todos os dirigentes eclesiásticos no palácio do Parlamento. Estiveram presentes quatro mil padres, pastores e ministros de todos os credos, que não só escolheram Estaline para presidente honorário como chegaram mesmo ao ponto de declarar que o comunismo e o cristianismo eram profundamente semelhantes e podiam coexistir sem dificuldade. Um, após outro, elogiaram o marxismo e asseguraram ao novo regime a lealdade da Igreja… Minha mulher que estava sentada a meu lado disse-me "levante-se Ricardo e lave a afronta feita à Santa Face de Cristo". Levantei-me e falei, louvando não os assassinos dos cristãos mas Deus e Jesus Cristo a quem é devido, em primeiro lugar, a nossa fidelidade. Depois tive de pagar bem caro o crime de ter dissertado com tanta franqueza.

… Jamais esquecerei o meu primeiro encontro com um prisioneiro russo. Disse-me que era engenheiro. Quando lhe perguntei se tinha fé em Deus olhou-me muito espantado. Sem perceber sequer a minha pergunta, respondeu: «Não tenho ordem dos meus superiores para crer. Se me ordenarem acreditarei…».






Perante mim estava um homem cujo espírito tinha morrido, um homem que perdera a maior dádiva concedida por Deus às suas criaturas: o dom da personalidade. Já não pensava por si próprio. A lavagem ao cérebro transformou-o num instrumento dócil nas mãos dos comunistas, tornara-o um soviético típico, após todos estes anos de domínio marxista. Os comunistas não se limitaram a ocupar, pouco a pouco, o mundo, apoderando-se da terra e do gado do camponês; da humilde loja do barbeiro e do alfaiate – de gente pobre e sofredora.

… A 19 de Fevereiro de 1948, domingo, fui raptado pela polícia secreta. Durante mais de oito dias ninguém soube se estava vivo ou morto. A minha mulher recebeu a visita de agentes da polícia secreta que pretendiam ser antigos prisioneiros que me tinham conhecido muito bem. Contaram-lhe que assistiram ao meu enterro. Dilaceraram-lhe o coração.

… As torturas infligidas aos presos eram, para mim, abomináveis. Prefiro não me demorar na descrição do que tive de suportar. Num outro livro "L’Église des Catacombes" conto, de forma pormenorizada, as nossas experiências com Deus que nos assistia nas prisões. Um pastor foi torturado com tições incandescentes e com navalhas. Bateram-lhe de forma frenética. Depois, ratos esfomeados foram introduzidos na sua cela por uma canalização. Nem sequer podia dormir. Se por instantes caía na sonolência os ratos atacavam-no. Foi obrigado a manter-se de pé durante duas semanas. Os seus carrascos queriam força-lo a renegar um dos seus irmãos em religião mas ele resistiu com teimosia. Por fim trouxeram o seu filho de catorze anos e começaram a chicoteá-lo diante do pai, dizendo que continuavam a fazê-lo até que o pastor dissesse o que eles queriam. Quando o desgraçado já não podia suportar semelhante espectáculo gritou para o filho. «Tenho que dizer o que eles pedem, já não posso aguentar ver-te maltratado da forma como o estão fazendo». Mas o filho respondeu: "Pai, não faça a injúria de ter um traidor por pai… Se me matarem morrerei com estas palavras nos lábios: Jesus e minha Pátria". Os comunistas enraivecidos lançaram-se sobre o pobre jovem a baterem-lhe até o matarem… Algemas, guarnecidas de pregos no seu interior, envolviam os pulsos. Só quando nos conservávamos completamente imóveis é que não nos feriam. Nas celas glaciais tiritávamos de frio.

… Os cristãos eram pendurados de cabeça para baixo e batiam-lhes com violência tal que os corpos balançavam com a rudeza das pancadas desferidas. Eram colocados em câmaras frigoríficas com temperaturas tão baixas que o interior das paredes se cobriam de gelo. Fui lançado numa dessas celas quase despido. Pela vigia, os médicos da prisão vigiavam o "paciente"; aos primeiros sintomas da morte pelo frio chamavam os guardas para nos retirarem e reanimarem aquecendo-nos. Depois, e quando estávamos refeitos, mandavam-nos, de novo, colocar no frigorífico para de novo enregelarmos e esta brincadeira prosseguia de forma interminável. Ainda hoje não suporto que abram um frigorífico na minha presença.







… Outras vezes encerraram-nos em caixas de madeira pouco maiores do que nós. A exiguidade das suas dimensões impedia-nos de executar qualquer movimento. Dezenas de pregos de pontas aceradas guarneciam as paredes. Tudo corria bem se nós não nos movêssemos. Mas como permanecer de pé durante tantas horas sem, por fim, fraquejar. E quando vacilávamos, por efeito de fadiga, os pregos dilaceravam-nos a carne.

… A torturas infligidas pelos comunistas aos cristãos ultrapassava o entendimento humano. Assisti a muitas delas e verifiquei que o semblante dos carrascos estava radiante de uma alegria satânica. Enquanto os martirizavam bramavam: “Somos o diabo”.

… A nossa luta não é contra a carne e o sangue mas contra os Principados e os Poderes das Trevas. E afirmamos que o comunismo não procede de homens mas de Satanás. É uma força espiritual – diabólica e só pode ser combatida por uma força espiritual superior: o Espírito de Deus.

… Ouvi um dia um carrasco confessar: "agradeço a Deus, em quem não acredito, por ter vivido até esta hora em que posso exprimir toda a perversidade do meu coração". E dizia isto dando mostras de uma incrível ferocidade em relação aos prisioneiros que lhe eram entregues.

…Já depus como testemunha perante a Sub-Comissão de Segurança Interna do Senado Americano. Descrevi então, os terríficos espectáculos, a que me foi dado assistir, como por exemplo o de cristãos, durante quatro dias e quatro noites, atados a cruzes colocadas no solo de forma a que centenas de prisioneiros eram obrigados a satisfazer as suas necessidades sobre as caras e os corpos dos crucificados. Quando erguiam as cruzes, os comunistas riam e troçavam: "Olhai o vosso Cristo, como está belo". Já contei como um padre chegou à semi-loucura em virtude dos terríveis suplícios a que foi submetido. Obrigaram-no, na prisão de Pitesti, a consagrar excrementos humanos e urina e, sob esta forma, a distribuir a Comunhão a fiéis católicos… Todas as descrições do Inferno nas Santas Escrituras ou os suplícios narrados no Inferno de Dante, nada são em comparação com as torturas práticas nas prisões comunistas» (in Deirdre Manifold, Fátima e a Grande Conspiração, Edições Fernando Pereira, pp. 87-89).




La Porte de l'Enfer




Continua


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